Operação Laranja com Pequi, em Montes Claros (MG):
esquema desviou R$ 50 milhões destinados à merenda escolar
Agora é a vez do PAC (Programa de Aceleração da Corrupção) governista.
Apenas nos seis primeiros meses
deste ano, a Polícia Federal constatou que, em pouco mais de 1% dos municípios
brasileiros, foi desviada a cifra de R$ 330 milhões em áreas como merenda e
transporte escolar, saúde e obras do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), informou reportagem publicada no site do jornal Correio Braziliense. As
investigações apontam a fraude em licitações, superfaturamento ou emissão de
notas fiscais frias em 60 prefeituras de todo o país. Em Minas Gerais, estado
com maior número de municípios do Brasil, 37 prefeituras sofreram uma devassa
em razão das fraudes. Desde janeiro, 11 operações da PF em todo o país tiveram
alvo específico nos recursos públicos destinados aos municípios.
Em uma única operação, a
Máscara da Sanidade, deflagrada em 21 de junho, 36 administrações municipais,
todas do norte de Minas, foram pilhadas favorecendo empreiteiras em licitações
para a realização de obras, que consumiram cerca de R$ 100 milhões. (23/7/12)
Nos cem municípios brasileiros
com os piores Índices de Desenvolvimento Humano, os candidatos a prefeito
estimam gastar na temporada eleitoral de 2012 uma fábula: R$ 97,2 milhões.
Escrito de outro modo: condenados à escassez, os quase 900 mil brasileiros que
residem nesses pedaços miseráveis do mapa do Brasil assistirão ao espetáculo da
fartura eleitoral.
Auxiliada por três colegas, a
repórter Juliana Castro levou às páginas notícia apinhada de dados intrigantes.
Por exemplo: dividindo-se o orçamento dos comitês pela quantidade de eleitores,
descobre-se que o voto de um miserável brasileiro custa, em média, R$ 110,84.
Em dois municípios do Maranhão,
Estado dominado pelo clã dos Sarney, o inusitado roça a fronteira do paraxismo.
Na cidade de Governador Newton Bello, falta de tudo –de asfalto nas ruas a
esgoto nas casas. De cada dez moradores com mais de 15 anos, quatro são
analfabetos. Ali, os eleitores são contados em 7.837. Os candidatos à
prefeitura local orçaram suas campanhas em R$ 3,6 milhões. Quer dizer: cada
voto custará a bagatela de R$ 459,35.
No município maranhense de
Presidente Juscelino, onde 59% dos domicílios não dispõem nem de água na
torneira, jorrarão dos comitês eleitorais R$ 3,25 milhões. Os eleitores
cadastrados somam 8,8 mil pessoas. Cada voto sairá a R$ 368,64.
Entre o riso dos candidatos
perdulários e a lágrima dos eleitores paupérrimos há o nariz. Acionando-o, os
brasileiros desassistidos perceberão que a democracia que lhes oferecem cheira
mal. Em vez de votar, talvez preferissem que helicópteros lhes despejassem
sobre as cabeças as arcas dos comitês.
"O Estado não pode
eliminar a contradição entre a função e a boa vontade da administração, de um
lado, e os seus meios e possibilidades, de outro, sem eliminar a si mesmo, uma
vez que repousa sobre essa contradição. Ele repousa sobre a contradição entre
vida privada e pública, sobre a contradição entre os interesses gerais e os
interesses particulares. Por isso, a administração deve limitar-se a uma atividade
formal e negativa, uma vez que exatamente lá onde começa a vida civil e o seu
trabalho, cessa o seu poder. Mais ainda, frente à consequências que brotam da
natureza a-social desta vida civil, dessa propriedade privada, desse comércio,
dessa indústria, dessa rapina recíproca das diferentes esferas civis, frente a
estas consequências, a impotência é a lei natural da administração. Com efeito,
esta dilaceração, esta infâmia, esta escravidão da sociedade civil, é o
fundamento natural onde se apoia o Estado moderno, assim como a sociedade civil
da escravidão era o fundamento no qual se apoiava o Estado antigo. A existência
do Estado e a existência da escravidão são inseparáveis. O Estado antigo e a
escravidão antiga - fracas antíteses clássicas - não estavam fundidos entre si
mais estreitamente do que o Estado moderno e o moderno mundo de traficantes,
hipócritas antíteses cristãs. Se o Estado moderno quisesse acabar com a
impotência da sua administração, teria que acabar com a atual vida privada. Se
ele quisesse eliminar a vida privada, deveria eliminar a si mesmo, uma vez que
ele só existe como antítese dela. Mas nenhum ser vivo acredita que os defeitos
de sua existência tenham a sua raiz no princípio da sua vida, na essência da
sua vida, mas, ao contrário, em circunstâncias externas à sua vida. O suicídio
é contra a natureza. Por isso, o Estado não pode acreditar na impotência
interior da sua administração, isto é, de si mesmo. Ele pode descobrir apenas
defeitos formais, casuais, da mesma, e tentar remediá-los. Se tais modificações
são infrutíferas, então o mal social é uma imperfeição natural, independente do
homem, uma lei de Deus, ou então a vontade dos indivíduos particulares é por
demais corrupta para corresponder aos bons objetivos da administração. E quem
são esses pervertidos indivíduos particulares? São os que murmuram contra o
governo sempre que ele limita a liberdade e pretendem que o governo impeça as consequências
necessárias dessa liberdade".
"Quanto mais poderoso é o
Estado e, portanto, quanto mais político é um país, tanto menos está disposto a
procurar no princípio do Estado, portanto no atual ordenamento da sociedade, do
qual o Estado é a expressão ativa, autoconsciente e oficial, o fundamento dos
males sociais e a compreender-lhes o princípio geral. O intelecto político é
político exatamente na medida em que pensa dentro dos limites da política.
Quanto mais agudo ele é, quanto mais vivo, tanto menos é capaz de compreender
os males sociais. O período clássico do intelecto político é a Revolução
francesa. Bem longe de descobrir no princípio do Estado a fonte dos males
sociais, os heróis da Revolução Francesa descobriram antes nos males sociais a
fonte das más condições políticas. Deste modo, Robespierre vê na grande miséria
vê na grande miséria e na grande riqueza um obstáculo à democracia pura. Por
isso, ele quer estabelecer uma frugalidade espartana geral. O princípio da
política é a vontade. Quanto mais unilateral, isto é, quanto mais perfeito é o
intelecto político, tanto mais ele crê na onipotência da vontade e tanto mais é
cego frente aos limites naturais e espirituais da vontade e, consequentemente,
tanto mais é incapaz de descobrir a fonte dos males sociais. Não é preciso
argumentar mais contra a insensata esperança do "prussiano", segundo
a qual o "intelecto político" é chamado a descobrir as raízes da
miséria social na Alemanha".
Estudar para a aula de
Sociologia. Tema: "Cultura" de acordo com nossas discussões sobre
Socialização.
Nossas vidas, nossas culturas,
são compostas de muitas histórias que se sobrepõem. Romancista Chimamanda
Adichie conta a história de como ela encontrou sua voz autêntica cultural – e
adverte que se ouve apenas uma história sobre outra pessoa ou país, corremos o
risco de um mal-entendido fundamental.
Inspirada na história da
Nigéria e tragédias, mas esquecidos pelas gerações recentes de ocidentais,
romances e histórias de Chimamanda Ngozi Adichie são joias da literatura da
diáspora.
Ontem
vi o Secretário Geral da ONU, Ban Ki- Moon se dizer decepcionado pelo veto da
Rússia e China contra intervenções ocidentais na Síria, mas rende-se quando o
assunto é o achaque estadunidense, da União Europeia e de Israel contra os
povos da periferia capitalista. Literalmente, “coloca o rabo entre as pernas”
quando o que chama de direitos humanos são violados. A brutalidade sob a qual
os interesses imperialista dos Estados Unidos entra na Síria, para assaltar as
riquezas deste país, como o fez com o Iraque e Afeganistão. No caso do Iraque,
o pretexto foi a história de armas de destruição em massa, que nunca existiu. O
resultado? Milhares de iraquianos assassinados no processo.
Tribunal
Penal Internacional para os algozes? Jamais! [JRMA]
Vitali Churkin, representante da Rússia na ONU, justificou o veto sobre a Síria e denuncia intervenções humanitárias sob slogans
Representante russo na ONU para RT, a "retórica humanitária" dos EUA é uma farsa.
En una entrevista exclusiva con RT, Vitali Churkin, el
representante permanente ruso ante la ONU, explica el enfoque contraproducente
de Occidente ante el conflicto sirio, argumenta las razones del veto ruso-chino
y propone vías para resolver el problema de Siria. En relación a las razones
por las que Rusia y China vetaron el jueves la resolución occidental sobre
Siria en el Consejo de Seguridad de la ONU, Churkin explica que la proposición
resultaba “contraproducente” debido a “la presión y las sanciones casi
inevitables contra el Gobierno sirio” que conllevaba. El veto, según el
diplomático, también está justificado por la necesidad de “dar más espacio a
Kofi Annan para trabajar sobre el documento [...] del Grupo de Acción que
establece la base para la creación del gobierno de transición [en Siria]”.
Churkin destacó que la única vía para resolver la crisis es “volver a la mesa
de negociaciones” que tendrá como “buena base” los resultados del encuentro del
Grupo de Acción para Siria, compuesto por miembros del Consejo y naciones
árabes, celebrada en junio pasado en Ginebra. Un enfoque erróneo de Occidente
El representante ruso destacó que los aliados occidentales “no hicieron nada
para establecer un proceso eficiente [de resolución del conflicto] en Siria”, añadiendo
que tendrían que concentrarse en “ayudar a Kofi Annan”, en vez de “trabajar con
los así llamados Amigos de Siria, el grupo de países enemigos del Gobierno de
Siria”. Churkin dijo que esta política hacia los 'Amigos' conlleva
“consecuencia trágicas”, ya que éstos buscan "derrocar" al régimen
légitimo sirio que representa a una parte de población del país. Tal
comportamiento “está causando un considerable derramamiento de sangre”,
lamentó. “Reformas y diálogo sería una línea de acción más razonable, y es algo
por lo que Rusia aboga”, dijo el representante. "El problema es que el
diálogo todavía no ha empezado, los grupos de oposición rechazan entrar en el
diálogo con el Gobierno sirio, que se dice dispuesto a tal diálogo”, recalca
Churkin. La oposición "tiene que intentar aceptar esta propuesta del
Gobierno", cree el diplomático. El timo del humanitarismo occidental Respondiendo la pregunta de RT sobre una
posible intervención no militar sino humanitaria en Siria, Churkin dijo que
“desgraciadamente la intervención humanitaria solo suena humana”, y añadió que
cualquier intervención militar inevitablemente causará más sangre. “Todos
sabemos que estos grandes humanistas del mundo -EE.UU. y el Reino Unido-
intervinieron en Irak apelando a todo tipo de pretextos nobles, en este caso a
las armas de destrucción masiva que no existían”, argumenta el diplomático
ruso. Esta acción “causó 115.000 muertes civiles y millones de refugiados y
personas desplazadas”, recordó Churkin, que advirtió: “no se dejen timar por la
retórica humanitaria”. “Hay mucha más geopolítica en su política en Siria que
humanismo y, desgraciadamente, la consecuencia práctica de su política es que
el conflicto y la masacre no se detiene”, resumió. Occidente socava la
influencia de Irán “Su interés está claro, y su motivación principal en
derrocar a Al Assad es socavar la influencia iraní en Oriente Medio”, asegura
Churkin, que ve la misma motivación en “otros luchadores por la democracia en
Oriente Medio", como "Arabia Saudí y Qatar”. En cuanto al futuro de
la misión observadora de la ONU, que no fue definido durante la sesión del
Consejo de Seguridad, Vitali Churkin ha destacado que Rusia está a favor de
extender su mandato porque ello supone “una posibilidad de recibir información
imparcial”. Además, dijo que había consenso entre los miembros del Consejo en
cuanto a prolongar el mandato hasta 30 ó 45 días, pero que no pudieron
aprobarlo después de que la parte británica “empezara a realizar trucos
políticos baratos”, añadiendo condiciones políticas a la resolución sin previo
aviso. Según Churkin, ahora los miembros del Consejo van a discutir la
extensión del mandato de los observadores sin ningunas condiciones políticas.
Este martes 17 de 2012, desde muy temprano las
carreteras del Norte del Cauca se inundaron de chivas que transportaban a
centenares de indígenas hacia el municipio de Toribío. Todos empujados por la
fuerza de los bastones de mando que representan para ellos la autonomía.
Mientras en los medios masivos publicaban la respuesta
del ministro Juan Carlos Pinzón sobre la petición de los indígenas de retirar
las tropas del Cauca," A los indígenas hay que decirles que los
respetamos, que el diálogo es la voluntad del Gobierno, pero de ninguna manera
la Fuerza Pública se va a ir de allá", más de dos mil indígenas avanzaban
hacia uno de los cerros que se imponen sobre las montañas de la cordillera
central del nororiente caucano, para llegar hasta donde se encuentran 400
indígenas que acampan y cuidan el cerro el Berlín desde el pasado 11 de julio,
(día de la visita del presidente Juan Manuel Santos a Toribío). Es en esta montaña donde se encuentra una de
las bases militares que cuidan las dos antenas de las compañías de telefonía
celular.
Estando allí el gobernador indígena de Toribío, dio a
conocer a los militares, la carta dirigida a los diferentes actores armados,
que dice “…No nos vamos a quedar de brazos cruzados mirando cómo nos matan y
destruyen nuestros territorios, comunidades, planes de vida y nuestro proceso
organizativo, por esto, enraizados en la palabra, la razón, el respeto y la
dignidad, iniciamos caminar en grupos hasta donde están atrincherados los
grupos y ejércitos armados, para decirles frente a frente, que en el marco de
la autonomía que nos asiste, les exigimos que se VAYAN, QUE NO LOS QUEREMOS,
QUE NOS CANSAMOS DE LA MUERTE, QUE ESTAN EQUIVOCADOS, QUE NOS DEJEN VIVIR EN
PAZ.…”. Ante este comunicado los militares argumentaron que ellos estaban allí
para proteger a la población porque es
un gran riesgo dejarla sin fuerza pública. Pero la gente ya no cree en este
discurso pues ha tenido que padecer los abusos que le han hecho confirmar todo
lo contrario, ya que ha sido blanco de ataques de ambos bandos. “Siempre dicen
lo mismo,” gritaba una mayora, mientras la multitud procedía a recoger las
pertenecías de los militares. “Pedimos a
los espíritus para que nos protejan, en esta lucha que es justa” dijo una de las
autoridades de la Asociación de Cabildos Indígenas del Norte del Cauca –
ACIN; desde el cerro Berlín en Toribio –Cauca.
Al ver la decisión de los civiles, el comandante a
cargo en la torre, con respeto y acatando la decisión de la gente, dio la orden
de salir del lugar. Sin embargo seis de
los militares opusieron resistencia y se tiraron al suelo, entonces la guardia indígena procedió a
cargarlos para sacarlos del lugar. Al
mismo tiempo, otros comuneros se dispusieron a cargar víveres y demás
pertenencias de los militares, ayudando a agilizar su retiro. La guardia indígena acompañó a los militares
hasta un lugar determinado”. Afirmó un comunicador de la emisora Radio Nasa.
Sin embargo los integrantes de las fuerzas militares
afirmaron lo contrario por los medios: En Caracol Radio habló Jorge Humberto
Jerez, comandante de la Fuerza de Tarea Conjunta Apollo “Nos quemaron los
víveres, maltrataron a los soldados, la guerrilla está hostigando las tropas en
el mismo sitio, es un trabajo conjunto de las FARC y los indígenas porque se
les ha bloqueado los corredores del narcotráfico, los cristalizaderos, tenemos
asesores jurídicos para más adelante judicializar a estos indígenas con la
fiscalía y los sectores del estado …”
Las afirmaciones del comandante Jerez son
irresponsables y sumamente riesgosas para nuestra comunidad, fueron los mismos
soldados quienes quemaron un colchón para que ante la prensa se atribuyera al
supuesto ataque de los indígenas. Al
contrario de lo que decían todos los medios sobre la quema de los víveres, la
guardia fue la que transportó las remesas hacia la parte baja del cerro donde
se alojaría la fuerza pública. Quienes dispararon al aire y tiraron gases
fueron los militares tratando de hacer un montaje y afirmando que la guerrilla
estaba cerca hostigando.
Sólo al comandante Jerez, se le ocurre comparar
empujones y gritos a los soldados con balas, muertos, ocupación de nuestras
viviendas, señalamientos y falsos positivos contra nuestros comuneros. Sin
embargo parece que no sólo el comandante
usa la estrategia de la mentira y la manipulación porque al instante todos los
medios le hicieron eco a estas afirmaciones malintencionadas. Es así como el
gobierno planea justificar las arremetidas contra las comunidades indígenas y
desdibujar la legitimidad nuestra lucha por la defensa del territorio. La
embestida mediática de la ultra derecha está criminalizando al movimiento de
indígena y campesino. Durante años los actores del conflicto han usado a la
poblacion indígena como escudo y eso incluye al estado. ¿A usted le gustaría tener una trinchera en
la puerta de su casa en plena zona de guerra?. Es muy fácil y cómodo para estos
medios de pacotilla presentar a un soldado ser sacado a rrastras y señalar al
movimiento indígena como criminal, sólo por hacer valer sus derechos constitucionales.
Estos medios omiten las décadas de masacres orquestadas por el ejército en
asociación con los grupos paramilitares, QUE AGRADEZCA LA CASA DE NARIÑO Y EL
CONGRESO QUE NO LES HA CAIDO LA GUARDIA INDIGENA PARA SACARLOS ARRASTRAS COMO
SE MERECEN!!!!!!. "Quién permitiría que le pongan una trinchera en la
puerta de la casa, el Cerro Berlín es nuestra casa."
Es la vida la que está en riesgo
El cerro Berlín
es un sitio sagrado para los y las indígenas nasas. Es un cerro que hace parte de la Yat Wala (casa
grande). Es un lugar que tiene un dueño espiritual. Por eso cada vez que lo
atropellan, se manifiesta. Después de
cada combate las nubes se visten de gris y comienzan a llorar. Los mayores
(rayos) se expresan con fuerza. Sus
gritos claman justicia porque ya no aguantan más tanto atropello a la vida.
Asimismo, hoy miles de hombres y mujeres
manifiestan que están cansados de ser víctimas de los actores armados y del
gobierno que cada vez abre paso a los proyectos extractivos, que desangran la
Mama Kiwe (Madre Tierra).
Sí. Esa es la verdad que hay frente a este problema de
la guerra, aquí hay resistencia pacífica, hay tierras fértiles para la
agricultura y además riqueza mineral.
La comunidad de Toribío aprendió a la fuerza a vivir
en medio del conflicto. Han soportado los atentados guerrilleros y los ataques
del ejército. Sus hijos deben transitar
en medio de retenes de la policía y en las escuelas deben recibir clases
“custodiados” por las trincheras de la guerra. Sus casas destruidas y familias
llorando a sus muertos. Es un pueblo
semidestruido, es una comunidad que sufre la desgracia de una guerra por el
poder.
Por eso hoy este pueblo milenario le esta gritando al
mundo entero que tiene sed de justicia y que ninguno de los dos bandos les
protege su territorio. Que es necesario
que sepan que aquí en el Norte del Cauca, en Toribío se encuentra gente
dispuesta a proteger la vida, ya que nunca lo ha hecho el gobierno con su
fuerza pública.
Reza a crendice popular que a sexta-feira, quando cai no dia 13, é uma data de má sorte. Com o neo-senador Wilder Morais (DEM-GO) sucedeu algo diferente. Todo o azar que acontece aos outros converte-se na sorte do substituto do senador cassado Demóstenes Torres.
Wilder encontrava-se em férias
quando lhe chegou a notícia de que o Senado expurgara Demóstenes dos seus
quadros. Graças ao infortúnio do amigo de Carlinhos Cachoeira, o suplente
Wilder herdou seis anos e meio de mandato sem dispor de um mísero voto.
Na última sexta-feira, dia 13,
Wilder passou pelo Senado como um raio. Dirigindo-se a um plenário ermo, jurou
respeitar a Constituição. E o 4o secretário da Mesa diretora, senador Ciro
Nogueira (PP-PI), declarou-o “empossado”.
Entre o juramento e a posse,
consumiram-se três minutos. Já na pele de senador, Wilder retomou suas férias.
Absteve-se de comparecer às sessões deliberativas de segunda (16) e de terça
(17). Nesta quarta (18), o Senado fechou para o recesso do meio de ano. As
fornalhas só serão reativadas em agosto.
Pois bem. Numa evidência de que
não veio ao mundo por azar, Wilder será aquinhoado pelo Senado com um
contracheque de R$ 16,3 mil pelos serviços prestados à República no mês de
julho.
O salário de um senador é de R$
26.723,23. Cioso, o Senado informa que só vai pagar ao seu novo membro a fração
correspondente aos dias posteriores à posse. Considerando-se que Wilder,
cumpriu apenas três minutos de ‘expediente’, conclui-se que cada minuto de
Wilder, o venturoso, custa R$ 5,43 mil do suor do contribuinte, eterno azarado.
Como se vê, se o Senado fosse
feito à base de lógica e respeito, faltaria material. Ali, o dinheiro público é
gasto como se fosse dinheiro grátis.
Foto: Bispo rebelde de Volta Redonda conta como empresários e clero apoiaram golpe-64 e relembra resistência operária no Vale do Paraíba
Por Ana Helena Tavares*
Quem anda pela cidade de Volta
Redonda, no Vale do Paraíba, sul do Estado do Rio de Janeiro, fatalmente
passará pela ponte Presidente Médici. Cruzá-la indo para a casa de um bispo que
lutou contra a ditadura é, no mínimo, uma experiência inusitada, que mostra o
quanto o Brasil ainda precisa avançar no esclarecimento de sua história.
Dom Waldyr Calheiros Novaes,
bispo emérito de Volta Redonda e Barra do Piraí, abriu as portas de sua casa
para conceder entrevista exclusiva ao “Quem tem medo da democracia?“ e se
mostrou surpreso com o nome da ponte: “Vou tirar essa placa de lá”, disse
rindo, mas expressando um desejo sério. “Médici foi o mais criminoso dos
ditadores brasileiros”, completou.
Atraso
para o Brasil
Ele acredita que, com o golpe de 64, “houve
atraso para o desenvolvimento do país”. E prossegue: “Dali não poderia sair
nenhum futuro, aquilo não poderia dar em nada. Os líderes trancados, proibidos
de falar… Quem é que ia tomar iniciativas?”
A
intervenção sindical em Volta Redonda
“Aqui, em Volta Redonda, o problema foi que
interferiram diretamente no sindicato (dos metalúrgicos da CSN). Tiraram todos
aqueles que eram independentes da ditadura e colocaram, dentro do sindicato, os
seus assessores de confiança, afastando os outros. Ainda hoje tem gente aí que
foi afastada naquela época. Hoje o sindicato não é mais o mesmo, porque a luta
é contra a empresa, não contra a ditadura”
Em 1988, durante o governo
Sarney, os operários da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) entraram em greve.
Em 9 de Novembro daquele ano, o Exército invadiu a fábrica deixando três mortos.
Oscar Niemeyer fez um memorial para homenageá-los. Memorial este que foi
atacado a bomba em 89. No mesmo ano, um dos líderes da greve, Juarez Antunes,
que havia sido recém eleito prefeito de Volta Redonda, foi morto num suposto
acidente de carro. Dom Waldyr acompanhou toda essa história e até hoje acredita
que foi atentado.
O
banqueiro e as tropas
Falando sobre a influência do capital financeiro
na sustentação da ditadura, Dom Waldyr lembrou que um banqueiro mineiro
mobilizou tropas de Juiz de Fora para ajudar no golpe. “Vieram para o Rio de
Janeiro e no meio do caminho houve uma negociação. Um dos coronéis era meu
conhecido, general Cesar Neves, e ele me contou como foi aquilo tudo.”
O
poder econômico “dominou, animou e impulsionou”
“Quer dizer, houve iniciativa de empresários.
Não há dúvida nenhuma, porque os militares sozinhos, por serem militares, não
tinham interesse pessoal em torno disso, tinham que ter o poder econômico por
trás. Era o econômico que estava dominando, animando e impulsionando”.
Omissão
da mídia
Para o bispo, “a mídia se
manteve ausente diante da extravagância da ditadura. Foi omissa, porque tinha
interesses econômicos. Nossa democracia não deve nada a eles, a não ser a um ou
outro, como o Pasquim.” Mesmo sabendo que havia censura por parte do governo,
ele acredita que “os grandes meios de comunicação, se quisessem, poderiam
divulgar informações sem assumi-las como posição própria.”
“Porque o problema é que,
muitas vezes, havia jornalistas com coragem, dispostos a assinar notícias
denunciando o que estava acontecendo, mas os próprios donos não permitiam a
veiculação. Para eles, aquilo era comum. Havia todo um comprometimento. O
Roberto Marinho de braços dados com Figueiredo não me deixa mentir.”, ironiza
Dom Waldyr.
O
apoio da Igreja Católica ao golpe
Quando “estourou” o golpe, que Dom Waldyr
garante ter sido em 1º de Abril de 1964, ele era bispo auxiliar do Rio de
Janeiro. “Naquela ocasião, o cardeal Dom Jaime de Barros Câmara e Dom Hélder
Câmara, que era o secretário da CNBB, pediram uma audiência ao general de
plantão (Castelo Branco). Eles se encontraram em Laranjeiras, numa casa
pertencente ao governo, junto com mais uns cinco bispos, dentre eles Dom
Sigaud, que era da oposição à renovação da Igreja. Hélder ali falou claramente
que apoiava as decisões do poder militar e que a Igreja não se ausentava
daquela situação, mas não tomou a iniciativa nem estimulou.”, contou Dom
Waldyr.
A
reação da Igreja
“No entanto, quando, no mesmo
ano, começaram as torturas, que chegaram dentro de casa, houve uma perseguição
a muitos membros da Igreja que lutaram contra a ditadura. Aí, houve outra
reunião. Foi para desfazer o contentamento da Igreja com o golpe.” A Igreja,
depois que viu que seus membros não foram livrados das prisões e das torturas,
começou a mudar sua postura.”
“Naquela época, havia muitos movimentos
sindicais, que faziam passeatas. Naturalmente, aquilo, para a Igreja, era um
pouco de desordem. Mas já era uma reação dos operários à ditadura que foi
estabelecida. Eles é que reagiram num primeiro momento. A Igreja, depois que
viu que seus membros não foram livrados das prisões e das torturas, começou a
mudar sua postura.”
O
Cardeal que mudou de lado
“Dentro da Igreja, um dos
defensores do golpe era o Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de
Barros Câmara. Ele, por sua vez, teve um de seus sobrinhos atingido pela
ditadura. Foi na Bahia. Colocaram-no no 5º andar de um prédio e começaram a
maltratá-lo. Ele, então, pulou para se livrar daquilo. Suicidou-se. Esse suicídio
desse menino serviu para Dom Jaime refletir e rever sua posição. Ele afastou
toda possibilidade de dar apoio à ditadura”.
A
morte do representante do papa
Dom Waldyr relatou que, na ditadura, teve
contato com o representante do papa no Brasil, que é chamado “núncio” (palavra
que significa anunciador). “Eu me dirigi ao núncio apostólico, o nome dele era
Lombardi. Ele era totalmente contra o regime e, assim, foi instigado pela
ditadura a se afastar do Brasil para vir outro núncio. Naquela época, a sede
dos representantes do papa era no Rio de Janeiro, mas, nessa luta, Lombardi
precisou ir até Brasília. Contrariado, porque as autoridades estavam quase
colocando a mão em cima de Dom Hélder Câmara, que era a voz da Igreja contra a
ditadura, ele quis se entender com as autoridades. Lá, em Brasília, ele teve um
enfarto e morreu.”
“Antes da morte dele (do
núncio), houve aqui um problema bastante antipático. O comandante do Batalhão
de Infantaria Blindada (BIB), que era localizado em Barra Mansa, bem perto de
Volta Redonda, para tomar conta da Companhia Siderúrgica, um bem nacional,
achou de convocar as autoridades locais para fazer uma exposição muito negativa
de mim. Disseram que eu tinha relações com todas as organizações comunistas
internacionais.”
Na foto histórica, o bispo emérito de Volta Redonda, Dom Waldyr Calheiros, aparece de microfone em punho celebrando missa do velório dos 3 funcionários da CSN mortos na greve de 1988.
“Responsável
pela subversão no Vale do Paraíba”
“O comandante dizia que tinha cartas minhas
trocadas com revolucionários do Uruguai, do Paraguai, etc… E convocou
delegados, promotores, todas as autoridades da sociedade, para ouvir a
exposição dele. Alguns membros da Igreja que foram ouvi-lo me contaram tudo.
Ele me acusava de ser o responsável por toda a subversão no Vale do Paraíba.
Falava: ‘o bispo comunista incita as pessoas a ingressarem na luta’. E atribuiu
a isso a prisão, dentre outros, de Waldyr Bedê, que era um professor aqui em
Volta Redonda, um homem muito conceituado e esclarecido, sem compromisso com a
ditadura, e que trabalhava comigo. Então, eu tive que reagir um pouco. Pedi uma
audiência a ele.”
“Não
posso prender um bispo”
“Isso foi depois do AI-5. Fui
acompanhado do meu vigário-geral, Monsenhor Barreto, disse que tinha
conhecimento do que ele (o comandante do BIB) havia dito. ‘Sei o conceito que o
senhor tem de mim’. E disse mais: ‘Se o senhor acha que prendem pessoas pelo crime
de trabalharem comigo, o criminoso sou eu, me prenda’. Ele respondeu: ‘Pode me
dar um tiro, pode jogar uma bomba no batalhão, não posso prender um bispo’”,
lembrou Dom Waldyr.
Nesse dia, o bispo permaneceu
lá das 8h às 22h. Queria mesmo ser preso junto com aqueles que trabalhavam com
ele, o que deixou os militares incomodados. “Não podemos mantê-lo aqui”,
diziam. Dom Waldyr conseguiu com isso a libertação de alguns, mas houve um
preço. “Cobraram deles que dissessem tudo o que tinham contra mim. Alguns
saíram incumbidos de procurar coisas ruins a meu respeito para permanecerem
soltos.”.
Facilitando
fugas
“Uma vez, veio me pedir socorro
uma pessoa que se apresentou dizendo que trabalhava com Dom Pedro Casaldáliga
(bispo prelado emérito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso). Queria que eu
o ajudasse a fugir do país. Como ele trazia o nome de Dom Casaldáliga, já tinha
uma credencial… E ele tinha que fugir, pois estar com Pedro não era possível…
Fiz o que estava ao meu alcance, me dirigi ao bispo da fronteira, Foz do
Iguaçu, e disse: ‘tem um fulano aqui que eu gostaria que você desse uma ajuda
para ele passar para o Uruguai’ Ele atendeu. Esse eu sei que encaminhei.”
“E houve também certos
companheiros que eu ajudei a fugir daqui (de Volta Redonda) pela perseguição
que estava em cima deles. Entre eles, tem um jornalista chamado Aurélio, que
ainda é vivo. Ele me disse (naquela época) que estava com receio de que lhe
acontecesse alguma coisa. Eu disse a ele: ‘Olha, Aurélio, só há um caminho: é
fora daqui, saia daqui’ Ele, então, ‘desapareceu’ por algum tempo. Passada a
ditadura, ele voltou e é dono hoje do “Diário do Vale”, que é o jornal da
cidade.”
“Confessar-se
num livro não redime ninguém”
Dom Waldyr comentou a atitude
do ex-delegado Cláudio Guerra, que foi um matador na ditadura e resolveu
escrever um livro – “Memórias de uma guerra suja” – contando o que sabe: “O
arrependimento é uma coisa muito pessoal. Alguns usam isso em proveito próprio,
aproveitando-se da situação atual para se sentirem ainda acolhidos na
comunidade, mas não acredito em conversão no caso dele. Se fosse dentro da
sujeira que ele estava fazendo, tudo bem. Converter-se agora? Não acredito. E
confessar-se num livro não redime ninguém. Se a Comissão da Verdade existir
mesmo, ele tem que ser ouvido e acho que não seria perdoado.”
Tortura:
“um pedaço da sua carne sofrendo no outro irmão”
“Porque o que a gente espera é
que essa Comissão não só descubra os criminosos, mas faça justiça com relação
aos que ainda estão vivos. É uma satisfação para os familiares das vítimas e
para a sociedade. Os torturadores têm que ser julgados e punidos. Porque isso
que eles fizeram foi muito doloroso e essa atitude não se faz sem uma opção
pessoal. Torturar uma pessoa, sem ela ser criminosa, e mesmo que fosse, é
inadmissível. É um pedaço da sua carne sofrendo no outro irmão.”
Luta
armada: “um instrumento de libertação”
Para Dom Waldyr, a luta armada
de esquerda foi “totalmente legítima” a partir do momento que funcionou como
“um instrumento de libertação para os que lutaram e uma forma de exigir que a
prática de tortura não continuasse”. Para ele, “ninguém tem uma vocação
suicida, maltratando o seu direito de viver, então eles (os guerrilheiros)
fizeram o que era necessário.” E vai além: “Quando um país é oprimido e sofre,
por estar sob domínio, a Igreja defende uma guerra justa e admite que aqueles
que estão sofrendo e passando mal se levantem para se defender dessas torturas.
Uma guerra justa.”
Comissão
da Verdade
O bispo considera que os nomes
escolhidos para integrar a Comissão “são confiáveis, são pessoas que passaram
pela experiência (da ditadura) e não falarão genericamente, porque são
testemunhas da verdade”. Mas não entende o porquê do espaço de tempo de 1946 a
1988: “Só se for para atrasar o resultado”, disse.
Uma
sugestão para a Comissão
“Tem um casal conhecido meu que o filho deles
trabalhava no Exército, no batalhão de Barra Mansa, na época da ditadura. Uma
vez, ele vinha de lá para Volta Redonda, num jipe do Exército. Era noite e
prenderam um rapaz que estava pintando uma propaganda da Casa Confiança.
Colocaram-no dentro da caminhonete, onde começaram a socá-lo. Nisso, ele caiu,
bateu com a cabeça numa pedra e morreu. Até hoje a família é enganada pensando
que houve um acidente, mas tem uma irmã dele consciente de que o mataram. Esse
é um caso que a Comissão da Verdade deveria apurar e descobrir o que aconteceu,
porque ele morreu dentro do quartel.”
Um
comentário sobre FHC
“Eu conheci Fernando Henrique
Cardoso quando a ditadura ainda o amarrava. Ele era um dos conferencistas
privilegiados pela CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil). Quando o
regime começou a se endurecer, a CNBB o convidava para ele expor qual seria a
melhor atitude. Nós fomos companheiros dele, quando tivemos oportunidade de
estudar como nos libertarmos disso. O que aconteceu depois da ditadura foi que
os homens começaram a querer tirar vantagem.”
A
importância do passado para o presente
“É importante (que haja o
esclarecimento dos crimes da ditadura) primeiro para que o Brasil supere a
falta de memória dos que viveram e não se interessaram pelo bem da sociedade.
Talvez alguns tenham se afastado, valendo-se daquele velho ditado – ‘Como o
fogo não é na minha casa, que os outros tomem conta que não é comigo’. Somente
esses – os que não foram atingidos – é que podem ficar indiferentes ao que se
passou. É uma espécie de egoísmo exaltado ao máximo. Quem perde a memória do
passado não pode saber, diante do presente, que passou aquela experiência”.
“Se
eu souber de um torturador, abro o bico”
Perguntado sobre sua opinião a
respeito dos jovens que tem pintado muros e colocado faixas em locais onde
moram ou trabalham ex-torturadores, Dom Waldyr reagiu positivamente: “Acho que
é uma boa contribuição. Uma atitude dessas é uma participação da comunidade ao
repúdio que se tem diante da ditadura e do seu modo de tratar, que foi uma
miséria, tratavam as pessoas como se fossem animais. Acho que é uma ajuda
importante, porque foi injustíssimo aquilo. Então que se faça justiça hoje,
quando se tem um ambiente para isso. Se eu souber de um torturador, abro o
bico, grito claramente com os instrumentos de que eu puder dispor. Porque a
impunidade dos criminosos de ontem é a pior coisa para que outros cometam novos
crimes.”
“Quem
vai para a delegacia é pobre”
Falando sobre o Brasil de hoje, o bispo
pergunta-se: “Quem vai para a delegacia?”. Ele mesmo responde: “É pobre!” E
prossegue: “Tudo o que fazem lá com ele (com o pobre) é justificado, porque ele
fez isso, aquilo e aquilo outro… Aí aparecem pessoas delatando a vida do povo,
testemunhas às vezes falsas. Acho que é indecente por parte daqueles que se
aproveitam disso.”
As mais de 2500 páginas modelariam boa parte do pensamento
político do século XX
WikiCommons
O Capital (Das Kapital), principal
obra de Karl Marx, é publicado no dia 17 de julho de 1867. Desde então, a
economia e a filosofia marxista foi objeto de estudos e polêmicas. Com base
nelas foram fundados sindicatos e organizações, feitas revoluções e erigidos
Estados.
São mais de 2500 páginas
escritas ao longo de 15 anos. Marx conseguiu escrever na íntegra apenas o
primeiro volume. Os outros dois tomos foram concluídos após sua morte graças a
fragmentos, bilhetes e anotações deixadas ao amigo Friedrich Engels.
A obra desvendou as engrenagens
do capitalismo. Muitos consideram-na o marco do pensamento socialista marxista.
Nela são expostos conceitos econômicos complexos, como a mais-valia, capital
constante e capital variável. Há ainda a análise sobre salário, força de trabalho,
teoria da alienação, acumulação primitiva, ou seja, todos os aspectos do modo
de produção capitalista, inclusive uma crítica sobre a teoria do valor-trabalho
de Adam Smith e outras teorias dos economistas clássicos.
Preocupa-se amplamente com a
questão da circulação do dinheiro, dos valores de troca e de usufruto, das
taxas de lucro e forças de produtividade. Ele falava de "engolir de todos
os povos pela rede do mercado mundial" e da necessidade de eliminar as
relações que escravizam as pessoas.
O ideólogo da classe operária
nunca vira uma fábrica por dentro. Para a sua obra de três volumes, pesquisou
exaustivamente na biblioteca do Museu Britânico, em Londres. Lá, segundo suas
próprias palavras, "juntou-se
enorme quantidade de material" sobre o tema.
Marx levou tempo até chegar à
sua obra máxima. Cada vez mais preocupado com os problemas econômicos, publica
Miséria da Filosofia, em 1847, em resposta ao livro do autor anarquista
Proudhon A Filosofia da Miséria. Já demonstrava preocupação em erigir a economia
política como ciência.
Em 1859 publicou Contribuição
para a Crítica da Economia Política, que já continha dois capítulos: A
mercadoria e A moeda, retomados em O Capital. Os seus textos eram escritos em
cadernos de rascunho conhecidos como Grundrisse. A pequena Formações Econômicas
Pré-capitalistas é uma das obras derivadas desse volumoso trabalho que se
desdobraria nos Livros 1 a 3 de O Capital e no Livro 4, em que comenta teorias
de outros autores.
Entre as várias opções de
caminhos para expor suas ideias, Marx pensou publicar antes o Livro 4 e em unir
o conteúdo do Livro 4 ao Livro 1. Decidiu, por fim, expor toda sua teoria
primeiro para depois mostrar a de outros autores. Em O Capital, construiu um
gigantesco complexo filosófico com os seus conhecimentos de Ciências
Econômicas, História e Sociologia, mesclados com os frutos de sua atuação
política. Suas conclusões foram apoiadas por numerosas notas de rodapé e
citações de referência.
A ideia central era a convicção
da derrocada da sociedade capitalista, à qual se seguiria a vitória do
socialismo e depois do comunismo, libertando a classe trabalhadora da
exploração dos capitalistas.
Com a publicação de O Capital,
conquistou reconhecimento universal e, ao lado de Engels, foi elevado à
categoria de herói do socialismo científico, para muitos um dogma irrefutável.
A bíblia do proletariado nunca
se tornou realmente popular. É de leitura difícil. Críticos neo-marxistas
consideram-na superada pelos acontecimentos reais e pela evolução da economia
em âmbito global. Esses críticos acreditam que o desenvolvimento transcorreu,
sob muitos aspectos, de forma diferente da que Marx esperava. Comparam a
realidade de hoje com as teorias de Marx e sua validade em relação ao
desenvolvimento real. Acreditam que exatamente assim é que se mantêm fieis ao
espírito crítico de Karl Marx.
Também nesse dia:
1790 - Morre o economista Adam
Smith
1896 - Nicolau II da Rússia é
coroado
1904 – Morre o escritor russo
Anton Tchekov
1945 - Tem início a Conferência
de Potsdam
1954 –Morre a pintora mexicana
Frida Kahlo
1955 - Disneylândia abre suas
portas em Anaheim, Califórnia
1956 - Estreia o último filme
de Grace Kelly, Alta Sociedade
1974 – Golpe de Estado depõe
presidente do Chipre
1989 – Morre o maestro
austríaco Herbert Von Karajan
Os Anais do VI Colóquio Marx
Engels (2009) e do VII Colóquio Marx Engels (que será realizado na semana que
vem) estão disponíveis para consulta no site do Cemarx-Unicamp.
A Jornada de Lutas dos
Estudantes da UESB foi pensada depois de uma grande discussão a respeito do
modo que a nossa universidade vem sendo tratada. Como pensar em uma
universidade pública onde frequentemente a prefeitura de campus proíbe
alojamentos para eventos de suma importância para os estudantes? Você sabia que
recentemente essa mesma prefeitura emitiu um ofício circular decretando o fim
do livre acesso a diversas áreas da UESB? Agora, o acesso será restrito e
controlado pelos seguranças, e só permitido a pessoas autorizadas e
identificadas!!! Tem mais, você sabia que é proibido fazer festas dentro da
UESB? E pode piorar, sabia que estudantes estão sendo abordados pela Segurança
Patrimonial da universidade pedindo sua documentação por alegar “comportamento
suspeito” enquanto transitavam pelos módulos? Pois é galera, é nesse contexto
que surge a jornada, com o intuito de chamar a comunidade uesbiana pra luta,
para reivindicar o direito que temos de circular por essa universidade, que é
do povo, que é de todos nós!
Convidamos todos a participarem
das atividades dessa semana em Vitoria da Conquista!!!
Aula Publica Quarta-Feira as
19:00 no Auditório II do Luizão com o tema: DE QUEM E A UNIVERSIDADE PUBLICA?
Ato Publico Quinta-Feira as
09:00. Concentração em frente ao Modulo Luizão
Assinam e constroem essa mobilização:
Diretórios Centrais Estudantis dos 3 campi, Centro Acadêmicos de Direito,
Pedagogia, Comunicação, Geografia, Matemática, Física, Economia, e Coletivos de
Historia e Biologia. — com Lucas Dantas, Sarah Brazão, Paula Vanessa Carvalho e
outros 47.
Documentos secretos do Itamaraty comprovam que a ditadura brasileira sabia do golpe de estado no Chile mais de um mês antes do presidente Salvador Allende (foto) ser deposto, reforçam a tese de que golpistas brasileiros foram, ao lado dos Estados Unidos, os principais articuladores do golpe que derrubou o primeiro presidente socialista eleito pelo voto popular no mundo, e ainda demonstram o intenso monitoramento das atividades dos exilados brasileiros que viviam naquele país.
Najla Passos
Brasília - Documentos secretos
do Itamaraty, agora abertos à consulta pública no Arquivo Nacional, comprovam
que a ditadura brasileira sabia que iria ocorrer um golpe de estado no Chile
mais de um mês antes do presidente Salvador Allende ser deposto, em 11 de setembro
de 1973. E reforçam a tese defendida por pesquisadores da Operação Condor de
que os militares brasileiros e seus aliados civis foram, ao lado dos Estados
Unidos, os principais articuladores do golpe que derrubou o primeiro presidente
socialista eleito pelo voto popular no mundo.
Os documentos foram produzidos
pelo Centro de Informações do Exterior (Ciex), o serviço secreto criado pelo
Itamaraty em 1966 para auxiliar a ditadura brasileira a combater o chamado
“perigo vermelho”. Além de demonstrarem a proximidade entre a diplomacia
brasileira e os militares golpistas chilenos, revelam que os exilados e banidos
brasileiros no Chile tiveram todos seus passos monitorados pelo Ciex, a serviço
do Serviço Nacional de Informação (SNI), o temido órgão central de inteligência
do governo ditatorial.
No dia 8 de agosto de 1973, 35
dias antes do golpe, o Informe nº 389, não assinado, alertava a ditadura
brasileira de que os altos chefes militares chilenos haviam realizada uma
reunião secreta, seis dias antes, na base aérea El Bosque, em Santiago, para
examinar “as várias medidas adotadas pelos militares brasileiros quando da
revolução de 31 de março de 1964, a fim de determinar em que tal experiência
poderia ser útil ao Chile”. Conforme o documento, eles discutiram também a
conjuntura chilena e o papel das forças armadas do país perante a crise.
Pelo relato do Ciex, estiveram
presentes à reunião o comandante-chefe da Força Aérea Chilena, general-aviador
Cesar Ruiz, o comandante da 1ª Zona Naval, Ernesto Jobet, representando o
vice-almirante José Turíbio, e o diretor da Aviação Naval, comandante Ernesto
Huber Von Hapen, além de diversos oficiais reformados da Marinha e da
Aeronáutica. Ruiz havia afirmado que o Chile “estava sob o fio da navalha” e
que a adesão a um possível golpe militar se alastrava pelas forças armadas.
No informe, os diplomatas
brasileiros avaliam que, desde que começaram a discutir um possível golpe
contra o “governo marxista de Allende”, as forças armadas chilenas sempre
respeitaram a hierarquia militar e procuraram firmar a maior coesão possível
entre elas para derrotar o presidente marxista.
O documento termina elogiando
uma entrevista coletiva concedida à imprensa chilena pelo general Alfredo
Canales, que lançara as bases para a constituição da Junta Unificadora Nacional
(JUN), o partido político que viria a dar sustentação à ditadura. Segundo o
informe, “essa coroação pode servir para coroar os esforços, até aqui
desenvolvidos clandestinamente, de motivar os militares para uma intervenção
contra o governo marxista de Salvador Allende”. Ao final, o Ciex registra a
seguinte nota: “O presente informe não poderá ser difundido para serviços de
informações estrangeiros”.
No mesmo dia, o Ciex emitiu o
Informe nº 390, sobre o agravamento da situação no Chile. “Mais uma vez, em
menos de 60 dias, a situação política chilena torna-se gravíssima. O governo
parece ter perdido virtualmente o controle do país”, diz o documento. De acordo
com o Itamaraty, o fracasso das conversações entre Allende e o presidente do
Partido Democrata Cristão (PDC), a continuidade da greve nos transportes, a
anunciada adesão do comércio à paralisação e a escalada terrorista, que teria
somado mais de 200 atentados nos últimos 15 dias, seriam o pano de fundo para a
crise.
O Informe relata ainda que
Allende estaria planejando realizar uma reforma ministerial para incluir
militares no seu staff, como forma de responsabilizá-los pela manutenção da
ordem no país. Para o Itamaraty, a medida prejudicaria uma possível
“intervenção” (termo a que se referiam ao golpe).
Após relatar o desgaste do
governo perante os militares, com a antecipação da reforma de dois generais e
outras medidas, o documento do CIEX alerta que circulam boatos de que o golpe
poderá ocorrer nas próximas 24 horas.
No dia seguinte, o Informe nº
393 se desculpa pelas informações contraditórias do dia anterior, justificadas
pelo “rápido desenrolar dos acontecimentos”. Relata que, de fato, conforme
antecipado, foram designados quatro militares para os cargos de ministros de
estado. Um deles era o próprio o comandante-chefe da Força Aérea Chilena,
general-aviador Cesar Ruiz, que havia participado da reunião secreta para
discutir o golpe, no dia 2.
E mesmo apesar dos militares
terem aceitado integrar o staff do governo socialista de Allende, o documento
era taxativo: “atualmente existe um verdadeiro consenso da oficialidade das
forças armadas chilenas no sentido de que a única solução para o país é a
intervenção militar, porém o problema continua sendo o de uma liderança efetiva
para o movimento”. O Itamaraty avalia, também, que a falta de uma liderança era
o motivo pelo qual, desde a tentativa frustrada de golpe em junho, três outras
rebeliões estiveram a ponto de estourar, mas foram abortadas.
Os documentos não fazem nenhuma
referência ao general Augusto Pinochet, que viria a ser a principal liderança
do golpe. tido até então por muitos como pessoa ligada à Allende.
O documento também tece
comentários sobre a situação econômica do Chile e a criação da JUR. “É
inevitável concluir que um movimento armado contra o governo marxista de
Salvador Allende é inevitável, porém tanto poderá ocorrer nos próximos dias
como em um prazo mais longo”.
No dia 13 de agosto, o Informe
nº 396 levanta a insatisfação das forças armadas chilenas com a nomeação dos
quatro militares para o staff do governo. “Consideram os militares que Allende
teria, com esta manobra, visado a um duplo objetivo: ganhar tempo para que as
esquerdas continuem se fortalecendo e provocar a desmoralização das forças armadas”,
diz o documento.
Segundo o Itamaraty, a
impressão predominante nas forças armadas chilenas é que os ministros militares
nada poderão fazer para resolver a crise chilena e que, procurando tomar
medidas acertadas, tudo o que lograrão é desgastar ou comprometer as devidas
forças. “Por isso mesmo, a única solução para o problema chileno é o golpe
militar, ao qual só o Exército ainda se mostra, em parte, hesitante”, defende.
O Informe nº 402, de 20 de
agosto, é decisivo para demonstrar a proximidade das autoridades diplomáticas
brasileiras e os militares insurgentes, que planejavam o golpe. O nível de
detalhamento das informações obtidas pelo Itamaraty é revelador. O documento
relata o agravamento da crise, com o pedido de demissão do general Cesar Ruiz
do cargo de ministro de Obras Públicas.
Segundo o Ciex, era possível
observar forte inquietação na marinha e na aeronáutica. A exceção era o
exército chileno, em função do forte respeito hierárquico a figura do general
Carlos Pratz e outros cinco ou seis generais simpatizantes do regime ou
defensores da tese legalista. “Diante desta quadro, fontes idôneas e bem
situadas consideram possível um desenlace nos próximos dias, podendo culminar
com a queda do governo Allende”.
Monitoramento
dos exilados
Outro Informe, produzido no dia
seguinte, demonstra que o Itamaraty mantinha total controle das atividades dos
exilados e banidos brasileiros que, à época, vivam no país. O Informe nº 404
relata que, durante as 48 horas que precederam a posse do novo ministério, toda
a esquerda chilena em condições de atuar fora mobilizada para evitar uma nova
tentativa de golpe contra Allende.
O documento afirma também que,
segundo alguns asilados brasileiros ligados ao Partido Comunista Chileno
(PCCh), a tática do partido à época era tentar equilibrar a situação, pelo
menos pelos próximos seis meses, porque a pior crise econômica estaria por vir,
em novembro próximo. Ainda segundo o informe, após fevereiro de 1974, haveria
um alívio considerado, devido à ação do governo. Os brasileiros responsáveis
pelas informações grampeadas seriam Almino Afonso, Ulrich Hoffman reger e
Armando Ziller.
O Informe observava ainda que a
tática do Partido Socialista (PS) era reprimir os militantes de ultraesquerda
para justificar a repressão também contra a direita. O comunicado atribui à
deputada Carmem Lazo a avaliação de que, se Allende superar 1973, o ano
seguinte seria bem mais tranquilo e a Unidade Popular (UP) poderia vencer as
eleições de 1976, tendo a sua frente uma figura como o general Carlos Pratz ou
Gabriel Valdez (PDC). Ambos de tendências constitucionalistas. A UP foi a
coalizão de esquerda que elegeu Allende e deu sustentação ao seu breve governo.
Participação
brasileira
O médico e político Salvador
Allende foi eleito presidente do Chile em outubro de 1970. Governou com muita
dificuldade até 11 de setembro de 1973, quando foi deposto por um golpe de
estado comandado por seu chefe das forças armadas, Augusto Pinochet. Morreu no
Palácio de La Moneda, durante a invasão das tropas ditatoriais. Até hoje não se
sabe se foi assassinado ou se teria cometido suicídio.
A participação do Brasil no
golpe é defendida por pesquisadores como a jornalista e escritora chilena
Mónica Gonzalez, autora do livro “La Conjura - Os Mil e Um Dias do Golpe”, o
ex-assessor de Allende e atual diretor do Programa da ONU para o Desenvolvimento
(PNUD), Heraldo Muñoz, autor de “A Sombra do Ditador - Memórias Políticas do
Chile sob Pinochet”, e o historiador brasileiro Luiz Alberto de Vianna Moniz
Bandeira, autor de “Fórmula para o Caos”.
Nessas obras, os autores
relatam a intensa relação entre o embaixador brasileiro no Chile à época,
Antônio Castro de Alcântara Canto, com os militares golpistas. Há denúncias de
que reuniões preparativas para o chegaram a ocorrer na sede da embaixada
brasileira e de que Castro foi o único brasileiro presente à posse de Pinochet,
entre outras evidências.
No Seminário Internacional
sobre a Operação Condor, realizado pela Comissão Parlamentar Memória, Verdade e
Justiça, na Câmara, no mês passado, Mónica Gonzalez cobrou do governo
brasileiro a apuração sobre a participação do país no golpe. “Nós sabemos foram
os empresários brasileiros que financiaram a junta militar responsável pelo
golpe. E que as primeiras armas que chegaram ao Chile para apoiar Pinochet
saíram do Exército brasileiro. Queremos que essa história seja esclarecida e os
culpados, punidos”, reivindicou.