O GEILC
(Grupo de Estados de Ideologia e Lutas de Classes), o GEPS (Grupo de Estudos
Política e Sociedade) e o GEPEHCE (Grupo de Pesquisa Estudos Histórico-Críticos
em Educação) promovem o duplo lançamento das revistas Lutas Sociais (num. 32) e
RBBA - Revista Binacional Brasil-Argentina (num. 5), marcados para o dia 16/12 (terça-feira), às 19:00 horas, no
Auditório do CEDOC - Centro de Documentação Albertina Lima de Vasconcelos – (na
UESB, próximo à Biofabrica, ao lado do Laboratório de Biologia). O
duplo lançamento destas distintas revistas se faz propositadamente, pois que se
agregam às ações de difusão crítica sobre um tema central (ditadura
civil-militar na América Latina) tema central das duas publicações, quando
completa-se meio século de ocorrência do golpe civil-militar no Brasil.
História (tempo e espaço), poesia, política, sociedade, cultura, economia, educação... Antes que o silêncio me torne cúmplice.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
CIA paga U$ 81 milhões para que psicólogos aprimorem tortura
Título original: La CIA pagó 81 millones de dólares a dos psicólogos para
que desarrollaran torturas
Publicado: 11 dic 2014
© REUTERS
Las técnicas de tortura a las que fueron sometidos los
detenidos de la CIA las desarrollaron dos psicólogos inexpertos que recibieron
81 millones de dólares por su trabajo, señala el polémico informe del Comité de
Inteligencia del Senado de EE.UU.
Los dos contratistas no sabían nada sobre técnicas de
interrogatorio, Al Qaeda o lucha contra el terrorismo y carecían de "cualquier
tipo de experiencia cultural o lingüística relevante", insisten los
autores del informe, citado por 'New York Post'.
La ausencia de conocimientos no impidió a los dos
psicólogos tener un papel central en los interrogatorios de la CIA, ya que no
solo idearon las técnicas de tortura, sino que también colaboraron en su
aplicación. Entre otros tormentos, sometieron al infame 'waterboarding' o
'submarino' a los detenidos más significativos. También llevaron a cabo
evaluaciones oficiales sobre el estado psicológico de las víctimas para
determinar si las técnicas mejoradas debían continuar.
El informe menciona solo los pseudónimos de los
psicólogos, Grayson Swigert y Hammond Dunbar, y añade que lograron recibir 81
millones de dólares de la suma total del contrato, que era de 181 millones de
dólares.
La revista 'Vanity Fair', sin embargo, afirma que los
cerebros del programa de torturas son James Elmer Mitchell y Bruce Jessen,
instructores de la Fuerza Aérea en un programa llamado SERE, ideado para ayudar
a los militares a burlar interrogatorios.
Fonte: RTActualidad
"Brasil tem maior número absoluto de homicídios"
AE
O Brasil tem o maior número
absoluto de homicídio do mundo e, de cada cem pessoas que são assassinadas por
ano no planeta, cerca de 13 são registrados no País. Os dados fazem parte do
primeiro levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a
violência e que revela a dimensão do problema em todos os continentes.
Segundo a OMS, o total de
homicídios no mundo chega a 475 mil. Em números absolutos, o Brasil é o líder
no ranking, com uma estimativa de 64,3 mil homicídios em 2012.
O País é seguido por 52 mil
homicídios na Índia, 26 mil no México, 20 mil na Colômbia, 18 mil na Rússia e
na África do Sul e 17 mil na Venezuela e nos Estados Unidos.
Os números da OMS, porém, são
bem superiores ao que o governo brasileiro forneceu à entidade, com respeito a
2012. Segundo os valores oficiais, foram 47,1 mil homicídios naquele ano, com
uma taxa de 24,3 incidentes para cada cem mil pessoas.
Fonte: Istoé
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Uma nota sobre a revolução negra
É pelo rastro que se conhece o
tamanho da onça.
Sabedoria popular brasileira
Classes sociais não devem ser percebidas como
uma categoria sociológica abstrata. Nada pode fazer sentido quando se despreza
a geografia e a história, portanto, o espaço e o tempo. O principal traço
peculiar da evolução do capitalismo na América Portuguesa, depois no Brasil, é
que ele se implantou da forma mais atroz, desumana e bárbara possível,
recorrendo à escravidão como relação de trabalho dominante, em escala sem
paralelo no mundo nos últimos mil e quinhentos anos.
O Brasil permanece muito diferente dos
seus vizinhos sul-americanos de colonização espanhola, por muitas
determinações, todavia, esta é a principal. Houve escravidão em muitas outras
colônias das Américas. No entanto, nenhuma nação contemporânea conheceu em sua
história escravidão negra em tão larga proporção, e por tanto tempo como o
Brasil. [1]
Sem compreender o significado histórico
da escravidão é impossível decifrar a especificidade da formação da burguesia
no Brasil. Mas, tampouco, é possível entender a formação da classe trabalhadora
brasileira. O capitalismo no Brasil, entendido como capitalismo comercial, não
foi tardio. Tardia foi a urbanização e, sobretudo, a industrialização.
As raízes ideológicas do racismo que
envenena a maioria das classes médias, que são o núcleo duro da base social que
sustenta a dominação de classe, repousam, inteiramente, na herança deixada pela
escravidão. O mito da democracia racial brasileira é um discurso perigoso,
porque ainda é muito poderoso. A importância central do tema da escravidão, uma
relação social pré-capitalista, para a compreensão das tarefas da revolução
brasileira não se reduz a um debate historiográfico, porque tem consequências
políticas programáticas.
Três correntes debateram no interior do
marxismo, pelo menos desde meados do século XX, o sentido da colonização
ibérica. O estalinismo defendeu a tese de que ela teria sido feudal. Gunder
Franck respondeu defendendo que teria sido diretamente capitalista. Em 1948,
Nahuel Moreno defendeu em Cuatro Tesis sobre la colonización española y portuguesa en América, uma
terceira posição. O processo teria sido mais complexo, porque resultado de um
amálgama entre interesses capitalistas, relações sociais escravistas e formas
feudais, portanto, uma formação social histórica original. Em uma interpretação
desta discussão historiográfica, anos depois afirmou:
“El
marxismo latinoamericano se educó bajo la influencia de un seudo marxismo que
había abrevado en las fuentes de los historiadores liberales. Estos pregonaban una supuesta colonización feudal por parte de España y
Portugal que había sido el origen de nuestro retraso con respecto a Estados
Unidos de Norteamérica. Ese falso esquema de la colonización ha sido suplantado
en algunos medios marxistas por otro tan peligroso como el anterior: la
colonización latinoamericana fue directamente capitalista. Gunder Frank es uno
de los más importantes representantes de esta nueva corriente de interpretación
marxista. Como bien cita George Novack, éste afirma categóricamente que “ el
capitalismo comienza a penetrar, a formar, a caracterizar por completo a
Latinoamérica (…) ya en el siglo XVI.” Producción y descubrimientos por
objetivos capitalistas; relaciones esclavas o semi‑esclavas; formas y
terminologías
feudales (al igual que el capitalismo mediterráneo) son los tres
pilares en que se asentó la colonización de América”. [2] (grifo nosso)
A colonização do Brasil foi motivada
por interesses capitalistas. Muito antes da independência, já existia uma
classe dominante luso-brasileira com características burguesas, embora as
relações sociais fossem pré-capitalistas. A acumulação capitalista precedeu,
portanto, a abolição da escravidão. Existiam assalariados desde os tempos da
América portuguesa, mas esta relação de trabalho era marginal. Por aqui a
burguesia começou a se formar no século XVI. Mas o proletariado surge como
classe, ainda assim muito embrionariamente, somente no final do século XIX, alguns
séculos mais tarde. Como alertou, pioneiramente nos anos quarenta, Caio Prado
Júnior:
“A situação do Brasil se
apresenta de forma distinta, pois na base e origem da nossa estrutura e
organização agrária, não encontramos, tal como na Europa, uma economia
camponesa, e sim a mesma grande exploração rural que se perpetuou desde o
início da colonização brasileira até nossos dias; e se adaptou ao sistema
capitalista de produção através de um processo ainda em pleno desenvolvimento e
não inteiramente completado (sobretudo naquilo que mais interessa ao
trabalhador), de substituição do trabalho escravo pelo trabalho juridicamente
livre.” [3]
Se avaliarmos a escala nacional, só
podemos considerar uma presença da classe operária em alguns poucos centros urbanos
depois dos anos trinta do século XX e, de forma mais expressiva, somente depois
dos anos cinquenta, quando ainda quase metade da população vivia no mundo
rural.
Esta assimetria do processo
histórico-social de formação das duas classes mais importantes da atual
sociedade brasileira potencializou no marxismo duas posições opostas, que
podemos classificar, simplificando, como os produtivistas e os
circulacionistas. A primeira e mais influente foi a daqueles que não admitiam a
possibilidade da existência de uma colonização capitalista desde a invasão
portuguesa. Insistiram durante décadas na defesa esdrúxula de que teria
existido feudalismo no Brasil. Alberto Passos Guimarães e sua obra Quatro
séculos de latifúndio conseguiu grande repercussão.[4]
Defenderam que uma sociedade deve ser
caracterizada, historicamente, pelas relações de produção dominantes. Afirmaram
que o que caracteriza o capitalismo é o trabalho assalariado. Se o trabalho
assalariado não é dominante, a sociedade não é capitalista.
A outra posição, embora oposta pelo
vértice, era igualmente unilateral. Os circulacionistas afirmavam que a
colonização tinha sido, sumariamente, capitalista, desprezando o fato
monumental de que o escravismo criou raízes profundas em quase quatro séculos
de existência. A Organização Revolucionária Marxista-Política Operária, POLOP,
por exemplo, assumiu esta interpretação para concluir a necessidade de um
programa diretamente socialista ou anticapitalista, diminuindo a importância
das tarefas democráticas da revolução brasileira. [5]
Jacob Gorender tentou solucionar o debate
com uma elaboração inspirada, ainda que sob forte influência estruturalista,
sugerindo que o Brasil conheceu um modo de produção próprio, o escravista
colonial.[6]
O Brasil é ainda um país muito atrasado.
É atrasado econômica, social, política e culturalmente. É dramaticamente
atrasado em termos educacionais quando comparado com nações em estágio
semelhante de desenvolvimento econômico. Atrasado, portanto, em toda a linha.
Mas é, ao mesmo tempo, o maior parque industrial do hemisfério sul do planeta,
e uma das maiores economias capitalistas do mundo contemporâneo, com doze
cidades com um milhão ou mais de habitantes, e 85% da população economicamente
ativa em centros urbanos.
Só utilizando os recursos marxistas da
lei do desenvolvimento desigual e combinado é possível equacionar a principal
das peculiaridades brasileiras: o capitalismo usou em escala insólita a mão de
obra escrava. O que nos remete ao debate estratégico sobre o programa. Nas palavras de Moreno:
“Esta discusión teórica no es una polémica académica
sin relaciones con la política. Las tesis de la revolución permanente no son
las tesis de la mera revolución socialista, sino de la combinación de las dos
revoluciones, democrático burguesa y socialista. La necesidad de esa
combinación surge inexorablemente de las estructuras económico sociales de
nuestros países atrasados, que combinan distintos segmentos, formas,
relaciones de producción y de clase. Si la colonización fue desde un principio
capitalista no cabe más que la revolución socialista en Latinoamérica y no una
combinación y supeditación de la revolución democrático burguesa a la
revolución socialista. [7]
(Grifo nosso)
Não é possível lutar, seriamente, pela
mudança da sociedade em que vivemos, sem compreender como ela é. Em perspectiva
marxista esta análise deve identificar quais são os sujeitos sociais
interessados na transformação. Uma das peculiaridades que distingue o Brasil é
que este proletariado tardio é um dos mais poderosos do mundo. A força da
classe trabalhadora brasileira repousou e se explica, em grande medida, pelo
seu gigantismo, pela concentração e pela sua juventude. Essa juventude,
paradoxalmente, foi até hoje, também, a sua fraqueza. Porque a atual classe
trabalhadora brasileira se formou, majoritariamente, pelo deslocamento para as
cidades, em processo muito intenso e acelerado de migrações internas, da
população descendente, em sua maioria, dos afro-brasileiros cujos ancestrais
foram escravos.
A revolução brasileira tem pela frente
o desafio de ser uma revolução social anticapitalista, ou seja, a expropriação
dos monopólios, porque a classe trabalhadora deverá ser o seu principal sujeito
social. Mas só poderá triunfar se tomar como sua as bandeiras democráticas das
tarefas inacabadas deixadas para trás pela impotência burguesa. Essa revolução
democrática tem muitas e variadas tarefas. Tem tarefas civilizatórias, como a
erradicação da corrupção, a demarcação das terras indígenas, o fim das
desigualdades regionais. Tem tarefas de libertação nacional na luta contra a
ordem imperialista. Tem tarefas agrárias contra o latifúndio. Só poderá
triunfar, contudo, se for também uma revolução negra.
Notas:
[1] O primeiro censo nacional
foi realizado entre 1870/72. O questionário era de difícil transcrição e
apuração. Embora tenha sido feito em condições, especialmente, precárias, sua
importância como fonte não merece ser diminuída. Sobre uma população próxima a
dez milhões ou, mais exatamente 9.930.478, a população escrava era ainda um
pouco maior que um milhão e meio, ou, mais precisamente de 1.510.806, sendo
805.170 homens e 705.636 mulheres. Estudos demográficos históricos são somente
aproximações de grandeza, mas estima-se que nunca deve ter sido menor que um
terço do total até 1850, e pode ter sido próxima à metade, ou pelo menos 40% no
século XVIII, no auge da exploração do ouro das Minas Gerais. PUBLICAÇÃO
CRÍTICA DO RECENSEAMENTO GERAL DO IMPÉRIO DO BRASIL DE 1872 do Núcleo de
Pesquisa em História Econômica e Demográfica - NPHED da UFMG. Consulta em
dezembro 2014. Disponível em:
www.nphed.cedeplar.ufmg.br/.../Relatorio_preliminar_1872_site_nphed.
[2] Ainda mais claro: No inauguraron un sistema de
producción capitalista porque no había en América un ejército de trabajadores
libres en el mercado. Es así como los colonizadores para poder explotar capitalisticamente
a América se ven obligados a recurrir a relaciones de producción no
capitalista: la esclavitud o una semi‑esclavitud
de los indígenas. MORENO, Nahuel. Cuatro Tesis sobre la colonización española y portuguesa en América.
https://www.marxists.org/espanol/moreno/obras/01_nm.htm Consulta em dezembro de
2014.
[3] Ou ainda mais claro em O
sentido da colonização: “Coloquemo-nos naquela Europa anterior ao séc. XVI,
isolada dos trópicos, só indireta e longinquamente acessíveis, e imaginemo-la,
como de fato estava, privada quase inteiramente de produtos que se hoje, pela
sua banalidade, parecem secundários, eram então prezados como requintes de
luxo. Tome-se ocaso do açúcar; que embora se cultivasse em pequena escala na
Sicília, era artigo de grande raridade e muita procura; até nos enxovais de
rainhas ele chegou a figurar como dote precioso e altamente prezado(...) Isto
nos dá a medida do que representariam os trópicos como atrativo para a fria
Europa, situada tão longe deles(...) É isto que estimulará a ocupação dos
trópicos americanos. Mas trazendo este agudo interesse, o colono europeu não
traria com ele a disposição de pôr-lhe a serviço, neste meio tão difícil e
estranho, a energia do seu trabalho físico. Viria como dirigente da produção de
gêneros de grande valor comercial, como empresário de um negócio rendoso; mas
só a contragosto como trabalhador. Outros trabalhariam para ele.” PRADO JÚNIOR, Caio. In Formação do Brasil
Contemporâneo, Brasiliense/Publifolha, 2000, p.29.
[4] Sobre a interpretação da
hipótese de feudalismo, Alberto Passos Guimarães é representativo: “A simples
eliminação em nossa História da essência feudal do sistema latifundiário
brasileiro e a consequente suposição de que iniciamos nossa vida econômica sob
o signo da formação social capitalista significa, nada mais nada menos,
considerar uma excrescência, tachar de supérflua qualquer mudança ou reforma
profunda de nossa estrutura agrária.” GUIMARÃES, Alberto Passos. Quatro séculos
de latifúndio. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1968, p.33.
[5] REIS FILHO, D.A. & SÁ,
J. F. de. [Org.] Imagens da revolução: documentos políticos das organizações
clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1985.
[6] Mário Maestri resgatou,
merecidamente, este trabalho do esquecimento: “Em O escravismo colonial,
Gorender superava a tradicional apresentação cronológica de cunho historicista
do passado do Brasil para definir em forma categorial-sistemática sua estrutura
escravista colonial. Ou seja, empreendia estudo “estrutural” daquela realidade,
para penetrar “as aparências fenomenais e revelar” sua “estrutura essencial”.
Isto é, seus elementos e conexões internos e o movimento de suas contradições.”
MAESTRI, Mário O Escravismo Colonial: A revolução Copernicana de Jacob Gorender.
http://www.espacoacademico.com.br/035/35maestri.htm#_ftn23.
Consulta em dezembro 2014
[7] IDEM.
https://www.marxists.org/espanol/moreno/obras/01_nm.htm. Consulta em
dezembro de 2014.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
DOI de São Paulo ensinou técnicas de tortura a chilenos, uruguaios e argentinos em 1974, revela livro
Vitor Sion
São Paulo - 08/12/2014
Em "A Casa da Vovó",
jornalista Marcelo Godoy expõe funcionamento do DOI-CODI a partir de dezenas de
entrevistas com militares e documentos oficiais
Como parte da Operação Condor,
aliança político-militar entre os governos ditatoriais da América do Sul nos
anos 1970 e 1980, o regime militar brasileiro ofereceu treinamento de técnicas
de tortura em presos políticos a agentes argentinos, chilenos e uruguaios. A
informação é parte da pesquisa de dez anos do jornalista Marcelo Godoy, que
lança nesta semana o livro A Casa da Vovó - Uma Biografia do DOI-Codi
(1969-1991), o centro de sequestro, tortura e morte da ditadura militar
(Alameda, 612 págs., R$ 69).
No caso chileno, as práticas
viriam a ser usadas pela Dina (Departamento Nacional de Inteligência), segundo
entrevista feita pelo autor da obra com o “Agente Chico”, sargento do DOI entre
1970 e 1991, que não aceitou divulgar o seu nome verdadeiro.
"Eles vieram fazer o que
aqui?", perguntou o jornalista na entrevista com o agente. "Aprender
como é que se interrogava", responde o agente em trecho reproduzido na
página 492 do livro. "Só isso?", insiste Godoy. "Não
participaram de operação. Eles chegaram num dia, com aquelas fardas marrom. E
no outro dia vieram paisano e foram levados pro interrogatório. E olha como
pendura, [choque], e a técnica de bater pra falar. Eram três chilenos. Vieram
aprender a 'fazer' a Dina."
Agentes do Estado brasileiro à
espera de cerimônia para receberem a "Medalha do Pacificador", em
imagem da capa do livro. Arquivo Marcelo Godoy
A confirmação da vinda de
uruguaios e argentinos foi feita pelo sargento Marival Chaves, o “Doutor Raul”,
sargento do DOI de 1973 a 1977. Além de consultar diversos arquivos públicos e
de jornais da época, Godoy entrevistou 25 agentes do DOI-Codi, que impuseram
diferentes condições para falar: há entrevistados que permitiram a divulgação
do nome, outros que autorizaram a publicação após a própria morte, uma parte
liberou a publicação dos codinomes e, finalmente, alguns que falaram com a
condição de usarem nomes falsos.
Trechos das gravações das
entrevistas foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo no domingo
(7/12).
Entre as técnicas exibidas aos
chilenos, que passaram dois dias no DOI (Destacamento de Operações de
Informações) em 1974 estão o pau-de-arara, as máquinas de choques e a pica de
boi, uma espécie de chicote. Antes da vinda de chilenos a São Paulo, um dos
chefes do DOI, o capitão do Exército Ênio Pimentel da Silveira, conhecido no
departamento como Doutor Ney, já havia viajado a Santiago para orientar colegas
locais e “caçar brasileiros” no país, de acordo com o livro.
A obra de Godoy será lançada na
próxima sexta-feira (13/12), às 14 horas, em sessão especial da Comissão da
Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva.
A colaboração da ditadura
brasileira com militares chilenos era anterior ao golpe de Estado realizado em
Santiago, em 1973, conforme revelou reportagem de Opera Mundi de fevereiro deste
ano. Sete anos antes da chegada de Augusto Pinochet ao poder, em 1966, o
chanceler Juracy Magalhães foi ao Chile e, em reunião com seu homólogo Gabriel
Valdés, disse que o hemisfério deveria “agir em benefício do Chile” se Salvador
Allende fosse eleito. Como resposta, Valdés disse que as Forças Armadas
chilenas já organizavam um plano para tirar os esquerdistas da Presidência.
Fonte: Operamundi
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Ditador Médici guardou em casa provas de tortura
07/12/2014
Comissão da Verdade do Rio
encontra prontuários médicos de presos no arquivo do ex-presidente
JULIANA DAL PIVA
Rio - Durante décadas a cúpula
do governo militar negou a prática de tortura contra presos políticos na
ditadura. Não importavam as denúncias das famílias, as marcas ou sequelas das
vítimas. Quase 30 anos após o fim do regime, surgem agora as primeiras provas
documentais de que no auge da repressão política — 1970 — o próprio general e
então presidente da República Emílio Garrastazu Médici sabia em detalhes sobre
a violência dos quartéis e suas consequências físicas e psicológicas.
Médici e o caderno onde
guardava os relatos das sequelas das torturas de presas políticas no Rio. Foto: Divulgação
Médici guardou até a morte, em
meio a 32 caixas de manuscritos, um caderno de capa de couro preta com o nome
do ex-presidente timbrado em letras douradas na frente. Dentro, a revelação:
três prontuários médicos de presas políticas atendidas no Hospital Central do
Exército (HCE). São elas: Dalva Bonet,Francisca Abigail Paranhos, além dos
documentos de Vera Sílvia Magalhães — conhecida por sua participação no sequestro
do embaixador americano Charles Elbrick.
O arquivo pessoal de Médici,
doado pela família há 10 anos, integra o acervo do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro (IHGB) e foi disponibilizado para pesquisa da Comissão da
Verdade do Rio, que localizou os prontuários. “Quanto mais temos acesso aos
documentos, confirmamos que a cadeia de comando das torturas e desaparecimentos
começava no Palácio do Planalto”, afirma Wadih Damous, presidente da CEV-Rio.
Cópias dos documentos serão entregues às famílias em audiência pública na
próxima terça-feira.
O prontuário de Vera Sílvia
detalha cada medicamento utilizado por ela durante os dois períodos de
internação registrados. Presa em 6 de março de 1970, ela chegou pela primeira
vez ao HCE transferida do Hospital Souza Aguiar no dia seguinte devido a um
“traumatismo craniano encefálico por projétil de arma de fogo”. Tratada na
unidade, ela foi liberada dias depois para interrogatório no DOI-Codi.
Em 18 de maio foi internada
novamente, e a descrição do quadro dá a medida do sofrimento de Vera. “Paciente
acentuadamente desnutrida, subfebril. O exame neurológico acusa sensível
diminuição da força muscular nos membros inferiores...há acentuada hipertrofia
muscular nos membros inferiores”, registra o prontuário. O diagnóstico, porém,
foi de que ela estava com uma paralisia nas pernas devido a razões
psicológicas.
O médico legista Levi Inima,
que auxilia a pesquisa da CEV-Rio, disse que a avaliação é “falsa”. “As
alterações em termos de hipotrofia muscular demonstram a tortura em pau de
arara. Ela estava bastante desnutrida, o que mostra os maus-tratos”, explicou.
Vera deixou o Brasil em junho de 1970, trocada pelo embaixador alemão. Ela retornou
após a anistia e morreu devido a um câncer em 2007.
Choque elétrico provocou crises
convulsivas
Ao saber que seu prontuário
médico fazia parte do arquivo pessoal do presidente Médici, a tradutora Maria
Dalva Bonet, 68 anos, olha para alto e respira fundo. “Vou precisar de um tempo
para poder falar sobre isso. É inacreditável”, desabafa Dalva.
Militante do Partido Comunista
Revolucionário Brasileiro (PCBR), ela diz que foi presa no fim de janeiro de
1970 junto com a amiga inseparável, Abigail. “Foram 72 horas de pancadaria. Eu
estava com a pele toda descascada do choque e me jogaram no chão de cimento.
Foi quando eu comecei a ter hemorragia. Os presos pressionaram e eles me
levaram para o HCE”, conta Dalva.
Ela diz que ficou cinco meses
sem andar devido à tortura no pau de arara. Além disso, os choques
desenvolveram um quadro de epilepsia. Por isso, como o próprio prontuário
encontrado registra, foram realizados exames neurológicos. “Eles queriam dizer
que as convulsões que eu passei a ter eram preexistentes. Mas eu nunca tive
nada”, diz ela. Dalva disse que sofreu com crises convulsivas durante 10 anos.
Segundo o diagnóstico feito no
HCE, a paralisia de suas pernas também seria emocional — como a de Vera.“Não
apresenta vontade de locomover-se; procura queixar-se de tudo e de todos; é
impertinente e astuciosa. Costuma ser acometida por pesadelos”, descreve o
documento.
Maria Dalva Bonet ficou cinco
meses sem conseguir andar devido à tortura no pau de arara. Ela também
desenvolveu epilepsia por 10 anos
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
O médico legista Levi Inima
também chamou a atenção para a quantidade de tranquilizantes, ansiolíticos e
sedativos como Mandrix e Kiatrium ministrados. “ É uma associação de vários
medicamentos. Isso tudo faz parte de um cenário médico exatamente para suprimir
a questão da tortura”, explica Inima.
'Não deseja recuperar-se'
A advogada Francisca Abigail
Paranhos também teve a sua passagem pelo Hospital Central do Exército guardada
por Médici. No relatório que segue com o prontuário ela é descrita como
“indiciada em inquérito policial-militar pelos crimes praticados como membro do
PCBR, alegou paralisação dos membros inferiores”.
Além disso, o diagnóstico diz
que Abigail, como era conhecida, não ajudava na melhora de seu quadro de saúde.
“Os exames revelaram que Abigail é portadora de depressão neurótica, que não
deseja recuperar-se não colaborando para o sucesso do tratamento que lhe é
ministrado”, finaliza o relatório.
Dalva diz que elas deixaram a
prisão cerca de um ano e meio depois. Abigail morreu de câncer em 1994.
Fonte: O Dia
Monopólio privado da educação
07 de dezembro de 2014
Kroton Educacional bate record
em lucro com repasse de dinheiro público
Lucro de R$ 213 milhões no
terceiro trimestre desse ano é resultado de programas sociais do governo do PT,
como o ProUni, o Pronatec e o Fies, assim como com o aumento de mensalidades e
o corte de custos na instituição
A Kroton Educacional, a maior
empresa privada de educação do país, somou no terceiro trimestre desse ano um
lucro líquido de R$ 213 milhões, cerca de R$113,5 milhões a mais que obteve no
mesmo período do ano passado (quando somou R$ 99,5 milhões). Um dos motivos
pelo aumento exponencial de seus lucros, entre outros motivos, tem ligação com
fusão entre a instituição e a Anhanguera Educacional. Com a aprovação da junção
entre as instituições de ensino se transformaram na maior rede privada de
ensino do mundo.
No período, a geração de
recursos através de suas atividades operacionais medida pelo indicador
financeiro Ebitda, somou R$ 354, 8 milhões, ante R$ 180,9 milhões em etapa
igual de 2013.
O Ebitda calcula o lucro
operacional, que é a subtração, a partir da receita líquida, do custo dos produtos
vendidos (CPV), no caso os cursos da instituição, das despesas operacionais e
das despesas financeiras líquidas. Os analistas esperavam, em média, lucro
líquido de R$ 272 milhões e Ebitda de R$ 352 milhões para o período, segundo
pesquisa da Reuters.
A Kroton Educacional controla
sozinha mais de um milhão de estudantes do ensino superior e pós-graduação, 290
mil estudantes de educação básica, 41 mil do Pronatec e mais 53 mil em cursos
irregulares. Após a fusão entre a Kroton e a Anhanguera, a nova companhia tem o
equivalente a 20% de todas as matrículas do ensino superior brasileiro de
acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de
Ensino (Contee). Sendo ao todo, 486 mil cursando o ensino presencial (graduação
e pós-graduação) e 516 mil em regime de ensino à distância.
Nesse sentido um dos motivos
pelo qual houve a ampliação dos lucros da Kroton Educacional vem de um lado do
investimento de grupos especuladores nacionais e internacionais que articulam
as fusões entre diferentes companhias e promovem uma reestruturação nessas
instituições, no sentido de diminuir custos reduzindo o número de funcionários
das faculdades, mantendo baixos salários e demitindo professores com maior
nível de formação. E por outro lado, com o repasse do dinheiro público por meio
dos programas sociais do governo federal voltados à educação, como, por
exemplo, o ProUni (Programa universidade para Todos), o Pronatec e o Fies.
Inclusive a Kroton Educacional
foi uma das 15 empresas que mais valorizaram durante o governo Dilma (PT),
segundo informações do levantamento feito pela consultoria Economática. O que
pode ser visto pelo aumento de seu valor de mercado, quando em dezembro de 2010
(último ano do segundo governo Lula) a empresa somava R$ 1,42 bilhões, saltando
para R$ 29,08 bilhões até novembro de 2014.
Em comentário a Kroton informou
que terá até 2016 um modelo acadêmico único para toda a organização, para
repetir o desempenho financeiro e visar o aumento desse lucro.
É evidente que a ampliação dos
lucros da Kroton Educacional vem em grande maioria do repasse dos cofres
públicos à instituição que bate records em lucro, enquanto os estudantes dessa
instituição se deparam com uma qualidade de ensino e uma estrutura
universitária abaixo da crítica.
É preciso exigir que esse
monopólio privado educacional que já é financiado com dinheiro público, seja
estatizado e colocado sob controle dos maiores interessados em uma educação da
qualidade e que seja pública, funcionários, professores e uma maioria de estudantes.
Fonte: PCO
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
A criminalização do Estado na América Latina
Título original: La criminalización en Estados de
América Latina
Por Norma Estela Ferreyra
En el mundo están pasando muchas
cosas, sin que nos demos cuenta. Usan nuestra inteligencia para cualquier
propósito, que no sea pensar y reflexionar.
La “cosificación” del ser humano es lo que buscan, por
medio del consumismo y otras técnicas de dominio. Y por debajo de las sábanas,
una guerra solapada contra todos los que luchen para escapar de sus fines.
Tenemos como ejemplo, la reciente matanza de
estudiantes en México, donde se constataron, durante la búsqueda de sus
cuerpos, cantidades de fosas comunes que correspondían a otros asesinatos
masivos que intentaban ocultar. Méjico se ha convertido, por influencia de
EEUU, en un estado Criminal y su pueblo es su víctima. Estados Unidos, hace lo
mismo, ya que por estos días, vimos por
TV, como la policía tiene instrucciones para poder acribillar a balazos a un
niño, que portaba en el bolsillo, una pistola de juguete, sin siquiera darle la
voz de alto, en razón de que éste, era de raza negra. Como conclusión, podemos
decir que los Estados Unidos de Norteamérica, no sólo asesinan a civiles y soldados en otros
Estados, para saquear sus riquezas, sino que lo hacen con su propio
pueblo, ya que ese niño, era un ciudadano nativo de ese país, que tanto
se regocija, haciéndose llamar “del
primer mundo” junto a otros de la misma calaña,
que me hacen sentir placer de pertenecer al “tercer mundo”
Quiero destacar a la vez, que a pesar de no haber
nacido en Venezuela, siento un profundo respeto por las fuerzas armadas de ese
país, mucho más, cuando recuerdo a los militares de otros países, como el mío,
que además de no defender a su patria,
la hundieron económicamente
cuando tomaron el gobierno en forma ilegal y comenzaron a perseguir hasta darle
muerte, a los jóvenes patriotas, que querían una patria libre y soberana y por
lo cual, tenían derecho a alzarse en armas contra los usurpadores del poder
popular, que se había expresado en las urnas. Por supuesto, también felicito al
pueblo venezolano, por estar permanentemente activo en defensa del gobierno
elegido y en lucha permanente, para desbaratar los intentos de golpe de Estado
que se originan en el mencionado país del Norte.
En un plan
realmente diabólico, el Poder
Mundial, que tiene su sede en EEUU y en Inglaterra, con la complicidad y la
ayuda de toda la Unión Europea, desde la segunda mitad del siglo XX, acentúa la matanza de personas que defienden
la soberanía de sus países, en casi todos los Estados de Sur y Centro América y
en Oriente Medio, con máxima crueldad y ensañamiento sobre los civiles, en
especial contra mujeres y niños.
Pero no quiero hablar de esas torturas y muertes, porque ya es algo que todos conocemos, sino de las Fuerzas
Armadas, porque ellas son quienes debieron haber defendido en su oportunidad, a
nuestros Estados soberanos de los intereses foráneos, también nuestras
riquezas, como el petróleo y muchas otras. En cambio, era más rentable
convertirse en criminales de Estado, desde un gobierno de facto, siguiendo
instrucciones de los Estados anteriormente mencionados.
El estado se vuelve criminal
¿Y cuándo un Estado se vuelve criminal? Cuando se entrega
al Crimen Internacional, que hasta hoy se sigue practicando mediante las armas
más poderosas en contra de la humanidad y del planeta, como son la
desinformación, la falsedad de lo informado, la persecución, la
desculturización, el envenenamiento, a través de medicamentos, alimentos,
diseminación tóxica en aguas, aire y tierras,
de bacterias y virus modificados para provocar epidemias, endemias y
cáncer, así como el empleo de armas biológicas, fumigaciones tóxicas, el Haarp,
los Chemtrails y el ataque directo con bombas de fósforo e innumerables formas
de matar, como la pobreza extrema, bloqueos económicos, como el que sufre Cuba
desde hace muchísimos años y que ahora quiere implementarse contra Venezuela.
Una verdadera monstruosidad, que importa cada vez menos al resto de la gente
que está “bobalizada” por la tecnología masiva de celulares, redes sociales, TV
basura, en fin, todo lo que ya conocemos.
Otro Estado para felicitar es el de mi país, durante
los mandatos de los Kirchner y al ejército que los apoyó, a Bolivia, durante el
gobierno de Evo Morales, a su pueblo y
ejército. Y por supuesto, a la resistencia Cubana de los Castro, junto a
su pueblo, entre otros gobiernos de América Central y del Sur, como son Nicaragua,
Ecuador y algunos más.
Creo que debemos cerrar las puertas al ingreso de
estas armas informáticas, a los soldados invisibles, que usan contra las
Naciones libres. Y los ejércitos, no deben estar ajenos a esta realidad, para
asegurarnos la soberanía de la información, de la sana alimentación, la
educación sin influencias extranjeras, un sistema político que permita la
democracia auténtica y la libertad dentro del orden, bajo las directivas del
gobierno elegido democráticamente.
Venezuela, Cuba, y países como Irán, Irak, Siria,
Afganistán y tantos otros, que son un ejemplo en la resistencia en este tipo de
invasiones criminales, deben ser apoyados por el resto de los países, formando
una coalición de Estados, con sus Fuerzas Armadas de pie y unidos, acompañando
esta lucha soberana, junto a un pueblo
informado sobre estos acontecimientos, que apoye firmemente al Estado, como lo
hacen en los países que resisten a este diabólico poder asesino de la
humanidad, como los pueblos de Medio Oriente. Reaccionemos, porque todos
estamos siendo atacados con armas que no conocemos y nuestros hijos heredarán
este mundo. ¿De qué nos sirve la vida, siendo esclavos del consumismo, de la
mentira, del compre y compre, de la amistad virtual? Cuando nos demos cuenta de
lo que no hicimos hoy, será demasiado tarde.
No participemos de levantamientos populares incitados
por las redes sociales, ni de revueltas callejeras promovidas por ese medio,
que son las armas contra nuestros pueblos, para que ciertas minorías quieran
mostrar al mundo un falso inconformismo hacia un gobierno. Y luego, esas
protestas que tienen su rótulo, como “Cacerolazos” “Primavera árabe” etc.,
reciben apoyo foráneo, incluyendo armas, para lograr la destitución de un
gobierno que goza del apoyo de la mayoría del pueblo.
Seguramente, te estarás preguntando por qué escribo
usando la tecnología que me brinda Internet. Simplemente, porque no lo hago
desde el anonimato, sino que en esta nota, va mi nombre y apellido, pero
además, te permite opinar, disentir y no te lleva de las narices por caminos
equivocados. Sólo estoy contra del mal uso de la tecnología y no contra la
tecnología.
Úsala como difusión de tus pensamientos, que
seguramente, estarán cargados de sensibilidad, de sentimientos humanitarios y
no de planes subversivos en contra de un gobierno legalmente constituido
por elecciones libres. Porque ¿Sabes? La
mayoría de la humanidad está formada por buenas personas. Pero no nos crucemos
de brazos, porque un puñado de perversos, puede muy pronto, exterminarnos.
*normaef10@hotmail.com
Fonte: Barómetro
Internacional
sábado, 22 de novembro de 2014
“Sobre el marxismo japonés”: Elena Louisa Lange*
21/11/2014
El marxismo japonés es prácticamente ignorado en el
mundo francófono. Sin embargo, Marx es debatido intensamente en Japón desde los
años 1920. Elena Louisa Lange, filósofa y especialista en el marxismo japonés,
nos introduce los hitos de la recepción japonesa de la teoría marxista: sobre
la naturaleza del capitalismo japonés, la reelaboración de nociones a partir
del “marxismo occidental” (reificación, alienación, etc.) y alrededor de la
interpretación de El capital, destacando los riesgos de una teoría estrechamente
economicista y la riqueza de las nuevas lecturas de Marx.
Entrevista realizada por Vincent Chanson y Frédéric
Monferrand para Période.
El marxismo japonés es poco conocido en el ámbito
francófono. Exceptuando algunos estudios como el de Jacques Bidet, Kozo Uno et
son école. Une théorie pure du capitalisme, aparecido en el Dictionnaire Marx
Contemporain, o el número especial de la revista Actuel Marx (Le marxisme au
Japon, nº2, 1987) y otros pocos textos, esta tradición está ausente en los debates
contemporáneos del marxismo francés. Podría introducirnos brevemente las
principales corrientes y las figuras más destacadas de esta tradición?
Hablando en general, es difícil encontrar en el Japón
de posguerra un intelectual que de algún modo u otro no haya “coqueteado” con
el marxismo. La reelaboración de la tradición marxista en Japón fue tan
influyente después de la Primera Guerra Mundial que incluso los intelectuales
conservadores sabían que tenían que nombrar a Marx para ser tomados en serio en
los debates públicos. No hace falta decir que las teorías marxistas sufrieron
no poca resistencia y represión: en las primeras fases de la recepción de Marx
en Japón, en la era Meiji (1862-1912), en la era Taishō (1912-1926) y,
sobretodo, en la primera parte de la era Shōwa (1926-1945). Cuando al inicio de
la era Meiji, el periodo de “occidentalización”, se llevó a cabo la masiva y
concentrada recepción de la filosofía occidental -consistente básicamente en un
enorme proyecto de traducción para el cual el gobierno imperial creó un
ministerio especial-, se introdujeron, naturalmente, lo que se ha dado en
llamar la “filosofía burguesa”. Es decir, el idealismo alemán, el racionalismo
británico y el empirismo y vitalismo francés (Bergson). Ciertamente, el Manifiesto
del Partido Comunista fue traducido al japonés en 1904 por un activista
político, Kōtoku Shūsui. Pero en general, el temprano movimiento socialista fue
constantemente perseguido durante la era Meiji. No fue hasta los años 1920 que
aparecieron publicaciones marxistas, notablemente el primer volumen de El
capital, que fue traducido en 1920 y al que siguieron los volúmenes II y III en
1924. Aunque, para poder ampliar este fenómeno en su conjunto, tuvo que llegar
la derrota de Japón frente al ejército norteamericano -que irónicamente, en un
primer momento, apoyó abiertamente el estudio de Marx en escuelas y
universidades. Pero Marx no era un tema exclusivamente académico. La fuerte
presencia del marxismo en los debates públicos influenció la sociedad japonesa
de posguerra. Estos debates, en forma de mesas redondas y publicaciones en
periódicos como Asashi Shinbun (probablemente comparable a Le Monde), formaron
durante mucho tiempo parte de la tradición intelectual japonesa. En general,
podríamos decir que esta fuerte y concentrada recepción de la elaborada
metodología marxiológica, especialmente en lo referente a la Crítica de la
Economía Política, después de la Primera Guerra Mundial, es comparable al vigor
de la recepción de Hegel e incluso Darwin a finales del siglo XIX.
En lo referente a las corrientes marxistas en Japón,
debe mencionarse el papel del Partido Comunista Japonés, de sus miembros, sus
disidentes y sus disputas, igual que el famoso debate sobre el capitalismo
japonés de los años 1930. De todos modos, no me extenderé en este punto dado
que Jacques Bidet ha presentado ya al público francés los aspectos principales
del debate. En lugar de ello, me gustaría destacar, aunque sea brevemente, las
corrientes “heterodoxas”. Las corrientes marxistas/marxianas más influyentes
destacaron en los estudios culturales, en literatura y en filosofía, juntamente
con la economía política marxista que fue la más académica. Se pueden encontrar
figuras destacadas de la corriente literaria, especialmente del movimiento de
literatura proletaria, desde Nakano Shigeharu (1902-1979) hasta Yoshimoto
Takaaki (1924-2012), quién fue el padre del famoso escritor Banana Yoshimoto y
figura popular del movimiento estudiantil de izquierdas en 1968.
Respecto al campo de la filosofía marxista, aunque es
muy difícil escoger uno o dos nombres, debe mencionarse a Hiromatsu Wataru
(1933-1994), el que seguramente sea el secreto mejor guardado del marxismo
japonés dado que ninguno de sus textos está disponible en lenguas occidentales.
Wataru estudió en profundidad la idea de reificación explorando el concepto en
todas las dimensiones epistemológicas imaginables. También Umemoto Katsumi
(1912-1974), filósofo marxista que tuvo como referencias principales las Tesis
sobre Feuerbach y La ideología alemana. Katsumi fue un autor importante en el
“debate sobre la subjetividad” en 1946-1948. Este debate abordó la cuestión del
individuo en el materialismo histórico, pero se convirtió en una discusión
limitada y muy influida por el trasfondo del existencialismo heideggeriano.
Hace falta recordar que a menudo el lenguaje en el que se desarrollaron los
debates sobre Marx estuvo fuertemente marcado por la jerga existencialista.
Sartre era sin duda una estrella en Japón, e incluso aquellos que eran críticos
con él utilizaban categorías como el “ser” y la “nada”.
En el plano del marxismo cultural (cultural marxism),
debe mencionarse Tosaka Jun (1900-1945). Tosaka es un autor demasiado
importante para ser tratado solo superficialmente, perdonen la brevedad. Fue
estudiante del filósofo conservador, el idealista Nishida Kitarō, pero se
convirtió en un crítico del idealismo y muy pronto adoptó el materialismo como
proyecto filosófico. Fundó en 1932 el “Grupo de Investigación en Materialismo”
(yuibutsu ron kenkyūkai) donde se discutían no solo cuestiones filosóficas sino
también problemas de actualidad como la irrupción del fascismo, el papel de los
medios de comunicación, la ideología… Por supuesto, Tosaka fue detenido y murió
en prisión el 1945. En mi opinión ha sido uno de los pocos autores que ha
tomado seriamente la Tesis 11 sobre Feuerbach y fue el único crítico
consecuente de la sociedad japonesa en un momento en el que era prácticamente
imposible sostener posiciones disidentes. Otro crítico “cultural” muy influyente
fue Maruyama Masao (1914-1996), quién sin embargo no era marxista pero su línea
de pensamiento, que incluye un enfoque psicoanalítico de la crítica de la
sociedad, recuerda ciertos planteamientos de la Escuela de Frankfurt a pesar de
no haberla conocido.
En lo referente a la Crítica de la Economía Política,
el abanico de la economía marxista se extiende desde las críticas al uso de la
pobreza y la acumulación del capital hasta los específicos debates de expertos
en la teoría marxista de la forma valor. No hace falta decir que Uno Kōzō
(1897-1977) fue un intelectual, en el sentido científico del término, con un
profundo conocimiento de la teoría económica de Marx. Uno Kōzō protagonizó
debates con muchos intelectuales de izquierda. Entre sus obras se cuentan
multitud de ensayos llevando por título “Respuesta a la crítica del profesor
X”, donde el “profesor X” muchas veces era un rival -como Kuruma Samezō
(1893-1932)- pero también sus propios estudiantes y colaboradores como, por
ejemplo, Furihata Setsuo (1930-2009). Actualmente, Uno Kōzō sigue
considerándose una referencia para muchos economistas críticos, y en algunas
ocasiones discutido críticamente. Ōtani Teinosuke (nacido en 1934), profesor
emérito de economía en la Universidad Hōsei de Tokyo, continúa en la actualidad
la crítica filológica iniciada por Kuruma Samenō, rival de Uno Kōzō,
impartiendo regularmente hasta el día de hoy seminarios sobre El capital y los
Grundrisse.
Tan pronto como en los años 1920, intelectuales como
Kazuo Fukumoto por ejemplo, introdujeron algunos aspectos de la teoría marxista
en Japón. En concreto algunos elementos relevantes de lo que se ha dado en
llamar el “marxismo occidental” como la alienación, la reificación, etc.
¿Consideras estás nociones como centrales en el debate japonés? ¿Qué
articulación puede existir entre el “marxismo occidental”, en sus formas más
hegelianas (Lukács, Korsch, Escuela de Frankfurt), y el marxismo japonés?
En su conjunto, el problema del fetichismo y el valor
juntamente con sus formas reificadas no ha sido tratado especialmente en el
marxismo japonés. Ciertamente, Historia y conciencia de clase de Lukács fue
parcialmente traducido en 1927. Pero no provocó un impacto considerable en la
recepción del problema de la reificación. Existen excepciones, tal como
nombramos anteriormente, Hiromatsu Wataru ha analizado abundantemente la noción
de reificación. Según Wataru, existe un corte radical entre el temprano
concepto “hegeliano” de alienación en los primeros trabajos de Marx y su noción
de reificación en los trabajos de madurez tal como se trata en el teorema del
Carácter fetichista de la mercancía del volumen I de El capital. Pero este
último fue interpretado de manera incompleta por Hiromatsu, porque la dimensión
intra-subjetiva no fue enteramente explorada. Juntamente con la noción de
“reificación” (Verdinglichung), problematizó con la noción de “objetivación”
(Versachlichung), más completa y profunda en el proceso de intercambio de
mercancías y sus efectos en el plano intersubjetivo. Hiromatsu Wataru fue no
obstante uno de los pocos en abordar claramente la cuestión del valor como
fetiche y las formas en las que las relaciones sociales se convierten en
relaciones entre cosas. Podemos constatar que, si bien esta problemática ha
sido abordado, se ha limitado a la filosofía marxista, sin entrar en el campo
de la economía teórica marxista. Pero incluso entre los filósofos, la
concepción materialista ha estado a menudo contaminada por un lenguaje
fenomenológico y existencialista, en ocasiones incluso idealista-fitchiano. Sin
embargo, estos desarrollos pueden cambiar gracias al nuevo interés suscitado
por la teoría del valor, que no puede en efecto eludir el problema del
fetichismo. Un estudio recientemente publicado por el joven investigador Sasaki
Ryūji, Marx’s Theory of Reifications. Thinking Material as the Critique of
Capitalism” (2011), supone un avance en la exploración de una discusión tanto
tiempo desatendida en Japón. Pero la discusión deberá recapitular la larga
tradición producida en occidente, por ejemplo, por parte de la Escuela de
Frankfurt. Benjamin, Adorno, Horkheimer y Marcuse no han sido tomados en serio
como teóricos marxistas del problema del fetichismo. En Japón, sus textos
fueron leídos a lo sumo como hermenéutica cultural (Benjamin) o sociología
(Adorno, Marcuse). La recepción de la Escuela de Frankfurt y el impacto de su
crítica no podemos decir que haya sido abrumadora. Por ejemplo, la idea de
“abstracción real” de Alfred Sohn-Rethel, central en los enfoques recientes
sobre la teoría de la forma valor, hasta donde yo conozco, no ha sido discutida
en Japón. En este aspecto, se puede escribir una nueva página en la tradición
marxista si se potencia la teorización por esa vía fecunda. Es extraño que haya
tan pocos intelectuales japoneses que se puedan definir como “marxistas
hegelianos” cuando Hegel ha sido un autor principal en los departamentos de
filosofía desde el siglo XIX. Los filósofos Mita Sekisuke (1906-1975) y
Funayama Shin’ichi (1907-1994) y su propuesta de “materialismo antropológico”
representan la excepción. Por regla general, los economistas marxistas
japoneses han evitado teorizar la reificación. Es interesante observar que en
este contexto Mita Sekisuke fue también un crítico radical de Uno Kōzō.
Uno Kōzō es uno de los de los autores más conocidos
del marxismo japonés en Francia. ¿Nos podría presentar sintéticamente su
trabajo teórico? Una de las especificidades de la Escuela de Uno es la
elaboración de la “teoría pura” del capital. Ese objetivo “trascendental” parece
algo contraintuitivo y especulativo. ¿Qué elementos epistemológicos podemos
destacar?
La idea del desarrollo de una “teoría pura” es
elaborada por Uno Kōzō en su trabajo seminal, Keizai genron (1950-2/ 1964). Es
más simple de lo que parece: para entender la estructura de la “sociedad
mercantil”, es necesario distanciarse de las investigaciones empíricas e
históricas con tal de formar una teoría que pueda ser válida más allá de su
aplicación a la sociedad capitalista. El objetivo de Uno Kōzō era entender el
capitalismo, pero inspeccionando la sociedad burguesa podemos entender las
sociedades pre- y post- burguesas. Para construir una teoría del capitalismo
que fuera útil, Uno Kōzō estaba dispuesto a dejar a un lado los datos
históricos, tablas, estadísticas, encuestas… En mi opinión, la diferencia más
sorprendente entre Keizai genron y El capital de Marx, a parte del método sobre
el que volveré más tarde, es que El capital es primero y principalmente una
CRÍTICA DE LA ECONOMÍA POLÍTICA. En cambio Uno Kōzō no escribió una Crítica de
la Economía Política sino que tomó de Marx su crítica de Smith, Ricardo, Say,
Quesnay, etc. y las consideró como presupuestos establecidos. Es así como Uno
Kōzō consiguió reescribir los tres volúmenes de El capital en un delgado libro
de 227 páginas (al menos la edición de 1964), un logro remarcable.
Pero también intervino notablemente en la arquitectura
de El capital. La mercancía, el dinero y el capital, que componen las tres
primeras secciones de su Keizai genron, son consideradas como “formas de la
circulación”. Por lo tanto, la doctrina de la circulación (ryūtsūron) se sitúa
al inicio de su investigación. No hace falta señalar que Marx empieza con El
proceso de producción del capital, donde analiza la mercancía y el dinero, pareciendo
estos elementos puros medios de circulación. El propósito de Marx era mostrar
aquello que no era evidente: que el dinero es una relación social fundada en la
organización del trabajo (humano abstracto) en las sociedades capitalistas. Por
el contrario, Uno Kōzō tiene una idea más bien “funcional” del dinero, dinero
como medio de circulación. Con todo, debe señalarse que su análisis de la
mercancía, el dinero y el capital abstrayéndose del proceso de trabajo es
peculiar.
En mi opinión, lo menos interesante, aunque
probablemente sea el aporte más conocido de Uno Kōzō es su enfoque en tres
niveles (sandankairon) de la economía política: donde el primer nivel es la
teoría pura; el segundo nivel se refiere al análisis de las fases del
capitalismo (capital mercantil, industrial y financiero); y el tercero explora
los acontecimientos políticos actuales y “reales”. No creo que este enfoque sea
significativo en la obra de Uno Kōzō porqué no desarrolló los niveles segundo y
tercero, aunque propuso una conceptualización metódica. Abandonó, a mi parecer
sabiamente, la teoría de las fases característica del marxismo tradicional de
Lenin o Luxemburgo y no siguió cierta moda de los años 50 hacia la
conceptualización del capitalismo japonés. En cambio, concentró plenamente sus
esfuerzos en entender la socialización capitalista (capitalist sociation) en el
único marco de la “teoría pura” y redujo la esencia de la economía política a
tres leyes fundamentales: la ley del valor, la ley de la población y la ley del
equilibrio de la tasa de ganancia. No se dejó seducir por cuestiones tales como
el fetichismo, la abstracción real, las “formas objetivadas del pensamiento” y
otros elementos que fascinan la reciente marxología (incluida yo misma). Siguió
la línea del rígido economista y exploró el capitalismo como un proceso donde
las cosas suceden por alguna razón. No le interesaba encontrar porqué en las
sociedades capitalistas “todo sucede como debe suceder y, por tanto,
inapropiadamente” (alles mit rechten Dingen zugeht und doch nicht mit rechten
Dingen (Adorno)).
En tu opinión, ¿qué limites tiene el
enfoque de Uno Kōzō? La lectura de Marx a partir de la Teoría de la forma valor
te parece una alternativa posible, metodológica, crítica y política, al aporte
de Uno Kōzō?
Yo diría que los límites del enfoque de Uno Kōzō
surgen precisamente al descartar los elementos “impuros” del capitalismo como
formación histórica. Esto no concierne únicamente a la “acumulación
originaria”. De hecho, Uno Kōzō dedica mucho espacio a la acumulación
originaria. Pero el problema de la autonomización de la ley del valor, de la
forma valor como fetiche históricamente determinado, y la complejidad de la
abstracción real. En otras palabras, lo que falta en el enfoque de Uno Kōzō es
la discusión detallada de la dimensión cualitativa del valor. La ley del valor
no puede ser explicada exclusivamente en base a datos económicos. Fallaría el
tiro si así fuera. La tarea de la economía política debe ser explicar porqué el
trabajo en el capitalismo necesariamente adopta la forma de valor. En mi
opinión, estas son las reflexiones indispensables para entender la sociedad
capitalista. Analizar el modo de producción capitalista no puede ni debe
hacerse de manera “pura”.
Por ejemplo, en mi proyecto de investigación, entre
otras cosas, intento ver la relación entre la visión de Uno Kōzō sobre el
dinero y el valor -una teoría del valor ni monetaria ni premonetaria, sino una
teoría “funcional-relacional”- y su falta de interés por el problema del
fetichismo y la reificación. El rechazo de la teoría laboral del valor -o más
bien, su incomprensión- por parte del marxismo japonés es en este aspecto
revelador. Uno Kōzō le reprocha a Marx haber desarrollado la teoría del valor
dentro de “la esfera de la circulación” -en el capítulo sobre La mercancía en
el volúmen I de El capital- en lugar de hacerlo en la esfera de la producción.
Esta incomprensión de la obra de Marx, en mi opinión, es la responsable de la
perpetua y creciente sospecha contra el teorema fundamental de Marx (el
carácter fetichista de la mercancía), llegando al peculiar caso japonés donde
incluso los economistas marxistas rechazan la teoría del valor por un supuesto
“substancialismo”, ignorando completamente su ímpetu crítico. No es entonces
casual la popularización de la teoría de la utilidad marginal y, con ella, la
investigación económica puramente cuantitativa y su consecuente abandono de la
crítica de la forma que adopta el trabajo. Este es el caso, por ejemplo, del
economista ex-marxista Michio Morishima y su “Teoría del crecimiento
económico”. Los salarios son de nuevo abordados como equivalentes de una cierta
cantidad de trabajo, lo que provoca que, como mucho, se centre el interés en
los aumentos salariales sin discutir el sistema salarial como tal, en su
conjunto. Naturalmente, este es un fenómeno que se ha producido en
prácticamente todos los países tardíamente industrializados.
Afortunadamente, las “nuevas lecturas” de la teoría
del valor han ayudado a reintroducir la relación teórica entre valor, dinero,
capital y trabajo. A menudo van más allá de Marx, lo que considero necesario y
bienvenido. Al mismo tiempo, tengo la sensación que en ocasiones se reduce el
ímpetu crítico de Marx perdiendo de vista la lucha política y cotidiana
concreta. Tan importante es ir más allá de Marx como guardar en mente el
intrínseco maximalismo de su proyecto: abolir el modo de producción capitalista
y sus “formas de pensamiento objetivadas”. Empiecen en su lugar de trabajo.
* Elena Louisa Lange es investigadora asociada de la
Universidad de Zurich, filósofa y especialista del Japón. Ha publicado “Failed abstraction – The Problem of Uno
Kozo Reading of Marx’s Theory of the Value Form” en Historical Materialism,
22.1.
Entrevista realizada por Vincent Chanson y Frédéric
Monferrand
Fuente: PériodeTraducción de Ivan Gordillo para Marxismo Crítico.
Agradecemos a los amigos de la Revue Période su permiso para traducir y publicar esta entrevista.
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