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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Receita de R$ 27,5 bilhões da Oi em 2012 se refere apenas a serviços

Enquanto a Oi faz de conta que presta um bom serviço e a Anatel faz de conta que regula tais serviços, o grande capital se locupleta e "enche suas burras" com o dinheiro do consumidor. Aqui a única coisa que não é faz de conta é a exploração desenfreada e respeitosa das grandes corporações. Devia mudar o nome do país para Sitio do Pica Pau Amarelo (Almoço das Horas).
por Fernando Torres

O dado antecipado e não auditado de receita divulgado na noite de hoje pela Oi, de R$ 27,5 bilhões em 2012, se refere apenas às vendas de serviços da operadora de celular, sem incluir o faturamento com a venda de aparelhos, esclareceu a companhia.
A meta da companhia para o ano passado era ter receita líquida de R$ 28,9 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão de aparelhos - que como são subsidiados, dão margem negativa.
Quando apresentou os resultados do terceiro trimestre, a Oi havia informado que a receita com aparelhos ficaria entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões abaixo do inicialmente projetado. Ainda assim, na ocasião a empresa não quis revisar a projeção de receita líquida total de R$ 28,9 bilhões, por conta das vendas de Natal.
A divulgação dos números oficiais para o ano fechado está prevista para 18 de fevereiro.

"Camponeses do Araguaia – A Guerrilha Vista Por Dentro"

"Camponeses do Araguaia – A Guerrilha Vista Por Dentro" será exibido na TV Brasil dia 01/06 as 22:30 no programa Cine Nacional. Depoimentos e imagens de arquivo recontam a resistência armada.

Ocorrida entre 1972 a 1974, a Guerrilha do Araguaia é um episódio importante da história do Brasil. Na época da ditadura militar, a região em que a guerrilha ocorreu foi palco da maior resistência armada contra o regime ditatorial. O local recebeu um contingente militar comparável ao da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutou na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.
O movimento guerrilheiro, organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), resistiu porque conquistou o apoio dos camponeses que ali viviam. Para aniquilar a resistência, houve uma repressão brutal. Além dos guerrilheiros, os moradores foram alvo de torturas e assassinatos.
O documentário Camponeses do Araguaia – A Guerrilha Vista Por Dentro traz o depoimento de pessoas que foram vítimas da truculência da ditadura e hoje lutam para que o Estado reconheça os crimes cometidos e anistie os atingidos pela repressão. 
Ficha técnica:
Inédito.
73 min.
Ano: 2010.
Gênero: documentário.
Direção: Vandré Fernandes
Não recomendado para menores de 16 anos

Segue o link: http://tvbrasil.ebc.com.br/cinenacional/episodio/camponeses-do-araguaia-a-guerrilha-vista-por-dentro

Na 'cidade dos agrotóxicos', mais de 30% da população possui parente com câncer

Por Dario Aranda
Do Página/12
24 de maio de 2013    

Avia Terai é uma localidade com cinco mil habitantes, no centro geográfico de Chaco (nordeste argentino). A área urbana está, literalmente, rodeada de plantações de soja e girassol, que são fumigadas de dez a doze vezes por ano. Um estudo científico confirmou a denúncia de vizinhos: 31,3% da população destacada declaram que tiveram algum familiar com câncer.
Os altíssimos índices de câncer, e também de deficiência, repetiram-se em outras três cidades cercadas por campos transgênicos: Campo Largo, Napenay e La Leonesa. Foi o que revelou um estudo interdisciplinar, realizado durante um ano e patrocinado pelo Ministério da Saúde da Nação (Argentina). A pesquisa relaciona a causa das enfermidades com o modelo agropecuário.

“Relação entre o uso de agroquímicos e a condição de saúde”. Este é o nome da pesquisa, de 68 páginas, que contou com 2051 observações no território, utilizou dados oficiais e que foi realizada por seis médicos, licenciados em enfermagem e geógrafos.

Na entrada de Avia Terai existe uma empresa de sementes transgênicas (Mandiyú) e uma agroquímica (Ciagro), com campos experimentais. Chegando ao povoado, destaca-se uma pista de aviões para fumigação. Também está presente a multinacional cerealista Bunge, com carga-descarga de caminhões. Em Avia Terai, foram entrevistadas 390 pessoas sendo que, entre elas, 31,3% da população declararam ter contado com algum familiar com câncer, nos últimos dez anos.

“No Centro Integrador Comunitário (CIC) nos entregaram um censo realizado pelas próprias mulheres do povoado, que solicitam uma escola para deficientes. Somente entre os menores de 20 anos, da área urbana, contaram 101 crianças e jovens com deficiência”, destaca o trabalho.

Na localidade de Campo Largo, 10% das mulheres e 15% dos homens manifestaram ter algum tipo de deficiência e 29,8% reconheceram que tiveram familiares com câncer, nos últimos dez anos. Em Napenay, 20% dos homens manifestaram ter algum tipo de deficiência e 38,9% apontaram a existência de algum familiar com câncer. Em La Leonesa, região arrozeira, 27,4% da população declararam ter familiares com câncer.

“As quatro localidades caracterizadas como assentamentos, nas quais se desenvolve o modelo agroprodutivo, empregando os pacotes tecnológicos que incluem sementes transgênicas e o emprego de agroquímicos, têm respostas acima de 20%, chegando até 38%, ao mesmo tempo em que as duas localidades caracterizadas como pecuaristas chegam a valores muito baixos”, alerta a pesquisa.

Para o seu relatório epidemiológico, a pesquisa tomou como fontes de informação os estudos da Direção de Estatística Sanitárias, do Ministério da Saúde de Chaco, e o Registro de Tumores de Chaco, do Serviço de Neonatologia do Hospital Perrando e do Hospital 4 de Junho, além das próprias pesquisas no  território. E explicaram que priorizaram os casos de tumores e as malformações congênitas, pois “associam-se à exposição com agroquímicos”.

Os produtos de maior uso na área são endosulfan, clorpirifós, glifosato, paraquat, dimetoato, lambdaciaotrina, metamidofós, cipermetrina e carbendazim, entre outros.

O trabalho detalha uma bibliografia científica que adverte sobre as malformações e câncer nas áreas com uso intensivo de agrotóxicos, recorda que a aparição de ervas daninha resistentes fez com que “para sustentar a produtividade, sejam aplicadas quantidades cada vez maiores de agroquímicos”, e lembra que os mais atingidos são crianças e mulheres grávidas.

Alejandra Gómez, da Rede de Saúde Popular Ramón Carrillo, trabalha junto às populações fumigadas de Chaco e não duvida: “Continua-se priorizando a ‘produtividade’ e o rendimento do agronegócio, sem levar em conta os custos sociais e ambientais, nem a saúde e a vida. As leis não são cumpridas e o Estado continua ausente em matéria ambiental. Deve ficar claro que junto com o avanço da fronteira agrícola, avança o desmonte e as enfermidades na população”.

A pesquisa cita estudos científicos e afirma as consequências do modelo: “Redução da fertilidade masculina, enfermidades neurológicas, redução do crescimento, anormalidades fetais, fadiga crônica em crianças e Mal de Parkinson. Também está contribuindo enormemente para o aumento do índice de câncer, já que os resíduos de pesticidas estão entre as três maiores causas de câncer”.

No capítulo final, os pesquisadores afirmam que “é possível compatibilizar o desenvolvimento dos povos com a saúde e a educação, preservando o território para gerações futuras”, recorda a sentença judicial, que freou fumigações na localidade de La Leonesa, mas adverte que em muitas outras cidades “a população ainda continua esperando e, por isso, acreditamos que é necessário atuar de forma mais rápida diante das situações em que se prejudica a saúde”. Destaca que no país conseguiram “erradicar muitas enfermidades, que durante anos causaram mortes e postergaram”, e revela a razão da pesquisa: “Não queremos ficar silenciosos diante de novas ameaças”.

Fonte: MST

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Teoria das Vantagens Imperialistas

José Martins

Ao contrário do que dizem os economistas, quanto maior o conteúdo tecnológico das mercadorias exportadas pela China tanto menor o conteúdo de produção nacional e maior a presença de empresas estrangeiras nas exportações.
Embora o valor unitário agregado pelos 79 mil operários da fábrica da Foxcom, em Tai Yuan, norte da China, para montar anualmente 57 milhões de aparelhos iPod da Aple equivale – pelos cálculos de Powers[i] – a apenas a 10 dólares do valor agregado globalmente ao aparelho, nas estatísticas de comércio externo da China na alfândega dos Estados Unidos o preço de importação daquele mesmo aparelho iPod é contabilizado por 275 dólares.
Essa “distorção” ocorre porque grande parte do valor agregado das mercadorias chinesas exportadas não é efetivamente produzida na China. É apenas montada. É importante calcular os índices de conteúdo doméstico e externo nas mercadorias exportadas por um país, pois indicam: 1º - a qualidade do seu processo produtivo de capital; 2º - a possibilidade de alcançar um desenvolvimento científico e tecnológico similar ao das economias dominantes.

A ESPECIALIZAÇÃO IMPERIALISTA E SEU SEGREDO – O liberalismo econômico, ou economia do imperialismo, procura justificar a implantação da chamada “especialização vertical” no comércio externo das economias dominadas. Essa receita leva aos enclaves industriais, ou Zonas de Processamento de Exportações (ZPE), definidas pela OIT como “zonas industriais que oferecem incentivos especiais para atrair investidores estrangeiros, nas quais produtos importados sofrem algum tipo de processamento antes de serem (re) exportados novamente”.
Nova localização geográfica das linhas de montagem no território nacional: em geral na costa ou pequenas ilhas próximas do continente (Offshore, extraterritorial). Apartheid geográfico e econômico – indústria exportadora inorgânica à economia do país, a não ser com o Estado e com a população operária dos menores salários do mundo. Mesmo a maioria dos capitalistas chineses e administradores das subcontratadas (Foxcom, etc.) não são produzidos internamente – são “importados” de Taiwan, Hong Kong, Singapura, etc., para onde fugiram em 1949, derrotados pela revolução popular de Mao Tse Tung.
A “especialização vertical” é a forma imperialista atual de inserção da periferia nas cadeias globais de produção. O contrário, a “especialização horizontal”, dependia do envolvimento da produção interna e demais condições econômicas nacionais na produção da mercadoria a ser exportada – era a forma antiga de tentativa (inevitavelmente bloqueada pela ação imperialista) de inserção no mercado mundial. Predominou. grosso modo, até os anos 1970.
O que é letal para as economias dominadas: não existe meio termo entre a forma atual de exploração imperialista e a antiga. Em países com grande extensão territorial e populacional, como Brasil, Índia e Rússia, as burguesias nacionais e seus economistas ainda procuram uma maneira indolor de se inserir nas cadeias produtivas globais, sem virar mais uma Singapura tamanho família – e inventam na academia e alhures a doutrina do “neodesenvolvimentismo”, em que o mercado mundial e as cadeias globais de produção de capital são coisas naturais, seres da inovação tecnológica, políticas cambiais e outros fetiches.
A “especialização vertical” é a teoria das vantagens relativas de Ricardo – depois vulgarizada um pouco mais pela teoria da dotação de fatores da escola neoclássica – adaptada grosseiramente, agora, para a divisão internacional do trabalho especificamente capitalista. Procura esconder a natureza daquela “distorção” chinesa mencionada acima, imaginando vantagens relativas pela especialização em elevado conteúdo de insumos importados nas mercadorias exportadas, ou, equivalentemente, com elevado valor agregado externo materializado nas exportações – de acordo com o modelo, essa forma de engajamento das economias dominadas nas cadeias globais de produção/comércio seria altamente virtuosa, rápida disseminação do conhecimento e do controle pelo país de modernas tecnologias (efeito catch-up)[ii].
Entretanto, como todo autismo econométrico, o modelo da “especialização vertical” também é repleto de simplificações e hipóteses irreais. Para que o modelo funcione pressupõe-se que os insumos importados sejam realmente internalizados e integrados de forma equilibrada pela economia nacional; assim, o grau de utilização desses insumos é indiferente, absolutamente neutro, seja para a produção destinada à exportação, seja para a destinada às vendas internas.[iii]
Isso não é confirmado praticamente. Não faltam boas pesquisas – auxiliadas por modelos econométricos formulados para ajudar a desvelar a realidade econômica e não escondê-la – demonstrando que esses pressupostos básicos da teoria das vantagens imperialistas são claramente desmentidos pelo caso chinês. A “fábrica do mundo” é o caso mais emblemático devido exatamente ao generalizado Processing exports [processamento de exportação] no país – a produção nacional crescentemente enclausurada em centenas de zonas econômicas especiais e outras formas de enclaves econômicos. Verifica-se inicialmente, pela tabela abaixo, um resumo dessa metástase de ZPEs na economia mundial e a parte da China neste processo.
Em menos de dez anos (1997/2006) o número de ZPEs no mundo aumentou mais de quatro vezes, de 845 para 3500. E o emprego saltou de 22.5 milhões para 66 milhões de trabalhadores. Desse total, os 40 milhões de trabalhadores da China empregados em suas ZPEs correspondia em 2006 a mais de 60% do total mundial (66 milhões). É importante salientar que, em 2006, mais da metade das exportações chinesas são realizadas pelas ZPEs. Devido a essa predominância do processamento de exportações no comércio externo chinês, mais da metade das mercadorias importadas pelo país nos anos recentes entrou marcada com o carimbo para reexportação, o que obriga que elas não sejam consumidas internamente para não perder os incentivos tarifários.[iv]
Essa camisa de força tem um impacto negativo direto sobre a industrialização do país. Já vimos, no caso de uma mercadoria isolada (iPod), quanto do seu valor agregado é produzido no exterior e quanto é produzido na indústria doméstica. Vemos agora que também na totalidade das exportações chinesas mais da metade do valor agregado não é produzida no país.
Cálculos dos conteúdos nacionais e estrangeiros nas exportações das ZPEs confrontados com os das vendas internas e “exportações normais” – quer dizer, processadas fora das ZPEs – mostra que, entre 1997 e 2006, ocorreu um acréscimo de aproximadamente 6 pontos percentuais na participação do conteúdo estrangeiro nas vendas internas e exportações normais. Entretanto, na evolução das exportações das ZPEs, no mesmo período, observa-se que também foram utilizados mais insumos produzidos internamente em 2002 do que em 1997, com uma redução de insumos importados de aproximadamente 6 pontos. Mas a tendência foi interrompida e, em 2006, retorna ao mesmo nível de 1997. Simultaneamente, a tendência de elevação dos insumos externos nas exportações normais e vendas internas também foi interrompida entre 2002 e 2006.
A razão mais aparente para essa reversão do cenário é que a participação de empresas totalmente estrangeiras (cujas exportações têm a menor participação do conteúdo de valor agregado nacional) nas exportações chinesas aumentou dramaticamente de 29,4% para 39,3% entre 2002 e 2006.
Outra razão, mais fundamental: para compensar a forte queda da taxa de lucro das empresas globais na crise de 2000/2001, acelera-se o deslocamento de suas linhas de produção para economias de “baixo custo” e altas taxas de lucro. Mais decididamente para a China e outras miseráveis economias asiáticas, onde predomina a extração de mais-valia absoluta como forma de valorização do capital. Vejamos alguns números que ilustram esse processo.
As empresas globais comandam o espetáculo. Já em 2002, em 63 ramos listados no território chinês, pouco mais de dez ramos industriais centralizavam quase a metade das exportações chinesas de manufaturas e apresentavam uma participação de valor agregado nacional abaixo de 50%. São ramos que exportam as mercadorias tecnologicamente mais sofisticadas das exportações chinesas: computadores, equipamentos de telecomunicações, eletrodomésticos, aparelhos de comunicação, etc. Quanto maior o conteúdo tecnológico das mercadorias exportadas, menor o conteúdo nacional e maior a presença de empresas estrangeiras nas exportações do ramo. Essa é a realidade que desmente a propaganda da teoria das vantagens imperialistas.
Como se vê nos números acima, as características principais desses ramos que centralizam as exportações da “fábrica do mundo”:
1. As ZPEs são responsáveis por quase dois terços das exportações do país 2. O valor adicionado produzido internamente é minúsculo.
3. As empresas globais – dos EUA, Japão e Alemanha, principalmente – jogam um papel avassalador.
Portanto, a aparência de uma estrutura sofisticada de exportações com alta intensidade tecnológica na China é em grande medida uma enorme ilusão estatística, o que não deixa de ser aproveitado pelos seus economistas para a mistificação teórica sobre as vantagens da produção/comércio imperialista para evolução do processo de produção de capital no país.

Fonte: Núcleo de Educação Popular 13 de Maio - São Paulo, SP.

CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA
EDIÇÃO 1148/9– Ano 28; 3ª e 4ª semanas Maio 2013.
E-mail: criticasemanal@uol.com.br
Tel. (11) 92357060 ou (48) 96409331


[i] Powers, W.M. – The Value of Value Added: Measuring Global Engagement with Gross and Value-added Trade [O valor do valor agregado: medindo a participação global em termos de comércio bruto e de valor agregado] – U.S. International Trade Commission, Washington, DC. November 2012.
[ii] Veja esse tipo de apologia às virtudes das Export Processing Zones em UNIDO Industrial Development Report 2009, principalmente no capítulo What makes a special economic zone successful? [O que faz o sucesso da zona econômica especial?] e em RODRIK, Dani “What’s so special about China’s exports? [O que é tão especial nas exportações da China?] NBER Working Paper 11947, Cambridge. (2006)
[iii] Hummels, D., J. Ishii and K. Yi. – “The Nature and Growth of Vertical Specialization in World Trade,” [Natureza e Crescimento da Especialização Vertical no Comércio Mundial] Journal of international economics, 2001
[iv] Powers, W.M., idem. Veja também: Koopman, R.; Wei,S.; Wang,Z. – How much of Chinese exports is really made in China? Assessing foreign and domestic value-added in gross exports. [Quanto das exportações chinesas é realmente produzido na China? Calculando o valor agregado estrangeiro e doméstico nas exportações]. U.S. International Trade Commission, Washington, March 2008. A não ser quando indicado, utilizaremos doravante os dados destes dois excelentes trabalhos.

Gramsci no limiar do século XXI

A Editora Librum e a Navegando Publicações lançam o livro Gramsci no Limiar do Século XXI. O livro está no formato ebook. Em breve será lançado o formato impresso. Para acessar o ebook, basta entrar no site da Navegando. O download é gratuito. Autores: Carlos Zacarias de Sena Júnior, Dermeval Saviani, Edmundo Fernandes Dias, José Claudinei Lombardi (Org.), Leandro de Oliveira Galastri, Lívia Diana Rocha Magalhães (Org.), Paolo Nosella, Wilson da Silva Santos (Org.)

domingo, 26 de maio de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

Urnas eletrônicas: tema repleto de acusações, fraudes, ameaças e denúncias

Lígia Ferreira*

Tendo em vista a necessidade de informar a população, bem como o recrudescimento de críticas ao sistema eleitoral brasileiro em seu formato e procedimento atual, julgamos necessário um artigo que englobe tais temáticas, possibilitando, ao cidadão, a formação de uma concepção crítica, autônoma e consciente a respeito de tais métodos.
A Urna Eletrônica estava a ser idealizada, no Brasil, desde o período do regime militar, como proposta de facilitar a realização e a apuração das votações. A ideia se consolidou em 1990 e o primeiro pleito oficial no Brasil foi realizado em 1991. Após isso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a implantá-la por todo o país, sendo o sistema e as máquinas aprimorados e atualizados ao longos dos anos.
As urnas utilizadas no Brasil são as chamadas de primeira geração - isto é, usam um sistema denominado Direct Recording Electronic voting machines, ou simplesmente máquinas DRE: a confiabilidade da apuração dos votos depende da confiabilidade dos softwares nelas instaladas, impossibilitando, pois, uma auditoria dos resultados.
Apesar de inúmeras evidências em contrário, o TSE alega que esse sistema de votação é garantido com 100% de segurança, de modo que seria, portanto, motivo de orgulho e prestígio do Brasil perante diversos países do mundo. Isto é comumente corroborado por mídias em geral. No entanto, crescem discussões e manifestações a respeito do problema, questionando a real eficiência e segurança desse sistema.
Alguns casos começaram a eclodir nos últimos anos como, por exemplo, em Guarulhos - segundo maior colégio eleitoral do estado de São Paulo -, em que, segundo um matemático em entrevista para o jornal da Band, isto seria considerado praticamente impossível de ocorrer, nas eleições municipais de 2004: 79927 eleitores não votaram; 79927 votaram brancos e nulos; e outros 79927 justificaram. É, até mesmo para os mais ingênuos, de se desconfiar muito.

Outro caso, agora no município de Caxias - interior do Maranhão -, mostra candidatos que não receberam nenhum voto, nem eles mesmos ou a família haviam votado, segundo as urnas.

Além desses, há diversos outros casos de violação e manipulação da urna. Assista ao vídeo que mostra os casos citados e alguns outros:

Uma grande polêmica no ano passado foi quando um grupo da Universidade de Brasília (UnB) conseguiu, nos testes promovidos pelo TSE, violar a sequência de votos de uma urna eletrônica, colocando em dúvida o sistema de segurança.
Questionado em entrevista ao O Globo, na época, o ministro Ricardo Lewandowski, ex-presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, afirmou: “Foi dentro de um ambiente controlado. Isto, numa situação real, seria absolutamente impossível porque eles não teriam acesso à fonte; ao algoritmo e não teria como identificar a lista com os eleitores...O eleitor pode ficar tranquilo que não é uma quebra, pois esta não era uma situação real e não há como vincular a sequência de votação ao eleitor”.
Almicar Brunazo Filho, engenheiro pela Politécnica da USP, especialista em Criptografia e Inteligência Virtual, comentou o caso com o site Viomundo, desmentindo o afirmado pelo aludido ministro: “Uma vez ordenados os registros dos votos, há muitas formas de se coagir: basta aos fraudadores (que queiram coagir eleitores) anotar a ordem de votação dos eleitores e eles poderão identificar o voto de cada um (e depois co-relacionar com a hora nos arquivos de log que também são públicos): um voto de cabresto pós-moderno”.


Em relação ao acesso às fontes, dispara: “nos seis meses que antecedem as eleições regulares, é obrigatória por lei (art. 66 da Lei 9.504) a apresentação do código-fonte para o Ministério Público, OAB, partidos e demais interessados. Eu mesmo sempre tive acesso a esses códigos em todas as eleições desde 2000”. Ademais, relata que as urnas do modelo brasileiro (1ª Geração) foram proibidas e declaradas inconstitucionais na Holanda e na Alemanha.

A polêmica mais recente é a “confissão” de um jovem hacker de 19 anos que teria fraudado resultados nas últimas eleições por meio de acessos ilegais e privilegiados à intranet da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro.

No meio político, gerou polêmica o combate verbal travado pelo Deputado Chiarelli, no qual afirma, com veemência, que as urnas eletrônicas brasileiras são uma fraude, uma piada no exterior, além de acusar responsáveis pela criação e pela implantação. O parlamentar chega a insinuar que a morte de diversos políticos teria decorrido de suas denúncias, asseverando, inclusive, que o próprio estaria recebendo ameaças de morte:


“A Quadrilha das Urnas Eletrônicas”



“Deputado recebe ameaças de morte após denunciar que urnas eletrônicas brasileiras são uma fraude”


Neste ponto, recebeu apoio do deputado Capitão Assumção, para o qual as urnas eletrônicas seriam dominadas pelo crime organizado, de tal modo que, inclusive, um candidato que teria recebido mais de 65 mil votos não teria nenhum computado. Afirmou, ainda, que tais quadrilhas querem a cabeça daqueles que denunciam a situação atual:

Tal tema é, ainda, repleto de um nevoeiro de incongruências, "abafamentos", coações e estranhezas. É difícil adentrar neste estudo sem se deparar com absurdos e indignar-se com a displicência com a qual é o assunto analisado e retificado.

Nas próximas semanas, publicaremos mais artigos e pesquisas a respeito da temática, de modo a possibilitar que nossos leitores infiram e tirem suas próprias conclusões, a partir de uma concepção crítica e informada.

* Jornalista e estudiosa de mecanismos sociais.

Fonte:  Folha Política

"A cultura não está em crise, é a crise"

Umberto Eco, en el hotel NH Palacio de la Merced
 de Burgos. / CRISTOBAL MANUEL (EL PAÍS)

Título original: “La cultura no está en crisis; es crisis”


La Universidad de Burgos lo ha investido doctor ‘honoris causa’. En esta entrevista expone su visión de Europa, EE UU, la cultura y la (las) crisis

MARÍA ANTONIA SÁNCHEZ-VALLEJO
Burgos 23 MAY 2013

Umberto Eco (Alessandria, 1932) ha llegado a Burgos como el peregrino que remata su andadura en Santiago: con la sensación de haber cumplido una promesa. “Cuando tenía 20 años y preparaba mi tesis sobre estética medieval, veía que el modelo de los portales románicos que estudiaba eran las escenas del Apocalipsis de [las iglesias de] Castilla y León. Uno de los más bellos Apocalipsis se encontraba en Burgos, aunque ya no existe. Además, al escribir El nombre de la rosa tenía en mente la idea de un bibliotecario ciego también de Burgos, de Silos; es decir, todas mis fantasías han pasado por aquí”, cuenta satisfecho. El semiólogo recibió ayer en la Universidad de Burgos un doctorado honoris causa —“el 39º”, recuerda— en Historia Medieval. 
El escritor, autor de ensayos sobre cómics y de novelas exitosas como la citada, de 1980, o El péndulo de Foucault (1989) —ejemplos de lo que los críticos han dado en llamar, no sin reparos por la contradicción, best sellers cultos—, aparenta veinte años menos y apenas si utiliza un bastón para apoyarse; de hecho, arrastra más las erres que las piernas. La víspera ha estado trepando por las escaleras de un archivo burgalés “donde se encuentran ejemplares con más de mil años de antigüedad, y sin embargo nadie es capaz de decirnos cuánto nos va a durar un USB…” La conversación va de la ceca a la meca y vuelve a las andadas, del libro al ciberespacio; a juzgar por las continuas referencias informáticas, podría deducirse que si tuviera que reeditar su clásico Apocalípticos e integrados (1964), el célebre ensayo sobre la comunicación de masas, podría renombrarlo Apocalípticos y enRedados. De la Galaxia Gutenberg a la Galaxia Internet, el semiólogo italiano teje una sutil tela de araña plagada de referencias librescas y detalles tecnológicos y de actualidad a los que solo pone un coto: ni una palabra sobre política italiana o la crisis europea.

En Europa han muerto 40 millones de personas. Pero la comodidad de atravesar las fronteras sin papeles ha hecho olvidar todo eso”.
Cosa extraña esta última, porque su discurso está empapado de un entusiasta fervor europeísta, aunque no deja de reconocer la crisis de ideas (o la lucha de tópicos) actual. “Sí, Europa está dividida en dos estratos: uno superior con una profunda identidad europea; usted lo sabe todo sobre el Fausto de Goethe, nosotros todo sobre Don Quijote, tenemos una cultura común. He encontrado hace poco una página bellísima de Proust, en el último volumen de En busca del tiempo perdido, cuando cuenta desde París la guerra contra los alemanes y cómo bombardeaban estos la ciudad, y sin embargo los personajes, que sabían que podían morir bajo las bombas, escribían artículos sobre Schiller. La clase intelectual (francesa), al margen de la guerra, continuaba sintiéndose europea. Esto no sucede con personas de otro medio intelectual, que no han comprendido todavía que tienen la suerte, por primera vez en cincuenta años, de no estar matándose entre ellos. En Europa han muerto 40 millones de personas. Pero la comodidad de atravesar las fronteras sin papeles ha hecho olvidar todo eso”.

Para forjar más Europa, Eco reivindica fórmulas de intercambio como el Erasmus. “Ha sido una gran idea, no solo porque ha permitido conocerse, e incluso casarse, a europeos de distintos países, y permitirá crear en las próximas décadas una clase dirigente al menos bilingüe… Pero fuera de ese nivel es muy difícil. En un congreso de alcaldes europeos en Florencia, propuse para los trabajadores [municipales] un intercambio parecido al Erasmus, y salió un alcalde de Gales, y dijo: “Me la sopla que uno de los míos vaya a Ámsterdam; en todo caso a Londres… (risas)”.

Entre los oscurantismos de nuestra época, el medievalista destaca el racismo, aunque, como en todo, también en eso haya clases. “Es fundamental que la gente se encuentre entre sí en situaciones no conflictivas, el racismo se produce no cuando un español va a Turquía, sino cuando un turco viene a trabajar a España. El verdadero racismo es siempre el racismo del pobre contra el pobre, los ricos no son racistas porque no les afecta. Los pogromos fueron así, contra judíos, pero también contra los rusos más pobres. El problema es hoy el racismo debido a la inmigración, que no tiene nada que ver con la posibilidad de una educación europea. Si desaparece este sentido de la unidad europea estamos perdidos. Antes Europa podía contar con la ayuda de EEUU, hoy a Estados Unidos Europa se la sopla, ahora tiene sus problemas con China, con India… Europa tiene que arreglárselas sola”.

Hablando de Europa, resulta imposible sustraerse a la palabra crisis, aunque orille adrede lo político. ¿La crisis le sienta mal a la cultura, la perturba mucho o, al contrario, la espolea? “La cultura es una crisis continua. La cultura no está en crisis, es una crisis continua. La crisis es condición necesaria para su desarrollo”. ¿Y la mercantilización del producto cultural, o el riesgo de privatización del patrimonio? Es un fenómeno que en realidad tiene muchos siglos de antigüedad, recuerda Eco, en referencia al patrocinio privado de actividades culturales (la restauración del Coliseo romano por una firma de zapatos, o los palacios venecianos propiedad de grandes fortunas que exhiben su poderío y su logo): “Eso siempre ha existido. Virgilio era pagado por Augusto; Ariosto cobraba de un duque. De alguna manera, si yo hubiese vivido en el siglo XVII habría debido estado al servicio de un señor; hoy no, mi trabajo literario o docente me permite vivir. En este sentido, la cultura es hoy más libre. Todos los textos en el ochocientos se inician con una loa al señor, al rey, es como si hoy tuviese que encabezar todos mis libros con un elogio de Berlusconi (risas)… Es justo que una empresa colabore con fondos para restaurar el Coliseo de Roma…”

En sus múltiples escritos Eco ha dejado dicho que la verdadera felicidad es la inquietud por saber, por conocer. “Es lo que Aristóteles llamaba maravillarse, sorprenderse… La filosofía siempre comienza con un gran ohhh!” ¿Y el conocimiento es acaso como el viaje a Ítaca de Kavafis, un recorrido que no debe terminar jamás? “Sí, pero además el placer de conocer no tiene nada de aristocrático, es un campesino que descubre un nuevo modo de hacer un injerto; evidentemente, hay campesinos a los que esos pequeños descubrimientos procuran placer y a otros no. Son dos especies distintas, pero naturalmente depende del ambiente; a mí me inoculó el gusto por los libros de pequeño… Y por eso al cabo de los años soy feliz, y a veces infeliz, pero vivo activamente mientras que muchos viven como vegetales”.

Un bibliómano como Eco ha integrado la presencia de Internet en su vida diaria como en su día hiciera con el automóvil o el telefonino (que no suena ni una vez durante el encuentro): como un hecho consumado ni manifiestamente bueno ni todo lo contrario. “Internet es como la vida, donde te encuentras personas inteligentísimas y cretinas. En Internet está todo el saber, pero también todo su contrario, y esta es la tragedia. Y además si fuese todo el saber, ya sería un exceso de información… Si yo comienzo a estudiar en la escuela necesito un libro así [hace un apócope con las manos], no uno enorme, que no entenderé, a nadie se le ocurre darle la [Enciclopedia] Británica a un niño…”

Internet es una cosa y su contraria. Podría remediar la soledad de muchos, pero resulta que la ha multiplicado"
Como investigador, Eco utiliza Internet como lo que considera que debe ser, una herramienta, y no un fin en sí mismo. Por tanto, no augura conflictos de intereses -ni de espacios- entre lo virtual y la realidad tangible del papel, bien sea prensa o un volumen de mil páginas. “Se puede leer Guerra y paz en ebook, obviamente, pero si lo has leído hace diez años, y lo retomas, el libro objeto te mostrará los signos del tiempo y de la lectura previa… Releerlo en un ebook es como leerlo por primera vez. Es una relación afectiva, como ver de nuevo la foto de la abuela (risas)… El libro como objeto continuará existiendo, de la misma manera que la bicicleta sigue existiendo pese a la invención del automóvil; es más, hoy hay más bicicletas que hace unos años. Lo mismo podemos decir del fin de la radio por culpa de la televisión…”.

“Internet es una cosa y su contraria. Podría remediar la soledad de muchos, pero resulta que la ha multiplicado; Internet ha permitido a muchos trabajar desde casa, y eso ha aumentado su aislamiento. Y genera sus propios remedios para eliminar ese aislamiento, Twitter, Facebook, que acaban incrementándola porque relaciona con figuras muchas veces fantasmagóricas, porque uno cree estar en contacto con una bellísima muchacha que en realidad resulta ser un mariscal de la Guardia Civil… (risas)”.

El doctor honoris causa se despide recomendando una lectura de prensa casi con lápiz y papel. “Los periódicos han perdido muchísimas funciones. Por la mañana lo hojeo rápidamente porque las noticias principales ya me las ha contado la televisión, pero continúa siendo importante por los editoriales, por los análisis, y es fundamental no leer uno, sino al menos dos cada día. Se debería enseñar a leer periódicos a la gente, dos o tres, para ver la diferencia entre las opiniones, no para conocer las noticias, eso ya nos lo dice la tele”.

La televisión, esa tele vulgarizada hasta el extremo por obra y gracia de ese Berlusconi de quien sigue resistiéndose a hablar más que de pasada, pero que vino a ser, en versión embrionaria, la gran revolución sociocultural que Internet fue después. “La televisión en Italia ha hecho mucho bien a los pobres, les ha enseñado un nivel estándar de idioma, y mal a los ricos, que se quedaban en casa en vez de ir a un concierto. Y no hablamos de ricos o pobres en función del dinero que tengan, sino de ideas, de ganas. La televisión en Italia ha enseñado a hablar a masas de campesinos, obreros, en la Italia unificada. Internet es lo contrario: a los ricos que lo saben usar, les va bien; los pobres, que no lo saben usar, no tienen capacidad para distinguir”.


Fonte: El País

Violações aos Direitos Humanos na Colômbia

Título original: En 2012 se cometieron 2198 violaciones a los derechos humanos, seis casos por día y crecieron los “falsos positivos”

por Roberto Romero Ospina
24/05/2013


BOGOTA - ”Los ‘falsos positivos’ y el paramilitarismo son una misma cepa con una gran feracidad reproductiva”, dijo sin tapujos el Padre Javier Giraldo, en la presentación del informe sobre violaciones de derechos humanos en Colombia en 2012.
Giraldo es el Coordinador del Banco de Datos de Derechos Humanos y Violencia Política Centro de Investigación y Educación Popular CINEP que ya cumple 40 años elaborando estos reportes.
En la concurrida rueda de prensa de ayer jueves 23 de mayo, el jesuita que ha dedicado su vida a la defensa de las libertades, añadió que “el Estado quiere presentar su ventaja militar con la insurgencia a través de acciones que atentan contra los derechos humanos como los falsos positivos”.
El estudio da cuenta que no hay una curva descendente que persista sobre violaciones a los derechos humanos, y por el contario, persiste una línea fija de atentados.
Los datos revelados son espeluznantes según las cuentas que sacamos tras un recuento somero: el año que pasó se cometieron 2198 violaciones a los derechos humanos, es decir seis casos por día y de este total, 479 corresponden a atentados contra la vida.
Lo anterior significa que en 2012 fueron asesinados por la violencia política diez colombianos por semana, un promedio de 1.3 cada 24 horas. Tal vez no hay parangón en el mundo. Una verdadera catástrofe histórica que dura ya más de medio siglo. De estas violaciones 565 atañen a paramilitares, 268 a la policía y 187 al ejército.
Y en el caso de infracciones al Derecho Internacional Humanitario, 493 casos a los paramilitares, 347 a las FARC, 118 al ejército, 72 a la policía, 48 al ELN y 98 a combatientes.
El Padre Giraldo llamó la atención sobre el caso de los “falsos positivos” denunciando que al contrario de lo que dice el gobierno de Santos sobre 2012, estos no han desaparecido. “Nuestra investigación, dijo, registra 20 casos con 52 víctimas entre muertos, heridos y prisioneros el año pasado mientras en 2011 se presentaron 17 casos”.
El CINEP también fue enfático en señalar que se está desarrollando otra modalidad de “falsos positivos” que deben preocupar a la comunidad. Se trata de los “falsos positivos judiciales”, una suerte de procesos montados que conducen a la cárcel injustamente a decenas de inermes ciudadanos acusados de “acciones terroristas”.
El informe presenta ocho de estas situaciones como el sonado proceso contra el ex diputado del Valle, Sigifredo López, calumniado por un desmovilizado de las FARC.
El documento hace un recuento sobre las ejecuciones extrajudiciales en el periodo 2001-2012. En estos doce años, el total de víctimas suma 1416. Es decir, 118 “falsos positivos” cada año, que es lo mismo que una víctima cada tercer día.
La presentación de este cuadro, queriéndolo no, apunta inevitablemente a Juan Manuel Santos. De los 1416 sacrificados en los falsos positivos, 1036 pertenecen al periodo del actual presidente como ministro de Defensa (2006-2009). Más del 75% de los casos, en esos doce años, le corresponden tristemente.
Después de examinar el reporte del CINEP, dónde queda, entonces, el informe anual que el pasado 16 de abril entregó la Comisión Interamericana de Derechos Humanos CIDH, cuando decidió sacar a Colombia de la “lista negra” de países violadores de derechos humanos después de permanecer durante doce años seguidos.
 El panorama de los derechos humanos en Colombia, como se titulan los informes anuales del CINEP sobre derechos humanos y violencia política, es precisamente de noche y niebla.

Fonte: ANNCOL

Esses dados a Petrobrás nem o governo brasileiro divulgam


As aventuras de um assalariado


terça-feira, 21 de maio de 2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ziegler: “10 empresas controlam 85% dos alimentos”

Sociólogo lança livro "Destruição em Massa
 – Geopolítica da Fome". Foto: Rafael Stedil
e
José Coutinho Júnior
Da Página do MST

O sociólogo suíço Jean Ziegler, ex-relator especial para o Direito à Alimentação da Nações Unidas (ONU), denunciou que a fome é um dos principais problemas da humanidade, em um debate na última segunda-feira, em São Paulo.
- O direito à alimentação é o direito fundamental mais brutalmente violado. A fome é o que mais mata no planeta. A cada ano, 70 milhões de pessoas morrem. Destas, 18 milhões morrem de fome. A cada 5 segundos, uma criança no mundo morre de fome – disse Ziegler.
Na década de 1950, 60 milhões de pessoas passavam fome. Atualmente, mais de um bilhão.
- O planeta nas condições atuais poderia alimentar 12 bilhões de pessoas, de acordo com estudo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Não há escassez de alimentos. O problema da fome é o acesso à alimentação. Portanto, quando uma criança morre de fome ela é assassinada – completou.
Ziegler afirma que é a primeira vez que a humanidade tem condições efetivas de atender às necessidades básicas de todos. Depois do fim da Guerra Fria, mais especificamente em 1991, a produção capitalista aumentou muito, chegando a dobrar em 2002. Ao mesmo tempo, essa produção seguiu um processo de monopolização das riquezas. Hoje, 52,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial está nas mãos de empresas multinacionais.
A concentração da riqueza nas mãos de algumas empresas faz com que os capitalistas tenham uma grande força política.
- O poder político dessas empresas foge ao controle social. 85% dos alimentos de base negociados no mundo são controlados por 10 empresas. Elas decidem cada dia quem vai morrer de fome e quem vai comer – afirmou Ziegler.
O sociólogo ainda relatou que essas empresas seguem blindadas pela tese neoliberal de que o mercado não deve ser regulado pelo Estado. Segundo ele, na Guatemala, 63% da terra está concentrada em 1,6% dos produtores.
- A primeira reivindicação que fiz, após a missão, foi a realização da Reforma Agrária no país. Fui rechaçado, pois uma intervenção no mercado não é possível. Não havia sequer um cadastro de terras lá: quando os latifundiários querem aumentar suas terras, mandam pistoleiros atacar a população maia que vive ao redor.

Especulação

A especulação financeira dos alimentos nas bolsas de valores é um dos principais fatores para o crescimento dos preços da cesta básica nos últimos dois anos, dificultando o acesso aos alimentos e causando a fome. De acordo com o Banco Mundial, 1,2 bilhão de pessoas encontram-se em extrema pobreza hoje, vivendo com menos de um dólar por dia. Segundo Zigler, quando o preço do alimento explode, essas pessoas não podem comprar.
- Apesar de a especulação ser algo legal, permitido pela lei, isso é um crime. Os especuladores deveriam ser julgados num tribunal internacional por crime contra a humanidade – denunciou Ziegler.
A política de agrocombustíveis, que, além de utilizar terras que poderiam produzir comida, transforma alimentos em combustível, é mais um agravante. Para o sociólogo, é inadmissível usar terras para fazer combustível em vez de alimentos em um mundo onde a cada cinco segundo uma pessoa morre de fome.
Política da fome
Ziegler afirma que não se pode naturalizar a fome, que é uma produção humana, criada pela sociedade desigual no capitalismo. Prova disso são as diversas políticas agrícolas praticadas tanto por empresas e subsidiadas por instituições nacionais e internacionais.
O dumping agrícola consiste em subsidiar alimentos importados em detrimento dos alimentos produzidos internamente. De acordo com Ziegler, os mercados africanos podem comprar alimentos vindos da Europa a 1/3 do preço dos produtos africanos. Os camponeses africanos, dessa forma, não conseguem produzir para se sustentar.
Ziegler denunciou o “roubo de terras”, que é o aluguel ou compra de terras em um país por fundos privados e bancos internacionais, que ocorreu com mais de 202 mil hectares de áreas férteis na África, com crédito do Banco Mundial e de instituições financeiras da África. Os camponeses, por conta desse processo, são expulsos das terras para favelas. Esse processo tem se intensificado uma vez que os preços dos alimentos aumentam com a especulação imobiliária.
O Banco Mundial justifica o roubo de terras com o argumento de que a produtividade do camponês africano é baixa até mesmo em um ano normal, com poucos problemas (o que raramente acontece). Um hectare gera no máximo 600 kg por ano, enquanto que na Inglaterra ou Canadá, um hectare gera uma tonelada. Para o Banco Mundial, é mais razoável dar essa terra a uma multinacional capaz de investir capital e tecnologia e tirar o camponês de lá.
- Essa não é a solução. É preciso dar os meios de produção ao camponês africano. A irrigação é pouca, não há adubo animal ou mineral nem crédito agrícola, e a dívida externa dos países impedem que eles invistam na agricultura – defende Ziegler.

Soluções

Segundo Ziegler, a única forma de mudar as políticas que perpetuam a fome é por meio da mobilização e pressão popular. Ele afirma que devemos exigir dos ministros de finanças na assembleia do Fundo Monetário Internacional que votem pelo fim das dívidas externas e nos mobilizar para impedir o uso de agrocombustíveis e acabar com o dumping agrícola.
- A única coisa que nos separa das vítimas da fome é que elas tiveram o azar de nascer onde se passa fome.
O ex-relator especial para o Direito à Alimentação da Nações Unidas (ONU) veio ao Brasil lançar o livro “Destruição em Massa – Geopolítica da Fome” (Editora Cortez) e participar da 6ª edição do Seminário Anual de Serviço Social, que aconteceu no Teatro da Universidade Católica (TUCA).


Fonte: Canal iBase

Financial Times: sensação de bem-estar no Brasil é 'fachada'

O neoliberalismo do governo brasileiro ora agrada a imprensa burguesa internacional, ora desagrada.

O Brasil precisa correr para aproveitar o capital internacional existente, que atualmente é barato e abundante, para aumentar o investimento na economia. A sugestão é do jornal "Financial Times". Em editorial publicado nesta segunda-feira, 20, a publicação diz que a sensação de que tudo corre bem no Brasil é apenas uma "fachada" e diz que o estilo "mandão" de Dilma Rousseff é bom para evitar a corrupção, mas estaria atrasando a economia, especialmente o investimento. O texto critica ainda a escolha do governo: em vez de reformas amplas, apoia setores "mimados", como as montadoras.
O editorial diz que o Brasil "corre o risco, mais uma vez, de frustrar imensas expectativas". "A aparente sensação de bem-estar do Brasil é uma fachada. O crescimento da economia no ano passado foi de menos de 1%, pouco melhor que a zona do euro. Este ano, o Brasil está crescendo menos que o Japão. A inflação está corroendo a confiança do consumidor e há uma sensação de mal-estar. A causa é o abrandamento do investimento, tendência que começou em meados de 2011 e continua. Mais investimento é exatamente o que o Brasil precisa para manter os empregos e tornar-se a potência global a que aspira ser."
O texto lembra que o investimento brasileiro equivale a 18% do Produto Interno Bruto (PIB), bem menos que os 24% destinados pelos vizinhos latino-americanos e os quase 30% dos países da Ásia. A culpa, diz o FT, é dos governantes e o problema não vem de hoje. "Brasília deve ter grande parte dessa culpa. A extravagância do modelo econômico impulsionado pelo consumo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se esgotou. O modelo Dilma, apesar dos primeiros sinais promissores, está provando (apenas) ser um pouco melhor", diz o texto.
"O estilo 'mandão' dela não é adequado para a persuasão colaborativa exigida pelo tipo particular de política de coalizão do Brasil. A tomada de decisão tem sido centralizada, o que evita a corrupção, mas retarda o processo. Dilma também tem evitado consistentemente as reformas orientadas para o mercado em favor do protecionismo de alguns setores preferidos e seus lobbies, como as mimadas montadoras", critica o texto.
Para o FT, outro exemplo dessa falta de foco do governo brasileiro está na infraestrutura. "O Brasil quer captar bilhões de dólares para a construção de novos portos, aeroportos, viadutos e estradas. Existe o interesse e o compromisso firme dos investidores. No entanto, surpreendentemente, o marco regulatório em vigor não é apropriado para permitir a construção dessa nova infraestrutura. O dinheiro está sendo deixado sobre a mesa desnecessariamente", diz o texto.
"O Brasil precisa desesperadamente de mais investimento. O baixo nível da poupança interna significa que grande parte desse financiamento deve vir do exterior. O capital está barato no momento, mas não será para sempre. O Brasil tem uma grande janela de oportunidade. Dilma Rousseff e seu governo precisam fazer as coisas acontecerem enquanto essa janela segue aberta", diz o editorial.

Fonte: Estadão