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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Governo Dilma deixa de aplicar R$17 bilhões na Saúde, mas gasta R$16 bi em Publicidade



Padilha, Marisa, Lula e Dilma.
 Imagem: Reprodução/I9
Os gastos com propaganda do governo federal nos dois primeiros anos da gestão de Dilma Rousseff, incluindo estatais, é 23% maior, na média, do que nos oito anos de mandato de seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente também vem gastando mais - cerca de 15% -, na média, na comparação com o segundo mandato de Lula.

Ao todo, em dez anos de governo petista foram desembolsados, incluindo todos os órgãos da administração, cerca de R$ 16 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, segundo levantamento inédito do Estado

Ministro da Saúde Alexandre Padilha deixa de aplicar R$ 17 BI


A Associação Médica Brasileira (AMB) entrou com nova ação judicial contra o Ministério da Saúde para cobrar explicações sobre a não aplicação de R$ 17 bilhões previstos em Orçamento na área. O assunto foi abordado em junho em representação enviada ao Ministério Público e em ação protocolada no Supremo Tribunal Federal.

A AMB explica, por meio de nota, que também procurou a Justiça Federal para evitar um possível conflito de competência entre as diferentes instâncias judiciais. “Evitaremos, à guisa da previsão legal, qualquer obstáculo institucional a compelir o ministro a revelar a destinação dos valores inutilizados”, destacou, na nota, o advogado Carlos Michaelis Júnior.

De acordo com a AMB, o percentual aceitável de não cumprimento orçamentário é até 3%, mas no ano passado, o valor chegou a 9,64% na pasta da Saúde. "Do total empenhado, R$ 8,3 bilhões foram inscritos em restos a pagar não processados, porém o Tribunal de Contas da União não sabe onde estão essas contas ou se elas existem", destaca a nota.

O Ministério da Saúde diz lamentar "que uma entidade médica recorra a este tipo de argumento por discordar do diagnóstico de que faltam médicos no Brasil, em vez de participar dos debates, espaços democráticos de diálogo, para levar mais médicos aos locais que necessitam de profissionais de saúde".

A pasta destaca que R$ 8,7 bilhões, dentre os R$ 17 bilhões reclamados pela entidade, estavam contingenciados por decisão da área econômica do governo e R$ 8,3 milhões ficaram como restos a pagar para o ano de 2013. "Desse valor, R$ 4 bilhões foram pagos até maio deste ano", diz o ministro.

Fabiano Portilho

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Direito Penal deveria acabar, sentencia juiz


Amilton Bueno: “Tem pessoas a quem não damos outras
possibilidades de vida a não ser a delinquência”

O desembargador Amilton Bueno de Carvalho defende que redução da criminalidade só vai acontecer quando os macro-problemas sociais forem resolvidos e afirma ser a desigualdade a raiz de todo delito


IPATINGA – Um dos mais ilustres defensores do Direito Alternativo, o desembargador Amilton Bueno de Carvalho, do Rio Grande do Sul, participou nesta semana do Seminário de Direito da Fadipa. Ligado à tendência abolicionista, linha de pensamento do Direito Penal, segundo a qual a justiça nunca vai resolver os problemas de criminalidade a que se propõe, o juiz afirma na entrevista concedida ao DIÁRIO POPULAR que os presídios só pioram os detentos e não têm nenhum significado, que o Direito Penal deveria acabar “porque é uma farsa cruel do poder” e que a solução passa por medidas que coíbam o delito antes dele acontecer.

DIÁRIO POPULAR – O Código Penal do país precisa de mudanças?

AMILTON BUENO - Acho que sim, porque os fatos sociais mudam numa velocidade fantástica. Nós estamos trabalhando na matriz de um código elaborado em 1941, embora com uma reforma nos anos 80. Está hora de se pensar um novo olhar para o fenômeno penal no Brasil. Uma comissão de pessoas tidas como iluminadas está fazendo o projeto. Na verdade eu não acredito no Direito Penal. Acho que ele não resolve nada e que tudo é uma grande mentira. Acho que o presídio não resolve nada. Sou abolicionista. Sou um daqueles caras que acham que não deveria existir Direito Penal.

DP – Por que o senhor não acredita na legislação criminal?

AMILTON BUENO - O Direito Penal nunca cumpriu com as promessas dele no curso da história. Presídio nunca recuperou ninguém. O Direito Penal é uma farsa cruel do poder. O que ele faz? Seleciona o indesejado. Algumas pessoas das quais temos nojo, ele seleciona (já que não pode matá-las - em alguns países matam) os indesejados e procura destruí-los através do presídio. É uma face cruel do poder, poder que normalmente não é confiável. Também não confio no poder. Então o Direito Penal é seletivo, porque escolhe as pessoas de que se tem nojo e que se quer destruir. Ele não tem uma característica de humanidade. Ele não se sustenta em um plano racional. Presídio por exemplo não tem significado nenhum.

DP – Porque o sistema prisional não funciona?

AMILTON BUENO - A única coisa que os estudantes descobriram é que o presídio é um fator criminógeno. Coloco um sujeito de grau x de periculosidade no presídio, que praticou um crime e o classifico nessa categoria x. No presídio ele agrega um grau y de periculosidade. Então largo ele x+y, ou seja, o presídio é um fator que aumenta a criminalidade. Nos melhores presídios na Suécia, um dos melhores do mundo, o grau de reincidência é de 70%. O grau de reincidência em Bangu I também é de 70%. Então, não são as condições dos presídios, é a instituição que é um mal em si.

DP – Como reverter essa situação então?

AMILTON BUENO - O que nós tínhamos que tentar trabalhar são algumas coisas que nós sabemos que podem ajudar. Não tenho nada para fazer depois que mataram o cara ou depois que a mulher foi violentada. Não tem o que fazer. Temos que ter mecanismos anteriores, que diminuam a possibilidade dos delitos. Sempre vão ocorrer delitos, mas que eles ocorram numa parcela suportável. Aí, entram problemas de macro políticas que nós não enfrentamos. Por exemplo, nos países onde todos são ricos, como na Suécia, a criminalidade é lá embaixo. Nos países onde todos são pobres, como Biafra (país do sudoeste da Nigéria) os crimes vão lá embaixo. Com isso, sabemos que o grau de criminalidade e violência ocorrem nas cidades de grande diferença social. Os Estados Unidos, por exemplo, são o lugar que mais tem presídio – no país mais rico do mundo. Mas, também é o país mais diferente do mundo. Lá se tem 2 milhões de pessoas presas.

DP – As disparidades sociais acentuam a criminalidade?

AMILTON BUENO - A contradição social é muito grande. Parece que as pessoas conseguem viver razoavelmente bem quando são todos ricos ou todos pobres. Mas, parece que as pessoas não suportam essa diferença agressiva. A diferença mais agressiva que vejo é no Rio de Janeiro, por exemplo. Ela existe até pela formação geográfica. No bairro de São Conrado tem a casa do Ronaldinho Gaúcho, e logo próximo à favela da Rocinha, a pobreza. Não existe a menor suportabilidade de coexistência pacífica. Então, tem algumas coisas que a gente pode fazer, mas nunca é a solução dos problemas. Tem pessoas as quais não damos outras possibilidades de vida senão a delinquência. Nós parimos o monstro. Como não tenho coragem ou condições de atacar o macro problema, fico resolvendo os problemas tentando aumentar pena. E aí não adianta nada.

GEILC debate a produção científica no processo de produção/reprodução capitalista



Dando continuidade às atividades realizadas pelos GEILC – Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classes –, o Projeto de Extensão "História, Memória e Ideologia no campo das lutas de classes", promove Mesa Redonda intitulada “PRODUÇÃO CIENTÍFICA E PRODUÇÃO/REPRODUÇÃO CAPITALISTA: ANÁLISES MARXISTAS” com o Prof. Dr. Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida (PUC-SP) e Prof. Dr. José Claudinei Lombardi (UNICAMP), mediada pelo Prof. Dr. José Rubens Mascarenhas de Almeida (UESB) a ser realizada no dia 28/08 (quarta-feira) às 14 horas, no Módulo II, Salão do Juri/UESB (módulo da antiga cantina de dona Dalva). Este evento acontecerá no contexto do X Colóquio Nacional e III Colóquio Internacional do Museu Pedagógico/UESB, que têm como tema central a “Produção do conhecimento no limiar do século XXI: tendências e conflitos”,.
Aproveitamos a oportunidade para convidar para o Colóquio Temático do GEILC, cuja temática “A RELAÇÃO ENTRE A PRODUÇÃO CIENTÍFICA E A PRODUÇÃO/REPRODUÇÃO CAPITALISTA: HISTÓRIA, MEMÓRIA E IDEOLOGIA” no dia 29/08 (quinta-feira) no Modulo II, Salão do Juri/UESB, das 08 às 12h e das 14 às 18h. Na oportunidade, teremos comunicações científicas diversas, assim como das pesquisas desenvolvidas no seio do Grupo, como segue abaixo.

Na ocasião serão apresentadas as seguintes comunicações científicas:

COMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS AUTOR (ES)
TÍTULO


Danilo Bandeira dos Santos Cruz


O SENTIDO DA PRODUÇÃO MATERIAL E IMATERIAL NO SISTEMA CAPITALISTA


Alexandre de Jesus Santos


A PRODUÇÃO CIENTÍFICA COMO LEGITIMADORA IDEOLÓGICA DA SOCIEDADE CAPITALISTA: O ÂMBITO REGIONAL EM FOCO

Suzane Tosta Souza
Jânio Roberto Diniz dos Santos

AS IDEOLOGIAS DO CAPITAL PARA O CAMPO BRASILEIRO: O AGRONEGÓCIO E A AGRICULTURA FAMILIAR


Suzane Tosta Souza
Jânio Roberto Diniz dos Santos

AS IDEOLOGIAS DO DESENVOLVIMENTO E DA MODERNIZAÇÃO COMO FORMAS DE CONTROLE SOCIETAL DO CAPITAL


Kézia Louzada Boa-Sorte

A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO JURÍDICO COMO ELEMENTO DE PRODUÇÃO/REPRODUÇÃO DA IDEOLOGIA DOMINANTE

Maria Ieda da Silva
Edna de Souza Costa
Maria Goreth e Silva Nery
AS CONTRADIÇÕES DO CAPITAL NO ESPAÇO AGRÁRIO EM SERRA DO RAMALHO/BA


Ione dos Santos Rocha


A ESCOLA TÉCNICA ATUAL E O DESAFIO DO CONHECIMENTO INTEGRADO
Aletícia Alves Meira
Maria Aparecida Silveira
O ALUNO COMO AGENTE NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO


Gerenice Ribeiro de Oliveira Cortes

EFEITOS DA MEMÓRIA DA CIÊNCIA NO DISCURSO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: UMA ANÁLISE DA BLOGOSFERA SCIENCEBLOGS BRASIL


Paulo Tarso Mascarenhas Pedreira

PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL (PCC): A GÊNESE DO NARCOTERRORISMO NO BRASIL


Esmeralda Guimarães Meira


A RECEPÇÃO CRÍTICA COMO PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO CAMILLO DE JESUS LIMA SOB O OLHAR DA CRÍTICA


Coordenação GEILC
Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classes
Museu Pedagógico/UESB