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terça-feira, 26 de novembro de 2013

A Bolha vai explodir! Ou estamos ricos sem saber?

Novembro 13, 2013    

Antes de começar a ler, assista ao vídeo e veja se algo soa familiar:


Déjà vu? Ou temos o dom da Mãe Dináh?

Pois é, tem quem diga que não, mas enquanto isso a bolha do Brasil está crescendo, crescendo, crescendo e em breve todos sabemos o que vai acontecer, por isso aperte os cintos, a viagem vai ser turbulenta.

Para quem mesmo assim não está entendendo nada, vamos dar uma dica de um Blog SEN-SA-CI-O-NAL, que bombou nessa semana, fazendo comparações com empreendimentos imobiliários de fora, e os daqui do Brasil. Assim fica mais claro entender o porquê de nós, solteiros, ainda vivermos de aluguel, numa casinha meia boca (você que tem posses, por favor, ignore e me chame para uma xícara de chá).

O Blog o qual nos referimos é o Estamos Ricos, pegamos 3 exemplos absurdos (clique na imagem para ampliar):

Bolha imobiliária Brasil 1
 
Bolha imobiliária Brasil 2
 
Bolha imobiliária Brasil 3


Alguma coisa está muito errada, ou estamos ricos e não sabemos?



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O medo manda - Eduardo Galeano


David Harvey: “Urbanização incompleta é estratégia do capital”

Foto: Reprodução

Segundo geógrafo, “atualmente, quando um presidente diz ‘o país está indo muito bem’, ele quer dizer que o capital está indo bem, mas as pessoas estão indo mal”


Por Camila Nobrega e Rogério Daflon,
Do Canal Ibase
25/11/2013


Com a usual camisa vermelha, o sorriso miúdo e uma calma que contrasta com sua densa teoria crítica, o geógrafo britânico marxista David Harvey se preparava para uma palestra que lotaria neste sábado (23/11) o Teatro Rival, no Centro do Rio de Janeiro. Considerado um dos maiores pensadores da atualidade, ele recebeu o Canal Ibase uma hora antes do início de sua fala e não deixou pergunta alguma sem resposta.

Harvey, que está no Brasil para o lançamento do livro “Os limites do capital” em português, pela Boitempo, desafia o coro dos contentes sem qualquer bravata. Age assim porque vê um mundo com cada vez menos gente satisfeita com os rumos do capitalismo. Sem palavras de ordem e dispensando clichês, o geógrafo diz que há uma atmosfera para se criar um grande movimento anticapitalista. Ele vislumbra uma convergência entre os protestos no Brasil, a revolta da Praça Tahrir (na Tunísia) e outras manifestações internacionais: “Atualmente, quando um presidente diz ‘o país está indo muito bem’, ele quer dizer que o capital está indo bem, mas as pessoas estão indo mal.” Nesta entrevista, Harvey explica o porquê de tanta insatisfação.

Canal Ibase: Com os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, nunca foi tão caro morar no Rio de Janeiro. E isso está impactando a renda de todas as classes sociais na metrópole. Mas é claro que as classes mais pobres são as mais prejudicadas. Qual serão, em sua opinião, as consequências dessa segregação?

David Harvey: O interesse que o capital tem na construção da cidade é semelhante à lógica de uma empresa que visa ao lucro. Isso foi um aspecto importante no surgimento do capitalismo. E continua a ser. Após Segunda Guerra, por exemplo, os Estados Unidos construíram os subúrbios de uma maneira muito rentável. O que temos visto nos últimos 30 anos é a reocupação da maioria dos centros urbanos com megaprojetos. Muitos desses projetos associam a urbanização ao espetáculo. E fazem um retorno à descrição de Guy Debord sobre a sociedade do espetáculo.  Faz todo sentido na diretriz da realização dos megaeventos como as Olimpíadas e a Copa do Mundo. O capital precisa que o estado assegure essa dinâmica. Assim, pode usar esses eventos como instrumentos de investimentos e mais lucratividade. Invariavelmente, entre as consequências dos megaeventos estão as remoções de pessoas de algumas áreas. Eles dependem disso para serem realizados. E essa situação tem causado revolta. De um lado, o capital vai muito bem, mas as pessoas vão mal. Há alguma geração de empregos, em função dos megaprojetos e megaeventos, mas o que se vê é o desvio da verba pública para apoiar essas empreitadas. Ao redor do mundo, tem havido muitos protestos devido à retirada de pessoas de suas residências. As populações percebem que o dinheiro dos impostos está indo para esses fins, em detrimento da construção de escolas e hospitais. Este é um contexto que ilustra como o capital gosta de construir as cidades, à diferença do que é a cidade em que as pessoas podem viver bem. Há um abismo entre essas duas propostas. Essa é a grande briga, porque enquanto o capitalismo quer desempoderar pessoas, a fim de reproduzir a si próprio, elas querem verbas para outras coisas. O grande problema é que a tendência é a dominação do capital sobre o poder político nas cidades. O financiamento das campanhas políticas é um instrumento para que isso aconteça. Trata-se de controle sobre a representação política. Essa lógica tem ocorrido em vários lugares do mundo, não só na viabilização de megaeventos no Brasil. Trata-se de um processo padrão. Remete à Coréia do Sul, em Seul (Olimpíadas de 1988). E também à Grécia. Se pensarmos na Grécia hoje, um país que sediou as Olimpíadas (Atenas, em 2004), vemos que esses eventos não costumam trazer grandes benefícios econômicos. O país está numa profunda crise econômica. Há grandes estádios construídos, mas, a longo prazo, essas edificações gigantes não trazem vantagens para o país.

Canal Ibase: Mas, e quanto à Barcelona, que aqui no Brasil é um dos exemplos mais disseminados como uma cidade que aproveitou muito bem um megaevento?

Harvey: Bem, eu acho que Barcelona era uma excelente cidade antes das Olimpíadas (de 1992). Eu nem gosto de voltar muito lá. Costumo dizer que o ápice da cidade foi antes das Olimpíadas. Depois disso, foi ladeira abaixo.

Canal Ibase: Na África do Sul, muitas pessoas foram expulsas de suas casas devido às obras relacionadas à Copa do Mundo…

Harvey: Exatamente. O problema das remoções tem sido recorrente. Há muita luta em torno disso. Isso é típico. Se há pessoas pobres vivendo em terras muito valorizadas, há uma tentativa de tirá-las de lá. Uma forma de levar isso a cabo é o aumento do custo de vida. Os megaprojetos também são uma excelente desculpa.

Canal Ibase: Qual é sua reflexão sobre o papel dos grandes veículos de comunicação na lógica de acumulação do capital nas intervenções urbanas?

Harvey: Claramente, o controle da mídia é uma ameaça para a democracia popular. A questão é como se faz uma cobertura e o que é coberto. Os jornalistas que querem cobrir os acontecimentos de uma forma mais real têm vivido tempos difíceis. É uma luta pela liberdade de expressão. O caminho passa pela mídia alternativa, e a tecnologia, com a internet, abre possibilidades. O problema é que a mídia alternativa pode ser absorvida e disciplinada pelo mercado. É uma disputa que está sendo travada.  Mas é importante lembrar que vivemos sob monopólios dos meios de comunicação no mundo. A desinformação pode ser espalhada tão facilmente como a informação. E há monopólio inclusive nas mídias sociais. Ainda há muitas perguntas a serem respondidas sobre o papel das mídias sociais e sua diferença em relação às mídias convencionais.

Canal Ibase: As obras de urbanização nas favelas do Rio têm como característica a falta de diálogo com as populações e a descontinuidade dessas intervenções. Ocorreu com um projeto chamado Favela Bairro e agora se repete com um Programa de Aceleração do Crescimento. Nota-se o desinteresse do poder público de oferecer os mesmos serviços da cidade sem que haja gentrificação, embora as grandes construtoras estejam sempre presentes nessas obras. Para não legitimar a permanência dos moradores de favelas, as obras são interrompidas sempre. Qual a avaliação do senhor sobre isso?

Harvey: Se há populações de baixa renda em terras de alto valor, uma das estratégias é dar títulos de propriedade aos moradores dessas áreas, sob o argumento da regularização fundiária e da garantia da moradia. Não sei como isso ocorre no Brasil, mas um dos projetos em favelas, periferias e outras áreas pobres tem sido essa concessão de títulos de propriedades. Porque propriedade o capital pode comprar. Assim começa um processo de reocupação dessas áreas e sua consequente gentrificação. Por outro lado, uma forma de manter os preços baixos em determinadas comunidades é ter projetos incompletos. Então, o estado oferece intervenções, mas não as termina. E, desse jeito, os moradores vendem a terra a um preço baixo e saem do local. Quando a oferta chega, a infraestrutura ainda não está lá. Essa estratégica é típica nos Estados Unidos, onde se compram propriedades e as levam à decadência forçadamente. Desse jeito, desvalorizam um bairro inteiro e, num período de dez anos, é possível reocupá-lo comprando propriedades no entorno. Como o estado está envolvido nisso? Depende de lugar para lugar. Às vezes, o estado é apenas incompetente e não sabe o que está fazendo. Nesse caso, o estado pode começar uma obra e simplesmente parar no meio. Não necessariamente é uma estratégia deliberada. Mas em alguns casos é. E responde aos interesses privados. Nesses casos, há de fato uma estratégia quando uma empresa quer atuar em determinado lugar. E se decide começar uma obra já sabendo que não vai terminá-la. Ao não se terminarem projetos de infraestrutura, abre-se caminho para a chegada das empresas privadas.

Canal Ibase: No Brasil, o estado tem feito alianças com transnacionais, que têm usado e abusado do territórios brasileiro, nas zonas urbanas e rurais. Um dos setores onde isso é mais grave é a mineração. Como a sociedade civil pode reagir a isso?

Harvey: O principal jeito de reagir é por meio de protestos. Eu fico abismado que países como o Brasil ainda abram mão de seus recursos naturais para multinacionais. E há outras formas de exploração, como é o caso das plantações de soja. Empresas como a norte-americana Monsanto (líder mundial de venda de sementes transgênicas e agrotóxico) e outras líderes do agronegócio tomam conta de territórios. A terra no Brasil vem sendo constantemente degradada por esse processo. E o ciclo é maior. É preciso lembrar que o principal mercado do agronegócio brasileiro é a China. De um lado, são os Estados Unidos vendendo a semente e o agrotóxico e, de outro, a China comprando. Um problema que se agrava é o controle chinês de terras na América Latina.

Canal Ibase: O geógrafo brasileiro Milton Santos tem uma frase que diz: “A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem enxergar o que os separa e não o que os une”. O senhor tem falado sobre a divisão da esquerda no mundo, da fragmentação dos movimentos sociais. Para a criação de um movimento anticapitalista, quais são os elementos invisíveis que perpassam todos os movimentos? O que liga a preservação do meio ambiente, a luta das mulheres por autonomia e o direito à cidade, por exemplo?

Harvey: Eu conheço Milton Santos, especialmente o dos anos 1970. Depois disso, ele se tornou muito pró-franceses. E ele não gostava de norte-americanos (risos; Harvey leciona na Universidade da Cidade de Nova York). Se eu tivesse a resposta para essa pergunta, poderíamos ter começado a revolução. Mas não tenho uma boa resposta.  É importante ter alianças que cruzem movimentos ambientalistas, o feminismo, assim como juntar organizações que trabalham por questões como a da moradia ou questões étnicas. Mas às vezes divergências tolas quebram essas alianças. Em minha opinião, precisamos definir o que é anticapitalismo. Não há razão para ser anticapitalista, se você acha que o capitalismo está fazendo um bom trabalho. Mas, se você não acha… Uma das coisas que eu tenho discutido com amigos da esquerda é esse conceito de anticapitalismo. Há opiniões que afirmam que o capitalismo fez um trabalho melhor que o comunismo e o socialismo. No entanto, o que está acontecendo agora é um processo violento. Se queremos mudar, temos muito trabalho a fazer. Não há muita gente na mídia interessada no que nós fazemos. Não somos um grupo muito poderoso, nem temos popularidade. É importante, entretanto, fazer esse grupo crescer, explicando às pessoas por que é importante ser anticapitalista.

(Na palestra ministrada logo em seguida à entrevista ao Canal Ibase, Harvey complementou esse raciocínio: “Estamos em um mundo em que o neoliberalismo está ficando enraizado. Se a pessoa vai mal, a culpa é dela, e não do sistema. Ah!, e só para lembrar: é também você o responsável por pagar sua educação. Eu sempre estudei em instituições públicas até o doutorado. Hoje em dia, isso não é possível nem na Inglaterra nem nos Estados Unidos. O movimento anticapitalista poderia visar a algumas vitórias, como tornar novamente públicos o transporte, a saúde e a educação. O que estou tentando dizer é que, se você é pobre ou tem dificuldades de acesso a serviços, você é um produto do sistema; a culpa não é sua. E só há como mudar isso mudando o sistema. Em que sociedade você quer viver? Na sociedade em que a educação é com base no valor de uso ou no valor de troca?”, disse o geógrafo, fazendo a oposição por meio desses dois conceitos marxistas)

Canal Ibase: Movimentos sociais já contabilizam 100 mil pessoas removidas de suas casas apenas no Rio de Janeiro, para realização de obras em função dos megaeventos. Que forças do capitalismo levam, mesmo após os protestos que ocorreram no país inteiro, à manutenção desta alteração brutal no território?

Harvey: Como falamos anteriormente, o capitalismo depende de uma dinâmica maior. Mas precisamos redefinir coisas. Moradia não pode ser vista como commodity. A questão central é descobrir se você quer uma cidade para as pessoas ou para o lucro. Para construir uma cidade diferente, é preciso ser anticapitalista. Não há outra forma.


O poder das corporações na cúpula da ONU sobre mudança climática

Título original: El poder de las empresas en la cumbre de la ONU sobre cambio climático


Por Amy Goodman*

Rebanadas de Realidad - Democracy Now, Varsovia, Polonia, 22/11/13.- La conferencia sobre cambio climático de las Naciones Unidas de este año se está desarrollando en Varsovia, una ciudad llena de historia. Aquí se encuentra el principal monumento erigido en homenaje a Nicolás Copérnico, el famoso astrónomo polaco que postuló por primera vez que la Tierra gira alrededor del sol y no al revés. El aeropuerto de Varsovia lleva el nombre Frederic Chopin, en honor al brillante compositor que vivió aquí. La pionera de la ciencia de la radiación, Marie Curie, la primera mujer en ganar un Premio Nobel (ganó dos, de hecho), nació aquí.

Aquí también fue el lugar donde estuvo el Gueto de Varsovia, uno de los más horribles símbolos del Holocausto, donde cientos de miles de judíos permanecieron encerrados antes de ser trasladados al campo de exterminio de Treblinka y otros campos de concentración nazis, donde fueron asesinados. En medio del terror de la ocupación Nazi, los judíos del gueto se alzaron en un valiente acto de autodefensa. Más tarde, inspirados por el levantamiento del gueto, los habitantes no judíos de Varsovia también se alzaron y lucharon durante dos meses antes de ser finalmente derrotados por las fuerzas de ocupación alemanas. Al finalizar la Segunda Guerra Mundial, 6 millones de polacos, la mitad de ellos judíos, habían sido asesinados y un ochenta y cinco por ciento de la ciudad de Varsovia estaba en ruinas.

En este preciso lugar se está desarrollando la 19a Conferencia de las Partes de la Convención Marco de las Naciones Unidas sobre Cambio Climático (CMNUCC), denominada COP 19. Miles de negociadores de los 198 países miembros de la Convención caminan con prisa a través de los corredores de tela provisorios instalados en el campo del Estadio Nacional, al igual que representantes de numerosas organizaciones no gubernamentales y miembros de la prensa. La cumbre de este año tiene una característica diferente: el auspicio de las empresas.

“Esta probablemente sea la conferencia sobre cambio climático con mayor presencia de las empresas que jamás hayamos visto", me dijo Pascoe Sabido. "Esto no significa que en las anteriores no haya habido una gran influencia de las empresas. Sin embargo, lo que es diferente esta vez es el nivel de institucionalización, el grado en el que el Gobierno polaco, la ONU y la convención misma, han recibido a las empresas con los brazos abiertos y han alentado su participación”. Sabido trabaja en la organización Corporate Europe Observatory, que publicó un folleto denominado “Guía de la COP 19 sobre el lobby empresarial: delincuentes climáticos y complicidad del Gobierno polaco”. Algunas de las grandes empresas presentes en esta COP 19, afirma Sabido, son “General Motors, conocida por financiar a grupos de investigación que niegan el cambio climático, como el Heartland Institute de Estados Unidos y está también BMW, que está haciendo cosas similares en Europa, en un intento por debilitar las normas sobre emisiones”. El logo de LOTOS Group, la segunda principal empresa petrolera polaca, aparece en los 11.000 bolsos entregados a los delegados.

Polonia, cuya principal fuente de energía es el carbón, organizó una conferencia paralela junto con la Asociación Mundial del Carbón, denominada Cumbre Internacional del Carbón y el Clima. La Secretaria Ejecutiva de la COP 19, Christiana Figueres, provocó la ira de muchos activistas por el clima al pronunciar el discurso inaugural de la conferencia de la industria del carbón. Fuera de la cumbre, los activistas de Greenpeace colgaron una gran pancarta con los colores de la bandera polaca en la fachada del Ministerio de Economía. La pancarta decía: “¿Quién manda en Polonia: la industria del carbón o la gente?”. En el techo del edificio, otros activistas desplegaron una pancarta con la leyenda: “¿Quién manda en el mundo: la industria de los combustibles fósiles o la gente?”. Mientras tanto, en la plaza que se encuentra abajo, cientos de personas se manifestaban en contra del carbón en una procesión denominada “Cough 4 Coal” (Tos por el carbón) en la que había dos grandes pulmones inflables, que representaban los efectos nocivos del carbón en la atmósfera y en la salud humana.

Mientras que en el Estadio Nacional las negociaciones se iban diluyendo, los activistas gritaban al unísono: “¿Dónde está el financiamiento?”. Los países ricos prometieron brindar apoyo financiero a los países en desarrollo para que realicen la transición hacia fuentes de energía renovables (mitigación) y para que puedan hacer frente a los efectos del cambio climático (adaptación). Oxfam calcula que, hasta el momento, este fondo ha recaudado tan solo 7.600 millones de dólares, muy por debajo de la cifra prometida de entre 30.000 y 100.000 millones de dólares. No se trata de caridad, los contaminadores deben pagar. Hablé con el principal negociador sobre cambio climático de Filipinas, Yeb Saño, en el noveno día de su huelga de hambre, que comenzó el día en que se inauguró la COP 19. Saño me dijo: “Estados Unidos, que es responsable de al menos un 25% de las emisiones totales, tiene una gran responsabilidad, una responsabilidad moral de combatir el cambio climático, no solo a nivel nacional, sino también de brindar apoyo a los países en desarrollo”.

La destrucción causada por el tifón Haiyan es un crudo telón de fondo de las negociaciones en Varsovia. Yeb Saño se enteró de que su hermano sobrevivió al tifón al verlo en las noticias mientras ayudaba a juntar los cuerpos de los muertos. La ciencia es clara: si las temperaturas continúan aumentando, los eventos climáticos extremos se volverán cada vez más frecuentes y más mortales. Luego de que Saño anunciara en un emotivo discurso durante la sesión plenaria de la convención que había decidido iniciar una huelga de hambre, varios estudiantes marcharon en silencio junto a él mientras salía de la sala. Sostenían una pancarta en homenaje a los muertos en Filipinas. Como consecuencia de su acto espontáneo de solidaridad, se les prohibió asistir a las negociaciones sobre cambio climático durante un año. Una estudiante que participó en la acción, Clémence Hutin, de París, me dijo: “Para mí, la Cumbre sobre Cambio Climático es un espacio democrático. No entiendo por qué la sociedad civil no es bienvenida en la convención, pero las empresas sí lo son”.

Denis Moynihan colaboró en la investigación periodística para la producción de esta columna.
Traducido por Simple Visión y Democracy Now! en español.
(*) Es la presentadora de Democracy Now!, noticiero internacional diario emitido por más de 650 estaciones de radio y televisión en Estados Unidos y el mundo. Sus artículos se publican en Rebanadas por gentileza de la autora.


sábado, 23 de novembro de 2013

Na “ditadura cubana”? Não! Na “democracia espanhola”

Represión contra estudiantes en Valencia, España

Título original: ¿En la “dictadura cubana”? No, en la “democracia española”


Iroel Sánchez
22 noviembre, 2013


La nueva Ley de Seguridad Ciudadana española endurece los castigos frente a las protestas sociales. Algunos de los hechos penados por la llamada “Ley mordaza” y sus consecuencias, con información de Público.es:

Infracciones muy graves (Multadas con entre 30.001 a 600.000 euros)


- La grabación y difusión de imágenes de agentes de las fuerzas de seguridad en el ejercicio de su trabajo que atenten contra el derecho a su honor o su imagen y que puedan poner en peligro su seguridad o la de la intervención policial correspondiente.

- La perturbación grave del orden en actos públicos, religiosos, deportivos o espectáculos de otro tipo.

- Las concentraciones no comunicadas ante instituciones del Estado como el Congreso, el Senado, los parlamentos autonómicos o los altos tribunales, aunque en ese momento no tengan actividad.

- Las protestas no comunicadas o prohibidas ante infraestructuras críticas, como centrales nucleares o pistas de aeropuerto.

- Los escraches o actos de acoso a cargos públicos. La ley contemplará que la Policía pueda establecer un perímetro de seguridad que no deben sobrepasar los concentrados.

Infracciones graves (Multadas con entre 1.001 a 30.000 euros)


- Alterar el orden público encapuchado o con cualquier elemento que dificulte la identificación.

- Amenazar, coaccionar, vejar e injuriar a los agentes de las fuerzas de seguridad cuando estén velando por el mantenimiento del orden público, por ejemplo en manifestaciones u otro tipo de protestas.

- Obstaculizar la vía pública con neumáticos u otros enseres que impidan la normal circulación de vehículos y personas.

- Escalar como acción de protesta edificios públicos o precipitarse desde los mismos.

No se dice en nigún caso cuál sería la sanción si esos hechos fueran alentados y financiados por una potencia extranjera pero el Código penal español recoge que:

“Serán castigados con la pena de prisión de cuatro a ocho años los que, con el fin de perjudicar la autoridad del Estado o comprometer la dignidad o los intereses vitales de España, mantuvieran inteligencia o relación de cualquier género con Gobiernos extranjeros, con sus agentes o con grupos, Organismos o Asociaciones internacionales o extranjeras.”


A RBBA LANÇA SEU VOLUME 2, NÚMERO 1

O presente número da Revista Binacional Brasil – Argentina: diálogo entre as Ciências (RBBA), ora tornado público, dá continuidade à difusão da produção científica resultante do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. O Volume 2 número 1 da RBBA compõe-se de artigos que conglomeram Memória, Educação e Política, confluindo para o exame profundo e rigoroso do labor científico, da Linguística, da Bioética, da História das Ciências – e do diálogo entre estas –, das teorias de aprendizagem e estruturas escolares, das práticas extensionistas na universidade e, finalmente, das crises e conflitos sociopolíticos que permeiam a América Latina desde o século XIX até o presente.
Os diferentes temas presentes neste volume da RBBA abarcam desde o fazer científico e o rigor metodológico das ciências às preocupações sociológicas e políticas. Os impactos tecnológicos, culturais, sociais e históricos também se encontram sob a lente da história e sob a ação do sujeito social – como também do pesquisador. Isso porque somos, a um só tempo, agentes dessa sintaxe que movimenta a nossa coletividade.
Estamos convictos de que os temas transversais que ora compõem a RBBA são prementes para o diálogo entre as ciências que, por sua vez, se beneficiam da História para untar as engrenagens que produzem o conhecimento. Certamente, os temas desse número são instigantes para os leitores da revista e esperamos que sejam, também, proveitosos para aprofundar o saber cientifico.
A RBBA é uma publicação eletrônica semestral de caráter binacional vinculada aos Programas de Pós-Graduação Memória, Linguagem e Sociedade (PPGMLS/UESB) e Didáctica de las Ciências Experimentales (PPGDCE/UNL).

Sumário

Apresentação

Computação e Linguística: importante diálogo para pesquisas e preservação da memória nos novos meios das antigas fontes (Computação e Linguística: importante diálogo para pesquisas e preservação da memória nos novos meios das antigas fontes)

Cristiane Namiuti-Temponi
Jorge Viana Santos
Aline Silva Costa
Igor Sodré Farias

Intersecciones Bio-éticas: entre Saber y Discurso (Interseções com a Bio-éticas: entre o Saber e o Discurso)
María Eugenia Chartier
Alejandro Raúl Trombert

Un Nuevo Capítulo en la Historia de la Ciencia: el Queso Probiótico en la Universidad Nacional del Litoral (Um Novo Capítulo na História da Ciência: o Queijo Probiótico na Universidade Nacional do Litoral)
Andrea Pacifico

Aportes Teoricos y Metodologicos para Desarrollar una Clase de Biologia
(Contribuições Teóricas e Metodológicas para Desenvolver uma Aula de Biologia)

Jorge Luis Saccone

Tensiones en la Construcción de la Escuela Elemental en los Estados Unidos
(Tensões na Construção da Escola Primária nos Estados Unidos)
Cecilia Ángela Odetti

La Universidad Argentina y el Concepto de Extensión: el Caso de la UNL/Santa Fe
(A Universidade Argentina e o Conceito de Extensão: o Caso UNL/Santa Fé)
Javier Lottersberger


A Vertigem da Decadência e os Desafios do Futuro: Crises Econômicas, Regressão Histórica e Conflitos Sociais (El Vértigo de la Decadencia y Retos Futuros: Crisis
Económicas, Regresión Histórica y Conflictos Sociales)
Valério Arcary

A Geração do Demônio: um Estudo sobre as Origens do Imaginário Anticomunista Baiano. (La Generación del Diablo: un Estudio de los Orígenes de lo Imaginario Anticomunista en Bahía)
Muniz Ferreira


Rosalindo de Souza: a Experiência de um Militante Comunista no Araguaia
(Rosalindo de Souza: la Experiencia de un Militante Comunista en Araguaia)

José Alves Dias
Camilla Fernandes Araújo

Ecos Imperialistas na América Latina: a Guerra contra o Paraguai (Ecos imperialistas en la América Latina: la Guerra contra Paraguay)

José Rubens Mascarenhas de Almeida
Paulo Tarso Mascarenhas Pedreira
Ramon Trindade Pellegrini


Para acessar à RBBA, clique AQUI

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Da série privataria petista: a hora e a vez dos aeroportos

Título original: Aeroporto do Galeão é leiloado por R$ 19 bi; Confins é arrematado por R$ 1,82 bi

22/11/2013

O governo federal arrecadou R$ 20,82 bilhões com o leilão de concessão dos aeroportos internacionais do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Minas Gerais, realizado nesta sexta-feira (22), na sede da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

A soma representa um ágio de 251% sobre os R$ 5,9 bilhões que totalizavam os lances mínimos exigidos no edital. Os grupos devem assumir a administração dos terminais em março de 2014. Galeão e Confins respondem juntos por 14% da movimentação de passageiros e 10% de carga no Brasil.

Em Fortaleza, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o leilão teve ágio "extraordinário" e que os pessimistas "terão mais um dia de amargura" com o sucesso do desfecho do leilão.

O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, afirmou que o resultado do leilão dos aeroportos foi "excepcional" e mostrou a confiança dos investidores no Brasil.

O Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), foi concedido ao consórcio Aeroportos Brasil, composto pelas empresas TPI, UTC e pela francesa EGIS Airport. O grupo venceu a concorrência com um lance de R$ 3,8 bilhões e assumiu o controle do aeroporto em novembro de 2012. A estimativa é que faça investimentos de R$ 8,7 bilhões, sendo R$ 1,8 bilhão até a Copa. A concessão dura 30 anos Leia mais Adriano Vizoni/Folhapress
O consórcio Aeroportos do Futuro, formado pela Odebrecht e pela Changi, de Cingapura, ganhou o leilão de concessão do Aeroporto Internacional do Galeão.

O grupo apresentou um lance de R$ 19 bilhões, com ágio de 293% sobre o lance mínimo exigido para o Galeão, que era de R$ 4,828 bilhões. A Changi administra o aeroporto de Cingapura, considerado o melhor do mundo.

O aeroporto de Confins foi arrematado por R$ 1,82 bilhão, valor que representa um ágio de 66% sobre o lance mínimo exigido, que era de R$ 1,096.

O vencedor foi o consórcio AeroBrasil, composto pela CCR, pela suíça Flughafen Zurich e pela alemã Flughafen Munchen. A Flughafen Zurich administra o aeroporto de Zurique, na Suíça. A Flughafen Munchen administra o aeroporto de Munique, na Alemanha.

Governo leiloa aeroportos do Galeão (RJ) e de Confins (MG)8 fotos 3 / 8
22.nov.2013 - Convidados participam da sessão pública do leilão dos aeroportos do Galeão (RJ) e de Confins (MG).na BM&FBovespa. A Agência Nacional de Aviação Civil promove leilão para a concessão dos direitos de ampliação, manutenção e exploração dos aeroportos internacionais Antonio Carlos Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro e Tancredo Neves, em Confins, Minas Gerais Junior Lago/UOL
Prazos de concessão
O prazo de concessão do Galeão é de 25 anos, com possibilidade de uma prorrogação de até cinco anos. No caso de Confins, o prazo é maior: são 30 anos, com possibilidade de prorrogação de até cinco anos.

O edital de concessão prevê obras e melhorias nos dois terminais. O governo estima que serão feitos investimentos de R$ 5,7 bilhões no Galeão e de R$ 3,5 bilhões em Confins.

No Galeão, exige-se, por exemplo, a construção de 26 pontes de embarque e a ampliação do pátio de aeronaves até abril de 2016. Em Confins, o governo cobra, entre outros itens, a construção de um novo terminal de passageiros com pelo menos 14 pontos de embarque e vias terrestres associadas até a mesma data.

O sistema de concessão é de partilha entre governo e iniciativa privada. Os consórcios vencedores ficarão com 51% do controle de cada aeroporto; a Infraero terá 49%.


Fonte: UOL

Eleições em Miami (EUA): democracia de 7% de participación

Título original: Elecciones en Miami: 7% de participación


Por Edmundo García
07 de NOVIEMBRE de 2013

El martes 5 de noviembre se realizaron en el condado Miami Dade unas elecciones en las que participó el 7% de los votantes, según precisó hoy jueves el Alcalde Tomás Regalado en una entrevista para CNÑ-Latino.
Más bien el martes fue el día señalado para acudir a las urnas, porque en realidad se está votando desde hace rato a través de los discutidos procedimientos de boletas ausentes y votos anticipados, para los que hubo 14 días.
Por el uso fraudulento de las boletas ausentes hay políticos de Miami encarcelados y otros en investigación. Y muchos más bajo cuestionamiento moral de la comunidad, porque ese tipo de fraude se basa en la manipulación de ancianos y personas con impedimentos físicos que no pueden trasladarse hasta los precintos electorales.
Una votación organizada de esta manera la decide la maquinaria. ¿Qué es la maquinaria? Pues un grupo de personas que desde unos meses antes de las elecciones se dedica a dejar mensajes en los teléfonos a favor del político que les paga; que ubica propaganda electoral en los correos de las familias o la entregan de puerta en puerta.
Hay empleados electorales que van a los comedores de personas de bajos recursos a recordarles que tienen alimentos gracias al político de turno que se intenta elegir.
En Miami se sabe que en las semanas previas a las elecciones la comida en esos lugares mejora, que se organizan excursiones y bailes con presencia de los candidatos. Y que cuando llega el momento preciso disponen de una flota de autos y guaguas para trasladar personas a los precintos electorales.
El día de elecciones en Estados Unidos, sobre todo de esas llamadas “especiales”, se aleja cada vez más de aquella democracia de la que hablaban los fundadores de este país, y describía José Martí en sus crónicas neoyorquinas.
Una de las cosas que no se han dicho es que además de esta elección del martes 5 de noviembre, en el año 2013 se han celebrado otras 17 elecciones “especiales” en Miami.
La votación anticipada, dominada por los grandes intereses y la maquinaria política, se ha convertido en determinante. Cuando a las 7 de la noche del martes se cerraron los precintos electorales y comenzó el conteo, a los pocos minutos la comisión electoral del gobierno de Miami Dade lanzó los primeros números parciales y solo en un caso, en el de la elección del alcalde de Homestead (y un poco en el de Miami Beach donde se reclama una segunda vuelta), hubo un cambio respecto a esa arrancada. Horas después los resultados finales coincidían con lo que parece haber resuelto el voto anticipado y ausente.
De lo que prácticamente no se ha hablado en la prensa es que el verdadero protagonista de las recientes elecciones en Miami fue el abstencionismo. Alrededor del 93 % del electorado miamense no participó. Y se inventaban justificaciones como que el día estaba lluvioso o que se había cambiado el horario y en Miami a las personas no les gusta salir de noche.
El alcalde reelecto de Hialeah Carlos Hernández habló en la mañana del miércoles en Radio Mambí, donde estaban sus protectores Ileana Ros-Lehtinen y Mario Díaz-Balart, de su “aplastante” victoria con un 81.21% de los votos. Lo que no dijo Hernández, alcalde de una ciudad de 231,941  habitantes según datos oficiales del 2012, es que ese 81.21% significa solo 14,823 votos, de un pequeño total de 18,253 votos emitidos.
Sin contar que Carlos Hernández no se refiere a la “democracia cualitativa”, a la calidad política de la elección; un proceso que en Hialeah estuvo lleno de comportamientos indebidos y ofensas entre los candidatos. Hasta el punto de que el propio Hernández ha anunciado que en lugar del clásico estrechón de manos entre competidores, va a demandar a su contendiente Julio J. Martínez por la cosas que le dijo durante la campaña.
Quisiera aclararles a los lectores que la “transparencia” estadística de estas elecciones se encuentra afectada por la dispersión de datos en un documento oficial de más de 300 páginas; indexadas en 999 precintos. No obstante, se aprecia en octubre de 2013 un cómputo de 1,279,203 electores registrados en el condado.
Además de los números hay otros indicadores de la baja participación electoral en Miami. La propia Ninoska Lucrecia Pérez Castellón, que defiende el golpe de estado de Batista, el de Pinochet y el de Roberto Micheletti, pero que cree que las elecciones miamenses son un modelo, tuvo que reconocer en la tarde del martes que cuando fue a votar le dijeron que además de ella ese día solo habían votado otras 6 personas.
Pero no crean que en Miami el abstencionismo se considere un problema. Todo lo contrario: aunque todo el mundo aparezca en los medios invitando a votar, para los políticos es una bendición la abstención porque la baja participación facilita los resultados. Por eso lo  primero que se hace es sacar las elecciones de alcaldes  y comisionados locales de los términos presidenciales y de los medios términos, donde acuden más personas. El cálculo es exacto: mientras menos voten con más facilidad se impone la maquinaria; no hay forma de contrarrestarla.
Los llamados servidores públicos, que de lo primero que deberían encargarse es de mejorar los mecanismos de participación democrática, lo que realmente buscan es perpetuar un sistema que mantiene esa participación al mínimo. Un sistema que por supuesto incluye el empleo de una prensa sumisa que también colabora a favor del grupo dominante, que es el que posee el dinero.
El dinero es tan determinante que el candidato Alex Domínguez, que perdió el martes en la disputa  por un puesto en la Comisión de Miami ante Frank Carollo, le confesó a la periodista Melissa Sánchez para un artículo en El Nuevo Herald que: “Es evidente que si uno no acepta dinero de los cabilderos se verá afectado en las elecciones”.
Porque de eso se trata todo, de la cantidad de recaudaciones que es capaz de hacer un político para poner en marcha la maquinaria. No importan mucho sus cualidades cívicas ni su competencia profesional, porque esa lucha a brazo partido por un puesto con un salario de 600 dólares sólo se explica por la cantidad de contratos y negocios que el poder político le permite acometer después.
Yo pregunto a los disidentes turistas que andan por Miami: ¿Es esta democracia la que quieren imponer en Cuba? ¿Es esta corruptela electoral lo que le van a proponer a los cubanos? O van a ser sinceros y contar lo que vieron: que la mayoría de los miamenses no vota, porque la mayoría de los miamenses no confía en la clase política, ni confía en el sistema que la impone.


Fonte: Discrepando

Estados Unidos espionou o Vaticano e a Jorge Bergoglio (Francisco) antes do Conclave

Título original: EEUU espió al Vaticano y a Jorge Bergoglio (Francisco) antes del cónclave

Publicado el 31/10/13


EFE – La Agencia Nacional de Seguridad de Estados Unidos (NSA) espió las conversaciones telefónicas en Ciudad del Vaticano y también las que se produjeron en la residencia donde se alojó el cardenal argentino Jorge Bergoglio, antes del cónclave que le eligió papa, según el próximo número del semanario italiano “Panorama”.

Según el semanario que cita documentos que manejaría el extécnico informático de la CIA, Edward Snowden, entre las 46 millones de conversaciones telefónicas que se dice que la NSA interceptó en Italia, muchas de ellas se localizaban en Ciudad del Vaticano.

“Panorama”, que ha adelantado un parte de la información que publicará en su número a la venta el próximo viernes, habla de un periodo desde el 10 de diciembre de 2012 hasta el 8 de enero de 2013, pero “que se sospecha” que el espionaje continuó tras conocerse el anuncio de la renuncia al pontificado del papa Benedicto XVI, que se hizo efectiva el 28 de febrero.

El semanario de información general añade que el espionaje duró durante todo el cónclave para elegir al nuevo papa.

Entre las conversaciones escuchadas estaban -agrega la revista- las que se producían en la Domus Internationalis Paolo VI de Roma, la residencia donde se alojó el entonces arzobispo de Buenos Aires, Bergoglio, antes de que comenzase el cónclave que le eligió papa el 13 de marzo de 2013.

La publicación recuerda que el nombre del ahora papa Francisco ya había surgido en los documentos filtrados por el portal WikiLeaks de Julian Assange.

WikiLeaks desvelaba despachos de los servicios secretos estadounidenses en los que se hablaba de Bergoglio como uno de los papables en el cónclave de 2005, así como otros documentos fechados en 2007 que relataban su “mala relación” en Argentina con el presidente Nestor Kirchner.

Además, entre los espiados se encontraría el presidente del Instituto para las Obras de Religión (IOR), conocido como el Banco del Vaticano, el alemán Ernst von Freyberg, que fue nombrado en febrero de 2013 por Benedicto XVI tras los escándalos que salpicaron a su predecesor.

“Panorama” explica que las llamadas captadas en el Vaticano se archivaban bajo cuatro clasificaciones: “Leadership intentions” (Intenciones de liderazgo), “Threats to financial system” (Amenazas al sistema financiero), “Foreign Policy Objectives” (Objetivos de política exterior) y “Human Rights” (Derechos Humanos).

Preguntado sobre esta información, el portavoz de la oficina de prensa del Vaticano, Federico Lombardi, afirmó que no tiene información sobre este asunto y añadió que no tienen “ninguna preocupación al respecto”.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Como o FBI usou hackers em sua guerra secreta contra o Brasil

Até a agência de espionagem canadense coletava informações sobre o Ministério das Minas e Energia do Brasil. Reportagem de Shobhan Saxena.

Shobhan Saxena (*)
19/11/2013

Primeiro,  a notícia que fez manchetes em todo o mundo na sexta-feira, 15 de novembro. Jeremy Hammond, membro do grupo de hackers LulzSec, foi condenado a 10 anos de prisão em Nova Iorque por uma juíza americana, por ter acessado ilegalmente os servidores da empresa de inteligência privada Strategic Forecasting (Stratfor), em dezembro de 2011. Nessa operação, ele alegadamente roubou milhões de e-mails, milhares de números de cartões de crédito, e destruiu as informações da empresa no processo.  

A mídia norte-americana noticiou em detalhes a condenação de Hammond. Mas o que foi ignorado pela mídia foi a declaração de Hammond no Tribunal de Manhattan de que ele seguia as “instruções de um informante do FBI [Federal Bureau of Investigation] para invadir os websites oficiais de vários governos em todo o mundo”.

Em uma revelação chocante, Hammond disse ao tribunal que um colega hacker, conhecido como “Sabu”, deu a ele as listas de websites que eram vulneráveis a ataques, incluindo aqueles de muitos países estrangeiros. Em sua declaração, Hammond mencionou especificamente o Brasil, o Irã e a Turquia antes de a juíza Loretta Preska determinar que ele parasse de falar. A juíza havia avisado que nomes dos países envolvidos deveriam ser removidos para ficar em segredo.

“Eu invadi vários sites e entreguei várias senhas que permitiram Sabu – e por extensão seus contatos do FBI – controlar esses alvos”, disse Hammond ao tribunal. Sabu era um dos líderes do grupo de hackers LulzSec, afiliado ao grupo Anonymous, mas acabou sendo captado pelo FBI para ser um dos seus mais importantes informantes do mundo hacker depois de sua prisão em 2011.

Hammon fez uma grande revelação no Tribunal. Ele disse ao mundo que foi usado pelo FBI – através de Sabu - como parte de uma espécie de exército privado que atacou websites vulneráveis de governos estrangeiros. “O governo celebra a minha condenação e a minha prisão, com a esperança de que isso vá encerrar o caso. Eu assumi a responsabilidade sobre as minha ações, e aceitei que sou culpado, mas quando o governo vai responder por seus crimes?”, questionou Hammond no tribunal, antes de a juíza determinar que se calasse.

A juíza americana não queria que os nomes dos países-alvos da operação de hackers fossem revelados no tribunal. Mas Jacob Appelbaum, um conhecido pesquisador de segurança cibernética que vive em Berlin, divulgou a lista de websites-alvos e da informação disponibilizada no servidor do FBI por Sabu. “Essas intrusões ocorreram em janeiro e fevereiro de 2012 e afetaram mais de dois mil domínios, incluindo numerosos websites de governos estrangeiros no Brasil, na Turquia, na Síria, em Porto Rico, na Colômbia, na Nigéria, no Irã, na Eslovênia, na Grécia, no Paquistão, e outros...”, diz a declaração de Hammond,  segundo Appelbaum em uma série de tuítes na sexta-feira, 15 de novembro.

Isso significa que o FBI tinha como alvo todos esses países, incluindo o Brasil, através de um grupo de hackers. É interessante notar que o FBI prendeu Sabu em 7 de Junho de 2011, e no dia seguinte, o hacker concordou em tornar-se informante da agência americana. Duas semanas depois, houve um maciço ataque a websites governamentais brasileiros.

Em uma notícia de Mathew Lynley no VentureBeat, um website tecnológico, em 22 de Junho de 2011, há a informação de que um integrante brasileiro do grupo de hackers LulzSec invadiu vários websites governamentais brasileiros como parte de uma campanha maciça de ataque de hackers liderada pelo LulzSec. A notícia, intitulada “LulzSec recruta hackers brasileiros e invade dois websites do governo”, diz que tanto o portal da Presidência da República do Brasil quanto o Portal Brasil, do governo, estavam fora do ar quando a VentureBeat tentou acessá-los. “Ambos os websites foram atacados pelo LulzSecBrazil, um sub-grupo do grupo de hackers que fez manchetes recentemente por vários ataques a alvos importantes”, diz a notícia.

Com Sabu dentro de uma prisão americana e trabalhando para o FBI como informante e usando hackers como Hammond para atacar websites de governos estrangeiros, fica claro que invadir websites do governo brasileiro era uma missão da agência americana.

Isso não é uma surpresa, após as revelações recentes sobre a Agência Nacional de Segurança (NSA)  mostrarem que os americanos transformaram em alvo a comunicação pessoal da presidente Dilma Roussef. Mais chocante foi a revelação de que a agência de espionagem canadense coletava informações sobre o Ministério das Minas e Energia do Brasil.  Antes havia sido noticiado – graças aos documentos revelados por Edward Snowden  - que os americanos espionaram a Petrobrás também.

Tudo isso – as notícias sobre as espionagens da NSA e as revelações de Hammond no Tribunal - revela um cenário perigoso: já há uma guerra cibernética acontecendo no mundo. A guerra foi deslanchada pelos EUA e seus parceiros mais próximos com dois objetivos: o primeiro é roubar o máximo possível de informações sobre governos, cidadãos e empresas de outros países; e segundo, atacar websites de redes de outros governos. Enquanto o primeiro objetivo é conquistado sob a fachada de “luta contra o terror”, o FBI atira usando como apoio os ombros dos grupos de hackers para obter o segundo objetivo.

A Guerra cibernética não declarada é a última – e mais potente – arma da geopolítica nesses dias. Como as revelações de Edward Snowden mostraram, países de língua inglesa – EUA, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia - participaram conjuntamente de um grupo de espionagem, uma rede chamada “Cinco Olhos”. Seus maiores alvos eram países emergentes, como Brasil, Índia, Turquia e México, ou aquelas nações que seguem uma política externa independente.   

O principal objetivo de toda essa espionagem feita em nome da “luta contra o terrorismo” é o desejo dos países “Cinco Olhos” de manter o seu controle e domínio sobre os recursos minerais e energéticos para continuar com as rédeas da economia global. Isso explica o fato de os EUA terem dividido a missão de inteligência sobre a América do Sul com os outros países “Cinco Olhos”.

Não é nenhum segredo que as empresas de petróleo britânicas e americanas planejam lucrar bilhões de dólares em seus campos de petróleo em torno das Ilhas Malvinas. O Brasil apóia a reivindicação argentina sobre essas ilhas, desenvolvendo sua própria tecnologia nas plataformas de petróleo no mar. Os “Cinco Olhos” querem saber tudo sobre a cooperação entre os dois países sul-americanos. Foi por essa razão que o Canadá - que encara o Brasil como uma ameaça nos campos de mineração - espionou o Ministério das Minas e Energia brasileiro.

O mesmo padrão de invasão cibernética, roubo e espionagem, foi repetido pelos “Cinco Olhos” em todo o mundo – da Índia ao Irã, passando pela Venezuela e China. Tudo isso com o objetivo de assegurar seus interesses financeiros. Mas os ataques do FBI a websites de vários governos são uma completa violação à sua soberania. Os americanos gostam de culpar os chineses por hackear redes de outros países, mas agora – graças a Hammond - sabe-se que o FBI dirige uma guerra secreta e suja contra outros países, especialmente aqueles que ousam seguir uma política externa e econômica independente.

Nenhum país pode parar esse ataque combinado da NSA, CIA e FBI e seus parceiros “Cinco Olhos”. Mas um esforço conjunto dos países emergentes pode pelo menos expor esse novo estilo de guerra suja.

* Hobhan Saxena é correspondente do jornal indiano The Hindu na América do Sul.


Fonte: Carta Maior