História (tempo e espaço), poesia, política, sociedade, cultura, economia, educação... Antes que o silêncio me torne cúmplice.
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Empresa que doa dinheiro a político tem retorno de 850%
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| Cada R$ 1 investido por firma em campanha gera retorno de R$ 8,50. Foto: Elza Fiúza/03.09.2010/ABr |
Cada R$ 1 investido em
candidato gera R$ 8,50 para empresa se ele for eleito, indica estudo
21/9/2013
Após as manifestações de junho,
o debate em torno da reforma política dominou o noticiário do País e o
financiamento das campanhas políticas se tornou um dos principais temas da
discussão. Um estudo feito no Brasil pelo Instituto Kellogg, dos Estados
Unidos, indica que as empresas que doam dinheiro para campanhas eleitorais têm
um retorno de até 850% em cima do valor que investiram no candidato.
Idealizador da Lei da Ficha
Limpa, que impede a participação de candidatos condenados criminalmente em
tribunais colegiados, o juiz eleitoral Márlon Jacinto Reis é um dos criadores
do movimento de combate à corrupção. Reis, que também é diretor do MCCE
(Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), afirma que o negócio é lucrativo
para empresas que investem em políticos.
— Há uma pesquisa do Instituto
Kelloggs no Brasil que mostra que a cada R$ 1 investido nas campanhas
[políticas] há um retorno em contratos públicos da ordem de R$ 8,50. É um lucro
de 850%. É o melhor negócio que conheço até agora. É melhor do que vender água.
Nesta semana, o MCCE se
encontrou com a presidente Dilma Rousseff em Brasília para expor os pontos da
“Campanha Eleições Limpas”. O projeto prevê o fim do financiamento de campanhas
eleitorais por empresas privadas, limite para doação de pessoa física para
partidos e eleição para o Legislativo em dois turnos, com a escolha dos
partidos no primeiro e dos candidatos propriamente ditos no segundo.
O brasileiro, quando vai às
urnas, não escolhe o candidato por ideologia ou pelas propostas de governo que
oferece ao eleitor, explica Reis. O processo eleitoral atualmente está focado
basicamente em dinheiro, segundo o juiz de direito.
— O começo da coisa [campanha
eleitoral] hoje tem a ver com um binômio: dinheiro, que movimenta as eleições;
e a maneira como as campanhas são conduzidas, com que as candidaturas são
apresentadas. No primeiro ponto, nós identificamos como imprescindível proibir
doações empresariais porque o dinheiro usado para comprar votos e para praticar
as distorções do processo tem uma origem e precisamos nos preocupar com essa
origem. Temos eleições caríssimas, mais caras que a maior parte das
democracias.
As eleições de 2010, que
escolheram o presidente da República, custaram R$ 4,9 bilhões em
financiamentos, de acordo com Reis. As principais doadoras para campanhas são
corporações ligadas à construção civil, mineração e bancos. Em comum, todas
fornecem produtos e serviços para governos federal, estaduais e municipais,
ressalta o juiz eleitoral.
— [Para chegar a esse cálculo],
pega-se apenas o financiamento declarado e mesmo assim é um absurdo. Apenas dez
empresas, nas últimas cinco eleições, doaram R$ 1 bilhão. Temos uma presença
maciça das empreiteras, seguidas pelos bancos no processo de doação. Depois
temos outros grupos ligados, de mineração por exemplo. Estão sempre ligados a
setores que contratam diretamente com o poder público. São grupos que estão interessados
em interferir na Comissão Mista de Orçamento para definir para onde vai o
dinheiro.
Após tantas críticas ao
financiamento de campanha por empresas particulares, a principal proposta
apresentada para controlar o repasse de dinheiro é vetar a doação de dinheiro
por empresas e liberar apenas para pessoas físicas. Para o MCCE, o teto seria o
valor de um salário mínimo, ou seja, R$ 678 por pessoa.
O financiamento de campanha
seria um dos pontos tratados no plebiscito, sugerido pela presidente Dilma
Rousseff, mas a proposta de consulta popular não decolou no Congresso Nacional.
A ideia é que a nova regra já valesse nas eleições de 2014.
Conforme as regras atuais,
qualquer pessoa ou empresa pode dar dinheiro para partidos ou candidatos
realizarem suas propagandas eleitorais. Bancos, empreiteiras e empresas de
mineração estão entre as organizações que mais investem em políticos.
Para que as mudanças propostas
pelo MCCE valessem já nas eleições de 2014, seria necessário que os
parlamentares apreciassem e votassem o Projeto de Lei Ordinário até o próximo
dia 5 de outubro — exatamente um ano antes das eleições. Cerca de 130 deputados
já manifestaram apoio à causa. No entanto, o próprio MCCE admite ser difícil
que o texto seja analisado ainda neste ano.
Fonte: R7
Matar suspeitos é rotina na polícia brasileira, diz The Wall Street Journal
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| Artigo do WSJ relaciona violência policial a desigualdades sociais e afirma que desenvolvimento econômico brasileiro também é bastante desigual.Marcelo Camargo/ABr |
Em extenso artigo sobre a violência no Brasil, "The Wall Street Journal" mostra o quanto índice de morte de suspeitos por policiais no Brasil é elevado
Foto: Polícia Militar de São Paulo
aborda moradores
São Paulo - A edição do último sábado (13) do jornal americano "The Wall Street Journal" dedicou um
longo artigo à violência policial no Brasil, afirmando que matar suspeitos está
se tornando rotina entre policiais brasileiros. Segundo o jornal, a Polícia de
São Paulo matou um suspeito para cada 229 presos no ano passado, em comparação
com o índice de um suspeito para cada 31.575 presos nos Estados Unidos em 2011.
No entanto, o artigo sublinha
que o fenômeno não é restrito a São Paulo, afirmando que a polícia paulista é
uma das menos letais do país. De acordo com o texto, apesar dos experimentos
com polícia comunitária, o Rio de Janeiro tem uma polícia que mata quatro vezes
mais suspeitos que a de São Paulo. "O símbolo da polícia tática do Rio é
um crânio com duas pistolas e uma faca atravessada", destaca o jornal, referindo-se
ao símbolo do Batalhão de Operações Policiais Especiais do estado fluminense, o
Bope.
"Mas o que acontece em São
Paulo é crucial: se o estado mais rico, cosmopolita e desenvolvido do Brasil
não consegue modernizar sua polícia, dizem especialistas, é improvável que
outros estados consigam", diz o texto.
O artigo rememora a morte do
servente Paulo Nascimento, na periferia de São Paulo em novembro de 2012,
suspeito de roubo de carro. O caso ganhou repercussão na época porque imagens
feitas pelo celular de um vizinho mostraram o momento em que os policiais
detiveram o servente e aparentemente o executaram. As imagens foram exibidas no
"Fantástico" da TV Globo.
"Em um país onde muitos,
cansados de crimes violentos, justificam a postura justiceira da polícia, o
vídeo e o julgamento iminente movimentam os reformadores que dizem que a
política de reduzir o número de presos da polícia brasileira está em descompasso
com as aspirações de uma democracia emergente buscando elevar uma vasta classe
baixa à prosperidade. Eles [o vídeo e o julgamento policial] são lembretes do
desenvolvimento desigual do Brasil. Apesar de a economia ter tomado impulso,
outras áreas, como a justiça criminal, permanecem firmes no Terceiro
Mundo", diz o texto do WSJ.
O artigo diz ainda que as
autoridades brasileiras reconhecem o problema: cita que, em entrevista, o
secretário de Estado da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira,
disse que a capital tem uma "categoria de criminalidade" que vai
sempre levar a alguns tiros justificados por parte dos policiais, mas que não
vai "tolerar abusos por parte da polícia".
Outra questão de segurança
pública mencionada pelo WSJ são os grupos de extermínio, descritos como
"esquadrões da morte freelancers". O jornal lembra pesquisa do
Instituto Datafolha que revela, no entanto, que 53% dos moradores de São Paulo
acreditam que policiais que matam criminosos como parte de um grupo de extermínio
não devem ser presos.
Ao descrever os tipos de crimes
que acometem a população paulistana, o jornal diz que "Poucos desses
crimes são solucionados, enquanto os processos que são abertos podem levar anos
para serem julgados. Criminosos presos vão para prisões dominadas pelo Primeiro
Comando da Capital, ou PCC, uma facção grande o bastante para desafiar a
polícia." E completa: "A conclusão de muitos é que o sistema de
justiça criminal está completamente falido".
Outro ponto apontado pelo texto
é que muitos dos tiroteios e execuções ocorrem nas periferias de São Paulo.
"Lá, a aceitação da violência policial é um duro lembrete de que o
preconceito de classe e a desigualdade persistem no Brasil apesar dos ganhos
econômicos", diz o texto.
Fonte: Exame
domingo, 22 de setembro de 2013
Brasileira pobre morre por aborto inseguro a cada 2 dias no Brasil
A cada dois dias, uma brasileira (pobre) morre por aborto inseguro, um problema de saúde pública ligado à criminalização da interrupção da gravidez e à violação dos direitos da mulher
Andrea Dip
Agência Publica
Na mesa de madeira em frente a
porta de uma sala de audiências no Fórum criminal de São Paulo, repousa uma
lista com os processos a serem julgados naquela tarde. Em alguns minutos, será
a vez de Marta* ser absolvida sumariamente ou ir a júri popular e pegar até 4
anos de prisão, como explica a defensora pública Juliana Belloque, que atua a
seu favor. A primeira folha do processo diz que Marta “provocou aborto em si
mesma” e isso basta para condená-la, já que a prática é crime previsto pelo
artigo 124 do Código Penal.
Mas, quem seguir lendo os
autos, saberá que Marta tinha 37 anos, era mãe solteira de 3 filhos pequenos
(com idades entre um e seis anos de idade), vinha de um histórico de abandono
por parte dos pais das crianças (inclusive o da gravidez que interrompeu) e
estava desempregada quando, em 2010, em um ato de desespero, comprou um remédio
abortivo de uma prostituta por 250 reais, tirados de sua única fonte de
sobrevivência – a pensão da filha. Descobrirá também que Marta é pobre, só
completou o primeiro grau, e que morava com os filhos em um bairro afastado de
São Paulo quando, três dias após introduzir o remédio na vagina (de forma
incorreta, já que não tinha a quem pedir orientação), ainda não havia parado de
sangrar e de sentir fortes dores, e por isso procurou o pronto atendimento de
um hospital público de seu bairro.
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| (Divulgação) |
O leitor ficará surpreso ou
aliviado, dependendo de suas convicções, ao saber que a médica que a recebeu,
imediatamente fez a denúncia à Policia Militar, explicando que retirou uma
“massa amorfa” de seu útero, “provavelmente” uma placenta resultante de um
aborto mal sucedido.
aborto brasil
“Não existe prova da gravidez,
a única coisa é o depoimento desta médica dizendo que retirou uma quantidade
grande de massa amorfa que ela avalia como placenta do útero dessa mulher, que
chegou com um sangramento no hospital. Enquanto a mulher está hospitalizada
essa médica chama a polícia militar e, enquanto ela está internada, a PM vai
até a casa dela, sem mandato, e apreende um lençol sujo de sangue e um balde.
Não tinha feto, medicamento, caixa, nada. Apenas um lençol sujo de sangue e um
balde, em uma casa muito pobre. Com isso se instaura o inquérito policial.
Quando ela é liberada, é levada até uma delegacia e existe uma confissão
extrajudicial ao delegado. Essa mulher nunca é ouvida em juízo para confirmar
ou não essa confissão” resume a defensora Juliana enquanto esperamos.
Leia também
Marta aceitou assinar uma
confissão para obter a suspensão condicional do processo – prevista para penas
mínimas de até um ano, quando o réu é primário e não responde por outro
processo criminal, e que suspende o caso por um período de 2 a 4 anos, desde
que o acusado cumpra algumas condições como comparecer periodicamente em juízo
para atualizar endereço, justificar ocupação lícita, prestar serviços à
comunidade entre outras – mas ela deixou de cumprir essas condições e o
processo seguiu o curso. Quando pergunto à defensora se ela acredita que a
mulher possa ir realmente a júri popular, ela diz que nunca viu isso acontecer
mas que não é impossível. E explica que pretende mostrar ao juiz que o processo
é marcado por violações, como a falta de provas, já que não há feto, o
testemunho extraoficial porque ela não chegou a ser ouvida em juízo, a denúncia
feita por uma médica que quebrou o sigilo de sua relação com a paciente, as
buscas sem mandato, a falta de uma perícia e de um exame de corpo e delito. “As
mulheres costumam assinar a confissão porque chegam muito fragilizadas e querem
se livrar daquilo o mais rápido possível. Os casos que chegam para nós são bem
parecidos: mulheres pobres, sozinhas, com filhos, sem antecedentes criminais,
que praticam o aborto inseguro em um momento de desespero e que são denunciadas
pelos profissionais que as atendem nos hospitais públicos. Os companheiros não
existem, nem aparecem seus nomes nestes processos” diz a defensora. Como Marta
está desaparecida, a audiência aconteceria sem sua presença, mas foi adiada
porque a médica, única testemunha de acusação, estava de férias. Marta ali é um
número, um crime que será julgado em alguns meses. Mas também é uma em um
milhão de mulheres que, apesar da lei, da religião e da sua opinão pessoal,
buscam o aborto clandestino no Brasil todos os anos. Com sorte, fugiria da pior
estatística: a de que a prática insegura mata uma mulher a cada dois dias no
país e é a 5a causa de morte materna.
1 milhão de abortos clandestinos e 250 mil internações por complicações por ano
“A gente não classifica um
problema como sendo de saúde pública se ele não tiver ao menos dois
indicadores: primeiro não pode ser algo que aconteça de forma rara, tem de
acontecer em quantidades que sirvam de alerta. E precisa causar impacto para a
saúde da população. Nós temos esses dois critérios preenchidos na questão do
aborto no Brasil mas essa é uma ótica nova” explica o ginecologista e obstetra
representante do Grupo de Estudos do Aborto (GEA) Jefferson Drezett, que há
mais de 10 anos coordena um serviço de abortamento legal no país. “Só para
contextualizar nós temos hoje, segundo a OMS, 20 milhões de abortos inseguros
sendo praticados no mundo. Por aborto inseguro, a Organização entende a
interrupção da gravidez praticada por um indivíduo sem prática, habilidade e
conhecimentos necessários ou em ambiente sem condições de higiene. O aborto
inseguro tem uma forte associação com a morte de mulheres – são quase 70 mil
todos os anos. Acontece que estas 70 mil não estão democraticamente
distribuídas pelo mundo; 95% dos abortos inseguros acontecem em países em
desenvolvimento, a maioria com leis restritivas. Nos países onde o aborto não é
crime como Holanda, Espanha e Alemanha, nós observamos uma taxa muito baixa de
mortalidade e uma queda no número de interrupções, porque passa a existir uma
política de planejamento reprodutivo efetiva”.
O Uruguai, que descriminalizou
o aborto em outubro de 2012, também tem experimentado quedas vertiginosas tanto
no número de mortes maternas quanto no número de abortos realizados. Segundo
números apresentados pelo governo, entre dezembro de 2012 e maio de 2013, não
foi registrada nenhuma morte materna por consequência de aborto e o número de
interrupções de gravidez passou de 33 mil por ano para 4 mil. Isso porque,
junto da descriminalização, o governo implementou políticas públicas de
educação sexual e reprodutiva, planejamento familiar e uso de métodos
anticoncepcionais, assim como serviços de atendimento integral de saúde sexual
e reprodutiva.
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| (Divulgação) |
Jefferson coloca ainda que
atualmente no Brasil, acontecem cerca de um milhão de abortos provocados e 250
mil internações para tratamento de complicações pós abortamento por ano. “É o
segundo procedimento mais comum da ginecologia em internações. Por isso eu
digo: o aborto pode ser discutido sob outras óticas? Deve. Não existe consenso
sobre este tema e nunca existirá porque há um feto. Mas não há como negar que
temos aí um problema grave de saúde pública e que a lei proibitiva não tem impedido
que as mulheres abortem mas tem se mostrado muito eficaz para matar essa
mulheres”.
Mulher pobre tem risco multiplicado por mil no aborto inseguro
“O aborto não é um bem a ser
alcançado. Nenhuma mulher acorda um dia e diz ‘vou engravidar daquele canalha
que vai me abandonar, só para ter o prazer de provocar um aborto’. As mulheres
buscam no aborto soluções para situações extremas. Mas é importante dizer que
existe uma diferença entre aborto clandestino e inseguro. O aborto clandestino
não é necessariamente inseguro. Ele pode ser feito em clínicas clandestinas
porém com todas as condições de higiene, por médicos treinados, quando a mulher
tem dinheiro para pagar. A diferença entre as chances de morrer em um aborto
inseguro e apenas clandestino é de 1000 vezes. Então acaba se criando uma
desigualdade social, uma perversidade porque uma mulher que tem um nível
socioeconômico bom, as mulheres dos melhores bairros da cidade de SP, têm
acesso a clínicas clandestinas, que não são legalizadas mas são seguras. Esse
aborto pode custar mais de dois mil dólares. Enquanto um aborto inseguro pode
custar 50 reais” diz o ginecologista. Apesar das diferenças de tratamento, a
Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada em 2010 pela Anis – Instituto de
Bioética, Direitos Humanos e Gênero, mostra que, aos 40 anos, uma em cada cinco
mulheres já fez ao menos um aborto. E que o perfil é o da mulher comum em idade
reprodutiva. “Não existe surpresa nisso. São mulheres de diversas classes
sociais e religiões se arriscando porque a clandestinidade oferece risco. As
diferenças mais uma vez estão no fato de que quanto mais pobre essa mulher,
mais riscos ela corre por causa dos métodos aos quais tem acesso” explica a
autora da pesquisa Débora Diniz. Esta leitura se confirma também no relatório
feito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro em parceria com a
organização internacional IPAS “Mulheres incriminadas por aborto no RJ:
diagnóstico a partir dos atores do sistema de justiça”, que pesquisou casos de
criminalização de mulheres por aborto e entrevistou juízes, desembargadores,
promotores e atores do judiciário em geral e concluiu que: “é muito mais comum
que uma mulher seja incriminada por aborto quando ela utiliza um método
abortivo ‘caseiro’ (remédios obtidos no mercado paralelo e outros métodos) do
que quando ela recorre à clínica. Estes casos são justamente aqueles nos quais
o procedimento dá errado (a mulher reage à medicação) e cai no sistema público
de saúde; lá, um servidor público (em alguns casos o médico do posto, em outros
um policial militar de plantão) a encaminha para a polícia.
Este aspecto demonstra
claramente o recorte sócio-econômico dessa modalidade de criminalização: a
maior parte das mulheres que utiliza os serviços públicos de saúde é pobre,
muitas das quais desempregadas ou com ocupações de baixa remuneração”. O
relatório compara ainda duas sentenças dadas a mulheres diferentes: uma mulher
de classe média, professora, mãe de dois filhos que foi presa após realizar
aborto em clínica clandestina e teve a fiança arbitrada em 300 reais e outra
mulher sozinha, que trabalhava com prostituta e mal sabia ler e escrever e teve
a fiança arbitrada em 3 mil reais. “Em geral, o perfil da mulher se repetia:
pobre, pouco instruída, moradora de periferia. Contudo, este não é
necessariamente o perfil das mulheres que fazem aborto, mas sim o perfil das
mulheres que são presas por terem feito aborto. Deste aspecto percebe-se uma
grande diferença. O sistema captura apenas algumas mulheres, as que necessitam
se submeter à saúde pública. Aquelas que encontram outras soluções privadas,
não são atingidas. Um claro retrato do recorte socioeconômico”.
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| (Divulgação) |
Quem dá o pão dá o castigo
Mariana* tinha 20 anos quando
chegou ao pronto atendimento de um hospital particular de seu convênio médico
em São Paulo com um aborto espontâneo e acabou sendo tratada como criminosa.
“Estava com dois meses de gestação, acordei uma noite com muita cólica e
sangramento e corri para o hospital. Apesar de não estar mais com o pai do bebê
e da minha família ter me dado a opção de fazer o aborto em uma clínica, minha
religião me fez desconsiderar essa hipótese” conta. “Assim que cheguei ao
hospital, sozinha, e comuniquei à recepcionista o que estava acontecendo, senti
a conversa mudar. Ela passou a me tratar com descaso e mesmo passando por uma
hemorragia, tive de esperar muito mais tempo do que os outros para ser
atendida”. Mariana lembra que assim que entrou no consultório, o médico
perguntou se ela havia provocado o aborto e, diante da negativa, continuou
perguntando seguidas vezes. “Antes da curetagem também perguntou muitas vezes
se eu não havia mesmo usado nenhuma droga naqueles dias. Ele disse que eu estava
com um aborto retido e que estava com uma grave infecção no útero. Fiquei
vários dias internada no andar da maternidade e todas as vezes que saia no
corredor, de cadeira de rodas, todas as mães, enfermeiras e atendentes me
olhavam com ar de reprovação. Já estava triste por ter perdido o bebê e ainda
tive de passar por isso mesmo sem ter provocado nada”.
Para ler a matéria por
completo, clicar Pragmatismo
Político
sábado, 21 de setembro de 2013
Depoimentos apontam apoio de setores das igrejas à ditadura militar
Cristina Indio do Brasil
Agência Brasil
17.09.2013
Rio de Janeiro - O golpe de 1964 no Brasil teve apoio de
parcelas importantes das igrejas. Esta foi uma das conclusões da segunda série
de depoimentos, hoje (17), durante audiência pública da Comissão Nacional da
Verdade (CNV) e da Comissão Estadual da Verdade, na sede Caixa de Assistência
dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro (Caarj), no prédio da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) Seccional Rio de Janeiro, no centro da capital
fluminense. A educadora Letícia Cotrim; o pastor emérito presbiteriano,
Zwinglio Motta; e o pastor luterano Mozzart Noronha relatam experiências que
vivenciaram durante a ditadura militar.
Letícia ficou presa por 14 dias no Destacamento de Operações
de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), uma semana no
quartel da Polícia Militar no centro do Rio e um mês e três dias em um quartel
do Exército em Petrópolis, na região serrana fluminense. Apesar de ter recebido
apoio de integrantes de destaque da Igreja Católica, como dom Aloísio
Lorscheider, ela disse que parte da Igreja ficou omissa.
“Foram pessoas que nos ajudaram em uma hora de sofrimento. Eu
tive isso, mas não quer dizer que a Igreja era homogênea. Houve quem deu e quem
não deu apoio. Foi pedido por mim a dom Eugênio Sales, e dom Eugênio não deu
apoio para falar com quem tinha me prendido, que eu tinha uma história na
Igreja. Eu fui dada como uma pessoa subversiva e que não estava acontecendo
nada comigo, quando na verdade estava”, disse Letícia, que participou desde a
adolescência do Movimento Ação Católica.
Zwinglio Motta chegou a ser expulso da Igreja Presbiteriana
do Brasil por defender questões contrárias às posições conservadoras da
instituição. O pastor disse que foi preso por ser irmão de Ivan Motta Dias,
militante desaparecido político, e, de acordo com informações levantadas pela
família, foi morto em um dos locais de tortura em Petrópolis. "A repressão
queria saber onde estava ele. Tentava por todos os meios e não conseguia.
Descobriu-me, alguém me delatou, e fui preso por isso”, declarou.
Para Zwinglio, o trabalho da comissão em apurar a atuação da
Igreja no período da ditadura e no golpe de 1964 é importante para a história
política do país. “Recuperar a memória é muito importante para que as gerações
futuras tenham acesso ao que aconteceu para que isso não volte a se repetir”,
disse o pastor emérito que depois, junto com 80 religiosos, fundou a Igreja
Presbiteriana Unida.
O pastor luterano Mozzart Noronha, que fez parte de um
movimento de resistência dentro das igrejas protestantes, também falou sobre a
falta de apoio da instituição. Ele disse que recebeu suporte apenas de pessoas
envolvidas com o movimento ao qual pertencia. “A igreja oficial não me deu
nenhum apoio, mas aquela comprometida, que nós chamamos a do Cristo fora dos
muros. Pessoas e indivíduos, embora membros da igreja, mas não respondiam
institucionalmente por ela, essas pessoas nos deram apoio, não somente no tempo
da nossa atuação clandestina contra a ditadura, mas também fora do país”,
declarou o pastor que precisou se mudar para a Europa.
O coordenador do Grupo de Trabalho Papel das Igrejas Durante
a Ditadura, na Comissão Nacional da Verdade, Anivaldo Padilha, disse que os
depoimentos confirmam que as igrejas tiveram postura contraditória, algo
surpreendente porque era de se esperar que tivessem uma posição clara contra a violação
dos direitos humanos, a tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados. E
isso, segundo ele, não ocorreu. “Alguns setores importantes das igrejas
apoiaram a ditadura e setores minoritários se opuseram à ditadura",
destacou.
Para o professor de direitos humanos da Pontifícia
Universidade Católica (PUC) e membro da Comissão Estadual da Verdade, João
Dornelles, a participação das igrejas se modificou com o trabalho de
integrantes que se opunham aos militares e desenvolveram trabalhos com
movimentos sociais de atuação mais política. "Surgiu, a partir da Igreja
Católica, uma série de instituições que passou a cumprir um papel de denúncia
de violação de direitos humanos, e a própria CNBB [Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil] se posicionando contra a ditadura, principalmente no decorrer
dos anos 1970, na luta pela anistia e libertação dos presos políticos, junto
com igrejas presbiterianas e metodistas”, analisou.
Edição: Aécio Amado
Fonte: EBC
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Petróleo: Correa volta a mostrar “mão suja” da Chevron
Presidente equatoriano reforça
campanha contra transnacional, condenada a pagar US$ 19 bilhões em indenizações
por catástrofe ambiental na Amazônia
Na Rede Brasil Atual
O presidente do Equador, Rafael
Correa, viajou ontem (17) à região amazônica do país para mostrar “mão suja”
que a empresa petrolífera norte-americana Chevron deixou sobre uma parte da
floresta. Autorizada pelo governo militar, a companhia operou na província de
Sucumbíos, no nordeste equatoriano, entre 1964 e 1992. Deixou centenas de
piscinas de petróleo, água de formação e outros elementos tóxicos. Os danos
causados ao meio ambiente e às populações locais se transformaram num processo
judicial que, em 2011, condenou definitivamente a Chevron a pagar uma
indenização de US$ 19 bilhões apenas para remediar a contaminação. O caso
começou nos Estados Unidos há quase 20 anos e foi transferido à cortes do
Equador a pedido da empresa, que agora diz que o julgamento foi manipulado
pelas autoridades do país.
Em sua mais recente viagem ao
palco de uma das maiores catástrofes ambientais do século 20, Rafael Correa
pegou com a mão resíduos de petróleo de uma das piscinas. Muitas delas foram
soterradas pela companhia, sem qualquer tratamento, contaminando lençóis
freáticos. Outras permanecem a céu aberto até hoje. Estão abandonadas pela
Chevron há 26 anos. Como era esperado, a companhia qualificou a ação do
presidente como “show midiático” e insistiu em que Correa deu mostras de uma
nova interferência no processo ambiental que milhares de colonos e indígenas da
Amazônia instauraram contra a Chevron – que na época em que operava na Amazônia
equatoriana se chamava Texaco. O governante disse que lhe coube mostrar a
“verdade” da contaminação para responder a uma campanha multimilionária da
companhia petrolífera contra seu país. Em suas primeiras semanas de governo, em
2007, Correa já havia se dirigido à região afetada prestar apoio às vítimas.
Correa citou, entre outros
temas, um processo que a Chevron prepara contra o governo equatoriano em um
tribunal de Haia, pelo qual a companhia pretende exigir a devolução da
indenização à qual foi condenada por uma corte de justiça no Equador – e que
ainda não pagou. Como não possui mais ativos no país, a empresa alega que não
possui recursos para cumprir a decisão judicial. Agora, os autores do processo
tentam fazer com que a justiça de outros países, entre eles o Brasil, execute a
sentença contra a Chevron para que seus bens possam ser confiscados para o
pagamento da indenização. Em território brasileiro, A empresa opera, entre outros,
o campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. E foi responsável por
um vazamento de 3.700 barris em 2011.
“Este é um dos maiores
desastres ambientais que o planeta já sofreu”, declarou Correa, reiterando que
os danos provocados pela contaminação na Amazônia equatoriana supera os
conhecidos casos da British Petroleum no Golfo do México, e da Exxon Valdez, no
Alasca, ambos nos Estados Unidos. O desastre supera ainda a tragédia ambiental
causada pelo petroleiro Prestige na costa galega da Espanha. O presidente pediu
à comunidade internacional “reagir contra tanta impunidade” e disse que
convocará em breve personalidades mundiais para que apoiem sua campanha para
que a Chevron pague as indenizações. Correa pediu ainda que os norte-americanos
deixem de consumir produtos da Chevron, companhia que investiu centenas de
milhões de dólares em uma campanha para deixar de cumprir suas
responsabilidades judiciais.
O presidente enfatizou que o
julgamento ambiental empreendido por camponeses e indígenas amazônicos contra a
Chevron é um processo movido por particulares e no qual o governo equatoriano
não teve interferência, como declara a companhia petrolífera. O dinheiro que
virá com a indenização tampouco irá para o Estado. Nem mesmo para as vítimas. A
ideia é que todos os recursos sejam dirigidos para a descontaminação do meio
ambiente. Segundo Correa, sua reação
obedece à campanha iniciada pela companhia petrolífera americana contra sua
administração, em sua intenção de não pagar a multimilionária indenização à
qual foi condenada no Equador.
Para conhecer em detalhes a
contaminação pela Chevron, leia, em Outras Palavras “Petróleo e batalha jurídica internacional na Amazônia”.
Fonte: Outras
Mídias
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Como os serviços secretos ocidentais fabricaram o "ataque químico" da Síria
Título original: Cómo los servicios de inteligencia de Occidente fabricaron «el ataque químico» de la Ghouta
RED VOLTAIRE
DAMASCO (SIRIA)
11 DE SEPTIEMBRE DE 2013
Thierry Meyssan analiza las
contradicciones de los servicios secretos de Estados Unidos, Gran Bretaña y
Francia sobre la supuesta masacre química de la Ghouta.
Thierry Meyssan: Los servicios de inteligencia occidentales están 100% convencidos de una serie de cosas que no son lógicas.
1. Piensan que los gases de combate son capaces de
diferenciar entre hombres y mujeres.
2. Observaron la preparación de los gases de combate pero
no intervinieron para impedir su uso. Sin embargo, ahora quieren castigar a
quienes los utilizaron.
3. Dicen que hubo niños muertos el 21 de agosto cuando
los videos son anteriores y se trata en realidad de niños que provienen de
familias que respaldaban al Estado sirio y el gobierno de Bachar al-Assad.
4. Dicen que interceptaron conversaciones telefónicas.
Pero no fueron ellos los que realizaron esas intercepciones telefónicas.
5. Y, para terminar, está la historia de la «línea roja»
ya que el jefe del Comité Conjunto de Inteligencia británico, Jon Day, dice que
Siria ya utilizó antes gases de combate 14 veces pero sin que se demostrara
claramente. ¿Por qué 14 veces? Porque 14 es la cantidad de veces que Estados
Unidos utilizó armas químicas en Irak, de 2003 a 2004. Y, por supuesto, la
decimoquinta vez sería la que determina que se ha cruzado la famosa «línea
roja» que exigiría una respuesta de parte de las grandes potencias.
La masacre de la Ghouta: las contradicciones de los servicios secretos occidentales
TM: El gobierno de Estados Unidos y el de Francia
afirman que el Ejército Árabe Sirio, el legítimo ejército del Estado sirio,
perpetró una masacre química en las afueras de Damasco, en el cinturón agrícola
conocido como la Ghouta, que rodea Damasco, el 21 de agosto pasado.
Les demostraré a ustedes que esa afirmación es
completamente fabricada y que no concuerda en lo absoluto con la realidad.
Empezaré basándome en los documentos publicados de manera totalmente oficial
por los gobiernos de Estados Unidos, del Reino Unido y de Francia.
1- La cantidad de víctimas fluctúa de 1 a 5
TM: El documento de sus servicios de inteligencia que
publicó Estados Unidos dice que ese ataque causó la muerte de al menos 1 429
personas.
Pero cuando miramos el documento de Francia sólo se
mencionan 281 muertos, que supuestamente fueron contabilizados mediante el
visionaje de los videos en internet. Ese mismo documento agrega que una organización
«no gubernamental» –hay ponerlo así, entre comillas–, Médicos Sin Fronteras,
contó –para el gobierno francés– 355 muertos en varios hospitales de la región
de Damasco.
Así que, de entrada, la diferencia de evaluación del
problema varía de 1 a 5, según la fuente.
Además, estadounidenses y franceses utilizan los
videos como referencia para probar la veracidad de los hechos.
Pero resulta que ellos mismos ni siquiera están de
acuerdo en cuanto a la cantidad de videos. Según el documento de Estados Unidos
hay más de 100, mientras que el documento francés menciona sólo 47.
2- París y Washington validaron videos anteriores al 21 de
agosto
TM: Al mirar esos videos puede comprobarse que varios
son anteriores a la masacre.
En efecto, si ustedes mismos verifican en YouTube
podrán comprobar que fueron publicados el 20 de agosto, lo cual puede ser el
día anterior a los hechos, aunque no necesariamente si se tiene en cuenta la
diferencia de 9 horas que existe entre Siria y California, donde se encuentra
el servidor YouTube. Sin embargo, también pueden comprobar ustedes que en las
escenas de exteriores el sol está en posición cenital.
O sea, es alrededor del mediodía y por lo tanto eso no
puede haberse publicado el 21 de agosto, lo cual confirma que fue grabado antes
de esa fecha.
Es sin embargo en esas pruebas sin validez que se
basan los servicios de inteligencia de Estados Unidos y Francia.
3- Un gas que no mata a las mujeres
TM: En esos documentos nos dicen que la mayoría de las
víctimas fueron niños.
Y, efectivamente, si miran ustedes los videos verán
muchos niños agonizantes. Son niños que tienen todos la misma edad. Y se ven
también algunos adultos. Pero todos los adultos son hombres. Y, generalmente,
hombres jóvenes o de mediana edad, combatientes.
Pero no hay mujeres. Con excepción de dos, no se ven
mujeres entre las víctimas. Entre las 1 429 víctimas contabilizadas por Estados
Unidos habría solamente 2 mujeres.
Sería, por lo tanto, la primera vez que se utilizan
gases capaces de discriminar las personas según su sexo.
4- Las víctimas son prisioneros de los yihadistas
TM: Cuando se ven esas imágenes lo primero que salta a
la vista es que los niños no están acompañados.
Eso resulta muy chocante ya que en la cultura del
Medio Oriente la familia nunca deja de acompañar a sus muertos, sobre todo
tratándose de niños.
Sin embargo, estos niños no están acompañados de sus
padres.
Los vemos, además, en manos de personas que parecen
ser personal médico que trata de salvarlos. Pero no está nada claro lo que hace
ese supuesto personal médico.
La razón es muy simple: se trata de niños que no son
víctimas de un ataque químico.
Son niños secuestrados dos semanas antes de los
hechos, a principios del mes de agosto, en la región de Latakia, a 200
kilómetros de la Ghouta.
Fueron secuestrados durante un ataque de los
yihadistas contra localidades alauitas fieles al gobierno. La mayoría de sus
familias fueron masacradas. Sólo sobrevivieron algunos parientes. En las fosas
comunes encontradas en los alrededores de Latakia había más de mil muertos.
Y los niños, de los que no se habían tenido noticias
durante dos semanas, reaparecieron en estos videos.
Algunos de sus parientes que lograron escapar a la
matanza han reconocido a esos niños y presentaron denuncias por asesinato ya
que si no logramos comprender qué tipo de atención están recibiendo los niños
en los videos es simplemente porque no se trata de cuidados.
Están poniéndoles inyecciones intravenosas de veneno
para hacerlos morir ante las cámaras.
5- Los servicios secretos occidentales tienen un procedimiento secreto para el análisis de muestras humanas
TM: Estadounidenses, británicos y franceses afirman
que los muertos fueron afectados por gas sarín o por una mezcla de gases que
incluye el gas sarín. Y dicen que así lo demuestran los análisis realizados en
sus propios laboratorios y a partir de las muestras que ellos mismos recogieron
en el lugar de los hechos.
Lo cual es totalmente imposible ya que los
especialistas de la ONU, que también estuvieron en el lugar de los hechos y
recogieron muestras, necesitan una decena de días más para poder cultivar las
muestras de tejido humano antes de poder analizarlas.
O sea, nos están diciendo que Estados Unidos, Francia
y Gran Bretaña disponen de métodos secretos de investigación totalmente
desconocidos en el mundo científico que les permiten el cultivo instantáneo de
tejidos humanos y conocer los resultados de inmediato.
6- Estados Unidos dice haber observado la preparación del crimen durante cuatro días sin intervenir
TM: Más extraño aún, en la nota de James Clapper, el
jefe de la inteligencia estadounidense, se nos dice –como prueba final– que
Estados Unidos observó, durante los 4 días anteriores, como el ejército sirio
mezclaba los componentes del gas sarín, o sea que lo vio preparando el mortal
veneno para utilizarlo.
Lo que no se entiende es, si estuvieron observando eso
durante 4 días, ¿por qué no lo dijeron en aquel momento? ¿Por qué no
intervinieron?
7- Una intercepción telefónica proporcionada por Israel
TM: Estados Unidos, el Reino Unido y Francia afirman
también haber interceptado una conversación telefónica entre un alto
funcionario del ministerio sirio de Defensa y el jefe de las unidades que se
ocupan de los gases de combate. Supuestamente, el ministerio sirio estaba
aterrado por el uso de dichos gases. Esa sería otra prueba de la
responsabilidad de Siria.
Pero esa prueba no la obtuvieron los servicios de
inteligencia de esos países sino que les fue proporcionada por la Unidad 8200
del Mossad israelí, como anunció la televisión israelí, incluso antes que esos
servicios.
Televisión israelí (Voz en off)
Las Fuerzas de Defensa israelíes afirman haber
interceptado comunicaciones del gobierno sirio que demuestran que el régimen de
Bachar al-Assad está detrás del reciente ataque químico que dejó cientos de
muertos entre los civiles en un país devastado por la guerra.
8- No hay síntomas de gas sarín
TM: En los videos, las víctimas sufren temblores y
secreciones o salivación, lo cual es normalmente característico de las
intoxicaciones con gases de combate.
Exceptuando que el gas sarín no provoca secreciones o
espuma blanca sino amarilla, lo cual no se ve en estos videos. Por lo tanto no
puede ser gas sarín lo que se utilizó para envenenar a las personas fallecidas.
Los dirigentes de Estados Unidos, Francia y Reino
Unido pueden ser acusados ante la Corte Penal Internacional
TM: En conclusión, se trata de una provocación
totalmente fabricada que cae en la categoría de propaganda a favor de la
guerra. Y en derecho internacional, la propaganda a favor de la guerra es el
más grave de todos los crímenes porque es un crimen contra la paz, porque es el
crimen que da lugar a todos los demás, incluyendo los crímenes contra la
humanidad.
Fonte: Voltairenet
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Carf nega recurso da Globo contra multa por uso de ágio
por
Alessandro Cristo
As
organizações Globo perderam
recurso administrativo contra uma cobrança de R$ 713 milhões do Fisco federal.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, que
julga contestações a punições fiscais, rejeitou argumentos contra autuação da
Receita Federal sobre aproveitamento de ágio formado em mudanças societárias
entre as empresas do grupo.
Em uma
delas, a Globo Comunicação e Participações S.A. (Globopar) foi condenada por
amortização indevida no cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e
da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). A amortização dos tributos
usou o chamado ágio, valor embutido no preço de uma companhia vendida
equivalente à estimativa de sua rentabilidade futura. De acordo com a lei, a
empresa que compra outra tem direito de abater da base de cálculo de seus
tributos o valor que desembolsou a título de ágio. Mas a Receita Federal alega
que o valor da Globopar é artificial. A empresa espera análise de Embargos
interpostos e ainda pode recorrer à última instância do Carf.
O
desfecho do julgamento é esperado pela advocacia tributária por ser uma das
primeiras vezes que o Carf se debruça sobre a existência de efeito fiscal do
conceito contábil de patrimônio líquido negativo — origem da maior parte do
ágio em discussão no processo da Globo. A autuação se refere aos anos de 2005 a
2008, nos quais a empresa usou o ágio para pagar menos tributos. A Receita
Federal lavrou o auto de infração em dezembro de 2009, no valor de R$
713.164.070,48.
Foram
os advogados Carlos Alberto Alvahydo de Ulhôa Canto e Christian Clarke de Ulhôa
Canto, sócios do escritório Ulhôa Canto, Rezende e Guerra Advogados, os
responsáveis por defender a transação. Na impugnação, eles destacaram o uso do
patrimônio líquido negativo — chamado de “passivo a descoberto” — na construção
do ágio que gerou as deduções. Ou seja, a empresa compradora “adquiriu” o
prejuízo da comprada, assumindo sua dívida, e contabilizou essa aquisição como
investimento. “Não há norma, de natureza fiscal ou contábil, que determine o
expurgo do valor negativo do PL da investida na quantificação do ágio”, diz o
recurso dos advogados.
A
cobrança teve origem no Mandado de Procedimento Fiscal 0719000.2006.01200-5,
que entendeu como receita não informada o perdão de uma dívida de US$ 65
milhões (R$ 153 milhões, à época) concedido pelo banco americano JP Morgan, em
2005, à Globopar. A dívida total com instituições financeiras no exterior,
gerida pelo JP Morgan e avaliada em US$ 213,1 milhões (R$ 504,6 milhões, à
época), foi “adquirida” pela TV Globo, outra empresa do grupo, por 30% menos
que o valor original. O perdão foi considerado deságio. A TV Globo, então,
passou a ser credora e sócia da Globopar, por meio da compra das cotas de uma
terceira empresa, a Globo Rio Participações e Serviços Ltda., então
controladora da Globopar. A compra, por sua vez, se deu por meio do desconto de
uma dívida que a Globo Rio tinha com a TV Globo, fechando o círculo.
Construção circular
Adquirir
a Globopar era interessante por causa de seu prejuízo acumulado. O passivo a
descoberto da empresa, que em 2005 era de R$ 2,34 bilhões, poderia ser usado
para abater impostos de quem a comprasse. Em uma só tacada, ao comprar a Globo
Rio por R$ 65,5 milhões e assumir a dívida de R$ 2,34 bilhões da Globopar, a TV
Globo somou R$ 2,4 bilhões em ágio a amortizar. Em sua contabilidade, a TV
Globo lançou R$ 152 milhões, referentes ao perdão, como ágio a deduzir no
pagamento de impostos, atribuindo à quantia o título de “valor de mercado da
Globopar” — ou seja, um investimento. A compra da Globo Rio pela TV Globo e a
conversão do valor em ágio para a compradora foi auditada e confirmada em 2005
por laudo da Consef (Consultoria Econômico-Financeira), terceirizada.
Um mês
depois, a Globopar, antes endividada, agora recomeçava o ciclo, ao comprar sua
controladora, a TV Globo, em um negócio conhecido como “incorporação às
avessas”. A triangulação dava à Globopar um patrimônio líquido novamente
positivo, e agora com ágio a amortizar — já que o direito de abater impostos
adquirido pela TV Globo agora passava à sua compradora. A contabilização
parcelada dessa incorporação culminou, em outubro de 2010, no valor de R$ 2,28
bilhões em ágio a amortizar. Mas segundo o Fisco, esse ágio era formado nada
menos que pela aquisição, pela Globopar, de forma indireta, de suas próprias
ações.
Para a
Receita, embora os lançamentos tenham se baseado em “eventos reais”, foram
“operações legais apenas no seu aspecto formal”, o que configuraria um
planejamento tributário indevido. Isso porque, embora empresas diferentes
tenham uma adquirido a outra, todas pertenciam às mesmas pessoas. Roberto
Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho eram sócios das
quatro empresas envolvidas no negócio: Globopar, TV Globo, Globo Rio e
Cardeiros Participações S.A. Assim, para a Receita, o crédito dedutível criado
pela transação foi artificial. “Como podemos perceber, operou-se um milagre
dentro da Globopar, que teve um PL [patrimônio líquido] negativo de R$ 2,34
bilhões transformado em PL positivo, de R$ 318 milhões, tudo isso no exíguo
prazo de 30 dias”, apontou a fiscalização. “A Globopar passou a desfrutar de um
ágio a amortizar que nada mais é que seu próprio patrimônio líquido negativo.”
Além
disso, a chamada “incorporação às avessas” é, para a Receita, abuso de direito,
como entendeu, em 2006, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de
Janeiro, conforme acórdão 10.007, que tratou de caso semelhante. A decisão diz
ser indedutível o “ágio de si própria” gerado em incorporações dessa natureza.
“Inúmeras decisões do Carf têm considerado que a operação realizada pelo
contribuinte precisa ter propósito negocial, ou seja, não é lícito realizar
operação de ‘incorporação às avessas’, com a consequente transferência do ágio,
simplesmente com o intuito de redução da carga tributária”, citou a
fiscalização ao analisar recurso da Globopar. “Todas as aquisições foram
efetivadas por intermédio de acertos de passivo existentes entre as empresas,
ou seja, não ocorreu transferência de numerário.”
A
empresa rebateu dizendo que o propósito não foi meramente evitar tributação. “O
longo processo de reestruturação da dívida da recorrente, que culminou com as
operações realizadas em 2005, ora em discussão, teve sempre um objetivo:
reunir, em uma única pessoa jurídica, o endividamento da recorrente e a
capacidade financeira da TV Globo”, defendeu-se. E criticou o assombro do Fisco
com a rapidez da transação. “A celeridade com que os atos societários foram
elaborados e os contratos celebrados é inteiramente neutra em termos fiscais.
Tivessem as operações societárias acontecido em um único dia ou ao longo de dez
anos, os efeitos fiscais seriam rigorosamente os mesmos. Por isso, tal fato
jamais deveria ter sido levado em conta pela fiscalização.”
Em
2007, foi a vez de a TV Globo ser intimada a justificar o ágio de R$ 2,4
bilhões. À Receita, a empresa respondeu que o valor se referia à “rentabilidade
futura da Globopar”, devido a “projeção dos resultados da sociedade para o
período de 2006 a 2014”.
Mas o
Fisco desconsiderou as deduções e exigiu o recolhimento da diferença de IR e
CSLL. A Receita entendeu como omissão de receita a realização do deságio de R$
152 milhões referente ao perdão da dívida bancária internacional. “Quando há
extinção de um passivo (obrigação), sem o desaparecimento concomitante de um
ativo, de igual ou superior valor, é inegável a ocorrência de um acréscimo
patrimonial. Portanto, o perdão (remissão) da dívida há de ser reconhecido como
receita, o que repercute no lucro líquido positivamente”, diz decisão da Turma
Julgadora na Delegacia de Julgamento da Receita no Rio.
O Fisco
também glosou a amortização do ágio com base na rentabilidade futura da
Globopar. “O ágio pago efetivamente equivale apenas a R$ 65 milhões, não sendo,
portanto, lícito considerar o valor do passivo a descoberto, isto é, R$ 2,4
bilhões”, diz a decisão.
Bem negativo
Ao
analisar o recurso da Globopar, a relatora na Turma, conselheira Edeli Pereira
Bessa, observou que, embora alegasse que o ágio tenha sido gerado por
transações sucessivas por meio de empresas dos mesmos sócios, o Fisco não negou
a existência do ágio, mas apenas contestou sua amortização na base de cálculo
dos tributos. No entanto, ela negou que haja a possibilidade de existir
patrimônio líquido negativo que dê origem a ágio aproveitável por empresa que
compra outra no vermelho.
Edeli
lembrou que as leis que disciplinam o assunto — a Lei 6.404/1976 (a Lei das
S.A.), o Decreto 3.000/1999 (o regulamento do Imposto de Renda) e o Decreto-lei
1.598/1977 — não tratam de patrimônio líquido com saldo devedor ou de ativo de
valor negativo. “Os dispositivos legais sempre adotam como referencial para
avaliação de investimentos os valores de patrimônio líquido, e nada mencionam
acerca dos procedimentos a serem adotados em caso de passivo a descoberto”,
mencionou. “É possível concluir que não existe, conceitualmente, patrimônio
líquido negativo. (…) É possível, portanto, interpretar que as leis, ao se
reportarem ao valor de patrimônio líquido como referência para cálculo da
equivalência patrimonial, tinham em conta, apenas, situações nas quais o
investimento apresenta um valor patrimonial positivo.”
Por
fim, a relatora arrematou com argumento lógico: “Admitir que um investimento
apresente valor contábil negativo significa reconhecer a responsabilidade da
investidora pelas dívidas da investida para além do capital nela aplicado.” O
entendimento é compartilhado pelo especialista em Direito Societário Modesto
Carvalhosa, citado no voto de Edeli. No livro Comentários à lei das sociedades
anônimas (4ª edição, editora Saraiva), o advogado e professor afirma que “se a
empresa investida tiver prejuízos que transformem seu patrimônio líquido em
número negativo (passivo a descoberto), a conta de equivalência na sociedade
investidora pode, na pior das hipóteses, assumir o valor zero”. Em sua opinião,
se houver ágio ainda não amortizado, ele deverá ser baixado e contabilizado
como prejuízo. “Isso porque ativo negativo não existe.”
Na
prática, para a conselheira, não há ágio — direito utilizável pela empresa
compradora — enquanto a sociedade comprada está com passivo a descoberto, salvo
o equivalente ao valor do investimento feito, o efetivamente pago pela
aquisição. A situação muda se a investida tiver patrimônio positivo novamente.
Fundamentos do recurso
Ao
contrário do que afirmou o Fisco, para a defesa do grupo Globo, ao assumir a
responsabilidade pelo passivo a descoberto da Globopar, a TV Globo ganhou
direito ao um “ágio indireto” equivalente ao passivo a descoberto da companhia
adquirida, que deveria ser somado ao ágio direto — custo da aquisição de sua
participação na sociedade comprada.
Quanto
à possibilidade contábil de existência do patrimônio líquido negativo, a
empresa citou a Resolução 847/1999 do Conselho Federal de Contabilidade, que
trata de nomenclaturas contábeis e diz, em seu item 3.2.2.1: “No caso em que o
valor do patrimônio líquido for negativo, [o patrimônio líquido] é também
denominado de passivo a descoberto”. O texto, que reconhecia a possibilidade de
existência de PL negativo, foi alterado posteriormente pela Resolução
1.049/2005 do CFC, que excluiu essa possibilidade. A nova norma, porém, só veio
depois que as operações societárias na Globo foram registradas.
A
empresa protestou ainda contra a incidência de juros sobre a multa de ofício
aplicada na autuação.
Contábil x Fiscal
O
conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que declarou voto no acórdão
do Carf, também não aceitou os argumentos da empresa. Segundo ele, não existe o
tal “ágio indireto”. “A pretensão do contribuinte de considerar como ágio
indireto o valor correspondente ao ‘passivo a descoberto’ é uma criação do
contribuinte sem amparo na lei”, afirmou em seu voto. “O fato de a adquirente
assumir responsabilidade pelo ’passivo a descoberto’ da adquirida pode implicar
apenas registro contábil de provisão (que inclusive será não dedutível). Mas
nunca implicará registro de ágio, nem mesmo sob criativa a denominação de ‘ágio
indireto’.”
Guerreiro
ainda refutou o argumento que se baseou no reconhecimento da existência de PL
negativo pelo órgão contábil máximo do país. “As regras de contabilização ou as
formas de contabilização admitidas ou sugeridas pela CVM ou CFC são corretas,
ou adequadas, apenas para fins contábeis. Porém, elas não podem determinar os
efeitos fiscais. Isso porque, salvo menção expressa da legislação tributária,
as regras de contabilização e as formas de contabilização são totalmente
irrelevantes para determinar efeitos fiscais.” E desafiou a lógica do argumento
da empresa, ao afirmar que “se acaso a adquirente pode perder algo além de sua
participação acionária é porque assumiu dívidas da adquirida. Mas isso nada tem
ha ver com a aquisição do investimento”.
O voto
do conselheiro Benedicto Celso Benício Junior divergiu parcialmente dos
anteriores. Ele concordou que não pode haver ágio sobre passivo a descoberto,
mas entendeu que outros aportes além dos feitos diretamente pela sociedade
investidora — no valor de R$ 65,5 milhões — deveriam entrar na conta do ágio.
“Há
muito tempo, existia o entendimento de que o ágio e o deságio somente surgiam
quando havia uma aquisição das ações de uma determinada empresa (transação
direta entre vendedor e comprador). Com a evolução dos conceitos, tornou-se
consenso de que o ágio ou o deságio também podem surgir em decorrência de uma
subscrição de capital”, afirmou. Os outros aportes seriam, para o conselheiro,
R$ 1,3 bilhão referentes a subscrição de capital e absorção de prejuízos de R$
463 milhões. Assim, o ágio utilizável para dedução de impostos seria de R$ 1,8
bilhão.
Por
fim, os argumentos da Globopar foram rejeitados por maioria de votos. Os
conselheiros acrescentaram ainda que multa e tributo compõem a obrigação
principal devida pelo contribuinte e, portanto, podem ambos sofrer acréscimo de
juros. Essa decisão se deu apenas pelo voto de qualidade do presidente da
Turma, já que houve empate.
Participaram
da votação os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, presidente da Turma, José
Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa (relatora), Benedicto
Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina
Takeda Taga.
Falta de regras
Para a
tributarista Mary Elbe Queiroz, presidente do Instituto Pernambucano de Estudos
Tributários, é necessário que uma lei esclareça as regras para o aproveitamento
do ágio, uma vez que no Brasil ainda não existe uma como há em outros países.
Atualmente,
está em discussão no Poder Executivo texto a ser proposto ao Congresso para
disciplinar a matéria. Mas a intenção do Fisco federal é acabar com a possibilidade
de se deduzir ágio.
Alessandro
Cristo é editor da revista Consultor Jurídico
Fonte: Revista
Consultor Jurídico, 16 de setembro de 2013
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