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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Monopólio privado da educação

07 de dezembro de 2014

Kroton Educacional bate record em lucro com repasse de dinheiro público


Lucro de R$ 213 milhões no terceiro trimestre desse ano é resultado de programas sociais do governo do PT, como o ProUni, o Pronatec e o Fies, assim como com o aumento de mensalidades e o corte de custos na instituição

A Kroton Educacional, a maior empresa privada de educação do país, somou no terceiro trimestre desse ano um lucro líquido de R$ 213 milhões, cerca de R$113,5 milhões a mais que obteve no mesmo período do ano passado (quando somou R$ 99,5 milhões). Um dos motivos pelo aumento exponencial de seus lucros, entre outros motivos, tem ligação com fusão entre a instituição e a Anhanguera Educacional. Com a aprovação da junção entre as instituições de ensino se transformaram na maior rede privada de ensino do mundo.

No período, a geração de recursos através de suas atividades operacionais medida pelo indicador financeiro Ebitda, somou R$ 354, 8 milhões, ante R$ 180,9 milhões em etapa igual de 2013.

O Ebitda calcula o lucro operacional, que é a subtração, a partir da receita líquida, do custo dos produtos vendidos (CPV), no caso os cursos da instituição, das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas. Os analistas esperavam, em média, lucro líquido de R$ 272 milhões e Ebitda de R$ 352 milhões para o período, segundo pesquisa da Reuters.

A Kroton Educacional controla sozinha mais de um milhão de estudantes do ensino superior e pós-graduação, 290 mil estudantes de educação básica, 41 mil do Pronatec e mais 53 mil em cursos irregulares. Após a fusão entre a Kroton e a Anhanguera, a nova companhia tem o equivalente a 20% de todas as matrículas do ensino superior brasileiro de acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee). Sendo ao todo, 486 mil cursando o ensino presencial (graduação e pós-graduação) e 516 mil em regime de ensino à distância.

Nesse sentido um dos motivos pelo qual houve a ampliação dos lucros da Kroton Educacional vem de um lado do investimento de grupos especuladores nacionais e internacionais que articulam as fusões entre diferentes companhias e promovem uma reestruturação nessas instituições, no sentido de diminuir custos reduzindo o número de funcionários das faculdades, mantendo baixos salários e demitindo professores com maior nível de formação. E por outro lado, com o repasse do dinheiro público por meio dos programas sociais do governo federal voltados à educação, como, por exemplo, o ProUni (Programa universidade para Todos), o Pronatec e o Fies.

Inclusive a Kroton Educacional foi uma das 15 empresas que mais valorizaram durante o governo Dilma (PT), segundo informações do levantamento feito pela consultoria Economática. O que pode ser visto pelo aumento de seu valor de mercado, quando em dezembro de 2010 (último ano do segundo governo Lula) a empresa somava R$ 1,42 bilhões, saltando para R$ 29,08 bilhões até novembro de 2014.

Em comentário a Kroton informou que terá até 2016 um modelo acadêmico único para toda a organização, para repetir o desempenho financeiro e visar o aumento desse lucro.

É evidente que a ampliação dos lucros da Kroton Educacional vem em grande maioria do repasse dos cofres públicos à instituição que bate records em lucro, enquanto os estudantes dessa instituição se deparam com uma qualidade de ensino e uma estrutura universitária abaixo da crítica.

É preciso exigir que esse monopólio privado educacional que já é financiado com dinheiro público, seja estatizado e colocado sob controle dos maiores interessados em uma educação da qualidade e que seja pública, funcionários, professores e uma maioria de estudantes.

Fonte: PCO

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