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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Grupos de Estudos convidam para duplo lançamento de revistas sobre a ditadura militar









O GEILC (Grupo de Estados de Ideologia e Lutas de Classes), o GEPS (Grupo de Estudos Política e Sociedade) e o GEPEHCE (Grupo de Pesquisa Estudos Histórico-Críticos em Educação) promovem o duplo lançamento das revistas Lutas Sociais (num. 32) e RBBA - Revista Binacional Brasil-Argentina (num. 5), marcados para o dia 16/12 (terça-feira), às 19:00 horas, no Auditório do CEDOC - Centro de Documentação Albertina Lima de Vasconcelos – (na UESB, próximo à Biofabrica, ao lado do Laboratório de Biologia). O duplo lançamento destas distintas revistas se faz propositadamente, pois que se agregam às ações de difusão crítica sobre um tema central (ditadura civil-militar na América Latina) tema central das duas publicações, quando completa-se meio século de ocorrência do golpe civil-militar no Brasil.

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

CIA paga U$ 81 milhões para que psicólogos aprimorem tortura

Título original: La CIA pagó 81 millones de dólares a dos psicólogos para que desarrollaran torturas

Publicado: 11 dic 2014
© REUTERS

Las técnicas de tortura a las que fueron sometidos los detenidos de la CIA las desarrollaron dos psicólogos inexpertos que recibieron 81 millones de dólares por su trabajo, señala el polémico informe del Comité de Inteligencia del Senado de EE.UU.

Los dos contratistas no sabían nada sobre técnicas de interrogatorio, Al Qaeda o lucha contra el terrorismo y carecían de "cualquier tipo de experiencia cultural o lingüística relevante", insisten los autores del informe, citado por 'New York Post'.

La ausencia de conocimientos no impidió a los dos psicólogos tener un papel central en los interrogatorios de la CIA, ya que no solo idearon las técnicas de tortura, sino que también colaboraron en su aplicación. Entre otros tormentos, sometieron al infame 'waterboarding' o 'submarino' a los detenidos más significativos. También llevaron a cabo evaluaciones oficiales sobre el estado psicológico de las víctimas para determinar si las técnicas mejoradas debían continuar.

El informe menciona solo los pseudónimos de los psicólogos, Grayson Swigert y Hammond Dunbar, y añade que lograron recibir 81 millones de dólares de la suma total del contrato, que era de 181 millones de dólares.

La revista 'Vanity Fair', sin embargo, afirma que los cerebros del programa de torturas son James Elmer Mitchell y Bruce Jessen, instructores de la Fuerza Aérea en un programa llamado SERE, ideado para ayudar a los militares a burlar interrogatorios.

Fonte: RTActualidad

"Brasil tem maior número absoluto de homicídios"

AE

O Brasil tem o maior número absoluto de homicídio do mundo e, de cada cem pessoas que são assassinadas por ano no planeta, cerca de 13 são registrados no País. Os dados fazem parte do primeiro levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a violência e que revela a dimensão do problema em todos os continentes.

Segundo a OMS, o total de homicídios no mundo chega a 475 mil. Em números absolutos, o Brasil é o líder no ranking, com uma estimativa de 64,3 mil homicídios em 2012.

O País é seguido por 52 mil homicídios na Índia, 26 mil no México, 20 mil na Colômbia, 18 mil na Rússia e na África do Sul e 17 mil na Venezuela e nos Estados Unidos.

Os números da OMS, porém, são bem superiores ao que o governo brasileiro forneceu à entidade, com respeito a 2012. Segundo os valores oficiais, foram 47,1 mil homicídios naquele ano, com uma taxa de 24,3 incidentes para cada cem mil pessoas.

Fonte:  Istoé

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Uma nota sobre a revolução negra

Valerio Arcary

É pelo rastro que se conhece o tamanho da onça.
Sabedoria popular brasileira

        Classes sociais não devem ser percebidas como uma categoria sociológica abstrata. Nada pode fazer sentido quando se despreza a geografia e a história, portanto, o espaço e o tempo. O principal traço peculiar da evolução do capitalismo na América Portuguesa, depois no Brasil, é que ele se implantou da forma mais atroz, desumana e bárbara possível, recorrendo à escravidão como relação de trabalho dominante, em escala sem paralelo no mundo nos últimos mil e quinhentos anos.

        O Brasil permanece muito diferente dos seus vizinhos sul-americanos de colonização espanhola, por muitas determinações, todavia, esta é a principal. Houve escravidão em muitas outras colônias das Américas. No entanto, nenhuma nação contemporânea conheceu em sua história escravidão negra em tão larga proporção, e por tanto tempo como o Brasil. [1]

        Sem compreender o significado histórico da escravidão é impossível decifrar a especificidade da formação da burguesia no Brasil. Mas, tampouco, é possível entender a formação da classe trabalhadora brasileira. O capitalismo no Brasil, entendido como capitalismo comercial, não foi tardio. Tardia foi a urbanização e, sobretudo, a industrialização.

         As raízes ideológicas do racismo que envenena a maioria das classes médias, que são o núcleo duro da base social que sustenta a dominação de classe, repousam, inteiramente, na herança deixada pela escravidão. O mito da democracia racial brasileira é um discurso perigoso, porque ainda é muito poderoso. A importância central do tema da escravidão, uma relação social pré-capitalista, para a compreensão das tarefas da revolução brasileira não se reduz a um debate historiográfico, porque tem consequências políticas programáticas.

        Três correntes debateram no interior do marxismo, pelo menos desde meados do século XX, o sentido da colonização ibérica. O estalinismo defendeu a tese de que ela teria sido feudal. Gunder Franck respondeu defendendo que teria sido diretamente capitalista. Em 1948, Nahuel Moreno defendeu em Cuatro Tesis sobre la colonización  española y portuguesa en América, uma terceira posição. O processo teria sido mais complexo, porque resultado de um amálgama entre interesses capitalistas, relações sociais escravistas e formas feudais, portanto, uma formação social histórica original. Em uma interpretação desta discussão historiográfica, anos depois afirmou:

“El marxismo latinoamericano se educó bajo la influencia de un seudo marxismo que había abrevado en las fuentes de los historia­dores liberales. Estos pregonaban una supuesta colonización feudal por parte de España y Portugal que había sido el origen de nuestro retraso con respecto a Estados Unidos de Norteamérica. Ese falso esquema de la colonización ha sido suplantado en algunos medios marxistas por otro tan peligroso como el anterior: la colonización latinoamericana fue directamente capitalista. Gunder Frank es uno de los más importantes representantes de esta nueva corriente de interpretación marxista. Como bien cita George Novack, éste afirma categóricamente que “ el capitalismo comienza a penetrar, a for­mar, a caracterizar por completo a Latinoamérica (…) ya en el siglo XVI.” Producción y descubrimientos por objetivos capitalistas; relaciones esclavas o semiesclavas; formas y terminologías feudales (al igual que el capitalismo mediterráneo) son los tres pilares en que se asentó la colonización de América.  [2] (grifo nosso)

        A colonização do Brasil foi motivada por interesses capitalistas. Muito antes da independência, já existia uma classe dominante luso-brasileira com características burguesas, embora as relações sociais fossem pré-capitalistas. A acumulação capitalista precedeu, portanto, a abolição da escravidão. Existiam assalariados desde os tempos da América portuguesa, mas esta relação de trabalho era marginal. Por aqui a burguesia começou a se formar no século XVI. Mas o proletariado surge como classe, ainda assim muito embrionariamente, somente no final do século XIX, alguns séculos mais tarde. Como alertou, pioneiramente nos anos quarenta, Caio Prado Júnior:

“A situação do Brasil se apresenta de forma distinta, pois na base e origem da nossa estrutura e organização agrária, não encontramos, tal como na Europa, uma economia camponesa, e sim a mesma grande exploração rural que se perpetuou desde o início da colonização brasileira até nossos dias; e se adaptou ao sistema capitalista de produção através de um processo ainda em pleno desenvolvimento e não inteiramente completado (sobretudo naquilo que mais interessa ao trabalhador), de substituição do trabalho escravo pelo trabalho juridicamente livre.” [3]

        Se avaliarmos a escala nacional, só podemos considerar uma presença da classe operária em alguns poucos centros urbanos depois dos anos trinta do século XX e, de forma mais expressiva, somente depois dos anos cinquenta, quando ainda quase metade da população vivia no mundo rural.

        Esta assimetria do processo histórico-social de formação das duas classes mais importantes da atual sociedade brasileira potencializou no marxismo duas posições opostas, que podemos classificar, simplificando, como os produtivistas e os circulacionistas. A primeira e mais influente foi a daqueles que não admitiam a possibilidade da existência de uma colonização capitalista desde a invasão portuguesa. Insistiram durante décadas na defesa esdrúxula de que teria existido feudalismo no Brasil. Alberto Passos Guimarães e sua obra Quatro séculos de latifúndio conseguiu grande repercussão.[4]

      Defenderam que uma sociedade deve ser caracterizada, historicamente, pelas relações de produção dominantes. Afirmaram que o que caracteriza o capitalismo é o trabalho assalariado. Se o trabalho assalariado não é dominante, a sociedade não é capitalista.

      A outra posição, embora oposta pelo vértice, era igualmente unilateral. Os circulacionistas afirmavam que a colonização tinha sido, sumariamente, capitalista, desprezando o fato monumental de que o escravismo criou raízes profundas em quase quatro séculos de existência. A Organização Revolucionária Marxista-Política Operária, POLOP, por exemplo, assumiu esta interpretação para concluir a necessidade de um programa diretamente socialista ou anticapitalista, diminuindo a importância das tarefas democráticas da revolução brasileira. [5]

     Jacob Gorender tentou solucionar o debate com uma elaboração inspirada, ainda que sob forte influência estruturalista, sugerindo que o Brasil conheceu um modo de produção próprio, o escravista colonial.[6]

      O Brasil é ainda um país muito atrasado. É atrasado econômica, social, política e culturalmente. É dramaticamente atrasado em termos educacionais quando comparado com nações em estágio semelhante de desenvolvimento econômico. Atrasado, portanto, em toda a linha. Mas é, ao mesmo tempo, o maior parque industrial do hemisfério sul do planeta, e uma das maiores economias capitalistas do mundo contemporâneo, com doze cidades com um milhão ou mais de habitantes, e 85% da população economicamente ativa em centros urbanos.

         Só utilizando os recursos marxistas da lei do desenvolvimento desigual e combinado é possível equacionar a principal das peculiaridades brasileiras: o capitalismo usou em escala insólita a mão de obra escrava. O que nos remete ao debate estratégico sobre o programa. Nas palavras de Moreno:

“Esta discusión teórica no es una polémica académica sin rela­ciones con la política. Las tesis de la revolución permanente no son las tesis de la mera revolución socialista, sino de la combina­ción de las dos revoluciones, democrático burguesa y socialista. La necesidad de esa combinación surge inexorablemente de las estructuras económico sociales de nuestros países atrasados, que combi­nan distintos segmentos, formas, relaciones de producción y de clase. Si la colonización fue desde un principio capitalista no cabe más que la revolución socialista en Latinoamérica y no una combinación y supeditación de la revolución democrático burguesa a la revolución socialista. [7] (Grifo nosso)

        Não é possível lutar, seriamente, pela mudança da sociedade em que vivemos, sem compreender como ela é. Em perspectiva marxista esta análise deve identificar quais são os sujeitos sociais interessados na transformação. Uma das peculiaridades que distingue o Brasil é que este proletariado tardio é um dos mais poderosos do mundo. A força da classe trabalhadora brasileira repousou e se explica, em grande medida, pelo seu gigantismo, pela concentração e pela sua juventude. Essa juventude, paradoxalmente, foi até hoje, também, a sua fraqueza. Porque a atual classe trabalhadora brasileira se formou, majoritariamente, pelo deslocamento para as cidades, em processo muito intenso e acelerado de migrações internas, da população descendente, em sua maioria, dos afro-brasileiros cujos ancestrais foram escravos.

        A revolução brasileira tem pela frente o desafio de ser uma revolução social anticapitalista, ou seja, a expropriação dos monopólios, porque a classe trabalhadora deverá ser o seu principal sujeito social. Mas só poderá triunfar se tomar como sua as bandeiras democráticas das tarefas inacabadas deixadas para trás pela impotência burguesa. Essa revolução democrática tem muitas e variadas tarefas. Tem tarefas civilizatórias, como a erradicação da corrupção, a demarcação das terras indígenas, o fim das desigualdades regionais. Tem tarefas de libertação nacional na luta contra a ordem imperialista. Tem tarefas agrárias contra o latifúndio. Só poderá triunfar, contudo, se for também uma revolução negra. 

Notas:

[1] O primeiro censo nacional foi realizado entre 1870/72. O questionário era de difícil transcrição e apuração. Embora tenha sido feito em condições, especialmente, precárias, sua importância como fonte não merece ser diminuída. Sobre uma população próxima a dez milhões ou, mais exatamente 9.930.478, a população escrava era ainda um pouco maior que um milhão e meio, ou, mais precisamente de 1.510.806, sendo 805.170 homens e 705.636 mulheres. Estudos demográficos históricos são somente aproximações de grandeza, mas estima-se que nunca deve ter sido menor que um terço do total até 1850, e pode ter sido próxima à metade, ou pelo menos 40% no século XVIII, no auge da exploração do ouro das Minas Gerais. PUBLICAÇÃO CRÍTICA DO RECENSEAMENTO GERAL DO IMPÉRIO DO BRASIL DE 1872 do Núcleo de Pesquisa em História Econômica e Demográfica - NPHED da UFMG. Consulta em dezembro 2014. Disponível em: www.nphed.cedeplar.ufmg.br/.../Relatorio_preliminar_1872_site_nphed.

[2] Ainda mais claro: No inauguraron un sistema de producción capitalista porque no había en América un ejército de trabajadores libres en el mercado. Es así como los colonizadores para poder explotar capitalisticamente a América se ven obligados a recurrir a relaciones de producción no capitalista: la esclavitud o una semiesclavitud de los indígenas. MORENO, Nahuel. Cuatro Tesis sobre la colonización  española y portuguesa en América. https://www.marxists.org/espanol/moreno/obras/01_nm.htm Consulta em dezembro de 2014.

[3] Ou ainda mais claro em O sentido da colonização: “Coloquemo-nos naquela Europa anterior ao séc. XVI, isolada dos trópicos, só indireta e longinquamente acessíveis, e imaginemo-la, como de fato estava, privada quase inteiramente de produtos que se hoje, pela sua banalidade, parecem secundários, eram então prezados como requintes de luxo. Tome-se ocaso do açúcar; que embora se culti­vasse em pequena escala na Sicília, era artigo de grande raridade e muita procura; até nos enxovais de rainhas ele chegou a figurar como dote precioso e altamente prezado(...) Isto nos dá a medida do que representariam os trópicos como atrativo para a fria Europa, situada tão longe deles(...) É isto que estimulará a ocupação dos trópicos americanos. Mas trazendo este agudo interesse, o colono europeu não traria com ele a dispo­sição de pôr-lhe a serviço, neste meio tão difícil e estranho, a energia do seu trabalho físico. Viria como dirigente da produção de gêneros de grande valor comercial, como empresário de um negócio rendoso; mas só a contragosto como trabalhador. Outros trabalhariam para ele.”  PRADO JÚNIOR, Caio. In Formação do Brasil Contemporâneo, Brasiliense/Publifolha, 2000, p.29.

[4] Sobre a interpretação da hipótese de feudalismo, Alberto Passos Guimarães é representativo: “A simples eliminação em nossa História da essência feudal do sistema latifundiário brasileiro e a consequente suposição de que iniciamos nossa vida econômica sob o signo da formação social capitalista significa, nada mais nada menos, considerar uma excrescência, tachar de supérflua qualquer mudança ou reforma profunda de nossa estrutura agrária.” GUIMARÃES, Alberto Passos. Quatro séculos de latifúndio. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1968, p.33.

[5] REIS FILHO, D.A. & SÁ, J. F. de. [Org.] Imagens da revolução: documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1985.

[6] Mário Maestri resgatou, merecidamente, este trabalho do esquecimento: “Em O escravismo colonial, Gorender superava a tradicional apresentação cronológica de cunho historicista do passado do Brasil para definir em forma categorial-sistemática sua estrutura escravista colonial. Ou seja, empreendia estudo “estrutural” daquela realidade, para penetrar “as aparências fenomenais e revelar” sua “estrutura essencial”. Isto é, seus elementos e conexões internos e o movimento de suas contradições.” MAESTRI, Mário O Escravismo Colonial: A revolução Copernicana de Jacob Gorender. http://www.espacoacademico.com.br/035/35maestri.htm#_ftn23. Consulta em dezembro 2014

[7] IDEM.  https://www.marxists.org/espanol/moreno/obras/01_nm.htm. Consulta em dezembro de 2014.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

DOI de São Paulo ensinou técnicas de tortura a chilenos, uruguaios e argentinos em 1974, revela livro

Vitor Sion
São Paulo - 08/12/2014

Em "A Casa da Vovó", jornalista Marcelo Godoy expõe funcionamento do DOI-CODI a partir de dezenas de entrevistas com militares e documentos oficiais

Como parte da Operação Condor, aliança político-militar entre os governos ditatoriais da América do Sul nos anos 1970 e 1980, o regime militar brasileiro ofereceu treinamento de técnicas de tortura em presos políticos a agentes argentinos, chilenos e uruguaios. A informação é parte da pesquisa de dez anos do jornalista Marcelo Godoy, que lança nesta semana o livro A Casa da Vovó - Uma Biografia do DOI-Codi (1969-1991), o centro de sequestro, tortura e morte da ditadura militar (Alameda, 612 págs., R$ 69).

No caso chileno, as práticas viriam a ser usadas pela Dina (Departamento Nacional de Inteligência), segundo entrevista feita pelo autor da obra com o “Agente Chico”, sargento do DOI entre 1970 e 1991, que não aceitou divulgar o seu nome verdadeiro.

"Eles vieram fazer o que aqui?", perguntou o jornalista na entrevista com o agente. "Aprender como é que se interrogava", responde o agente em trecho reproduzido na página 492 do livro. "Só isso?", insiste Godoy. "Não participaram de operação. Eles chegaram num dia, com aquelas fardas marrom. E no outro dia vieram paisano e foram levados pro interrogatório. E olha como pendura, [choque], e a técnica de bater pra falar. Eram três chilenos. Vieram aprender a 'fazer' a Dina."

Agentes do Estado brasileiro à espera de cerimônia para receberem a "Medalha do Pacificador", em imagem da capa do livro. Arquivo Marcelo Godoy

A confirmação da vinda de uruguaios e argentinos foi feita pelo sargento Marival Chaves, o “Doutor Raul”, sargento do DOI de 1973 a 1977. Além de consultar diversos arquivos públicos e de jornais da época, Godoy entrevistou 25 agentes do DOI-Codi, que impuseram diferentes condições para falar: há entrevistados que permitiram a divulgação do nome, outros que autorizaram a publicação após a própria morte, uma parte liberou a publicação dos codinomes e, finalmente, alguns que falaram com a condição de usarem nomes falsos. 

Trechos das gravações das entrevistas foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo no domingo (7/12).


Entre as técnicas exibidas aos chilenos, que passaram dois dias no DOI (Destacamento de Operações de Informações) em 1974 estão o pau-de-arara, as máquinas de choques e a pica de boi, uma espécie de chicote. Antes da vinda de chilenos a São Paulo, um dos chefes do DOI, o capitão do Exército Ênio Pimentel da Silveira, conhecido no departamento como Doutor Ney, já havia viajado a Santiago para orientar colegas locais e “caçar brasileiros” no país, de acordo com o livro.

A obra de Godoy será lançada na próxima sexta-feira (13/12), às 14 horas, em sessão especial da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva.

A colaboração da ditadura brasileira com militares chilenos era anterior ao golpe de Estado realizado em Santiago, em 1973, conforme revelou reportagem de Opera Mundi de fevereiro deste ano. Sete anos antes da chegada de Augusto Pinochet ao poder, em 1966, o chanceler Juracy Magalhães foi ao Chile e, em reunião com seu homólogo Gabriel Valdés, disse que o hemisfério deveria “agir em benefício do Chile” se Salvador Allende fosse eleito. Como resposta, Valdés disse que as Forças Armadas chilenas já organizavam um plano para tirar os esquerdistas da Presidência.

Fonte: Operamundi

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ditador Médici guardou em casa provas de tortura

07/12/2014

Comissão da Verdade do Rio encontra prontuários médicos de presos no arquivo do ex-presidente

 

JULIANA DAL PIVA

Rio - Durante décadas a cúpula do governo militar negou a prática de tortura contra presos políticos na ditadura. Não importavam as denúncias das famílias, as marcas ou sequelas das vítimas. Quase 30 anos após o fim do regime, surgem agora as primeiras provas documentais de que no auge da repressão política — 1970 — o próprio general e então presidente da República Emílio Garrastazu Médici sabia em detalhes sobre a violência dos quartéis e suas consequências físicas e psicológicas.

Médici e o caderno onde guardava os relatos das sequelas das torturas de presas políticas no Rio. Foto:  Divulgação

Médici guardou até a morte, em meio a 32 caixas de manuscritos, um caderno de capa de couro preta com o nome do ex-presidente timbrado em letras douradas na frente. Dentro, a revelação: três prontuários médicos de presas políticas atendidas no Hospital Central do Exército (HCE). São elas: Dalva Bonet,Francisca Abigail Paranhos, além dos documentos de Vera Sílvia Magalhães — conhecida por sua participação no sequestro do embaixador americano Charles Elbrick.

O arquivo pessoal de Médici, doado pela família há 10 anos, integra o acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e foi disponibilizado para pesquisa da Comissão da Verdade do Rio, que localizou os prontuários. “Quanto mais temos acesso aos documentos, confirmamos que a cadeia de comando das torturas e desaparecimentos começava no Palácio do Planalto”, afirma Wadih Damous, presidente da CEV-Rio. Cópias dos documentos serão entregues às famílias em audiência pública na próxima terça-feira.

O prontuário de Vera Sílvia detalha cada medicamento utilizado por ela durante os dois períodos de internação registrados. Presa em 6 de março de 1970, ela chegou pela primeira vez ao HCE transferida do Hospital Souza Aguiar no dia seguinte devido a um “traumatismo craniano encefálico por projétil de arma de fogo”. Tratada na unidade, ela foi liberada dias depois para interrogatório no DOI-Codi.

Em 18 de maio foi internada novamente, e a descrição do quadro dá a medida do sofrimento de Vera. “Paciente acentuadamente desnutrida, subfebril. O exame neurológico acusa sensível diminuição da força muscular nos membros inferiores...há acentuada hipertrofia muscular nos membros inferiores”, registra o prontuário. O diagnóstico, porém, foi de que ela estava com uma paralisia nas pernas devido a razões psicológicas.

O médico legista Levi Inima, que auxilia a pesquisa da CEV-Rio, disse que a avaliação é “falsa”. “As alterações em termos de hipotrofia muscular demonstram a tortura em pau de arara. Ela estava bastante desnutrida, o que mostra os maus-tratos”, explicou. Vera deixou o Brasil em junho de 1970, trocada pelo embaixador alemão. Ela retornou após a anistia e morreu devido a um câncer em 2007.

Choque elétrico provocou crises convulsivas


Ao saber que seu prontuário médico fazia parte do arquivo pessoal do presidente Médici, a tradutora Maria Dalva Bonet, 68 anos, olha para alto e respira fundo. “Vou precisar de um tempo para poder falar sobre isso. É inacreditável”, desabafa Dalva.

Militante do Partido Comunista Revolucionário Brasileiro (PCBR), ela diz que foi presa no fim de janeiro de 1970 junto com a amiga inseparável, Abigail. “Foram 72 horas de pancadaria. Eu estava com a pele toda descascada do choque e me jogaram no chão de cimento. Foi quando eu comecei a ter hemorragia. Os presos pressionaram e eles me levaram para o HCE”, conta Dalva.

Ela diz que ficou cinco meses sem andar devido à tortura no pau de arara. Além disso, os choques desenvolveram um quadro de epilepsia. Por isso, como o próprio prontuário encontrado registra, foram realizados exames neurológicos. “Eles queriam dizer que as convulsões que eu passei a ter eram preexistentes. Mas eu nunca tive nada”, diz ela. Dalva disse que sofreu com crises convulsivas durante 10 anos.

Segundo o diagnóstico feito no HCE, a paralisia de suas pernas também seria emocional — como a de Vera.“Não apresenta vontade de locomover-se; procura queixar-se de tudo e de todos; é impertinente e astuciosa. Costuma ser acometida por pesadelos”, descreve o documento.

Maria Dalva Bonet ficou cinco meses sem conseguir andar devido à tortura no pau de arara. Ela também desenvolveu epilepsia por 10 anos
Foto:  Severino Silva / Agência O Dia

O médico legista Levi Inima também chamou a atenção para a quantidade de tranquilizantes, ansiolíticos e sedativos como Mandrix e Kiatrium ministrados. “ É uma associação de vários medicamentos. Isso tudo faz parte de um cenário médico exatamente para suprimir a questão da tortura”, explica Inima.


'Não deseja recuperar-se'

A advogada Francisca Abigail Paranhos também teve a sua passagem pelo Hospital Central do Exército guardada por Médici. No relatório que segue com o prontuário ela é descrita como “indiciada em inquérito policial-militar pelos crimes praticados como membro do PCBR, alegou paralisação dos membros inferiores”.

Além disso, o diagnóstico diz que Abigail, como era conhecida, não ajudava na melhora de seu quadro de saúde. “Os exames revelaram que Abigail é portadora de depressão neurótica, que não deseja recuperar-se não colaborando para o sucesso do tratamento que lhe é ministrado”, finaliza o relatório.

Dalva diz que elas deixaram a prisão cerca de um ano e meio depois. Abigail morreu de câncer em 1994.
Fonte: O Dia

Monopólio privado da educação

07 de dezembro de 2014

Kroton Educacional bate record em lucro com repasse de dinheiro público


Lucro de R$ 213 milhões no terceiro trimestre desse ano é resultado de programas sociais do governo do PT, como o ProUni, o Pronatec e o Fies, assim como com o aumento de mensalidades e o corte de custos na instituição

A Kroton Educacional, a maior empresa privada de educação do país, somou no terceiro trimestre desse ano um lucro líquido de R$ 213 milhões, cerca de R$113,5 milhões a mais que obteve no mesmo período do ano passado (quando somou R$ 99,5 milhões). Um dos motivos pelo aumento exponencial de seus lucros, entre outros motivos, tem ligação com fusão entre a instituição e a Anhanguera Educacional. Com a aprovação da junção entre as instituições de ensino se transformaram na maior rede privada de ensino do mundo.

No período, a geração de recursos através de suas atividades operacionais medida pelo indicador financeiro Ebitda, somou R$ 354, 8 milhões, ante R$ 180,9 milhões em etapa igual de 2013.

O Ebitda calcula o lucro operacional, que é a subtração, a partir da receita líquida, do custo dos produtos vendidos (CPV), no caso os cursos da instituição, das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas. Os analistas esperavam, em média, lucro líquido de R$ 272 milhões e Ebitda de R$ 352 milhões para o período, segundo pesquisa da Reuters.

A Kroton Educacional controla sozinha mais de um milhão de estudantes do ensino superior e pós-graduação, 290 mil estudantes de educação básica, 41 mil do Pronatec e mais 53 mil em cursos irregulares. Após a fusão entre a Kroton e a Anhanguera, a nova companhia tem o equivalente a 20% de todas as matrículas do ensino superior brasileiro de acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee). Sendo ao todo, 486 mil cursando o ensino presencial (graduação e pós-graduação) e 516 mil em regime de ensino à distância.

Nesse sentido um dos motivos pelo qual houve a ampliação dos lucros da Kroton Educacional vem de um lado do investimento de grupos especuladores nacionais e internacionais que articulam as fusões entre diferentes companhias e promovem uma reestruturação nessas instituições, no sentido de diminuir custos reduzindo o número de funcionários das faculdades, mantendo baixos salários e demitindo professores com maior nível de formação. E por outro lado, com o repasse do dinheiro público por meio dos programas sociais do governo federal voltados à educação, como, por exemplo, o ProUni (Programa universidade para Todos), o Pronatec e o Fies.

Inclusive a Kroton Educacional foi uma das 15 empresas que mais valorizaram durante o governo Dilma (PT), segundo informações do levantamento feito pela consultoria Economática. O que pode ser visto pelo aumento de seu valor de mercado, quando em dezembro de 2010 (último ano do segundo governo Lula) a empresa somava R$ 1,42 bilhões, saltando para R$ 29,08 bilhões até novembro de 2014.

Em comentário a Kroton informou que terá até 2016 um modelo acadêmico único para toda a organização, para repetir o desempenho financeiro e visar o aumento desse lucro.

É evidente que a ampliação dos lucros da Kroton Educacional vem em grande maioria do repasse dos cofres públicos à instituição que bate records em lucro, enquanto os estudantes dessa instituição se deparam com uma qualidade de ensino e uma estrutura universitária abaixo da crítica.

É preciso exigir que esse monopólio privado educacional que já é financiado com dinheiro público, seja estatizado e colocado sob controle dos maiores interessados em uma educação da qualidade e que seja pública, funcionários, professores e uma maioria de estudantes.

Fonte: PCO

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A criminalização do Estado na América Latina

Título original: La criminalización en Estados de América Latina


Por Norma Estela Ferreyra

En el mundo están pasando muchas cosas, sin que nos demos cuenta. Usan nuestra inteligencia para cualquier propósito, que no sea pensar y reflexionar.

La “cosificación” del ser humano es lo que buscan, por medio del consumismo y otras técnicas de dominio. Y por debajo de las sábanas, una guerra solapada contra todos los que luchen para escapar de sus fines.

Tenemos como ejemplo, la reciente matanza de estudiantes en México, donde se constataron, durante la búsqueda de sus cuerpos, cantidades de fosas comunes que correspondían a otros asesinatos masivos que intentaban ocultar. Méjico se ha convertido, por influencia de EEUU, en un estado Criminal y su pueblo es su víctima. Estados Unidos, hace lo mismo, ya que por estos días, vimos  por TV, como la policía tiene instrucciones para poder acribillar a balazos a un niño, que portaba en el bolsillo, una pistola de juguete, sin siquiera darle la voz de alto, en razón de que éste, era de raza negra. Como conclusión, podemos decir que los Estados Unidos de Norteamérica, no sólo  asesinan a civiles y soldados en otros Estados, para saquear sus riquezas, sino que lo hacen con su  propio  pueblo, ya que ese niño, era un ciudadano nativo de ese país, que tanto se regocija, haciéndose llamar  “del primer mundo” junto a otros de la misma calaña,  que me hacen sentir placer de pertenecer al “tercer mundo”

Quiero destacar a la vez, que a pesar de no haber nacido en Venezuela, siento un profundo respeto por las fuerzas armadas de ese país, mucho más, cuando recuerdo a los militares de otros países, como el mío, que además de no defender a su patria,  la hundieron  económicamente cuando tomaron el gobierno en forma ilegal y comenzaron a perseguir hasta darle muerte, a los jóvenes patriotas, que querían una patria libre y soberana y por lo cual, tenían derecho a alzarse en armas contra los usurpadores del poder popular, que se había expresado en las urnas. Por supuesto, también felicito al pueblo venezolano, por estar permanentemente activo en defensa del gobierno elegido y en lucha permanente, para desbaratar los intentos de golpe de Estado que se originan en el mencionado país del Norte.

En un plan  realmente diabólico,  el Poder Mundial, que tiene su sede en EEUU y en Inglaterra, con la complicidad y la ayuda de toda la Unión Europea, desde la segunda mitad del siglo XX,  acentúa la matanza de personas que defienden la soberanía de sus países, en casi todos los Estados de Sur y Centro América y en Oriente Medio, con máxima crueldad y ensañamiento sobre los civiles, en especial  contra mujeres y niños.

Pero no quiero hablar de esas torturas y  muertes, porque ya es algo  que todos conocemos, sino de las Fuerzas Armadas, porque ellas son quienes debieron haber defendido en su oportunidad, a nuestros Estados soberanos de los intereses foráneos, también nuestras riquezas, como el petróleo y muchas otras. En cambio, era más rentable convertirse en criminales de Estado, desde un gobierno de facto, siguiendo instrucciones de los Estados anteriormente mencionados.

El estado se vuelve criminal

¿Y cuándo un Estado se vuelve criminal? Cuando se entrega al Crimen Internacional, que hasta hoy se sigue practicando mediante las armas más poderosas en contra de la humanidad y del planeta, como son la desinformación, la falsedad de lo informado, la persecución, la desculturización, el envenenamiento, a través de medicamentos, alimentos, diseminación tóxica en aguas, aire y tierras,  de bacterias y virus modificados para provocar epidemias, endemias y cáncer, así como el empleo de armas biológicas, fumigaciones tóxicas, el Haarp, los Chemtrails y el ataque directo con bombas de fósforo e innumerables formas de matar, como la pobreza extrema, bloqueos económicos, como el que sufre Cuba desde hace muchísimos años y que ahora quiere implementarse contra Venezuela. Una verdadera monstruosidad, que importa cada vez menos al resto de la gente que está “bobalizada” por la tecnología masiva de celulares, redes sociales, TV basura, en fin, todo lo que ya conocemos.

Otro Estado para felicitar es el de mi país, durante los mandatos de los Kirchner y al ejército que los apoyó, a Bolivia, durante el gobierno de Evo Morales, a su pueblo y  ejército. Y por supuesto, a la resistencia Cubana de los Castro, junto a su pueblo, entre otros gobiernos de América Central y del Sur, como son Nicaragua, Ecuador y algunos más.

Creo que debemos cerrar las puertas al ingreso de estas armas informáticas, a los soldados invisibles, que usan contra las Naciones libres. Y los ejércitos, no deben estar ajenos a esta realidad, para asegurarnos la soberanía de la información, de la sana alimentación, la educación sin influencias extranjeras, un sistema político que permita la democracia auténtica y la libertad dentro del orden, bajo las directivas del gobierno elegido democráticamente.

Venezuela, Cuba, y países como Irán, Irak, Siria, Afganistán y tantos otros, que son un ejemplo en la resistencia en este tipo de invasiones criminales, deben ser apoyados por el resto de los países, formando una coalición de Estados, con sus Fuerzas Armadas de pie y unidos, acompañando esta lucha soberana, junto a  un pueblo informado sobre estos acontecimientos, que apoye firmemente al Estado, como lo hacen en los países que resisten a este diabólico poder asesino de la humanidad, como los pueblos de Medio Oriente. Reaccionemos, porque todos estamos siendo atacados con armas que no conocemos y nuestros hijos heredarán este mundo. ¿De qué nos sirve la vida, siendo esclavos del consumismo, de la mentira, del compre y compre, de la amistad virtual? Cuando nos demos cuenta de lo que no hicimos hoy, será demasiado tarde.

No participemos de levantamientos populares incitados por las redes sociales, ni de revueltas callejeras promovidas por ese medio, que son las armas contra nuestros pueblos, para que ciertas minorías quieran mostrar al mundo un falso inconformismo hacia un gobierno. Y luego, esas protestas que tienen su rótulo, como “Cacerolazos” “Primavera árabe” etc., reciben apoyo foráneo, incluyendo armas, para lograr la destitución de un gobierno que goza del apoyo de la mayoría del pueblo.

Seguramente, te estarás preguntando por qué escribo usando la tecnología que me brinda Internet. Simplemente, porque no lo hago desde el anonimato, sino que en esta nota, va mi nombre y apellido, pero además, te permite opinar, disentir y no te lleva de las narices por caminos equivocados. Sólo estoy contra del mal uso de la tecnología y no contra la tecnología.

Úsala como difusión de tus pensamientos, que seguramente, estarán cargados de sensibilidad, de sentimientos humanitarios y no de planes subversivos en contra de un gobierno legalmente constituido por  elecciones libres. Porque ¿Sabes? La mayoría de la humanidad está formada por buenas personas. Pero no nos crucemos de brazos, porque un puñado de perversos, puede muy pronto, exterminarnos.

*normaef10@hotmail.com

sábado, 22 de novembro de 2014

“Sobre el marxismo japonés”: Elena Louisa Lange*

21/11/2014

El marxismo japonés es prácticamente ignorado en el mundo francófono. Sin embargo, Marx es debatido intensamente en Japón desde los años 1920. Elena Louisa Lange, filósofa y especialista en el marxismo japonés, nos introduce los hitos de la recepción japonesa de la teoría marxista: sobre la naturaleza del capitalismo japonés, la reelaboración de nociones a partir del “marxismo occidental” (reificación, alienación, etc.) y alrededor de la interpretación de El capital, destacando los riesgos de una teoría estrechamente economicista y la riqueza de las nuevas lecturas de Marx.

Entrevista realizada por Vincent Chanson y Frédéric Monferrand para Période.

El marxismo japonés es poco conocido en el ámbito francófono. Exceptuando algunos estudios como el de Jacques Bidet, Kozo Uno et son école. Une théorie pure du capitalisme, aparecido en el Dictionnaire Marx Contemporain, o el número especial de la revista Actuel Marx (Le marxisme au Japon, nº2, 1987) y otros pocos textos, esta tradición está ausente en los debates contemporáneos del marxismo francés. Podría introducirnos brevemente las principales corrientes y las figuras más destacadas de esta tradición?

Hablando en general, es difícil encontrar en el Japón de posguerra un intelectual que de algún modo u otro no haya “coqueteado” con el marxismo. La reelaboración de la tradición marxista en Japón fue tan influyente después de la Primera Guerra Mundial que incluso los intelectuales conservadores sabían que tenían que nombrar a Marx para ser tomados en serio en los debates públicos. No hace falta decir que las teorías marxistas sufrieron no poca resistencia y represión: en las primeras fases de la recepción de Marx en Japón, en la era Meiji (1862-1912), en la era Taishō (1912-1926) y, sobretodo, en la primera parte de la era Shōwa (1926-1945). Cuando al inicio de la era Meiji, el periodo de “occidentalización”, se llevó a cabo la masiva y concentrada recepción de la filosofía occidental -consistente básicamente en un enorme proyecto de traducción para el cual el gobierno imperial creó un ministerio especial-, se introdujeron, naturalmente, lo que se ha dado en llamar la “filosofía burguesa”. Es decir, el idealismo alemán, el racionalismo británico y el empirismo y vitalismo francés (Bergson). Ciertamente, el Manifiesto del Partido Comunista fue traducido al japonés en 1904 por un activista político, Kōtoku Shūsui. Pero en general, el temprano movimiento socialista fue constantemente perseguido durante la era Meiji. No fue hasta los años 1920 que aparecieron publicaciones marxistas, notablemente el primer volumen de El capital, que fue traducido en 1920 y al que siguieron los volúmenes II y III en 1924. Aunque, para poder ampliar este fenómeno en su conjunto, tuvo que llegar la derrota de Japón frente al ejército norteamericano -que irónicamente, en un primer momento, apoyó abiertamente el estudio de Marx en escuelas y universidades. Pero Marx no era un tema exclusivamente académico. La fuerte presencia del marxismo en los debates públicos influenció la sociedad japonesa de posguerra. Estos debates, en forma de mesas redondas y publicaciones en periódicos como Asashi Shinbun (probablemente comparable a Le Monde), formaron durante mucho tiempo parte de la tradición intelectual japonesa. En general, podríamos decir que esta fuerte y concentrada recepción de la elaborada metodología marxiológica, especialmente en lo referente a la Crítica de la Economía Política, después de la Primera Guerra Mundial, es comparable al vigor de la recepción de Hegel e incluso Darwin a finales del siglo XIX.

En lo referente a las corrientes marxistas en Japón, debe mencionarse el papel del Partido Comunista Japonés, de sus miembros, sus disidentes y sus disputas, igual que el famoso debate sobre el capitalismo japonés de los años 1930. De todos modos, no me extenderé en este punto dado que Jacques Bidet ha presentado ya al público francés los aspectos principales del debate. En lugar de ello, me gustaría destacar, aunque sea brevemente, las corrientes “heterodoxas”. Las corrientes marxistas/marxianas más influyentes destacaron en los estudios culturales, en literatura y en filosofía, juntamente con la economía política marxista que fue la más académica. Se pueden encontrar figuras destacadas de la corriente literaria, especialmente del movimiento de literatura proletaria, desde Nakano Shigeharu (1902-1979) hasta Yoshimoto Takaaki (1924-2012), quién fue el padre del famoso escritor Banana Yoshimoto y figura popular del movimiento estudiantil de izquierdas en 1968.

Respecto al campo de la filosofía marxista, aunque es muy difícil escoger uno o dos nombres, debe mencionarse a Hiromatsu Wataru (1933-1994), el que seguramente sea el secreto mejor guardado del marxismo japonés dado que ninguno de sus textos está disponible en lenguas occidentales. Wataru estudió en profundidad la idea de reificación explorando el concepto en todas las dimensiones epistemológicas imaginables. También Umemoto Katsumi (1912-1974), filósofo marxista que tuvo como referencias principales las Tesis sobre Feuerbach y La ideología alemana. Katsumi fue un autor importante en el “debate sobre la subjetividad” en 1946-1948. Este debate abordó la cuestión del individuo en el materialismo histórico, pero se convirtió en una discusión limitada y muy influida por el trasfondo del existencialismo heideggeriano. Hace falta recordar que a menudo el lenguaje en el que se desarrollaron los debates sobre Marx estuvo fuertemente marcado por la jerga existencialista. Sartre era sin duda una estrella en Japón, e incluso aquellos que eran críticos con él utilizaban categorías como el “ser” y la “nada”.
En el plano del marxismo cultural (cultural marxism), debe mencionarse Tosaka Jun (1900-1945). Tosaka es un autor demasiado importante para ser tratado solo superficialmente, perdonen la brevedad. Fue estudiante del filósofo conservador, el idealista Nishida Kitarō, pero se convirtió en un crítico del idealismo y muy pronto adoptó el materialismo como proyecto filosófico. Fundó en 1932 el “Grupo de Investigación en Materialismo” (yuibutsu ron kenkyūkai) donde se discutían no solo cuestiones filosóficas sino también problemas de actualidad como la irrupción del fascismo, el papel de los medios de comunicación, la ideología… Por supuesto, Tosaka fue detenido y murió en prisión el 1945. En mi opinión ha sido uno de los pocos autores que ha tomado seriamente la Tesis 11 sobre Feuerbach y fue el único crítico consecuente de la sociedad japonesa en un momento en el que era prácticamente imposible sostener posiciones disidentes. Otro crítico “cultural” muy influyente fue Maruyama Masao (1914-1996), quién sin embargo no era marxista pero su línea de pensamiento, que incluye un enfoque psicoanalítico de la crítica de la sociedad, recuerda ciertos planteamientos de la Escuela de Frankfurt a pesar de no haberla conocido.

En lo referente a la Crítica de la Economía Política, el abanico de la economía marxista se extiende desde las críticas al uso de la pobreza y la acumulación del capital hasta los específicos debates de expertos en la teoría marxista de la forma valor. No hace falta decir que Uno Kōzō (1897-1977) fue un intelectual, en el sentido científico del término, con un profundo conocimiento de la teoría económica de Marx. Uno Kōzō protagonizó debates con muchos intelectuales de izquierda. Entre sus obras se cuentan multitud de ensayos llevando por título “Respuesta a la crítica del profesor X”, donde el “profesor X” muchas veces era un rival -como Kuruma Samezō (1893-1932)- pero también sus propios estudiantes y colaboradores como, por ejemplo, Furihata Setsuo (1930-2009). Actualmente, Uno Kōzō sigue considerándose una referencia para muchos economistas críticos, y en algunas ocasiones discutido críticamente. Ōtani Teinosuke (nacido en 1934), profesor emérito de economía en la Universidad Hōsei de Tokyo, continúa en la actualidad la crítica filológica iniciada por Kuruma Samenō, rival de Uno Kōzō, impartiendo regularmente hasta el día de hoy seminarios sobre El capital y los Grundrisse.

Tan pronto como en los años 1920, intelectuales como Kazuo Fukumoto por ejemplo, introdujeron algunos aspectos de la teoría marxista en Japón. En concreto algunos elementos relevantes de lo que se ha dado en llamar el “marxismo occidental” como la alienación, la reificación, etc. ¿Consideras estás nociones como centrales en el debate japonés? ¿Qué articulación puede existir entre el “marxismo occidental”, en sus formas más hegelianas (Lukács, Korsch, Escuela de Frankfurt), y el marxismo japonés?

En su conjunto, el problema del fetichismo y el valor juntamente con sus formas reificadas no ha sido tratado especialmente en el marxismo japonés. Ciertamente, Historia y conciencia de clase de Lukács fue parcialmente traducido en 1927. Pero no provocó un impacto considerable en la recepción del problema de la reificación. Existen excepciones, tal como nombramos anteriormente, Hiromatsu Wataru ha analizado abundantemente la noción de reificación. Según Wataru, existe un corte radical entre el temprano concepto “hegeliano” de alienación en los primeros trabajos de Marx y su noción de reificación en los trabajos de madurez tal como se trata en el teorema del Carácter fetichista de la mercancía del volumen I de El capital. Pero este último fue interpretado de manera incompleta por Hiromatsu, porque la dimensión intra-subjetiva no fue enteramente explorada. Juntamente con la noción de “reificación” (Verdinglichung), problematizó con la noción de “objetivación” (Versachlichung), más completa y profunda en el proceso de intercambio de mercancías y sus efectos en el plano intersubjetivo. Hiromatsu Wataru fue no obstante uno de los pocos en abordar claramente la cuestión del valor como fetiche y las formas en las que las relaciones sociales se convierten en relaciones entre cosas. Podemos constatar que, si bien esta problemática ha sido abordado, se ha limitado a la filosofía marxista, sin entrar en el campo de la economía teórica marxista. Pero incluso entre los filósofos, la concepción materialista ha estado a menudo contaminada por un lenguaje fenomenológico y existencialista, en ocasiones incluso idealista-fitchiano. Sin embargo, estos desarrollos pueden cambiar gracias al nuevo interés suscitado por la teoría del valor, que no puede en efecto eludir el problema del fetichismo. Un estudio recientemente publicado por el joven investigador Sasaki Ryūji, Marx’s Theory of Reifications. Thinking Material as the Critique of Capitalism” (2011), supone un avance en la exploración de una discusión tanto tiempo desatendida en Japón. Pero la discusión deberá recapitular la larga tradición producida en occidente, por ejemplo, por parte de la Escuela de Frankfurt. Benjamin, Adorno, Horkheimer y Marcuse no han sido tomados en serio como teóricos marxistas del problema del fetichismo. En Japón, sus textos fueron leídos a lo sumo como hermenéutica cultural (Benjamin) o sociología (Adorno, Marcuse). La recepción de la Escuela de Frankfurt y el impacto de su crítica no podemos decir que haya sido abrumadora. Por ejemplo, la idea de “abstracción real” de Alfred Sohn-Rethel, central en los enfoques recientes sobre la teoría de la forma valor, hasta donde yo conozco, no ha sido discutida en Japón. En este aspecto, se puede escribir una nueva página en la tradición marxista si se potencia la teorización por esa vía fecunda. Es extraño que haya tan pocos intelectuales japoneses que se puedan definir como “marxistas hegelianos” cuando Hegel ha sido un autor principal en los departamentos de filosofía desde el siglo XIX. Los filósofos Mita Sekisuke (1906-1975) y Funayama Shin’ichi (1907-1994) y su propuesta de “materialismo antropológico” representan la excepción. Por regla general, los economistas marxistas japoneses han evitado teorizar la reificación. Es interesante observar que en este contexto Mita Sekisuke fue también un crítico radical de Uno Kōzō.

Uno Kōzō es uno de los de los autores más conocidos del marxismo japonés en Francia. ¿Nos podría presentar sintéticamente su trabajo teórico? Una de las especificidades de la Escuela de Uno es la elaboración de la “teoría pura” del capital. Ese objetivo “trascendental” parece algo contraintuitivo y especulativo. ¿Qué elementos epistemológicos podemos destacar?

La idea del desarrollo de una “teoría pura” es elaborada por Uno Kōzō en su trabajo seminal, Keizai genron (1950-2/ 1964). Es más simple de lo que parece: para entender la estructura de la “sociedad mercantil”, es necesario distanciarse de las investigaciones empíricas e históricas con tal de formar una teoría que pueda ser válida más allá de su aplicación a la sociedad capitalista. El objetivo de Uno Kōzō era entender el capitalismo, pero inspeccionando la sociedad burguesa podemos entender las sociedades pre- y post- burguesas. Para construir una teoría del capitalismo que fuera útil, Uno Kōzō estaba dispuesto a dejar a un lado los datos históricos, tablas, estadísticas, encuestas… En mi opinión, la diferencia más sorprendente entre Keizai genron y El capital de Marx, a parte del método sobre el que volveré más tarde, es que El capital es primero y principalmente una CRÍTICA DE LA ECONOMÍA POLÍTICA. En cambio Uno Kōzō no escribió una Crítica de la Economía Política sino que tomó de Marx su crítica de Smith, Ricardo, Say, Quesnay, etc. y las consideró como presupuestos establecidos. Es así como Uno Kōzō consiguió reescribir los tres volúmenes de El capital en un delgado libro de 227 páginas (al menos la edición de 1964), un logro remarcable.

Pero también intervino notablemente en la arquitectura de El capital. La mercancía, el dinero y el capital, que componen las tres primeras secciones de su Keizai genron, son consideradas como “formas de la circulación”. Por lo tanto, la doctrina de la circulación (ryūtsūron) se sitúa al inicio de su investigación. No hace falta señalar que Marx empieza con El proceso de producción del capital, donde analiza la mercancía y el dinero, pareciendo estos elementos puros medios de circulación. El propósito de Marx era mostrar aquello que no era evidente: que el dinero es una relación social fundada en la organización del trabajo (humano abstracto) en las sociedades capitalistas. Por el contrario, Uno Kōzō tiene una idea más bien “funcional” del dinero, dinero como medio de circulación. Con todo, debe señalarse que su análisis de la mercancía, el dinero y el capital abstrayéndose del proceso de trabajo es peculiar.

En mi opinión, lo menos interesante, aunque probablemente sea el aporte más conocido de Uno Kōzō es su enfoque en tres niveles (sandankairon) de la economía política: donde el primer nivel es la teoría pura; el segundo nivel se refiere al análisis de las fases del capitalismo (capital mercantil, industrial y financiero); y el tercero explora los acontecimientos políticos actuales y “reales”. No creo que este enfoque sea significativo en la obra de Uno Kōzō porqué no desarrolló los niveles segundo y tercero, aunque propuso una conceptualización metódica. Abandonó, a mi parecer sabiamente, la teoría de las fases característica del marxismo tradicional de Lenin o Luxemburgo y no siguió cierta moda de los años 50 hacia la conceptualización del capitalismo japonés. En cambio, concentró plenamente sus esfuerzos en entender la socialización capitalista (capitalist sociation) en el único marco de la “teoría pura” y redujo la esencia de la economía política a tres leyes fundamentales: la ley del valor, la ley de la población y la ley del equilibrio de la tasa de ganancia. No se dejó seducir por cuestiones tales como el fetichismo, la abstracción real, las “formas objetivadas del pensamiento” y otros elementos que fascinan la reciente marxología (incluida yo misma). Siguió la línea del rígido economista y exploró el capitalismo como un proceso donde las cosas suceden por alguna razón. No le interesaba encontrar porqué en las sociedades capitalistas “todo sucede como debe suceder y, por tanto, inapropiadamente” (alles mit rechten Dingen zugeht und doch nicht mit rechten Dingen (Adorno)).

En tu opinión, ¿qué limites tiene el enfoque de Uno Kōzō? La lectura de Marx a partir de la Teoría de la forma valor te parece una alternativa posible, metodológica, crítica y política, al aporte de Uno Kōzō?

Yo diría que los límites del enfoque de Uno Kōzō surgen precisamente al descartar los elementos “impuros” del capitalismo como formación histórica. Esto no concierne únicamente a la “acumulación originaria”. De hecho, Uno Kōzō dedica mucho espacio a la acumulación originaria. Pero el problema de la autonomización de la ley del valor, de la forma valor como fetiche históricamente determinado, y la complejidad de la abstracción real. En otras palabras, lo que falta en el enfoque de Uno Kōzō es la discusión detallada de la dimensión cualitativa del valor. La ley del valor no puede ser explicada exclusivamente en base a datos económicos. Fallaría el tiro si así fuera. La tarea de la economía política debe ser explicar porqué el trabajo en el capitalismo necesariamente adopta la forma de valor. En mi opinión, estas son las reflexiones indispensables para entender la sociedad capitalista. Analizar el modo de producción capitalista no puede ni debe hacerse de manera “pura”.

Por ejemplo, en mi proyecto de investigación, entre otras cosas, intento ver la relación entre la visión de Uno Kōzō sobre el dinero y el valor -una teoría del valor ni monetaria ni premonetaria, sino una teoría “funcional-relacional”- y su falta de interés por el problema del fetichismo y la reificación. El rechazo de la teoría laboral del valor -o más bien, su incomprensión- por parte del marxismo japonés es en este aspecto revelador. Uno Kōzō le reprocha a Marx haber desarrollado la teoría del valor dentro de “la esfera de la circulación” -en el capítulo sobre La mercancía en el volúmen I de El capital- en lugar de hacerlo en la esfera de la producción. Esta incomprensión de la obra de Marx, en mi opinión, es la responsable de la perpetua y creciente sospecha contra el teorema fundamental de Marx (el carácter fetichista de la mercancía), llegando al peculiar caso japonés donde incluso los economistas marxistas rechazan la teoría del valor por un supuesto “substancialismo”, ignorando completamente su ímpetu crítico. No es entonces casual la popularización de la teoría de la utilidad marginal y, con ella, la investigación económica puramente cuantitativa y su consecuente abandono de la crítica de la forma que adopta el trabajo. Este es el caso, por ejemplo, del economista ex-marxista Michio Morishima y su “Teoría del crecimiento económico”. Los salarios son de nuevo abordados como equivalentes de una cierta cantidad de trabajo, lo que provoca que, como mucho, se centre el interés en los aumentos salariales sin discutir el sistema salarial como tal, en su conjunto. Naturalmente, este es un fenómeno que se ha producido en prácticamente todos los países tardíamente industrializados.

Afortunadamente, las “nuevas lecturas” de la teoría del valor han ayudado a reintroducir la relación teórica entre valor, dinero, capital y trabajo. A menudo van más allá de Marx, lo que considero necesario y bienvenido. Al mismo tiempo, tengo la sensación que en ocasiones se reduce el ímpetu crítico de Marx perdiendo de vista la lucha política y cotidiana concreta. Tan importante es ir más allá de Marx como guardar en mente el intrínseco maximalismo de su proyecto: abolir el modo de producción capitalista y sus “formas de pensamiento objetivadas”. Empiecen en su lugar de trabajo.

* Elena Louisa Lange es investigadora asociada de la Universidad de Zurich, filósofa y especialista del Japón. Ha publicado “Failed abstraction – The Problem of Uno Kozo Reading of Marx’s Theory of the Value Form” en Historical Materialism, 22.1.

Entrevista realizada por Vincent Chanson y Frédéric Monferrand
Fuente: Période
Traducción de Ivan Gordillo para Marxismo Crítico.
 
Agradecemos a los amigos de la Revue Période su permiso para traducir y publicar esta entrevista.