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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ideologia e hegemonia em Gramsci


O GEILC (Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classes) anuncia retorno às atividades do Projeto de Extensão "História e Memória no campo das lutas de classes", em 2013.

Na primeira atividade de 2013, oferece a palestra "Ideologia e hegemonia em Gramsci", ministrada pelo Professor Doutor Cristiano Lima Ferra (DH/UESB). Na oportunidade, o ministrante analisará os limites do economicismo para o entendimento das crises do capital e discutirá, nesse contexto, as contribuições de Gramsci para a análise da questão. Destaque para a problemática teórica que trata da relação entre Política, Ideologia e Classes Sociais e os conceitos de Estado Ampliado e Bloco Histórico.

Sem sombra de dúvidas, uma boa contribuição para a reflexão política e para as produções acadêmicas inerentes às Ciências Sociais e Humanas.

O professor Dr. Cristiano Lima Ferraz é docente do Departamento de História da UESB, Doutor em Ciência Política pela Unicamp, membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Trabalho Política e Sociedade – NETPS/CNPq, pesquisador da temática Trabalho, Política e Classes Sociais, área em que tem diversos trabalhos publicados.

Dia:
27 de fevereiro (Quarta-feira) de 2013, às 19:30
Local:
Auditório do Módulo IV (Pedagogia) da UESB/VC

Fonte: Projeto de Extensão “História e Memória no campo da luta de classes”

40 importantes - e desconcertantes - perguntas para Yoani Sánchez


40 perguntas para Yoani Sánchez em sua turnê mundialFamosa opositora cubana fará seu giro mundial por mais de uma dezena de países do mundo

   
1. Quem organiza e financia sua turnê mundial?

2. Em agosto de 2002, depois de se casar com o cidadão alemão chamado Karl G., abandonou Cuba, “uma imensa prisão com muros ideológicos”, para imigrar para a Suíça, uma das nações mais ricas do mundo. Contrariamente a qualquer expectativa, em 2004, decidiu voltar a Cuba, “barco furado prestes a afundar”, onde “seres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos introduzem o medo através do golpe, da ameaça, da chantagem”, onde “os bolsos se esvaziavam, a frustração crescia e o medo se estabelecia”. Que razões motivaram esta escolha?

Agência Efe


3. Segundo os arquivos dos serviços diplomáticos cubanos de Berna, Suíça, e de serviços migratórios da ilha, você pediu para voltar a Cuba por dificuldades econômicas com as quais se deparou na Suíça. É verdade?

4. Como pôde se casar com Karl G. se já estava casada com seu atual marido Reinaldo Escobar?

5. Ainda é seu objetivo estabelecer um “capitalismo sui generis” em Cuba?

6. Você criou seu blog Geração y (Generación Y) em 2007. Em 4 de abril de 2008 conseguiu o Prêmio de Jornalismo Ortega e Gasset, de 15 mil euros, outorgado pelo jornal espanhol El País. Geralmente, este prêmio é dado a jornalistas prestigiados ou a escritores de grande carreira literária. É a primeira vez que uma pessoa com seu perfil o recebe. Você foi selecionada entre cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time (2008). Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores blogs do mundo pela cadeia CNN e pela revista Time (2008), e também conquistou o prêmio espanhol Bitacoras.com, assim como The Bob’s (2008). El País lhe incluiu em sua lista das cem personalidades hispano-americanas mais influentes do ano 2008. A revista Foreign Policy ainda a incluiu entre os dez intelectuais mais importantes do ano em dezembro de 2008. A revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo em 2008. A prestigiosa universidade norte-americana de Columbia lhe concedeu o prêmio María Moors Cabot. Como você explica esta avalanche de prêmios, acompanhados de importantes quantias financeiras, em apenas um ano de existência?

7. Em que emprega os 250 mil euros conseguidos graças a estas recompensas, um valor equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como França, quinta potencia mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba?
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8. A Sociedade Interamericana de Imprensa, que agrupa os grandes conglomerados midiáticos privados do continente, decidiu nomeá-la vice-presidente regional por Cuba de sua Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação. Qual é seu salário mensal por este cargo?

9. Você também é correspondente do jornal espanhol El País. Qual é sua remuneração mensal?

10. Quantas entradas de cinema, de teatro, quantos livros, meses de aluguel ou pizzas pode pagar em Cuba com sua renda mensal?

11. Como pode pretender representar os cubanos enquanto possui um nível de vida que nenhuma pessoa na ilha pode se permitir levar?

12. O que faz para se conectar à Internet se afirma que os cubanos não têm acesso e ela?

13. Como é possível que seu blog possa usar Paypal, sistema de pagamento online que nenhum cubano que vive em Cuba pode utilizar por conta das sanções econômicas que proíbem, entre outros, o comércio eletrônico?

14. Como pôde dispor de um Copyright para seu blog “© 2009 Generación Y - All Rights Reserved”, enquanto nenhum outro blogueiro cubano pode fazer o mesmo por causa das leis do embargo?

15. Quem se esconde atrás de seu site desdecuba.net, cujo servidor está hospedado na Alemanha pela empresa Cronos AG Regensburg, registrado sob o nome de Josef Biechele, que hospeda também sites de extrema direita?

16.  Como pôde fazer seu registro de domínio por meio da empresa norte-americana GoDady, já que isto está formalmente proibido pela legislação sobre as sanções econômicas?

17. Seu blog está disponível em pelo menos 18 idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, português, russo, esloveno, polaco, chinês, japonês, lituano, checo, búlgaro, holandês, finlandês, húngaro, coreano e grego). Nenhum outro site do mundo, inclusive das mais importantes instituições internacionais, como por exemplo as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE ou a União Europeia, dispõem de tantas versões linguísticas. Nem o site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, nem o da CIA dispõem de igual variedade. Quem financia as traduções?

18. Como é possível que o site que hospeda seu blog disponha de uma banda com capacidade 60 vezes superior àquela que Cuba dispõe para todos os usuários de Internet?

19. Quem paga a gestão do fluxo de mais de 14 milhões de visitas mensais?

20. Você possui mais de 400 mil seguidores em sua conta no Twitter. Apenas uma centena deles reside em Cuba. Você segue mais de 80 mil pessoas. Você afirma “Twitto por sms sem acesso à web”. Como pode seguir mais de 80 mil pessoas sem ter acesso à internet?

21. O site www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da rede social Twitter. Revela a partir de 2010 uma impressionante atividade de sua conta. A partir de junho de 2010, você se inscreveu em mais de 200 contas diferentes do Twitter a cada dia, com picos que podiam alcançar 700 contas em 24 horas. Como pôde realizar tal proeza?

22.  Por que cerca de seus 50 mil seguidores são na verdade contas fantasmas ou inativas? De fato, dos mais de 400 mil perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são ovos (sem foto) e 20 mil têm características de contas fantasmas com uma atividade inexistente na rede (de zero a três mensagens mandadas desde a criação da conta).

23. Como é possível que muitas contas do Twitter não tenham nenhum seguidor, apenas seguem você e tenham emitido mais de duas mil mensagens? Por acaso seria para criar uma popularidade fictícia? Quem financiou a criação de contas fictícias?

24. Em 2011, você publicou 400 mensagens por mês. O preço de uma mensagem em Cuba é de 1,25 dólares. Você gastou seis mil dólares por ano com o uso do Twitter. Quem paga por isso?

25. Como é possível que o presidente Obama tenha lhe concedido uma entrevista, enquanto recebe centenas de pedidos dos mais importantes meios de comunicação do mundo?

26. Você afirmou publicamente que enviou ao presidente Raúl Castro um pedido de entrevista depois das respostas de Barack Obama. No entanto, um documento oficial do chefe da diplomacia norte-americana em Cuba, Jonathan D. Farrar, afirma que você nunca escreveu a Raúl Castro: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou nunca tê-las enviado [as perguntas] ao presidente cubano. Por que mentiu?

27. Por que você, tão expressiva em seu blog, oculta seus encontros com diplomáticos norte-americanos em Havana?

28. Entre 16 e 22 de setembro de 2010, você se reuniu secretamente em seu apartamento com a subsecretaria de Estado norte-americana Bisa Williams durante sua visita a Cuba, como revelam os documentos do Wikileaks. Por que manteve um manto de silêncio sobre este encontro? De que falaram?

29. Michael Parmly, antigo chefe da diplomacia norte-americana em Havana afirma que se reunia regularmente com você em sua casa, como indicam documentos confidenciais da SINA. Em uma entrevista, ele compartilhou sua preocupação em relação à publicação dos cabos diplomáticos norte-americanos pelo Wikileaks: “Eu me incomodaria muito se as numerosas conversas que tive com Yoani Sánchez forem publicadas. Ela poderia sofrer as consequências por toda a vida”. A pergunta que imediatamente vem à mente é a seguinte: quais são as razões por que você teria problemas com a justiça cubana se sua atuação, conforme afirma, respeita o marco da legalidade?

30. Continua pensando que “muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez”?

31. Continua pensando que “havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de toda tendência política” sob a ditadura de Fulgencio Batista entre 1952 e 1958?

32. Você declarou em 2010: “o bloqueio tem sido o argumento perfeito do governo cubano para manter a intolerância, o controle e a repressão interna. Se amanhã as suspenderem as sanções, duvido muito que sejam vistos os efeito”. Continua convencida de que as sanções econômicas não têm nenhum efeito na população cubana?

33. Condena a imposição de sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba?

34. Condena a política dos Estados Unidos que busca uma mudança de regime em Cuba em nome da democracia, enquanto apoio as piores ditaduras do Oriente Médio?

35. Está a favor da extradição de Luis Posada Carriles, exilado cubano e ex-agente da CIA, responsável por mais de uma centena de assassinatos, que reconheceu publicamente seus crimes e que vive livremente em Miami graças à proteção de Washington?

36. Está a favor da devolução da base naval de Guantánamo que os Estados Unidos ocupam?

37. Você é favorável à libertação dos cinco presos políticos cubanos presos nos Estados Unidos desde 1998 por se infiltrarem em organizações terroristas do exílio cubano na Florida?

38. Em sua opinião, é normal que os Estados Unidos financiem uma oposição interna em  Cuba para conseguir “uma mudança de regime”?

39. Em sua avaliação, quais são as conquistas da Revolução Cubana?

40. Quais interesses se escondem atrás de sua pessoa?

* Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Université de la Réunion e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula Etat de siège. Les sanctions économiques des Etats-Unis contre Cuba, Paris, Edições Estrella, 2011, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade.

Fonte: Opera Mundi

Por que a fome volta a rondar o mundo


Aumento da população e fim das políticas de equilíbrio geraram cenário gravíssimo. Um ano de más colheitas poderá produzir crise alimentar
Por Lester R. Brown*
Tradução: Bruna Bernacchio

O mundo transita de uma era de abundância de alimentos a uma de escassez. Na última década, as reservas mundiais de grãos reduziram-se em um terço. Os preços internacionais da comida mais que dobraram, desencadeando uma febre pela terra e dando origem a uma nova geopolítica alimentar.
Os alimentos são o novo petróleo. A terra é o novo ouro. Essa nova era caracteriza-se pela carência dos alimentos e propagação da fome.
Do lado da demanda, o aumento demográfico, uma crescente prosperidade e a conversão de alimentos em combustíveis para automóveis, combinam-se para elevar o consumo a um grau sem precedentes.
Do lado da oferta, a extrema erosão do solo, o aumento da escassez hídrica e temperaturas cada vez mais altas fazem com que seja mais difícil produzir. A menos que se possa reverter essas tendências, os preços dos alimentos continuarão em ascensão, e a fome seguirá propagando-se, abalando o sistema social.
É possível reverter essas tendências a tempo? Ou por acaso os alimentos são o elo frágil da civilização do começo do século XXI — em boa medida, como o foi em tantas civilizações anteriores, cujos vestígios arqueológicos estudam-se agora?
Essa redução do abastecimento alimentar do mundo contrasta drasticamente com a segunda metade do século XX, quando os problemas dominantes na agricultura eram a superprodução, os enormes excedentes de grãos e o acesso aos mercados por parte dos exportadores desses produtos.
Nessa época, o mundo tinha duas reservas estratégicas: grandes excedentes de grãos (com uma quantidade no lixo, ao iniciar-se cada nova colheita); e, no quadro de programas agrícolas estadunidenses, para evitar a sobreprodução, uma ampla superfície de terras cultiváveis sem utilização. Quando as colheitas mundiais eram boas, os Estados Unidos mantinham mais terras ociosas. Em contrapartida, quando eram inferiores ao esperado, voltavam a utilizá-las.
A capacidade de produção excessiva foi utilizada para manter a estabilidade dos mercados mundiais de grãos. As grandes reservas amorteceram a escassez de cultivos no planeta.
Quando as monções não sopraram na India em 1965, por exemplo, os Estados Unidos enviaram a quinta parte de sua colheita de trigo ao país asiático, para evitar uma onda de fome catastrófica. Graças às abundantes reservas, isso teve pouco impacto sobre o preço mundial de grãos.
Ao iniciar-se esse período de abundância alimentar, o mundo tinha 2,5 bilhões de pessoas. Agora, há 7 bilhões.
Entre 1950 e 2000 houve subidas eventuais no preço dos grãos, ocasionadas por eventos como uma seca severa na Rússia, ou uma intensa onda de calor no Meio Oeste dos Estados Unidos. Mas seus efeitos sobre o preço tiveram vida curta.
No prazo de um ano, as coisas voltaram à normalidade. A combinação de reservas abundantes e terras de cultivo ociosas converteram esse período em um dos que permitiram maior segurança alimentícia na história.
Mas isso não duraria. Em 1986, o constante aumento da demanda mundial de grãos e os custos orçamentários inaceitavelmente altos fizeram que fosse eliminado o programa estadunidense de reserva de terras agrícolas.
Atualmente, os Estados Unidos têm algumas terras ociosas no marco do seu Programa de Reserva para a Conservação. Mas trata-se de solos muito suscetíveis à erosão. Acabaram-se os dias em que havia propriedades com potencial produtivo prontos para começar a produzir rapidamente, se fosse necessário.
Agora, o mundo vive apenas com o olhar no ano seguinte, sempre esperando produzir o suficiente para cobrir o aumento da demanda. Os agricultores de todas as partes realizam esforços imensos para acompanhar esse acelerado crescimento da demanda, mas têm dificuldades para alcançá-lo.
A escassez de alimentos conspirou contra civilizações anteriores. A dos sumérios e a dos maias foram apenas duas das muitas cujo declínio, aparentemente, deu-se quando enveredaram por um modelo agrícola que era ambientalmente insustentável.
No caso dos sumérios, o aumento da salinidade do solo, em consequência de um defeito no sistema de irrigação — muito bem planejado exceto por este aspecto — acabou devastando seu sistema alimentar e, por consequência, sua civilização. Quanto aos maias, a erosão do solo foi uma das chaves do seu desmoronamento, como o foi para tantas outras civilizações anteriores.
Nossa civilização  também está nesse caminho. Mas, diferente dos sumérios, o que acontece na agricultura moderna é o aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera. E, como os maias, também se está manejando mal a terra e gerando perdas sem precedentes do solo a partir de erosão.
Mais recentemente, também enfrentamos tendências novas, como a redução do volume dos aquíferos, o fim da atividade agrícola dos grãos, nos países mais avançados, e o aumento da temperatura. Nesse contexto, não surpreende que a ONU informe agora os preços dos alimentos dobraram, com relação ao período entre 2002 e 2004.
Para a maioria dos cidadãos dos Estados Unidos, que gastam em média 9% de sua renda em alimento, isso não é um grande problema. Mas para os consumidores que gastam entre 50 e 70% de seus rendimentos com comida, a duplicação dos preços é um assunto muito sério.
A propagação da fome está estritamente ligada à redução das reservas de grãos e ao aumento do preço dos alimentos.
Nas últimas décadas do século passado, a quantidade de pessoas famintas no mundo se reduziu, caindo a 792 milhões em 1997. Em seguida, voltou a aumentar, chegando a 1 bilhão. Lamentavelmente, se continuarmos agindo como de costume, as filas dos famintos continuarão crescendo.
O resultado é que para os agricultores do mundo está se tornando cada vez mais difícil garantir que a produção acompanhe a crescente demanda de grãos.
Os estoques mundiais de grãos estão caindo há uma década e não foi possível reconstruí-los. Se não for possível fazê-lo, é de se esperar que, em consequência de um ano de colheitas pobres, a fome se intensifique e se propaguem pelo mundo distúrbios vinculados à má alimentação.
O mundo está entrando em uma era de escassez alimentar crônica, que conduz a uma intensa competição pelo controle de terra e de recursos hídricos. Em outras palavras, uma nova geopolítica dos alimentos está começando.
* Presidente da Earth Policy Institute e autor de “Planeta Cheio, Pratos Vazios: A Nova Geopolítica da Escassez de Alimentos”. W.W.Norton: Outubro de 2012)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Benedicto XVI, la OTAN y el neoliberalismo

Charge: www.cella.com.br 

por Ernesto Wong Maestre*
19/02/2013

Pudiera afirmarse que desde hace casi cuatro años, con la rebelión de los obispos africanos en el II Sínodo de Obispos para África, la crisis de las estructuras impuestas por el Estado Vaticano a la Iglesia Católica a nivel mundial saltó a una nueva fase que pudiera estar culminando ahora con la renuncia del Papa Benedicto XVI para abrir otra fase que deberá afrontar el próximo Papa y jefe del Estado de mayor riqueza per cápita del mundo.
La renuncia de Benedicto XVI o Joseph Aloisius Ratzinger más que una separación anormal y, para algunos, sorpresiva por ser el cuarto caso de toda la historia papal (1) de una renuncia al máximo poder eclesiástico, es una expresión particular de las insalvables contradicciones del mundo capitalista y del nuevo mundo socialista que brota de las entrañas de los pueblos, sean cristianos, animistas, musulmanes, budistas o taoístas.
Ya desde aquel II Sínodo de obispos africanos en octubre del 2009 que llamó mi atención y sobre el cual escribí un artículo, dando cuenta de lo que consideré una “rebelión de los obispos africanos”, avizoré que estábamos a las puertas de una nueva fase crítica de la Iglesia Católica y concluí afirmando que en ese inicial, “álgido y relevante debate en el II Sínodo de Obispos sobre África (...) pudiera preverse que se darán más fuertes debates, considerando, por un lado, las líneas dadas por Benedicto XVI, por otro, las contradicciones internas-externas sociales e institucionales, y por otro lado, las claras denuncias de obispos de países africanos influyentes”. Uno de ellos, el arzobispo de Ouagodougoy en Burkina Faso, Philippe Ouedraogo, manifestó que África rechaza las prácticas “legalmente reconocidas en Occidente” y acusó a los medios de comunicación occidentales de intentar imponer el “pensamiento único” de Occidente.
Como él, otros arzobispos y obispos africanos condenaron las prácticas capitalistas, lo cual provocó la decisión de mantener al II Sínodo aislado de los medios, según se pudo apreciar en los días posteriores.
Mi artículo del 2009 lo concluí proponiendo “pensar que estamos en presencia de un hito en la historia de la iglesia cristiana, la cual -se recordará- fue salvada en su unidad institucional, hace decenas de siglos atrás, precisamente por un africano, el padre San Agustín (de Hipona, poblado situado en el territorio de lo que es hoy Argelia), quien reordenó y condujo moralmente al obispado, casi en su totalidad corrupto, y trazó muchas de las pautas que han permitido a la Iglesia cristiana adaptarse -a través de los siglos- a las transformaciones sociales impulsadas por los pueblos, las cuales en el siglo XXI, se denominan transformaciones socialistas” (2).
No será casual entonces que al alemán Ratzinger lo reemplace un jerarca católico originario del Sur o un arzobispo con claras muestras de reconocimiento hacia la problemática del neocolonizado sur o en tránsito hacia el socialismo, aunque toda esa puja dentro de la alta jerarquía (ajena totalmente a la práctica democrática) estará influida fuertemente por las fuerzas de la OTAN y del neoliberalismo que también buscarán colocar en esa plaza a quien mejor satisfaga sus intereses en un mundo cada vez más polarizado ideológicamente y que esa personalidad pueda obstaculizar la marcha de la historia. Todavía está por ver qué ocurrirá el próximo 28 de febrero cuando se evite el vacío de poder ante la renuncia de Benedicto XVI.
Resulta interesante observar en ese II Sínodo a Benedicto XVI cuando ofreció algunas ideas a manera de lineamientos para los obispos y se refirió a la "nueva evangelización" a realizar por la Iglesia Católica que tenga en cuenta 'los cambios sociales' y 'la globalización'.
De manera que ahora, la renuncia de Ratiznger es, ante todo, un reconocimiento a su fracaso por lograr esa deseada "evangelización" ante los retos del siglo XXI y de las transformaciones económicas y políticas hacia el socialismo en sus diversas manifestaciones nacionales o multiétnicas, en más de la mitad de la población del planeta, y en el contexto de la “globalización” aprovechada por el imperialismo estadounidense-europeo y su Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN) para tratar de recuperar su hegemonía en el mundo.
La renuncia de Benedicto XVI es, al mismo tiempo, una expresión política e ideológica de sus propias contradicciones acrecentadas por la crisis económica, financiera y social capitalista porque el Estado Vaticano y sus cuantiosas inversiones capitalistas no está blindado ante los embates del neoliberalismo y las debilidades estructurales del sistema financiero europeo-norteamericano, ni del avance de las otras iglesias vinculadas a otros poderes estatales que pujan por un sitio en la correlación mundial de fuerzas y que van conformando un mundo con tendencia a la pluripolaridad en cuanto a la potencia y a la bipolaridad multicéntrica (3) en cuanto a las ideologías.
No hay ningún tipo de dudas en comprender claramente que esa “nueva evangelización” deseada por Benedicto XVI sucumbió ante una OTAN agresiva y expansionista hacia el sur y en particular hacia el Medio Oriente y norte de África en búsqueda de fuentes energéticas y espacios de influencia que reducir a China, pero que también ha reforzado el valor de las ideas islámicas y el sentido de amenaza en África junto a las maniobras del Africom (Comando del Ejército de EEUU para África) hacia el resto del continente africano, debilitando aún más al cristianismo y reforzando las religiones tradicionales animistas y al mismo mundo musulmán africano que está obligado a cerrar filas con las fuerzas independentistas africanas agrupadas en el cono sur en torno a Sudáfrica, Angola, Namibia, Mozambique, Zimbabwe y Tanzania.
Las mismas fuerzas reaccionarias que obstaculizaron a Benedicto XVI en su “nueva evangelización” en esas partes del mundo tratan de conformar al interior de la iglesia católica en los países de Nuestra América a fuerzas políticas para frenar el avance del socialismo bolivariano e indoamericano que claman por construir naciones multiétnicas con mayor estabilidad y seguridad que garanticen en sus pueblos mayores sumas de felicidad, apoyadas en procesos de integración subregional y continental como la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA) y la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC), entre otros.
De imponerse el candidato de la OTAN y del neoliberalismo como jefe de Estado del Vaticano, la Iglesia Católica podría entrar en una nueva etapa de crisis y hasta de cisma y escindirse, considerando el contexto italiano donde las tendencias separatistas pululan bajo la aguda vigilancia de los buitres imperiales quienes se disputan la Zona Euro.

NOTAS
(1) El primer Papa que abandonó su cargo fue Benedicto IX en 1048; el segundo caso fue el de Celestino V ya en 1290, época del apogeo feudal, cuando fue apresado y obligado a abdicar y el tercer caso es el de Gregorio XII quien luego de un golpe de Estado renunció en 1415 en medio del llamado Cisma de Occidente ocurrido en la iglesia católica, según la enciclopedia web Wikipedia.
(2) Publicado por Aporrea http://www.aporrea.org/internacionales/a88117.html y por El Mercurio Digital en http://elmercuriodigital.es/content/view/22336/52/
(3) Término propuesto en una ponencia en septiembre del 2012 ante los estudiantes de la Maestría de Relaciones Internacionales de la UMBV.
*Ernesto Wong Maestre profesor universitario, investigador, analista internacional, cubano residente en la República Bolivariana de Venezuela.

Fonte: HERMES
Información-Comunicación desde la izquierda

A turnê mundial de Yoani Sánchez


Opositora cubana inicia no Brasil turnê mundial , que incluirá os EUA e mais de dez países da América Latina e Europa

Yoani Sánchez faz check-in em balcão de companhia aérea no aeroporto
 internacional de Havana antes de embarcar para o Brasil
Depois de cinco anos de espera, Yoani Sánchez conseguiu, por fim, a autorização para viajar ao exterior. Depois da reforma migratória vigente desde 14 de janeiro de 2013, que permite a todos os cubanos deixar o país sem outra formalidade além da obtenção de um passaporte e um visto, a mais famosa opositora do governo de Havana inicia no Brasil uma turnê mundial que a levará a vários continentes. O cineasta Dado Galvão a receberá em Recife, onde participará da apresentação do documentário Conexão Cuba Honduras 1.

Sua turnê se parece com a de um chefe de Estado ou a de uma estrela da música, e os recursos dedicados a ela são impressionantes. De fato, “uma programação muito intensa” espera a jovem opositora de 37 anos 2. Tem conferências previstas no México, onde será a convidada de honra da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), que terá sua reunião semestral em Puebla; nos Estados Unidos, com encontros em Nova York, onde será recebida na redação do New York Times; Washington e Miami, Argentina, Canadá, Peru, Espanha, Itália, Alemanha, República Checa, Países Baixos e Suíça 3.

Como viajar é um direito universal reconhecido pela Declaração das Nações Unidas de 1948, só podemos nos alegrar pelo fato de a principal figura da oposição cubana poder expressar suas convicções pelo mundo. No entanto, é inevitável destacar certos aspectos obscuros da personalidade e da vida de Yoani Sánchez, que são objeto de controvérsia e que esta monumental turnê parece confirmar.

Yoani Sánchez não é uma opositora comum. Após viver dois anos na Suíça, decidiu voltar a Cuba e integrar o universo da dissidência. Em 1997, criou o blog Generación Y – traduzido para, pelo menos, 18 idiomas! –, no qual fustiga de modo virulento o sistema e o governo cubanos. Sua nova atividade tem sido coroada com êxito. No período de alguns anos, Sánchez recebeu diversas distinções, todas financeiramente remuneradas. No total, a blogueira recebeu uma remuneração de 250 mil euros, isto é, um montante equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como a França, quinta potência mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba 4.

A isso se soma o salário mensal de seis mil dólares concedido pela Sociedade Interamericana de Imprensa, que agrupa os grandes conglomerados midiáticos privados do continente, e que decidiu nomeá-la vice-presidente regional por Cuba de sua Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação 5. O jornal espanhol El País também decidiu nomeá-la correspondente em Havana, e lhe paga um bom salário 6.

O governo dos EUA, cujo objetivo abertamente expresso é uma mudança do regime em Cuba por meio do financiamento de uma oposição interna, fez de Yoani Sánchez sua prioridade. Considera, em documentos confidenciais publicados pelo Wikileaks, que “Yoani Sánchez pode desempenhar um papel a longo prazo em uma Cuba pós-Castro” 7. De fato, a opositora cubana está em estreita relação com a diplomacia norte-americana em Cuba, como é assinalado em um telegrama classificado como “secreto” por seu conteúdo sensível. A administração Obama valoriza muito a blogueira cubana, como demonstra a reunião secreta ocorrida no apartamento da opositora com a subsecretária de Estado norte-americana Bisa Williams durante sua visita a Cuba, entre 16 e 22 de setembro de 2010 8.

Michael Parmly, antigo chefe da diplomacia norte-americana em Havana, que se reunia regularmente com Yoani Sánchez em sua residência pessoal, como indicam documentos confidenciais da SINA, manifestou sua preocupação a respeito da publicação dos telegramas diplomáticos dos EUA pelo Wikileaks: “Me incomodaria muito se as inúmeras conversas que tive com Yoani Sánchez fossem publicadas. Ela poderia pagar pelas consequências por toda a vida” 9. A pergunta que imediatamente vem à mente é a seguinte: “Quais são as razões pelas quais Yoani Sánchez estaria em perigo se sua atuação, como ela afirma, respeita o marco da legalidade?”

Desde então, Yoani Sánchez não é uma simples dissidente. Seria interessante que a principal figura da oposição cubana aproveitasse sua turnê mundial para esclarecer algumas zonas obscuras de sua trajetória pessoal e revelasse quais são os poderosos interesses que se escondem por trás de sua pessoa.

1. Voz de América, "Yoani Sánchez viaja ao Brasil em 17 de fevereiro", 6 de fevereiro de 2013.
2. Yoani Sánchez, 17 de fevereiro, https://twitter.com/yoanisanchez
3. EFE, "A blogueira cubana falará no Brasil sobre liberdade e direitos", 17 de febrero de 2013.
4. Yoani Sánchez, "Prêmios", Generación Y.
5. El Nuevo Herald, "Yoani é nomeada para comissão da SIP", 9 de novembro de 2012.
6. El País, "Artigos escritos por Yoani Sánchez", http://elpais.com/autor/yoani_sanchez/a/ (site acessado em 17 de fevereiro de 2013).
7. Jonathan D. Farrar, "Os Estados Unidos e o papel da oposição em Cuba", United States Interests Section, 9 de abril de 2009, telegrama 09HAVANA221. http://213.251.145.96/cable/2009/04/09HAVANA221.html (site acessado em 18 de dezembro de 2010).
8. Joaquin F. Monserrate, "GOC sinaliza 'prontidão para ir em frente", United States Interests Section, 25 de setembro de 2009, telegrama 09HAVANA592, http://213.251.145.96/cable/2009/09/09HAVANA592.html (site acessado em 18 de dezembro de 2010)
9. Michael Parmly, "Consenso On Line : Um fórum imparcial em Cuba", United States Interests Section, 28 de junho de 2007, telegrama 07HAVANA622, http://wikileaks.org/cable/2007/06/07HAVANA622.html (site acessado em 15 de setembro de 2011); Stéphane Bussard, "Meu reencontro com o autor dos telegramas sobre Cuba", Le Temps, 30 de dezembro de 2010.
Fonte: Opera Mundi

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"Mulheres Negras: um Olhar sobre as Lutas Sociais e as Políticas Públicas no Brasil"





Organizado por Jurema Werneck e publicado pela Organização Criola, o livro “Mulheres Negras: um Olhar sobre as Lutas Sociais e as Políticas Públicas no Brasil” traz análises fundamentais acerca do impacto do racismo e do sexismo nas políticas públicas brasileiras. O livro, disponibilizado em versão completa no site, conta com artigos de Lucia Xavier, Nilma Bentes, Maria Aparecida de Assis Patroclo, Julia Zanetti, Monica Sacramento, Fernanda Lopes e a própria Jurema Werneck, que refletem sobre o esse importante tema com diferentes enfoques.

Segue abaixo a Apresentação do livro:

“As mulheres negras têm sido parte importante da sociedade brasileira há cinco séculos. Como grupo social específico em defesa de seus interesses ou como parte do amplo contingente negro ou geral que luta por justiça social e inclusão social, sua atuação pode ser vista desde o regime escravocrata até hoje. De fato, as lutas das mulheres negras por equidade se desenvolve ao longo dos séculos e devemos reconhecer que têm sido parte fundamental dos amplos segmentos que constroem cotidianamente o Brasil como nação. Ainda que violentamente invisibilizadas – pois atuam num contexto de racismo e sexismo – colocam à disposição da sociedade séculos de lutas, de pensamento a serviço da ação transformadora. Em seu horizonte, uma sociedade sem iniquidades, sem racismo, sexismo, sem as desigualdades de classe social, de orientação sexual, de geração ou de condição física e mental, entre muitas outras.

Mas reconhecemos que, apesar de muitas lutas, ainda há um longo caminho a ser trilhado para que o Brasil venha a ser um ambiente confortável para a existência de todas. Violações cotidianas de direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais têm como legado os piores indicadores de qualidade de vida concentrados neste grupo particular. O que resulta em uma mobilização que não cessa.

Nesta publicação, Criola oferece uma amostragem da reflexão atual das mulheres negras em torno de sua luta, suas reivindicações pela realização de direitos. Mais especificamente, são propostas de debate em torno de políticas públicas, das formas de luta anti-racismo e anti-sexismo e dos sujeitos políticos que representamos. Longe de esgotar o debate, o que trazemos são provocações, propostas de caminhos, de modo a ampliar a visão que temos do campo em que atuamos.

Assim, pesquisadoras e ativistas aqui reunidas colocam seu pensamento à disposição, em diferentes perspectivas.

O debate e a luta continuam.”

Download gratuito do livro clicando AQUI

Fonte: Centro Feminista de Estudos e Assessoria CFEMEA

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Os números do Vaticano

Vista aérea de Roma: Bento XVI vai deixar de ser chefe de Estado que tem pouco mais de 800 moradores e menos de 0,5 quilômetro quadrado

Estima-se que o Vaticano seja o dono de cerca de 20% a 30% dos imóveis da Itália – incluindo igrejas, escolas, hospitais, clínicas e até hotéis

Beatriz Olivon

No final de fevereiro, o papa Bento XVI deixará o cargo. Assim, ele deixa de ser chefe do Estado da cidade do Vaticano, o menor Estado do mundo em tamanho e um dos menores em população.

O Estado da cidade do Vaticano tem 0,44 quilômetros quadrados, sendo o menor Estado independente do mundo, de acordo com o banco de dados da CIA, o World Factbook. O Vaticano tem pouco mais de 800 moradores – 836, de acordo com estimativas de julho de 2012, só há dois Estados com menos habitantes. Em 2011, a força de trabalho somava 2,8 mil pessoas, a maior parte delas mora fora do Vaticano. A maior parte dos trabalhadores está empregado na área de serviços.

Estima-se que o Vaticano seja o dono de cerca de 20% a 30% dos imóveis da Itália – incluindo igrejas, escolas, hospitais, clínicas e até hotéis. Durante a crise econômica, um antigo imposto sobre bens imóveis que tinha sido extinto retornou – e a oposição pediu que ele também fosse aplicado às propriedades do Vaticano.

Crise

Assim como seus pares na Europa, o Vaticano também sentiu a crise financeira. O livro da CIA afirma que nem o Vaticano escapou das dificuldades financeiras que afetaram a Europa – e, em 2012, começou a avaliar onde cortar custos para reverter o déficit no orçamento de 2011. Os rendimentos foram de 308 milhões de dólares em 2011 enquanto os gastos foram de 326,4 milhões de dólares.

A maioria dos gastos públicos vão para salários e outros custos com pessoal. O relatório afirma que os rendimentos e condições de vida dos trabalhadores são comparáveis aos dos que trabalham em Roma.

O Vaticano é financiado por diversas fontes, incluindo investimentos, aluguel dos imóveis e doações. Uma coleta anual nas dioceses somada a doações diretas vai para um outro fundo usado diretamente pelo Papa para caridade, desastres e ajuda a igrejas em países em desenvolvimento, segundo o CIA World Factbook. As doações aumentaram entre 2010 e 2011, segundo a CIA.

O orçamento do Estado da cidade do Vaticano inclui a receita dos museus, correio e venda de souvenir. A receita também aumentou entre 2010 e 2011 por causa do aumento no número de horas de funcionamento dos museus e do maior número de visitantes, segundo o relatório.
Fonte: Exame

Ministro Gilberto Carvalho repete discurso de ruralistas

Ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência)

Política agrária federal criou 'favelas rurais', diz ministro


A matéria publicada pela Folha


FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA, 09/02/2013

Responsável no governo pelo diálogo com movimentos sociais, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) reconheceu ontem falhas na política federal de reforma agrária, dizendo que vários assentamentos se transformaram em "favelas rurais".

"É real e, infelizmente, verdadeiro que no Brasil há muitos assentamentos que se transformaram quase que em favelas rurais", disse Carvalho para justificar a política adotada por Dilma Rousseff, a presidente que menos desapropriou áreas para assentamentos nos últimos 20 anos.


"A presidente Dilma fez uma espécie de freio do processo para um 'repensamento' dessa questão da reforma agrária e, a partir daí, tomarmos um cuidado muito especial em relação ao tipo de assentamento que a gente promove", disse Carvalho.

Alan Marques - 15.ago.12/Folhapress

O ministro foi peça chave nos oito anos de gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), de quem foi chefe de gabinete. Sua fala foi veiculada no programa semanal "Bom Dia, Ministro".

Tanto os governos do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) quanto os de Lula foram marcados por uma política de intensa distribuição de terras.

Nos dois primeiros anos de Dilma, 86 unidades foram destinadas a assentamentos, número que só supera os de Fernando Collor (1990-1992).

Na avaliação hoje do governo, antes de dar mais terra, é preciso melhorar a qualidade dos atuais assentamentos, tornando-os mais produtivos.

Levantamento do Incra (Instituto Nacional da Reforma Agrária) indicou que faltam, por exemplo, água, energia elétrica e acesso em muitas áreas destinada para a reforma agrária.

Por meio da assessoria de imprensa, o Incra disse que desde o ano passado estão em curso mudanças nas ações para os assentamentos, entre elas a integração com programas como o Minha Casa Minha Vida e o Água para Todos.

EMBATE

A nova política de reforma agrária levou a um acirramento de ânimos do governo com movimentos sociais agrários. No início desta semana, o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) protestou contra Dilma e disse que "muito pouco tem sido feito" para democratizar o acesso à terra no Brasil.

Em sua fala no "Bom Dia, Ministro", Carvalho reconheceu os problemas.

"Há realmente uma tensão entre os movimentos de trabalhadores rurais e o governo, uma vez que os movimentos nos criticam pelo baixo índice de assentados nos últimos dois, três anos, final do governo Lula, início do governo da presidente Dilma."

A queda no número de famílias acampadas (esperando lote de terra) enfraqueceu o poder de mobilização dos movimentos sociais agrários. Se eram quase 60 mil famílias acampadas no início do governo Lula, ao final de 2011 eram 3.210.

Para tentar achar uma solução, além de repensar políticas públicas ligadas à reforma agrária, o governo está revendo estruturas administrativas, como as do Incra – que, segundo diz Carvalho, foi depredado em gestões anteriores às do governo do PT.

O ministro lembrou que na segunda-feira, a presidente Dilma lançou no Paraná o programa Terra Forte, com recursos de diferentes órgãos federais para assentamentos da reforma agrária.

A aposta do governo são financiamentos do BNDES para projetos de agroindústria em assentamentos.

A carta-comentário que a Folha não publicou:

Favelas rurais

Estranho que, para justificar a inexistente política agrária federal do governo Dilma, o ministro Gilberto Carvalho tenha apelado aos resultados negativos dos modelos de assentamento - as tais "favelas rurais". Sabemos que a reforma agrária foi muito bem sucedida em inúmeros assentamentos e seus efeitos foram sentidos nas mudanças profundas da nossa secular desigualdade rural. Ademais, devemos a eles não apenas a produção e distribuição de alimentos saudáveis nas cidades, como também a detenção do êxodo rural e o consequente adensamento das populações verdadeiramente faveladas das cidades. Em outros termos, parece que o ministro nada mais faz senão reconhecer que a reforma agrária é um projeto político que não faz parte do atual governo petista.

Heloísa Fernandes, São Paulo, SP,

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A renúncia do Papa tem um significado político


Henrique Carneiro
Por racismoambiental, 13/02/2013

A renúncia do Papa é apresentada como uma decisão pessoal, devido à idade. Evidentemente, é preciso buscar as razões de fundo para um gesto inédito nos anais recentes da Igreja e que enfraquece ainda mais a sua credibilidade.

Os pontificados ficam historicamente identificados com alguns dos fatos ou decisões mais importantes que marcaram esses períodos. O Papa Pio XII, contemporâneo do nazismo e aliado de Hitler na sua ascensão ao poder, ficou indelevelmente marcado por essa aliança. Mais no passado, o que resta na memória popular de Papas como Rodrigo Borgia, ou Alexandre VI, senão a reputação cruel e devasso, que nomeou o próprio filho Cesare Borgia, além de muitos outros parentes, como cardeais? De Júlio III, a nomeação como cardeal-sobrinho do amante de 17 anos, Innocenzo.

De Joseph Ratzinger, o Bento XVI, o elemento mais marcante de seu pontificado, antes da renúncia, parecia que iria ser a denúncia pública da pedofilia no clero. Poderá essa renúncia tirar o foco desse problema e sua sucessão lançar uma cortina de fumaça que oculte a série de escândalos?

Trago nestes breves comentários, de alguém que não é um vaticanólogo, apenas algumas evidências disponíveis para qualquer leitor de jornais de que essa renúncia não é um raio em céu claro. Que evidências são essas?

As de que o Vaticano viveu no pontificado de Bento XVI uma crise já antiga de perda de influência social e política, agravada pela perda da credibilidade moral com os escândalos de pedofilia. Mas ao se tratar dessa instituição, não se deve esquecer que ela é, do ponto de vista financeiro, uma das maiores multinacionais do planeta, com investimentos em bancos, corporações, reservas de ouro, etc. (MANHATTAN, 1983 mostrou a dimensão dessa fortuna).

No ano passado, a Igreja Católica viveu outra crise com as revelações de corrupção e negociatas feitas a partir dos documentos vazados pelo mordomo do Papa, no que ficou conhecido como Vatileaks. Dessa vez, a culpa não era do mordomo, que foi preso, processado, condenado e depois perdoado.

O Banco do Vaticano (o “banco mais secreto do mundo” como diz a revista Forbes (JORISH, 2012) é o IOR (Instituto das Obras da Religião), fundado em 1942. Nesse período o Vaticano vinha de uma colaboração com o regime nazista, por parte de Pio XII, mas, ainda antes disso, de uma colaboração mais estreita com Mussolini, que concedeu ao Vaticano em 1929 a assinatura do Tratado de Latrão com o estado italiano.

Esse tratado, também conhecido como Concordata foi o que permitiu o reconhecimento do Vaticano como um Estado dentro de outro Estado, incluindo a gestão das próprias finanças e a manutenção da influência política sobre a Itália que ficava com o catolicismo como religião oficial, o ensino confessional nas escolas públicas e outras vantagens ao clero. Só em 1978, houve uma alteração que tornou a Itália uma República laica e o divórcio foi aprovado.

Rompendo o isolamento em que o Vaticano havia ficado desde a vitória da república italiana em 1870, Mussolini concedeu também vultosas indenizações à Igreja. Parte desse dinheiro foi aplicado em Londres em aquisições imobiliárias que hoje alcançam o valor de cerca de meio bilhão de libras esterlinas, embora o valor real permaneça secreto, apesar das denúncias recentes do jornal Guardian (LEIGH; TANDA; BENHAMOU, 2013).

Os interesses econômicos do Vaticano também estão sendo afetados pela crise global, o que levou inclusive que em 2012 ocorresse o maior déficit fiscal em muitos anos no Vaticano, de cerca de 19 milhões de dólares (VATICAN, 2013). Nessa crise também incide o custo financeiro com os processos por pedofilia.

Os escândalos de pedofilia, além do custo moral, têm um preço econômico com os processos e indenizações, que só nos EUA, chegaram a três bilhões de dólares em mais de três mil processos abertos, com 3.700 clérigos denunciados, 525 presos, a maioria dos quais condenados e cumprindo penas.

Desde os anos de 1950 até hoje cerca de seis mil sacerdotes já foram denunciados nos Estados Unidos por abusos sexuais contra crianças, o que equivale a 5,6% do total do clero estadunidense (SCHAFFER, 2012). Figuras de proa da Igreja, como o líder dos Legionários de Cristo, no México, Marcial Maciel forma denunciados por pedofilia e outros abusos.

Bento XVI protegeu setores diretamente nazistas do clero, como o bispo Richard Williamson, negacionista do Holocausto que havia sido excomungado por João Paulo II, e cuja excomunhão foi revogada por Bento XVI em 2009. Apesar disso e de ter atendido aos interesses de setores ultraconservadores da Opus Dei e do Caminho Neocatecumenal, cerrando fileiras com partidos como o PP na Espanha para impor os planos de austeridade e flertando com a extrema-direita europeia, Bento XVI teria desagradado a esses setores ao tentar reconhecer parte dos escândalos de pedofilia para buscar limpar a reputação da Igreja. Isso levou um colunista de El País a avaliar que a renúncia foi resultado da pressão desses setores ultraintegristas (MORA, 2013).

Seja por causa das acusações de corrupção ou de pedofilia, a renúncia acrescenta uma nota ainda mais decadente a um Papa que dedicou seu pontificado a um apostolado de intolerância e repressão contra homossexuais, mulheres, muçulmanos e movimentos sociais. Num momento de crescimento da extrema direita católica na sua faceta mais fascista, como o caso do terrorista católico norueguês Breivik, o Papado de Ratzinger foi um ponto de apoio para a homofobia, o racismo, o sexismo, a intolerância e a perda de direitos sociais dos trabalhadores.

É provável que se jogue com a carta de Il Gattopardo, de Lampedusa, “mudar para tudo continuar igual”, mas para isso, os recursos da inteligência publicitária da Igreja podem contar com novidades, como o primeiro Papa não europeu da história, o que não deixará de manifestar mais uma vez um dos sintomas maiores da crise global do catolicismo, sua condição essencialmente branca e ocidental. Um Papa negro ou latino-americano não conseguirá alterar esse fato: a Ásia e a África permanecem imunes à religião imperial que o sistema de estados europeu trouxe em sua colonização global.

A participação do Vaticano nos interesses globais do capitalismo também não deve deixar a Igreja imune à onda de revolta anticapitalista que cresce especialmente nas duas margens do Mediterrâneo.

A recente aprovação pela Câmara Baixa do Parlamento francês da união matrimonial homossexual é só mais um sintoma de que os interesses patriarcais, misóginos e machistas do clero também estão perdendo lugar na definição da ordem legal e do quadro dos direitos civis do século XXI.

A última monarquia absolutista europeia, o Vaticano, sofre no gesto de renúncia daquele que foi consagrado como o “vigário de Cristo”, ou seja, o seu substituto, uma derrota simbólica profunda, pois demonstra falta de coragem e obstinação em carregar uma cruz até o final. A convivência de um novo Papa com o ex-Papa também esvazia a mística monárquica individual desse vicariato místico, dividindo em dois o corpo do substituto de Cristo na Terra.

Referências

JORISCH, Avi. The Vatican Bank: The Most Secret Bank In the World. Forbes, 26 jun. 2012. Disponível em:http://www.forbes.com/sites/realspin/2012/06/26/the-vatican-bank-the-most-secret-bank-in-the-world/

LEIGH, David; TANDA, Jean François; BENHAMOU, Jessica. How the Vatican built a secret property empire using Mussolini’s millions. The Guardian, Monday 21 January 2013. Disponível em:http://www.guardian.co.uk/world/2013/jan/21/vatican-secret-property-empire-mussolini?INTCMP=SRCH

MANHATTAN, Avro. The Vatican Billions. Chino, CA: Chick Publications Year: 1983.

MORA, Miguel. Los movimientos ultracatólicos ganan la partida. El País, 1º Feb. 2013. Disponível em:http://internacional.elpais.com/internacional/2013/02/11/actualidad/1360588257_314838.html

SCHAFFER, Michael D.. Sex-abuse crisis is a watershed in the Roman Catholic Church’s history in America. Phylly.com, 25 Jun. 2012. Disponível em:http://articles.philly.com/2012-06-25/news/32394491_1_canon-lawyer-catholic-priests-catholic-bishops

VATICAN posts record-high budget deficit: $19M. CBSNews, 5 Jul. 2012. Disponível em:http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57466929/vatican-posts-record-high-budget-deficit-$19m/

Compartilhada por Gleice Oliveira Guarani-Kaiowá.