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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ONU: racismo no Brasil é ‘estrutural e institucionalizado’

Peritos da entidade concluíram o relatório afirmando que o “mito da democracia racial” ainda está presente na sociedade brasileira e que boa parte dela ainda “nega a existência de racismo”

O racismo no Brasil é "estrutural e institucionalizado" e "permeia todas as áreas da vida". A conclusão é da Organização das Nações Unidas (ONU), que publicou nesta sexta-feira (12) seu informe sobre a situação da discriminação racial no país. Os peritos da entidade concluíram o relatório afirmando que o “mito da democracia racial” ainda está presente na sociedade brasileira e que boa parte dela ainda “nega a existência de racismo”.

"O Brasil não pode mais ser chamado de uma democracia racial e alguns órgãos do Estado são caracterizados por um racismo institucional, nos quais as hierarquias raciais são culturalmente aceitas como normais", destacou a ONU.

Os técnicos da entidade estiveram no país entre os dias 4 e 14 de dezembro de 2013 e constataram que os negros são os que mais que mais são assassinados, os que têm menor nível de instrução, os menores salários, o menor acesso á saúde, os que morrem mais cedo e o que menos participam no Produto Interno Bruto (PIB).

A ONU sugere que se "desconstrua a ideologia do branqueamento que continua a afetar as mentalidades de uma porção significativa da sociedade". Mas falta dinheiro, segundo o órgão, para que o sistema educativo reforce aulas de história da população afro-brasileira, um dos mecanismos mais eficientes para combater o "mito da democracia racial".

Outra preocupação é relativa à violência policial, frequentemente empregada contra jovens negros: o direito à vida sem violência não está sendo garantido pelo Estado para os afro-brasileiros, afirmou a entidade.

“O uso da força e da violência para o controle do crime passou a ser aceito pela sociedade como um todo porque é perpetuada contra um setor da sociedade cujas vidas não são consideradas tão valiosas”, pontua o relatório.

Fonte: Brasil de Fato, 12/09/2014

A cura doce: o mel fresco de abelha pode ser mais efetivo que os antibióticos

Título original: La cura más dulce: La miel fresca de abeja podría ser más efectiva que los antibióticos


Publicado: 14 sep 2014

Los componentes bacteriales de la miel fresca son más eficientes que los antibióticos convencionales en el tratamiento de infecciones resistentes a los medicamentos, según científicos.

Sobre este tema
Ecuador desafía a McDonald's con un impuestoantiobesidad

 
Se trata de 13 componentes que pueden combatir un gran espectro de infecciones típicas, como el SARM (el staphylococcus auereus resistente a la meticilina). 

"Los antibióticos suelen ser solo una sustancia activa, eficiente solo contra un pequeño espectro de bacterias. Al ser usadas vivas, estas 13 bacterias del ácido láctico (BAL) pueden producir exactamente el elemento antimicrobial que se requiere, dependiendo de la amenaza", señala Tobias Olofsson, profesor de la Universidad de Lund y autor de los estudios publicados en la revista 'International Wound Journal'. 

Los investigadores aislaron 42 patógenos diferentes de las heridas abiertas de 22 pacientes, y los trataron con las 13 BAL de miel. El efecto, según ellos, fue "comparable" al de los antibióticos. 

Los científicos realizaron pruebas en caballos con heridas que no conseguían sanar, y tras someterse a este tratamiento todos los animales se curaron. 

Ello no significa que cualquiera puede prepararse una medicina en casa: la miel que se vende en tiendas no contiene bacterias lácticas vivas, así que muchas características únicas del producto no están presentes ahí, advierte Olofsson. 

En cualquier caso, los científicos esperan que su descubrimiento pueda ser útil en los países en desarrollo, donde los antibióticos de última generación no se consiguen fácilmente, pero donde la miel fresca es abundante.

Wallerstein: o sentido histórico da revolta zapatista

por Immanuel Wallerstein
06/05/2014
Tradução: Gabriela Leite

Tratada com ironia, mesmo entre certa esquerda, insurreição de 1994 abriu caminho para retomada da ação anticapitalista, quando sistema julgava-se imbatível

Em 1º de janeiro de 2014, o Exército Zapatista de Liberação Nacional (EZLN) celebrou o vigésimo aniversário de sua insurreição em Chiapas. Este ano, eles estão se envolvendo em uma auto-avaliação. Em abril, na página web do EZLN, o Enlace Zapatista, o Subcomandante Insurgente Moisés publicou um editorial sobre a “guerra contra o esquecimento”. Ele diz que em meros dezenove anos, a luta do EZLN “toreou” o sistema que oprime os povos indígenas há 520 anos.

Quais foram as realiçações do EZLN? Em que sentido, pode-se dizer que ele teve sucesso? O EZLN tem sido tratado com ironia não apenas pena direita mundial, mas também por certos grupos  da esquerda, que o acusam de ser muito irrelevante para a luta mundial contra o imperialismo e o neoliberalismo. O que eles alcançaram, perguntam os críticos? Sua trajetória teria sido mais que um show de relações públicas?

Este tipo de crítica não compreende nada sobre a insurreição. O primeiro feito dos zapatistas tem sido sobreviver contra um exército mexicano que tem se esforçado, há vinte anos, por destruí-los. A ameaça foi evitada não por proeza militar do EZLN (seu poder  não pode ser comparado à do exército mexicano), mas por sua força política — tanto internamente, entre os povos indígenas de Chiapas, quanto externamente, no resto do mundo. É essa força que limitou os danos do exército a não mais que perseguições (algumas com assassinatos) nas margens das comunidades anôminas zapatistas.

Qual foi a múltipla mensagem do EZLN, ao governo mexicano e ao mundo, em 1º de janeiro de 1994, quando começou o levante? Primeiro, estavam reivindicando a dignidade dos povos indígenas oprimidos, ao renovar a exigência de exercer o governo de suas próprias comunidades, por meio das próprias populações, coletiva e democraticamente. Em segundo lugar, estavam dizendo que não têm nenhum interesse em chegar ao poder de Estado no México, o que seria, em sua visão, simplesmente trocar um conjunto de opressores por outro. Ao invés disso, demandavam que o governo mexicano reconhecesse formal e sinceramente sua autonomia.

Em terceiro lugar, o EZLN escolheu a data porque marcava a entrada em vigor do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, em inglês). Ao escolher esta data, estavam afirmando sua rejeição ao papel imperialista dos Estados Unidos, no México e em todo o mundo. Quarto: afirmavam que, ao invés de focarem sua ação especificamente em Chiapas, apoiavam as lutas de todos os povos e classes oprimidas ao redor do mundo. Enfatizaram isso ao convocar mais tarde, em Chiapas, o que eles chamaram de reuniões intergaláticas; e ao se recusarem a excluir participantes que eram rejeitados por outros convidados. E em quinto lugar, solicitaram compartilhar estas visões com outros oprimidos no México através do Congresso Nacional Indígena.

O levante do EZLN foi o início de uma contra-ofensiva da esquerda mundial contra o avanço,  relativamente breve, da direita mundial, entre 1970 e 1994. A combinação do impacto político e econômico do Consenso de Washington e o aparente triunfo, com o colapso da União Soviética, permitiram à direita sonhar com a dominação permanente do sistema mundial. O que os zapatistas fizeram foi lembrá-los (e o mundo de esquerda) que há, sim, uma alternativa — a de um mundo relativamente democrático e relativamente igualitário.

Em 1º de janeiro de 1994, o EZLN abriu caminho para os protestos bem sucedidos que ocorreriam Seattle, em 1999; e em diversas outras cidades, na sequência — assim como para a fundação do Fórum Social Mundial (FSM) em Porto Alegre, em 2001. A luta contínua do FSM e do que agora tem sido chamado de movimento por Justiça Global, foi possível por causa do EZLN.

É claro que, como o Subcomandante Insurgente Moisés nos recorda, “não pode haver descanso; é preciso trabalhar duro”. Suponho que esta seja a mensagem definitiva do EZLN. Não pode haver descanso para qualquer um de nós que acredite que “outro mundo é possível”.

domingo, 14 de setembro de 2014

Quem é a esquerda que a direita gosta?

                                           
   Valerio Arcary

Não importa o tamanho da montanha, ela não pode tapar o sol.

Sabedoria popular portuguesa

 

      A campanha eleitoral de 2014 é a mais imprevisível desde 1989. É natural, por isso, que seja a mais ríspida. A aspereza das reações polêmicas é proporcional à incerteza de quem vencerá as eleições presidenciais. A insegurança é inimiga da serenidade. Não foram poucos os artigos dedicados a diminuir e desqualificar a oposição de esquerda e, em especial, o PSTU, durante o último mês.

      Valter Pomar afirmou, por exemplo, concluindo um texto recente: "no atual período histórico, quem acha possível derrotar ao mesmo tempo a direita e o PT, acaba geralmente virando linha auxiliar da direita”. [1] Outros militantes da esquerda petista têm asseverado que o PSTU seria um partido irrelevante porque Zé Maria não superou 1% das preferências de voto nas pesquisas de opinião. Breno Altman, por exemplo: “Mas não é apenas a influência eleitoral desses partidos que é pífia. Também são forças de pouca envergadura no movimento sindical, estudantil e camponês. Não passam de franjas isoladas na intelectualidade (...) Ainda que se possa criticar os governos de Lula e Dilma pela eventual opção por um reformismo fraco, no dizer de André Singer, o fato é que se constituíram em ferramentas de resistência ao neoliberalismo em todos os terrenos.  (...) a insistência nessa política sectária faz da ultra-esquerda um aliado objetivo das forças reacionárias nos momentos de grande polarização e disputa.” [2]

      Os quatro argumentos podem impressionar, mas são falsos. Primeiro, a acusação de que a oposição de esquerda cumpre o papel de uma linha auxiliar da oposição de direita é indigna. Não vale tudo na luta política. Linha auxiliar da oposição burguesa é uma  denúncia pesada. Qualquer pessoa pode compreender que na luta política existem mais do que dois campos, situação e oposição. Existem as classes sociais, e elas se expressam através de vários partidos.

       Com esta insinuação absurda- “aliados objetivos de forças reacionárias”- os dirigentes da esquerda petista não estão ofendendo somente  a oposição de esquerda. Estão, também, desafiando a inteligência da sua própria militância, porque estão agredindo a historia do PT.

       O amálgama da oposição de esquerda com a de direita, pode parecer, politicamente, eficaz, mas é desonesto. Um mínimo de decência na polêmica de ideias exige reconhecer que os partidos da oposição de esquerda tem atacado, implacavelmente, a oposição de direita, seja Marina ou Aécio. Tanto, ou até mais do que a candidatura do governo. Zé Maria deu a palavra a Osmarino Amâncio para denunciar que Marina Silva não era herdeira dos ideais de Chico Mendes.

      Se este critério fosse para ser levado a sério, o PT não poderia ter nascido. Porque o PT surgiu desfiando a liderança do MDB e, portanto, dividindo a unidade das oposições à ditadura. Por este critério, a candidatura de Lula em 1982 contra Montoro e Reynaldo de Barros, homem de Maluf, era ilegítima, porque favorecia a vitória do partido da ditadura. Foi essa a acusação que o PCdoB e o MR-8 fizeram durante quase uma década, nos anos oitenta, ao PT.

     A premissa de que, quem não está conosco, objetivamente, é aliado dos nossos inimigos é falsa. Mas o pior é que este raciocínio binário vem associado a outro mais perigoso. Realmente, ainda há quem pense que só o PT representa os trabalhadores e seus interesses? Não parece bizarra esta conclusão, se a esquerda petista não pode deixar de admitir que, durante doze anos, os grandes grupos capitalistas não pararam de ver os seus lucros crescerem? Alguém poderia explicar, por exemplo, se o PT é o único partido que defende os trabalhadores, por que o Ministro da Justiça do governo Dilma e dirigente do PT, José Eduardo Cardoso, quando da greve dos metroviários contra Alckmin em São Paulo declarou: “Seja para o que for, o governo do Estado pode contar com o apoio instrumental do governo federal”.[3]

       Em segundo lugar, ser maioria não é o bastante para demonstrar quem tem razão em uma polêmica política. Apenas evidencia qual é a proposta, ou o partido, ou a candidatura que tem maior apoio, em determinada circunstância. O apoio que uma proposta, um projeto, uma candidatura pode ter não prova nada, absolutamente nada, sobre a correção da política defendida.

      Os bolcheviques, uma referência que compartilhamos, foram ínfima minoria na Segunda Internacional em 1914. Foram, também, minoria na Rússia até Agosto de 1917, portanto, durante mais de vinte anos. Parece até um pouco cruel ter que recordar para lideranças da esquerda petista que são minoria, há pelo menos duas décadas dentro do PT, que o fato de terem sido, sistematicamente, derrotados, não invalida as propostas que defenderam.

     Um partido pode sair derrotado, eleitoralmente, e ainda assim obter uma vitória política. Ou o contrário, sair derrotado, politicamente, apesar de uma vitória eleitoral. O PT saiu derrotado das urnas, em 1989, mas fortalecido. Um partido que renuncia ao seu programa para surfar uma onda eleitoral, absorvendo as ideias de outros partidos, pode ter uma excelente votação, mas sairá das eleições, derrotado. Em outras palavras, uma avaliação séria com o objetivo de compreender se um partido foi ou não, politicamente, vitorioso deve ter como critério um exame da defesa ou não do seu programa. Não somente o sucesso eleitoral.

      A audiência do PSTU não é tão residual quanto pensa a esquerda do PT. Os trotskistas estiveram presentes e com um papel destacado em grande parte das lutas recentes mais importantes: construção pesada em Belo Monte no Pará, Comperj no Rio de Janeiro, petroleiros em mais de uma dezena de Estados, professores por todo o país, rodoviários de Porto alegre e Pernambuco, garis e bombeiros no Rio, metroviários e USP em São Paulo, etc. Ao defender uma saída socialista para o Brasil, ainda que tenha poucos votos, o PSTU será politicamente vitorioso, porque esta proposta corresponde às necessidades da revolução brasileira. Derrotados serão os socialistas cujos partidos não estiveram nas lutas, e nas eleições não defenderam o socialismo.

       É fácil compreender porque deve ser aconchegante para dirigentes da esquerda do PT saborearem a perspectiva de uma derrota eleitoral do PSTU como uma confirmação de sua estratégia de hibernação secular. Só que não é. Trata-se de mais um caso clássico de autoengano: uma alegria ilusória. A possível vitória de Dilma, que permanece incerta, se acontecer, significará uma derrota, não uma vitória da esquerda petista. Porque será para a esquerda petista uma vitória de Pirro.[4] Pomar, que é um observador mais lúcido já sentiu o cheiro do perigo.[5]

       Os primeiros cem dias de um possível segundo mandato de Dilma serão suficientes para que fique claro o tamanho do ajuste fiscal que vem por aí, entre outras medidas reacionárias. Claro que uma derrota de Dilma será uma irrevogável derrota da esquerda petista. Mas a dialética do processo é que uma possível vitória de Marina será, também, uma derrota dos trabalhadores, porque Marina fará um ajuste tão grande, senão maior, do que o de Dilma, com as trágicas consequências de aumento do desemprego e queda do salário médio. Em resumo, 2015 não parece nada prometedor.

      Em terceiro lugar, a explicação da provável pequena votação das candidaturas presidenciais do PSTU, PSOL e PCB não reside no seu posicionamento como oposição de esquerda. Aliás, é surpreendente que, um ano depois de Junho de 2013, ainda exista tanta teimosia em admitir que uma parcela majoritária da juventude assalariada urbana com escolaridade mais elevada tenha se deslocado para a oposição.

      Como ficou evidente em sucessivas pesquisas, é na faixa etária até 35 anos, nos setores sociais com renda entre dois e cinco salários mínimos, e entre aqueles com ensino médio completo e superior incompleto que a candidatura Marina Silva tem maior vantagem em relação a Dilma. Imaginar que essa votação corresponde à velha classe média reacionária é, simplesmente, cegueira indefensável. É obtuso. Não foi, portanto, pelo seu posicionamento como oposição ao governo de coalizão com o PMDB de Renan Calheiros, dirigido por Dilma, em nome do PT, que a oposição de esquerda tem poucos votos.

       A baixa votação remete a temas muito mais complexos, e que exigem diferentes níveis de análise para serem compreendidos, mas que o marxismo inspirado em Leon Trotsky caracterizou com a crise de direção do proletariado. Mas como este conceito é muito mal interpretado, para resumir, portanto, simplificando, repousam ainda, entre outros fatores: (a) na avalanche de votos que se dirigiram para Marina como uma mediação que, embora esteja em uma aliança com a oposição de direita, não é assim percebida por esta parcela da juventude trabalhadora que a vê como uma alternativa e, para não poucos, até à esquerda de Marina; (b) no estágio de imaturidade política desta geração de trabalhadores jovens, um processo no qual o PT, depois de 12 anos no poder, tem responsabilidades, como ficou mais uma vez escancarado com o novo escândalo da Petrobras e as “relações perigosas” com o PP de Maluf, o PMDB de Sarney, etc.; (c) na falta de confiança dos batalhões mais maduros dos trabalhadores em suas próprias forças, que leva a que as propostas da oposição de esquerda, ainda que indispensáveis, pareçam demasiado radicais, e o voto no PT, apesar do reformismo quase sem reformas, um mal menor; (d) no fenômeno mais amplo das ilusões no próprio processo eleitoral como via indolor para a transformação econômico-social do país, o que, evidentemente, não é possível. 

      Por último, em quarto lugar, o argumento de que os governos do PT foram um período de resistência ao neoliberalismo é uma fantasia exagerada, portanto, insustentável, em um debate sério. Em outras palavras, pensamento mágico. Expressão pura da força do desejo.

      Resistência ao neoliberalismo? O eixo central da estratégia neoliberal foi o tripé macroeconômico que Lula preservou dos governos de Fernando Henrique. Até as pedras das calçadas da Avenida Paulista sabem que a política de Palocci foi um sonho de consumo da burguesia brasileira. Que a preservação das metas inflacionárias, do superávit fiscal, e do câmbio flutuante, para garantir a segurança da rolagem da dívida pública na mão dos rentistas, foi a estratégia central para blindar a governabilidade dos governos de coalizão dirigidos pelo PT. Não por acaso o governo manteve relações amigáveis com o agronegócio, com as montadoras e a FIESP, com os banqueiros, etc.

      A tentativa de redução da taxa de juros, durante dois anos dos quatro do mandato de Dilma, foi o bastante para levar a esquerda petista, e até o MST, a sonhar com um novo curso desenvolvimentista. Foi, como o último ano demonstrou, só um ensaio, rapidamente, interrompido.


      É verdade que o crescimento entre 2004 e 2008, com uma retomada em 2010, no contexto de uma recuperação do capitalismo mundial depois da crise de 2000/01, favoreceu uma redução do desemprego, e esta pressão permitiu uma recuperação do salário médio para os níveis de 1990, antes da posse de Collor. Não houve reformas progressivas durante os últimos doze anos? Sim, houve. Mas muito poucas. Reformismo fraco é uma conceituação muito benigna da parte de André Singer. O aumento do salário mínimo acima da inflação, a elevação do crédito popular com os empréstimos consignados, a expansão do Bolsa Família como política de emergência assistencial, explicam a sensação de alívio depois da degradação das condições de vida pela superinflação dos anos oitenta, e estagnação dos anos noventa. Mas não são o bastante para definir os governos do PT como reformistas. Porque foram muito mais numerosas as contrarreformas.

     Como dizem os portugueses, não importa o tamanho da montanha, ela não pode tapar o sol.


Notas:

[1] POMAR, Valter. Ser de esquerda não é profissão de fé, nem serviços prestados. 10/09/2014, Inhttp://valterpomar.blogspot.com.br/2014/09/ser-de-esquerda-nao-e-profissao-de-fe.html

[2] ALTMAN, Breno. Por que a ultra-esquerda brasileira é residual? 11/09/2014. Inhttps://www.facebook.com/breno.altman

[3] Fonte: CBN (09/06/2014)

[4] Trata-se de uma expressão que explica como há vitórias que se transformam em derrotas. Por exemplo, quando uma vitória é conquistada ao custo de prejuízos irreparáveis.

[5] POMAR, Valter. Eles têm um plano C. 12/09/2014. In http://valterpomar.blogspot.com.br/2014/09/eles-tem-um-plano-c.html

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

PEQUENA MEMÓRIA AO 11 DE SETEMBRO


Ademir Schetini Júnior

11 de setembro, um número marcante. Em 2001, o Ocidente assistira do alto de suas poltronas, dos seus sofás, das cadeiras dos bares, dos salões de beleza, nas vitrines das lojas de eletrodomésticos visto por quem se dirigiria ao trabalho ou pelo moleque sentando no paralelepípedo esperando um pedaço de bolo de quem fosse ao trabalho, algo que, ainda então, faz-se emblemático. O mundo – ou pelo menos assim se disse – ficaria estupefato. Quem estaria por trás do atentado às Torres Gêmeas, noticiado como uma das maiores opugnações de todos os tempos? De um lado, têm-se os teóricos da «conspiração» e os do «subjacente terrorismo oriental» em contraste com os defensores da inocência-democrática americana (sic). Lembro-me de ouvir naquela manhã em que voltava da aula de matemática que estaríamos ao pé da III Guerra Mundial.

Para constar, precedia a 11 de setembro de 1968 – «o ano que não terminou» – outro revés, desta feita nas bancas brasileiras: mas não precisamos citá-lo além da nota – Veja: 33 anos após o lançamento, a revista destacaria a vulnerabilidade «americana», apostando na subsequente «guerra ao terror» por conta do ataque supracitado.

Entretanto, cabe aqui outro 11 de setembro. Na manhã chuvosa de 1973, o presidente do Chile receberia telefonema convocando-o, urgentemente, ao Palácio de La Moneda, no centro de Santiago, porque pairavam rumores de bombardeio. Alarme verdadeiro. Na ocasião, as bombas eram lançadas em nome da «liberdade», da «proteção à democracia», da terapia do «câncer marxista». Eufemismos à parte, as bombas iam em nome do general don Augusto Pinochet Ugarte, comandante em chefe das forças armadas e braço direito do presidente Salvador Allende. O sobrenome dos que lançavam-nas, porém, se ocultara.

Bem, dois os países que se destacavam no pós II Guerra, nas Américas, enquanto outros tantos já haviam lançado mão das botas, quer dizer, se adornado com vestimenta militar, mas, além de tudo, haviam se revestido de poder político-militar. Entre os dois países, Cuba, como se sabe, em revolução (que os teóricos chamam de armada) desde 1959, e o Chile, cujo presidenciável havia sido eleito democraticamente (ou seja, nas urnas), em 1970, em processo revolucionário (pacífico, conforme os teóricos). Neste caso, por revolucionário entenda-se, sobretudo a nacionalização das matérias-primas, aos limites impostos às empresas estadunidenses atuantes no país, a superação dos déficits sanitário, habitacional, nutricional, a mudança no sistema tributário e na estrutura agrária, a divisão equânime dos bens materiais, o investimento na educação escolar e o incentivo às artes: música, teatro, arpillera, gravura, cerâmica, literatura. Comum o fato de ambos os países, Cuba e Chile, postularem a alternativa antiimperialista testa a testa com os Estados Unidos da América (amiúde cognominados «americanos»).

Pois bem, mal os niños chilenos sentirem o sabor do leite, já era hora de os latifundiários tomarem posse de incontáveis vacas. Mal as muchachas saborearem o saber das letras, os coturnos pisariam solos universitários e enquadrariam a função docente. Calaram a boca, indiretamente, por censura, de uma Violeta Parra (quem gerou a popular Gracias a la Vida) e, diretamente, por envenenamento, de um Pablo Neruda (combatente de guerra). Maior agonia sofrera um passarinho morto «a pedradas» no Estádio Nacional do Chile diante de dez mil presos-políticos: aqui jaz um Victor Jara (ele deveria ser mais conhecido). A fotografia que acompanha o texto corresponde àqueles dias.

Sem embargo, a situação se deflora quando saímos dos «ilustres» e partimos aos «apagados». A partir de 11 de setembro de 1973, perde-se o fio do novelo dos bordados das artesãs arpilleras, que, portando agulhas afiadas, linhas coloridas e pedaços de panos, retalhariam o novo enredo do país, mas, sem se renderem ante a face brutal que acompanharia seus causticantes dias.

Doía por sobreviverem e por perderem entes, doía porque o índice inflacionário caía em suas costas e a contrapartida corresponderia ao aumento em cinquenta por cento de desemprego, doía porque o apito do toque de recolher noturno soava em seus ouvidos e porque lhes foram negado salvo-conduto, doía porque o neoliberalismo, porque Milton Friedman, doía, enfim, entre tantos porquês, porque era proibido olvidar os seus, era proibido esquecer as técnicas aplicadas em seus corpos, as aranhas e os ratos introduzidos (vivos) na genitália, os choques elétricos, os abusos sexuais, a violação do direito de ser gente, apenas.

Sem quê nem por quê, a mãe desesperada corria desesperante invocando o filho – desaparecido. Fosse desentendedora do assunto político o desespero liberaria cargas elevadas de adrenalina naquele sangue marcado por décadas afundadas na diabetes e a aflição, evidentemente, aumentaria. Os dias que lhe restavam, naturalmente, encurtariam. [...]

Mal se começou a entoar «la mujer de la pátria también», era hora de silenciar o canto. Os ancestrais, os Mapuche, guardiões de tradições seculares, foram desterrados, expropriados, genocidados: jorra sangue destas veias abertas. Atônita, a viúva de Pablo Neruda indagara a surpresa causada na primeira quinzena do novo regime. Perguntava-se: «como afugentar as recordações desses dias tão sofridos? Como ignorar essa legião de mortos anônimos que, por toda a parte, está sendo enterrada sem cruzes, sem flores, sem lágrimas?»

Finalmente chega 1990 – dois anos após o plebiscito nacional «No» derrubar o general e os comparsas – e o Estado vai conhecendo a desoficialização da ditadura. Segundo o ministro da Educação, Harald Beyer, em 2012, abrindo parênteses, entre as expressões idiomáticas «regime» e «ditadura» militar, a primeira expressão deveria ser utilizada nos livros didáticos. Golpe certeiro no ensino fundamental. O gás lacrimogêneo ainda sufocaria, 40 anos depois de instaurado o golpe militar e 23 após oficialmente encerrado, mães pais filhas filhos amigos dos mortos e desaparecidos políticos que ensejassem as ruas como local de resgate da Memória e luta por Justiça!

Sobre o número emblemático, vejamos: se somarmos o dia 31 de março ao ano 1964 correspondente ao golpe militar no Brasil, obteremos 1995; e se repetirmos a operação com o 11 de setembro de 1973 do Chile, teremos o 1984 (1984, como se sabe, é o meio-anagrama de George Orwell, símbolo do totalitarismo vigilante; vigilância e comunicação, como sabemos, foram decisivos ao golpe: são exemplos a International Telephone & Telegraph [I.T.T.] e a Central Intelligence Agency [C.I.A.], mega-instituições atreladas às relações internacionais estadunidenses à época, e para além). Assim, a subtração do produto do golpe brasileiro ao do chileno, ou seja, 1995 - 1984 se apresentará como 11. Que o círculo se feche por aqui.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Documento do FMT aconselha desfazer-se dos dólares antes do colapso monetário estadunidense

Título original: Según documental publicado en Future Money Trends (FMT): Aconsejan deshacerse de los dólares ante el colapso del sistema monetario de EE.UU.
7 septiembre 2014


Al vivir en el “corazón de la moneda” fiduciaria, los estadounidenses tienen que convertir su dinero en oro para garantizarse la independencia económica en el futuro en “un sistema monetario basado en la mentira”, según el portal Future Money Trends

El posible colapso del dólar, que se usa en más de 60 países, destruirá la economía estadounidense, basada en la moneda fiduciaria, según documental publicado en Future Money Trends (FMT).

“La demanda de los activos físicos establece récords y la mayor parte de demanda proviene del este. Pronto, América del Norte y todo el mundo comenzarán a acumular oro. El mundo está al borde de una gran crisis de la moneda fiduciaria”, se dice.

“Cuando la moneda de EE.UU. pierda su estatus, si lo hace, todo el sistema monetario mundial colapsará, literalmente… Es un sistema que se basa en la mentira, el fraude y el robo”, destaca el sitio.

Los autores llaman a los ciudadanos de EE.UU. a deshacerse de los dólares e invertir en activos físicos. Solo aquellos que vuelvan a usar oro como dinero se salvarán de la catástrofe económica, señala FMT.

“Los economistas y analistas recomiendan adquirir activos físicos antes de que llegue el colapso sin precedentes de la moneda estadounidense, porque después será imposible adquirir bienes esenciales como alimentos y energía”, agrega el portal Infowars.

EE.UU., más que nunca, necesita elegir el camino hacia la adopción del oro como moneda, ya que el dólar de papel ha fallado definitivamente. Sin embargo, el principal argumento contra el patrón oro es que EE.UU. necesita una política monetaria flexible para salir de las recesiones.

sábado, 6 de setembro de 2014

Racismo à moda estadunidense: jovem hispano-americano muda seu nome para obter proposta de emprego

Título original: EE.UU.: Joven hispano quita una letra de su nombre y le llueven las ofertas laborales


Publicado: 5 sep 2014

La discriminación racial está en auge en el mercado laboral de EE.UU. Así lo manifiesta el caso de un joven de origen hispano que, cansado del rechazo laboral, realizó una pequeña modificación a su nombre y luego le llovieron las ofertas de empleo.

José Zamora se pasó durante meses buscando un empleo acorde a sus capacidades. El joven enviaba diariamente entre 50 y 100 currículos a los anuncios de trabajo que encontraba en Internet, pero jamás recibía respuesta. Su suerte cambió radicalmente cuando un día tomó la decisión de eliminar una letra de su nombre, informa 'The Huffington Post'.

El joven decidió quitarle la 's' a su nombre. De esta forma, José Zamora pasó a convertirse en 'Joe Zamora', un nombre con aire más anglosajón. Con su 'nueva' identidad volvió a enviar su currículum a las empresas de su interés. Pocos días después la bandeja de entrada de su correo electrónico estaba llena de ofertas de empleo. No paraban de llegar.

"Mi nombre es José Zamora y tuve que quitarle una letra a mi nombre para obtener mi puesto de trabajo", afirma el joven en un video en el que relata su experiencia. Según explica, 'Joe' no modificó nada más en su currículo excepto esa letra. Lo que había hecho era, simplemente, 'blanquearlo'.

Teniendo en cuenta la situación de Zamora no cabe duda de que la discriminación está presente entre los empleadores a la hora de evaluar a los candidatos en función del nombre o la raza del mismo. Consiente o inconscientemente, los empresarios discriminan en contra de los nombres que suenan a negros o hispanos, según afirmaba un reportaje de 'The New York Times'.

Otro análisis anterior sobre la discriminación existente en el mercado laboral de EE.UU. revela que las minorías reciben un 50% menos de respuestas a la hora de solicitar empleo que aquellas con nombres frecuentemente asociados a la raza blanca.

"A veces yo creo que la gente ni siquiera es consciente de que se prejuzga de esta manera, incluso por el nombre, pero lo hacemos constantemente", sostiene Zamora.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Juiz chileno processa 3 novos implicados no assassinato de Victor Jara

Título original: Juez ordena procesar a 3 nuevos implicados por asesinato de Víctor Jara
Los ex militares Hernán Chacón Soto y Patricio Vásquez Soto han sido sometidos a proceso por el homicidio calificado del cantante chileno. Además al ex fiscal militar, Ramón Melo Silva, se le imputa por encubridor.

Los ex militares Hernán Chacón Soto y Patricio Vásquez Soto han sido sometidos a proceso por el homicidio calificado de Víctor Jara y Littre Quiroga Carvajal.

El ministro en visita Miguel Vásquez también procesará a Ramón Melo Silva (ex fiscal militar) por ser cómplice del asesinato ocurrido el 16 de septiembre de 1973 en el Estadio Chile.

Con esto ya van 11 procesados por el crimen del cantante, ya que entre diciembre 2012 y enero de 2013, el ministro Vázquez sometió a proceso como responsables de los homicidios de Víctor Jara y Littre Quiroga a los miembros del Ejército: Hugo Sánchez Marmonti y Pedro Barrientos Núñez, en calidad de autores; y a Roberto Souper Onfray, Raúl Jofré González, Edwin Dimter Bianchi, Nelson Hasse Mazzei, Luis Bethke Wulf y Jorge Smith Gumucio, como cómplices.

Lea el dictamen aquí

Fonte: El Ciudadano

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O que é a “Reforma Política” e porque os marxistas não se engajam nela?

Esquerda Marxista
02/09/2014

Surpreendidos e em pânico frente às manifestações de junho de 2013 a resposta da direção do PT e de Dilma foi propor um pacto de austeridade e união nacional de cinco pontos a todos os governadores, de todos os partidos. O resultado foi a Marina!

Os cinco pontos do pacto são a) responsabilidade fiscal, b) reforma política, c) saúde, d) transporte público, e) educação. Responsabilidade fiscal, sabemos, significa garantir o Superávit Primário para pagar a Dívida Interna e Externa. Saúde significa a continuidade das privatizações, concessões e terceirizações como as OSs ou a EBSERH (privatização dos hospitais universitários). Transporte público significa mais privatizações de aeroportos, portos, estradas, ferrovias e entrega dos metros e transporte coletivo às empresas privadas com subsídio estatal. Educação significa mais dinheiro público para os empresários da Educação e para as escolas religiosas.

Mas, tudo isso é apenas continuidade. Mas, o pacto proposto sobre “Reforma Política” é o mais importante e tem um fundo político que é a tentativa de desviar o grande movimento de massas que se iniciou para dentro das engrenagens do regime, do Estado. Canalizando assim as forças sociais que lutam contra o Status Quo para serem controladas e esvaídas na “reanimação” ou “estimulação crítica” das instituições burguesas repudiadas nas ruas. Por isso a proposta de “Reforma Política” veio com a embalagem da “Constituinte exclusiva” para realiza-la.

Entretanto, a ultrarreacionária e estúpida burguesia brasileira e seus partidos estatizados que vivem do patrimônio público e de sugar os cofres públicos não pode suportar a ideia de mexer em nada do atual regime que os sustenta e engorda desde sempre. A burguesia brasileira e seus políticos são incapazes de um pensamento político novo ou mesmo claro. São incapazes de manobrar frente às massas, que eles consideram sempre apenas um caso a ser tratado pela polícia. Sua debilidade histórica, social, econômica e política levou a uma situação onde eles não tem, hoje, sequer um dirigente capaz de raciocinar criativamente, exceto talvez FHC, o sociólogo dos príncipes. Estes partidos burgueses, inclusive os grandes aliados do PT e de Lula e Dilma dinamitaram qualquer movimento de reforma política com medo de qualquer mudança em sua situação. Eles temem sobretudo que as massas entrem em cena e saiam do controle do PT. Coisa que eles já viram acontecer em junho de 2013. Preferem o imobilismo total.

Neste caso, a direção do PT, que conhece melhor o movimento das massas e percebe a crise das instituições e o mal estar da civilização que se expressou nas ruas, sabe que é preciso fazer algo, manobrar para canalizar estas forças para dentro das instituições até esgotá-las e salvar o regime.

A direção do PT agiu neste caso como agente da consciência política de classe da medíocre burguesia brasileira para salvar o regime ameaçado. A defesa apaixonada de Lula que reproduzimos mais abaixo mostra essa compreensão com clareza.

Assim, como seus aliados capitalistas estupidamente se negaram a atuar para salvar as instituições e, portanto, pondo em risco o Estado (Comitê Central dos negócios da burguesia, segundo Engels), e o próprio capitalismo, a direção do PT e Dilma agitaram o fantasma da “Reforma Política, a “Constituinte Exclusiva” e o Plebiscito para realiza-la com objetivo de “melhorar a democracia e a vida”.

O que deveria provocar uma reação contrária das organizações dos trabalhadores entretanto só levou a uma revoada de adesões. Alguns destes aderentes podem nem compreender o que significa a proposta mas, à negativa dos partidos burgueses foi o álibi para unir-se atrás do governo reformista liberal de Dilma com a explicação de que se eles não querem, então, deve ser ruim para eles e bom para nós, o povo. O que é um raciocínio politicamente ridículo.

Organizações, partidos e sindicatos, MST, PCdoB, UNE, UBES, Cáritas Brasileira (Igreja católica), Evangélicos Pela Justiça (EPJ), Central de Movimentos Populares (CMP), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Única das Favelas do Rio Grande do Norte (CUFA), Central Única dos Trabalhadores (CUT), sem falar de correntes que se dizem de esquerda como a Corrente O Trabalho (OT) do PT e o Movimento Esquerda Socialista (MES), corrente do PSOL, todos se uniram à “luta pela Reforma Política” e buscam tonificar esta “luta” nascida desidratada, realizando um “plebiscito popular” em 7 de setembro como se fosse algo ao estilo da nossa luta comum e justa contra a ALCA.

O PT tem 1, 8 milhão de filiados e lançou, com seus aliados, um PL de iniciativa Popular pela Reforma Política. Este PL precisa de 1,5 milhão de assinaturas para tramitar. Um ano após o início da coleta de assinaturas ainda não se sambe quantas adesões há, mas sabe-se que estão longe das necessárias. O que mostra que nem os filiados do PT acreditam nesta “saída” política. Somem o PCdoB, o MST, a UNE, a UJS, a UBES, as Igrejas, e se tem ideia do tamanho do fracasso desta proposta como saída aos anseios populares.

A Esquerda Marxista se opôs a esta “Reforma Política” e sua correlata, a “Constituinte Exclusiva” desde o início explicando que se tratava de uma resposta diversionista, uma manobra, frente aos anseios populares e a irrupção das massas nas ruas em 2013.

Nossa posição é clara e honesta: O PT está no governo. Ele não é uma oposição que luta contra um governo antipovo. Basta enviar propostas de leis e um Orçamento Federal ao Congresso para atender as necessidades e anseios populares, da juventude e da classe trabalhadora do campo e da cidade, e convoquem o povo a apoiar isto nas ruas.

Reestatizem tudo que foi privatizado, façam a Reforma Agrária, parem de doar dinheiro público aos banqueiros, empresários e especuladores. Estatizem toda a Saúde, o Transporte Público e a Educação. Mobilizem e organizem contra os capitalistas de verdade, com ações concretas e não com palavrórios, e já veremos o que se passa com milhões e milhões nas ruas defendendo o governo e as suas próprias reivindicações. Ponham assim os deputados na parede e se ainda assim eles se recusam, as massas varreriam este antro desmoralizado e corrupto chamado Congresso Nacional. 

Mas, não é isso o que pretende Lula, Dilma e a direção do PT. Afinal, o que pretendem com a “Reforma Política”?

Sua proposta se baseia em:

1.       Financiamento com dinheiro público das campanhas eleitorais de todos os partidos. Ou seja, uma ampliação do atual Fundo Partidário que sustenta os partidos de forma a que não dependam de seus filiados e apoiadores, mas do aparelho do Estado burguês. O que é, além de tudo, imoral e antidemocrático, pois o dinheiro da população seria entregue até para partidos que ela combate e quer derrotar. Os partidos devem viver do dinheiro que arrecadaram com aqueles que o apoiam.

2.       Voto em lista preordenada para os parlamentos. Esta é uma proposta historicamente correta, mas entra aqui como cereja no bolo. E de fato não vai significar nenhuma mudança para ninguém, exceto o fato de que as direções partidárias definirão completamente quem vai ser eleito. É uma tentativa de salvar os atuais partidos tornando-os mais “sérios” e “politizados”. Não vai funcionar porque eles estão se decompondo junto com as instituições burguesas e quanto mais “estatizados” pior vão ficar.

3.       Aumento compulsório da participação feminina nas candidaturas. Como se as mulheres não fossem impedidas de participar da vida política por razões intrínsecas ao capitalismo atrasado e dependente. É também uma atitude antidemocrática pois ataca um dos pilares da democracia política e da igualdade universal de direitos ao jogar no lixo a bandeira de que “Ninguém será discriminado ou prejudicado em razão de nascimento, idade, etnia, raça, cor, sexo, religião, convicções políticas ou filosóficas, orientação sexual ...”, etc.

4.       Convocação de Assembleia Constituinte exclusiva para fazer a Reforma Política. O primeiro a notar aqui é que esta proposta de “exclusiva” significa deixar o atual Congresso no lugar, intocado, e portanto governando. É uma tentativa de ganhar apoio de deputados dizendo “a gente não quer mexer em vocês”. Mas o importante é o conteúdo desta proposta.

No site do PT Lula explicaporque a “Reforma Política” é necessária. Ele diz que “Para o Brasil continuar crescendo é preciso garantir a legitimidade das instituições e acabar com o poder econômico nas eleições ... interessar os jovens pela política, ampliar a participação feminina no legislativo e definir mecanismos de participação popular na definição de políticas públicas...”.
Aqui está tudo. E todos que se engajam nesta campanha estão lutando pelo que Lula pretende, salvar as instituições capitalistas e o capital. Se o PT quisesse lutar ao lado do povo, romperia com os capitalistas.

A Esquerda Marxista não participa disso. Nosso objetivo é o contrário. Lutamos contra o capitalismo e suas instituições, lutamos pela revolução socialista e pela República dos Conselhos de Trabalhadores.

A resposta às jornadas de junho, aos legítimos anseios da população não tem nada a ver com estas propostas de Reforma Política, Constituinte exclusiva e outras manobras.