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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Vivendo sem dinheiro: conheça pessoas que abandonaram o modelo de vida padrão e gostaram

29.07.2013

SÃO PAULO - É impossível viver sem dinheiro? Depende do seu estilo de vida. O administrador irlandês Mark Boyle é um dos grandes expoentes de um movimento de pessoas que têm um padrão de vida confortável, mas decidem, por opção própria, viver sem dinheiro. Criador do portal Freeconomy, um site de compartilhamento de espaços, habilidades e ferramentas, ele decidiu passar um ano totalmente sem dinheiro ao julgar que o modelo econômico atual estaria destruindo a natureza e arruinando a vida dos semelhantes.

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“Eu estava em uma época de questionamentos, pensando sobre todos os problemas do mundo: destruição das florestas, trabalho forçado, extinção dos recursos da natureza. Estava pensando nos problemas ecológicos e sociais, e percebi que o dinheiro era um fato muito importante dentro disso, ele nos separa do que consumimos. Mas não adiantava apenas falar o que eu pensava. Acredito muito na frase de Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Então decidi que eu ia viver do jeito que eu acreditava, sem dinheiro. Nós não vemos os efeitos de nossas compras no ambiente e podemos muito bem viver sem que seja preciso comprar, comprar e comprar”, afirma Boyle em seu livro “O Homem sem Grana” (editora Best Seller), cujos lucros foram revertidos para a criação da comunidade Freeconomy.

O ativista, que após se formar trabalhou durante seis anos gerenciando uma empresa de alimentos orgânicos no Reino Unido, escolheu o Dia Mundial Sem Compras (celebrado em 29 de novembro) em 2008 para abandonar quase todos os seu bens materiais e dar início ao seu novo estilo de vida, em que dependeria do seu esforço físico e habilidades manuais para conseguir todas as suas necessidades básicas: transporte, moradia, saúde, higiene, alimentação. Como sua principal meta era disseminar a ideia de que viver sem dinheiro é bom, ele optou por manter apenas um notebook (que carregou com energia solar e conseguiu acesso a banda larga prestando serviços a uma fazenda) e sua bicicleta.

Viver sem dinheiro fez com que ele perdesse a namorada, já que “é difícil ter vida social e viajar para vê-la se você só usa a bicicleta como transporte e se alimenta com o que planta”. Mas a experiência não foi traumática. O projeto, inicialmente pensado para durar um ano, acabou sendo aplicado para três. E Boyle afirma que só voltou a mexer com dinheiro para poder dar forma a uma comunidade onde todos vivam 100% da terra. “Os anos que vivi sem dinheiro foram os mais felizes e mais saudáveis da minha vida.”

Ainda que distante da filosofia do “mainstream”, o pensamento de Boyle vai aos poucos ganhando adeptos. Ele conta que em 2008, quando a crise econômica estourou no mundo, o movimento teve um período de rápido crescimento. Segundo ele, quando a economia normal se deteriora, as pessoas começam a procurar por outros modos para viver. Quando muita gente não tem dinheiro, também cresce o interesse por saber como viver sem ele.

Escambo
Quem também optou por uma vida sem dinheiro foi a família alemã Fellmer. Para protestar contra o que eles chamam de sociedade de consumo, o jovem casal Raphael e Nieve decidiu viver apenas de escambo, ou seja, trocando suas habilidades por coisas primordiais para a sobrevivência. O aluguel de um pequeno porão em Berlim, por exemplo, é pago com serviços domésticos, como cuidados com o jardim e reparos na residência principal.

Raphael conta que sua intenção não é convencer as pessoas a viver sem dinheiro, mas inspirá-las a enxergar no que estão pecando pelo excesso para que façam as mudanças que melhor se encaixem em suas vidas. Para disseminar sua mensagem, o ativista criou um site, o Forward the (R)evolution, em que fala a respeito do problema dos resíduos sólidos e do consumo.

Nascido em uma família de classe média alta alemã e formado em Estudos Europeus, Raphael só usa dinheiro quando não encontra alternativa. Recentemente o casal utilizou o “vil metal” para o pagamento dos exames pré-natal de Nieve, que deu à luz a pequena Alma.

Também alemã, Heidemarie Schwermer, de 70 anos, decidiu viver sem dinheiro há quase duas décadas. No começo, a ideia era que a experiência durasse apenas 12 meses, mas, assim como aconteceu com o administrador Mark Boyle, a vida sem dinheiro se mostrou muito mais interessante. “Foi uma grande libertação”, afirmou em entrevista à BBC. “O melhor é a sensação de abertura. Não sei o que acontecerá à noite, nem na manhã do dia seguinte. Não sinto medo, e sim uma grande curiosidade.”

A experiência deu origem a três livros, cujos lucros foram doados a instituições de caridade e à produção do documentário “Vivendo Sem Dinheiro”, exibido em 30 países.

Professora e psicoterapeuta, Heidemarie sempre teve uma vida confortável, e chegou a ter mais de um carro na garagem. No entanto, ao perceber que sua vida era regida muito mais pelo ter do que pelo ser, vendeu a casa, cancelou as contas no banco e dividiu o dinheiro entre os filhos. Os móveis foram oferecidos a vizinhos e amigos, e fez doações aos mais necessitados.

A partir de então, começou trocando coisas: oferecia seus serviços, desde limpar casas até ajudar as pessoas com problemas pessoais, em troca de teto e comida. Agora ela diz que não se trata exatamente de trocar, mas simplesmente compartilhar. "Dou o que quero dar e me dão o que eu preciso. Muita gente tem problemas ou está sozinha. Eu as escuto e as ajudo a pensar sobre o que querem fazer com suas vidas”, diz ela. "É verdade que são os outros que ganham salários para pagar o que eu como, mas eu também trabalho todos os dias. Faço coisas para as pessoas. No mundo ocidental há muitas pessoas que se sentem isoladas, e eu as ajudo com minha presença. Posso ser uma mãe, uma irmã, uma amiga, o que precisarem."

FREECONOMY
O portal Freeconomy conta hoje com 45.414 membros em 171 países, 545.449 habilidades, 112.043 ferramentas e 716 espaços. Mas mais do que criar um site, o desejo de Mark Boyle é formar uma comunidade em que as habilidades das pessoas sejam capazes de garantir a mesma segurança que o dinheiro traz. O ativista defende que as pessoas precisam de dinheiro para ter o que comer, para pagar por um tratamento médico ou até mesmo para comprar uma cadeira.

Porém, se puderem viver em uma comunidade na qual um dos moradores possa prestar serviços médicos, outro possa plantar e produzir alimentos e um terceiro saiba produzir uma cadeira, não será preciso ter dinheiro. “Não acho que devamos apenas trocar habilidades. A intenção não é que eu só ganhe a cadeira se fizer algo para a pessoa que sabe confeccioná-la. Minha ideia é que as pessoas passem a confiar mais umas nas outras e comecem a se ajudar e trocar favores, sem esperar nada em troca, mas com a certeza de que sempre haverá alguém disposto a ajudá-las, por pura bondade.”

A comunidade alternativa Freeconomy adota os seguintes princípios:
1) Não precisamos do dinheiro para sobreviver, podemos compartilhar habilidades e conhecimentos práticos em vez de dinheiro e produtos;
2) Dar sem esperar nada em troca, criando laços afetivos com sua comunidade;
3) Caso você não decida viver de forma tão radical, prefira produtos naturais de pequenos produtores da sua comunidade local em substituição aos das grandes corporações.


domingo, 28 de julho de 2013

Informação é Revolução

Título original: INFORMACIÓN ES REVOLUCIÓN


Luis Britto García

1
En su antiutopía Nosotros, Evgeny Zamiatin imagina un mundo de rascacielos con paredes, techos y pisos de cristal, donde ningún acto pasa desapercibido para los demás. En 1984, de George Orwell, ubicuas pantallas de televisión inapagables  nos espían. El utilitarista liberal Jeremy Bentham hizo construir el Panoptikon,  cárcel  aterradora en la cual todas las celdas pueden ser vigiladas por un solo guardia desde un punto de vista privilegiado. Somos reclusos de esas pesadillas: ninguno de nuestros actos puede ser ya ocultado ante observadores que nos escrutan detrás de espejos impenetrables. Saber es poder. Los espías conocen todo de nuestras llamadas telefónicas,  correos, ingresos, gastos, hábitos de consumo,  ideas, enfermedades,  relaciones,  ubicación. Micrófonos ultrasensibles podrían captar el monólogo interior que vocalizamos incluso cuando no hablamos, vale decir, nuestro pensamiento. Analizadores del ritmo cardíaco, del lenguaje corporal y de la expresión podrían acceder incluso a aquello de lo que no somos conscientes.  Este flujo de información es unilateral. Espiar es poder. La guerra contra el terrorismo nos ha llevado al terror total.
2
Desde el siglo XIX, todas las legislaciones garantizan la inviolabilidad de la correspondencia. En la actualidad, gobiernos y empresas no sólo se atribuyen el derecho de conocer el contenido de los mensajes que  cursan o interceptan: también el de utilizar, publicar y registrar los datos obtenidos. Facebook y otras redes sociales pretenden tener la propiedad intelectual de cuanto circula por ellas. Es como si los transportistas se declararan dueñas de toda la mercancía que mueven. En su carrera por confiscar los medios de producción, el capitalismo confisca la información.
3
¿Para qué se aplica este control? Un manejo tan total o totalitario de la información permitiría erradicar  el crimen organizado, el mercadeo de productos dañinos para la salud, el tráfico de armas, la corrupción política, los delitos bancarios, la evasión tributaria, el tráfico de personas, la explotación laboral, el lavado  de capitales, los paraísos fiscales, el monopolio de los alimentos, los falsos pretextos para las guerras, tales como la imaginaria construcción de armas de destrucción masiva.  Si tales lacras persisten, es porque el espionaje no las impide: las posibilita y asegura su impunidad. Por eso las inhumanas persecuciones contra Assange, contra Snowden, contra todos los que rompen aunque sea incidentalmente el monopolio del misterio. El espionaje no viola el secreto: lo crea. Todos los que armaron sistemas de espionaje terminaron siendo sus prisioneros. Tras el cristal impenetrable, presidentes, financistas, sicarios son más espiados que nosotros por amos que permanecen en la tiniebla.
4
El temor de revelar miserias domésticas llevó a la burguesía a valorar  la privacidad. El miedo a la policía indujo a los revolucionarios a no revelar ni a palos sus contactos. Hoy en día nada se recata. Todos aspiran al cuarto de hora de celebridad que prometió Andy Warhol. El presidente Obama recomendó a los jóvenes cautela con lo que colgaban en sus redes sociales. Pero ¿qué revela este ubicuo fisgoneo? Abrir  páginas web es acceder a vitrinas impúdicas donde los usuarios exhiben desde  pertenencias hasta  perversiones. Una mirada crítica revela que el retrato del usuario es fotoshop, que sus supuestas posesiones son corta y pega, que su lista de amigos consta de centenares de personas que no lo conocen. El narcisismo digital infla los archivos de los espías con terabytes de propiedades y relaciones inexistentes. No estamos lejos del mundo ficticio anunciado en The Matrix.  Como sus víctimas, los espías informáticos viven en un universo ilusorio.
5
En pasados tiempos turbulentos debí entrar en la clandestinidad. Desde hoy, debe hacerlo toda la humanidad. Ello requeriría prudencia elemental. Usar con limitación extrema los medios de comunicación. Disfrazar lo que por ellos se comunica. Saber que siempre podemos estar ante un espía, un micrófono o una cámara ¿O por el contrario, debemos actuar con el total desenfado de quien nada tiene que ocultar? Una encuesta demostró que 67% de los estadounidenses aprueban que Snowden haya revelado información secreta del gobierno de Estados Unidos. También confirma que esa mayoría no aprueba el secreto, ni el contenido de la información. Son los espías y sus sicarios los inconstitucionales, los ilegales, los antidemocráticos, los secretos. Su poder consiste en obligar a ocultarnos. Que se escondan ellos.
6
Si conozco las cartas de mis oponentes y ellos ignoran las mías puedo barrerlos. El acceso privilegiado a la información es el principal medio de producción. Rotschild multiplicó su fortuna con un sistema privado de correos que le permitió conocer antes que todos  en Inglaterra la derrota de Napoleón en Waterloo. Como el capital y el poder, la información tiende a concentrarse en pocas manos. Si el poder corrompe, la información absoluta corrompe absolutamente.  Las empresas de Estados Unidos ganaron sistemáticamente a las europeas en todas las licitaciones conociendo de antemano sus cotizaciones gracias al sistema de espionaje de Internet llamado Echelon. El espionaje exacerba la guerra de clases entre una minoría de monopolistas del conocimiento y el inmenso proletariado seudoinformado, la guerra entre imperios superinformados y países subinformados. La concentración de información replica  exactamente la de capital ¿Llegará el momento en que las inmensas mayorías de desinformados expropien a la ínfima minoría de informados?  El acceso a la información es  revolucionario.

(FOTOS/TEXTO: LUIS BRITTO)
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sábado, 27 de julho de 2013

ONU acusa Brasil de desalojar pessoas à força por conta da Copa e Olimpíadas

Raquel Rolnik, relatora especial da ONU, solicitou ao
Governo que adote planos para garantir legados.
Da EFE, Genebra


A relatora especial da ONU para a Moradia Adequada, Raquel Rolnik, acusou nesta terça-feira as autoridades de várias cidades-sede da Copa do Mundo e do Rio de Janeiro, que receberá as Olimpíadas, de praticar desalojamentos e deslocamentos forçados que poderiam constituir violações dos direitos humanos.

"Estou particularmente preocupada com o que parece ser um padrão de atuação, de falta de transparência e de consulta, de falta de diálogo, de falta de negociação justa e de participação das comunidades afetadas em processos de desalojamentos executados ou planejados em conexão com a Copa e os Jogos Olímpicos", avaliou.

Raquel destacou que os casos denunciados se produziram em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza.

A relatora explicou que já foram feitos múltiplos despejos de inquilinos sem que se tenha dado às famílias tempo para propor e discutir alternativas.

"Foi dada insuficiente atenção ao acesso às infraestruturas, serviços e meios de subsistência nos lugares onde essas pessoas foram realojadas", afirmou Raquel.

"Também estou muito preocupada com a pouca compensação oferecida às comunidades afetadas, o que é ainda mais grave dado o aumento do valor dos terrenos nos lugares onde se construirá para estes eventos", acrescentou a relatora.

Raquel citou vários exemplos, como o de São Paulo, onde "milhares de famílias já foram evacuadas por conta do projeto conhecido como 'Água Espraiada', onde outras dez mil estão enfrentando o mesmo destino".

"Com a atual falta de diálogo, negociação e participação genuína na elaboração e implementação dos projetos para a Copa e as Olimpíadas, as autoridades de todos os níveis deveriam parar os desalojamentos planejados até que o diálogo e a negociação possam ser assegurados".

Além disso, a relatora solicitou ao Governo Federal que adote um "Plano de Legado" para garantir que os eventos esportivos tenham um impacto social e ambiental positivo e que sejam evitadas as violações dos direitos humanos, incluindo o direito a um alojamento digno.

"Isto é um requerimento fundamental para garantir que estes dois megaeventos promovam o respeito pelos direitos humanos e deixem um legado positivo no Brasil", finalizou.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Como o governo transforma metade da população brasileira em classe média

Título original: Governo define que classe média tem renda entre R$ 291 e R$ 1.019


O governo brasileiro já tem uma nova definição para a classe média brasileira. Considerando a renda familiar como critério básico, uma comissão de especialistas formada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República definiu que a nova classe média é integrada pelos indivíduos que vivem em famílias com renda per capita (somando-se a renda familiar e dividindo-a pelo número de pessoas que compõem a família) entre R$ 291 e R$ 1.019.
"Quem tiver renda per capita nesse intervalo será considerada classe média", disse Ricardo Paes de Barros, secretário de Ações Estratégicas da SAE, na noite desta terça-feira, em São Paulo. Segundo ele, a definição de classe média foi finalizada após análises de propostas com mais de 30 alternativas, feitas em quatro reuniões da equipe técnica da secretaria e mais duas da equipe de avaliação.
Dentro dessa definição, a comissão dividiu a classe média em três grupos: a baixa classe média, composta por pessoas com renda familiar per capita entre R$ 291 e R$ 441, a média classe média, com renda compreendida entre R$ 441 e R$ 641 e a alta classe média, com renda superior a R$ 641 e inferior a R$ 1.019.
"Isso é um ativo para a sociedade brasileira. A classe média do País representa mais da metade da população. Tendo uma definição padrão, que seja aceita por todo mundo, isso vai facilitar muito toda a discussão sobre o que pensa, o que quer, o que espera, o que faz e qual o padrão de consumo dessa nova classe média", disse Barros.
Segundo a comissão, para chegar a essa definição a secretaria levou em consideração o padrão de despesa das famílias e os gastos com bens essenciais e supérfluos. Também foi usado como critério o grau de vulnerabilidade, ou seja, da probabilidade de retorno à condição de pobreza.
Após a definição, a comissão estuda agora aplicar políticas públicas voltadas para essa classe média. A ideia é fazer com que se diminua a rotatividade de emprego entre os trabalhadores formais, aumentando a capacitação profissional. "Queremos estimular relações de trabalho de mais longa duração", explicou.
Segundo Barros, além da qualificação dos trabalhadores, o governo também estuda promover políticas públicas que estimulem, por exemplo, a poupança. "Já estamos trabalhando em políticas de qualificação continuada para trabalhadores ocupados, expansão das possibilidades de microsseguros, educação financeira e outras políticas voltadas para os diferentes segmentos da classe média", disse.
De acordo com o ministro da SAE, Moreira Franco, a próxima etapa do trabalho da comissão será a de criar ferramentas que possam interagir e estimular o debate e a reflexão sobre essa definição. Uma das primeiras ferramentas será a criação de uma pesquisa chamada Vozes da Classe Média, que pretende fazer um levantamento sobre as aspirações e o comportamento das pessoas que fazem parte desse grupo social.


Fonte: Portal Terra, 29 de maio de 2012.

Para cientista político, a Igreja Católica "dormiu no ponto"


Confira na íntegra entrevista atualíssima do cientista político, professor da PUC-SP, Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida, exibida parcialmente pela TV Estadão ontem (23.07.2013) à noite.
Na entrevista, Lúcio Flávio ressalta as ações dos papas João XXIII e João Paulo II em suas respectivas épocas, mas que são necessárias novas mudanças para se adequar aos tempos atuais, analisando sempre as questões eclesiásticas à luz da política atual.
Vale ver!
Em tempo: o Lúcio Flávio estará em Vitória da Conquista, participando de dois eventos, no final de agosto:
1) Estará no X Colóquio Nacional e III Internacional do Museu Pedagógico, fazendo sua conferência de abertura, intitulada " A marola veio de dentro: protestos populares e contradições do capitalismo brasileiro em tempos de neonacional-desenvolvimentismo", no dia 28/08/2013; e no Evento de Extensão do GEILC (Ideologia e Memória no campo das lutas de classe), desta vez debatendo o tema "Produção científica e produção/reprodução capitalista: análises marxistas", dividindo uma mesa com o professor da Unicamp José Claudinei Lombardi.

Os direitos do Papa e os meus direitos

por Maíra Kubik
23 de Julho de 2013

"Basta de rosários em nossos ovários"


A Igreja Católica é uma instituição legítima da nossa sociedade. O Papa tem todo o direito de vir ao Brasil e ser recebido como chefe de Estado. Afinal, ele comanda um país, o Vaticano. Ele pode passear pelo Rio de Janeiro da maneira como bem entender, de carro aberto ou fechado, e se reunir como achar melhor com seus milhões de seguidores jovens – sim, vou ignorar aqui o debate sobre como e com que dinheiro a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foi organizada.
Mas o Papa não tem direito a tudo e sobre todxs. Ele não pode, por exemplo, espalhar por aí uma cartilha apontando que famílias homoparentais não são propícias ao desenvolvimento de uma criança. Muito menos afirmar que só é possível ser menino ou menina de acordo com o sexo designado ao nascer. Com isso ele está simplesmente ignorando todas as pessoas trans* do mundo e dizendo que elas não são, em última instância, seres humanos.
O manual da JMJ pergunta: “Recusar a adoção aos homossexuais não representaria homofobia?” E a resposta é: ”Não, porque a questão é outra. Ter um filho não é um direito!”.
Pois bem, resposta errada. Isso é sim homo-lesbo-transfobia.
Para mim, também é criminoso pregar contra o uso de preservativos em um mundo assolado por doenças sexualmente transmissíveis que podem levar à morte. Assim como acusar de assassinato as milhões de brasileiras que anualmente interrompem de maneira voluntária gestações indesejadas. Ao invés de debater isso como uma questão de saúde pública, a criminalização do aborto só empurra as mulheres cada vez mais para a clandestinidade, colocando suas vidas em risco.
Em 2010 eu pedi minha excomunhão da Igreja. Escrevi uma carta ao então Papa Bento XVI explicando que havia sido batizada involuntariamente ainda criança e que, já adulta, não tinha nenhum acordo com essa doutrina. Nunca obtive resposta.
De qualquer maneira, eu nunca poderia me considerar vinculada a uma instituição que, sob a desculpa de pregar o amor, só estimula a intolerância. É uma pena que vamos ter que aguentar isso a semana inteira.


Conheça 7 motivos para detestar o McDonald’s








Desde a exploração nefasta de trabalhadores, passando por um marketing assustador e predatório voltado às crianças, até a utilização da “gosma rosa” na fabricação de alimentos, uma substância considerada ilegal para consumo humano. Confira a seguir os sete piores fatos sobre o McDonald’s

Por Lauren Kelley, do site AlterNet.
Tradução: Socialista Morena

1. Quer que os empregados trabalhem em feriados sem pagar hora extra.

O McDonald’s possui uma longa história de práticas trabalhistas nefastas, mas esta é especialmente avarenta: a empresa mantém suas franquias abertas no Dia de Ação de Graças (feriado nos EUA) e no Natal. Pior: os empregados que trabalham nestes dias não recebem hora extra. De acordo com um porta-voz da empresa, “quando nossas lojas ficam abertas em feriados, a equipe voluntariamente se oferece para trabalhar. Não há pagamento extra”. Mark E. Anderson do Daily Kos fez alguns cálculos e descobriu que o McDonald’s faturou 36 milhões de dólares extras por permanecer aberto no Dia de Ação de Graças. Anderson lembra que “já é ruim o suficiente que o McDonald’s pague péssimos salários, mas eles vão além e conseguem não pagar extras para funcionários que abrem mão de suas folgas para que a empresa ganhe milhões de dólares”. Uau.

2. Os empregados não são bem pagos em geral.

Não receber hora extra por trabalhar em feriados já é péssimo, mas ganhar mal durante o ano todo é uma realidade para os trabalhadores do McDonald’s. Como Sarah Jaffe escreveu no Atlantic recentemente, “o termo McJob virou sinônimo de tudo que é errado nos empregos mal pagos do setor de serviços da economia americana”, porque, “não importa o trabalho que você tenha, será melhor do que trabalhar num restaurante de comida fast-food”. E, claro, o McDonald’s é a maior rede de fast-food existente.
Este fato resume o problema: um empregado comum do McDonald’s teria que trabalhar um milhão de horas –ou mais do que um século– para ganhar o mesmo que um CEO da empresa recebe em um ano (8,75 milhões de dólares). A boa notícia é que os trabalhadores do ramo de fast-food, inclusive empregados do McDonald’s, recentemente começaram a se organizar para reivindicar melhor tratamento e melhores salários.

3. Seu marketing voltado às crianças é “assustador e predatório”

Dois anos atrás o grupo Center for Science in The Public Interest anunciou a intenção de  processar o McDonald’s por seu “assustador e predatório” marketing voltado ao público infantil. Em sua carta, o CSPI comparou o McDonald’s “àquele estranho no parquinho que oferece balinhas para as crianças” e disse que a empresa usa “marketing injusto e enganoso” para “atrair crianças pequenas”.
“O ambíguo enfoque do marketing direcionado a crianças pelo McDonald’s pode ser visto em um recente press-release que diz que a promoção da empresa baseada no filme Shrek “irá encorajar as crianças a ‘deshrekizar’ seu McLanche Feliz ao redor do mundo com opções de menu como frutas, vegetais, leite e sucos naturais”. Na realidade, entretanto, o ponto principal da promoção Shrek é conseguir atrair crianças ao McDonald’s, onde elas acabarão escolhendo as opções menos saudáveis e comendo refeições calóricas.”

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Não é a primeira vez que o McDonald’s fica sob fogo cerrado pelo uso de brinquedos do McLanche Feliz para atrair crianças como consumidores, e, como a empresa é o distribuidor de brinquedos número um do mundo, certamente não será a última.
(No Brasil, o instituto Alana vem lutando para proibir o McDonald’s de distribuir brinquedos junto com o McLanche Feliz. Um projeto proibindo a associação entre brinquedos e sanduíches já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado.)

4. Tem uma salada mais gordurosa do que um hambúrguer com fritas e a granola menos saudável do planeta.

O McDonald’s lançou uma salada Caesar mais gordurosa que um hambúrguer com fritas. O Daily Mail noticiou que, “com os temperos e os croutons, a salada contém 425 calorias e 21,4g de gordura, comparada com as 253 calorias e 7,7g de gordura de um hamburguer comum”. Adicionando uma porção de fritas a seu hambúrguer, as calorias somam 459 –ainda assim com menos gordura do que a salada (16,7g). Impressionante.
Mais recentemente, a granola (que vem junto com o iogurte) –outra opção “saudável” do menu– foi criticada por não ser nada boa para você. Mark Bittman escreveu no New York Times que a granola da empresa não é nada além de “junk food cara” (você pode fazer granola realmente saudável em casa com pouquíssimo dinheiro). Ele continua: “uma descrição mais acurada do que ’100% cereal integral natural’, ‘passas macias’, ‘doces cranberries’ e ‘maçãs frescas crocantes’ poderia ser ‘aveia, açúcar, frutas secas açucaradas, creme e 11 estranhos ingredientes que você nunca teria em sua cozinha’.”

5. Os hambúrgueres não se decompõem.

Quem pode esquecer que há um par de anos uma mulher deixou sobre a mesa por seis meses um hambúrguer e fritas do McDonald’s apenas para descobrir que o lanche não se decompõe?
Se você acha que é lenda, um pesquisador descobriu que os hambúrgueres do McDonald’s de fato podem estragar sob certas circunstâncias, mas em geral eles não se decompõem por si próprios. Segundo ele, “o hambúrguer não estraga porque seu pequeno tamanho e superfície relativamente grande ajudam a perder umidade. Sem umidade, não há mofo ou crescimento de bactérias”. Basicamente, o hambúrguer vira carne seca antes de se decompor. Ou seja, não é uma questão de químicas nojentas no hambúrguer que o mantêm intacto, mas ainda assim é uma gororoba.

6. O McDonald’s usou “gosma rosa” por anos.

“Gosma rosa” usada pelo Mcdonald’s na fabricação de alimentos.
(Foto: divulgação)
Há pouco tempo vimos e ficamos horrorizados com esta imagem:
Trata-se de “pink slime” (“gosma rosa”), uma substância derivada de partes mecanicamente separadas de frango que durante anos foi utilizada para fazer os nuggets do McDonald’s, pelo menos nos EUA; no Reino Unido, a substância é considerada ilegal para consumo humano. (Recentemente, graças a ativistas, a ‘gosma rosa’ foi banida do lanche ESCOLAR nos EUA)
A boa notícia é que, uma vez que a imagem começou a circular, o McDonald’s foi forçado a descontinuar o uso da gosma rosa. (A empresa garante que a indignação pública não teve nada a ver com a decisão.)

7. O McDonald’s está em toda parte.

Você pode tentar o que for, mas não escapará do McDonald’s. Nos EUA, o único lugar onde você pode estar a 100 milhas de um McDonald’s é um deserto na fronteira entre o Oregon e Nevada.

Fonte: Pragmatismo Político, postado em: 10 jan 2013.

Chacina da Candelária completa 20 anos de impunidade

Massacre, ocorrido em 23 de julho de 1993, resultou na morte de 8 crianças e adolescentes moradores de rua. Quatro PMs chegaram a ser presos, mas cumpriram apenas parte da pena.

 Vivian Virissimo,
do Rio de Janeiro (RJ)
23/07/2013

Nesta terça-feira (22), o massacre que marcou as escadarias da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro (RJ), com o assassinato de 8 crianças e adolescentes moradores de rua, completa duas décadas. As mortes ocorreram durante uma ação policial, no dia 23 de julho de 1993, quando cerca de 70 crianças e adolescentes que dormiam nas proximidades do templo foram alvejadas por policiais civis e militares. Quatro PMs chegaram a ser presos, mas cumpriram apenas parte da pena.
Para lembrar o episódio, na sexta-feira (19), centenas de pessoas participaram de uma missa na igreja e fizeram uma passeata pela avenida Rio Branco até a Cinelândia. “Esquecer é uma forma de permitir que aconteça novamente. Lembrar é reagir”, disse Patrícia de Oliveira, irmã de Wagner dos Santos, um dos sobreviventes da chacina.
“A polícia age assim porque muitos deles sabem que poderão cometer crimes e não serão punidos”, conclui Patrícia, que também faz parte da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência. Até maio deste ano, por exemplo, foram registrados 101 homicídios decorrentes de intervenção policial no Rio de Janeiro, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do estado.

Confira abaixo entrevista concedida ao Brasil de Fato por Patrícia de Oliveira, integrante da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência:

Brasil de Fato - O seu irmão Wagner dos Santos é um dos sobreviventes da Chacina da Candelária. O depoimento dele ajudou a indiciar os policiais que sofreram processo. Como é a vida dele?
                              
Patrícia de Oliveira – Ele foi a pessoa que possibilitou a criação do Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita). Na época, não existia nada que pudesse proteger testemunhas. Essa proteção ocorreu depois de atentado sofrido na Central do Brasil. Ele levou 4 tiros na Candelária e 4 depois na Central do Brasil. Agora ele mora fora do Brasil há 19 anos, tem vários problemas de saúde em decorrência desses tiros. A vida dele é bem complicada.

Na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a Pastoral da Juventude vai discutir o extermínio da juventude pobre no Brasil. Como você vê essa situação?

Realmente tem acontecido esse extermínio da juventude, principalmente a juventude negra. As nossas autoridades deveriam ter colocado a Candelária no roteiro de visitas do papa, mas, infelizmente, eles querem passar longe desse assunto. Isso se explica porque mostrar a história da Candelária ao Papa é admitir que acontece esse tipo de coisa no Brasil. Sem dúvida, é mais fácil para eles dizerem que são apenas fatos isolados. No mês passado, moradores da Maré também foram assassinados após confronto com a polícia. Também temos o caso de Vigário Geral, Acari e Borel.

Na sua visão, o que leva a polícia carioca a agir dessa forma?

A polícia age assim porque muitos deles sabem que poderão cometer crimes e não serão punidos. Apenas meia dúzia vai para cadeia. Isso é dito, inclusive, pelos próprios comandantes. O povo é tratado pela polícia como se fosse inimigo, como se não fosse cidadão. Um exemplo claro disso são as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), onde os policiais fazem a distinção entre cidadãos e favelados.

Os policiais que participaram da chacina estão atualmente em liberdade. Como você avalia essa situação?

Eles cumpriram a pena estipulada e tiveram progressão de regime. Mas a impunidade não é referente somente aos policiais. A impunidade abrange o descaso do governo que não tem nenhuma política voltada à criança e ao adolescente em situação de rua. Outro descaso do governo é não deixar funcionar o Conselho da Criança e do Adolescente como deveria: é um órgão no qual falta funcionário e verba. (colaborou Simone Freire, da Redação)

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