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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CONFIRMADO: Governo baiano intensificou investimento em TV durante greve da polícia

Charge: Daniel Sampaio

Quanto custa ao erário público as manipulações midiáticas. Governos antigos e contemporâneos: velhas práticas. A burguesia, no poder, é uma só, de fantasia tucana ou estrelada. Fato: denunciamos isto o tempo todo aqui no Blog.


Segundo levantamento do Controle da Concorrência, que monitora inserções comerciais para o mercado, o governo baiano foi um dos principais anunciantes das emissoras no período que durou a greve da polícia baiana.
De 16 de janeiro a 14 de fevereiro, o Governo da Bahia apareceu 426 vezes nos intervalos de Globo, Band e SBT.
Coincidência ou não, as propagandas se intensificaram na semana de auge da greve: foram 148 inserções entre os dias 23 e 29 de janeiro.
A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta sexta-feira (17).
A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.
Fonte: Folha

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Cenas de neoliberalismo explícito: Saúde e Educação sofrem corte de R$ 7,5 bi no Orçamento da União

Neoliberal que se preze, nunca deixa de sê-lo. Num ataque agudo de neoliberalite, o PT (Partido dos Tecnocratas) promove mais cortes nos serviços essenciais e de caráter social com o fito de transferir riquezas produzidas pela classe trabalhadora (a matéria não informa que tal corte foi aplicado visando o pagamento de juros da dívida, ou seja, favorece os especuladores de banco e bolsa, fração burguesa hoje hegemônica no aparelho de Estado). O quadro que aí está tem explicações também políticas. O governo servil do PT intensifica sua política de pão e circo, aprofundando o fosso entre um e outro. Por outro lado, o Estado age cada vez mais fascistamente na repressão às manifestações de descontentamento, como nos casos dos professores, dos movimentos sociais e dos policiais na Bahia e no Rio. Você acha que Educação, Saúde e Segurança estão precarizados pelo governo atual? Tá ficando cada vez pior. Leia esta matéria.

Ministério da Saúde viu limite de gastos encolher R$ 5,4 bilhões, enquanto Educação perdeu R$ 1,9 bilhão.

Dilma e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior:
nem a Saúde e nem a Educação escaparam da "tesourada"
O maior orçamento da Esplanada dos Ministérios é também o que dará a maior contribuição ao ajuste fiscal anunciado hoje pelo governo federal. Após ter seu orçamento fixado em R$ 77,58 bilhões pelo Congresso Nacional, O Ministério da Saúde viu o seu limite de gastos discricionários encolher R$ 5,47 bilhões.

Em nota, os ministérios do Planejamento e da Fazenda ponderaram que o valor reprogramado (R$ 72,11 bilhões) ainda é maior do que o previsto no projeto encaminhado ao Congresso em agosto de 2011 (R$ 71,68 bilhões). Outro ministério que não sofre corte comparativamente ao valor destinado pelo projeto original do orçamento é o da Educação.

O órgão terá R$ 33,36 bilhões, ante R$ 33,31 bilhões do projeto. Mas isso representa um corte de R$ 1,94 bilhão sobre o autorizado na lei aprovada pelo Congresso. O MEC é o segundo maior orçamento da Esplanada em gastos discricionários. Proporcionalmente, o Ministério das Cidades perdeu mais que Saúde e Educação. Foram R$ 3,32 bilhões, o que reduziu o valor disponível para R$17,461 bilhões.

O Ministério das Cidades é sempre um dos mais visados pelas emendas parlamentares ao orçamento e, por esse motivo, um dos principais alvos de ajuste na reprogramação orçamentária. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, houve corte de parte das dotações de emendas parlamentares em diversos ministérios. O terceiro maior corte em valores nominais foi o sofrido pelo Ministério da Defesa (menos R$ 3,2 bilhões), órgão que fica com orçamento de R$ 13,2 bilhões).

Apesar da proximidade da Copa do Mundo, o Ministério dos Esportes perdeu R$ 1,8 bilhão, mais da metade do que tinha na lei, ficando com R$ 717 milhões. Em valores nominais, também substanciais foram os ajustes nos ministérios da Justiça (R$ 2,24 bilhões, para R$ 3,13 bilhões), da Integração Nacional (R$ 2,19 bilhões, para R$ 4,45 bilhões), do Turismo (R$ 2,01 bilhões, para R$ 603 milhões) e da Ciência e Tecnologia (R$ 1,48 bilhões, para R$ 5,23 bilhões). O Ministério dos Transportes, que agora tem um limite de R$ 17,06 bilhões, perdeu R$ 1,97 bilhão.

PAC e programas sociais

O corte não vai atingir os principais programas do governo federal, como o de Aceleração do Crescimento (PAC); o Minha Casa, Minha Vida e o Brasil sem Miséria. Segundo documento entregue pelo Ministério do Planejamento, “os recursos estão integralmente preservados, assim como [os recursos previstos para as] áreas da saúde e educação”.

Com o corte anunciado, as receitas líquidas foram reavaliadas e reduzidas em R$ 29,5 bilhões em relação ao previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). Houve redução de R$ 14,6 bilhões na estimativa das receitas administradas pela Receita Federal e de R$ 4,8 bilhões na Contribuição para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

O documento destaca ainda que as “estimativas de arrecadação de quase todos tributos foram reduzidas”, com destaque para Imposto sobre a Renda (IR), Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre combustíveis, Contribuição para Financiamento de Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e PIS/Pasep.

Ainda foram reduzidas em R$ 7,1 bilhões as estimativas de arrecadação das demais receitas primárias do Governo Central ((Tesouro, Previdência Social e Banco Central), com destaque para dividendos, receitas próprias, contribuição para salário-educação e receita com concessões. A redução das despesas obrigatórias ficou em R$ 20,5 bilhões. Com relação à Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano, enviada ao Congresso Nacional, as despesas discricionárias foram reduzidas em R$ 35 bilhões.
Grifos e comentários: Almoço das Horas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Doutorado em Memória abre inscrição para primeira turma

por Patrick Moraes
O Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade abre as inscrições de 15 de fevereiro a 2 de março para seleção da primeira turma do Doutorado. Com área de concentração “Multidisciplinaridade da Memória”, o curso abriga duas linhas de pesquisa: “Memória, Cultura e Educação” e “Memória, Discursos e Narrativas”.
As inscrições podem ser realizadas na Secretaria do Programa, campus de Vitória da Conquista, das 9 às 17 horas. O curso tem duração mínima de 24 meses e máxima de 48, com disposição de 18 vagas. Os documentos exigidos constam no item 2.3 do Edital 020/12, assim como os detalhes do processo de seleção, resultado e matrícula.
Mais informações, entre em contato com o Programa no telefone (77) 3425-9395, pelo emailppgmemorials@gmail.com ou acesse o site oficial.

VERGONHOSO: COMANDANTE DO MASSACRE DO PINHEIRINHO É CONDECORADO!

O Estado burguês considera destaque relevante e "contribuição às ciências, letras, artes e cultura, resultando em benefício à Policia Militar do Estado de São Paulo", massacrar em moradia. Pode parecer surreal e anacrônico, mas esta aberração tem lugar aqui, no Brasil do século XXI.

O Coronel Messias, que comandou a desastrosa operação de despejo do Pinheirinho, recebeu na última semana uma condecoração da Polícia Militar de São Paulo.
Trata-se da Medalha Paul Balagny, destinada a personalidades que "tenham se destacado por relevante contribuição às ciências, letras, artes e cultura, resultando em benefício à Policia Militar do Estado de São Paulo". É o fim da picada.
O evento ocorreu dia 9/2, menos de 20 dias após o massacre, no Anhembi.
É importante lembrar que ainda existem 5 pessoas desaparecidas desde o despejo, sendo procuradas por seus familiares: Josefa de Fátima Jerônimo / Gilmara Costa do Espírito Santo, Beto (esposo) e Lucas Costa do Espírito / Mateus da Silva.  Há ainda o caso de Ivo Teles dos Santos – 75 anos. Ficou desaparecido por 9 dias, sendo encontrado na UTI de Hospital de São José, com traumatismo craniano, devido a agressões. Está ainda em estado grave.
É necessário denunciar este fato vergonhoso.
Fonte: MTST

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A força das armas e a ideologia: reflexões sobre a greve da polícia militar na Bahia

Glauber Leal*
         Os acontecimentos recentes decorrentes da greve da polícia militar na Bahia causaram grande comoção pública. O assunto está sendo altamente debatido nas redes sociais e nos veículos de comunicação em todo o país. O clima de insegurança tomou conta das principais cidades do Estado, onde ocorreram diversos saques em massa a lojas e shoppings, os chamados “arrastões”.
            Momentos de agitação política, como este que presenciamos diante de nossos olhos, transformam toda a vida social em um grande laboratório, cujos efeitos nos dão fundamentação empírica para analisarmos com maior clareza a realidade em que vivemos. Dentre os inúmeros aspectos que podem ser discutidos, somente neste caso particular, dois deles serão destacados neste momento. Ambos tratam de grandes forças sociais responsáveis pela manutenção da chamada “ordem pública”, para ser mais específico, pela conservação do status quo, das desigualdades entre as classes, da exploração do homem pelo homem, enfim, de toda vida social – como ela se encontra neste momento. Estas duas grandes forças conservadoras são: a força das armas e a da ideologia.
            A simples ausência da polícia militar fez com que, em poucos dias, muitas pessoas se sentissem à vontade para cometer qualquer tipo de delito, dentre eles, o chamado crime contra a propriedade. Mesmo antes do início da greve, este gênero criminal já era bastante praticado. Num relatório elaborado pelo Ministério Público de São Paulo[1], foram computadas mais de um milhão de denuncias, realizadas entre 2002 e 2009. Somente neste último ano, os crimes de roubo, furto e estelionato atingiram 57% dos principais delitos cometidos no Estado. Em contrapartida, estupro e homicídio doloso, classificados entre os crimes contra pessoas, atingiram a estatística de 7,18%.
            A polícia militar se apresenta como a grande guardiã da propriedade privada. Possui, antes de tudo, a função social de protegê-la. Contribuir para a conservação da distribuição desigual das riquezas produzidas socialmente. Desta forma, permanece restrito o acesso das mercadorias produzidas pelos trabalhadores apenas àqueles indivíduos habilitados a adquiri-las, a depender do valor de sua renda. Todos os indivíduos buscam por estas mercadorias como meio de atender às suas necessidades, sejam elas básicas ou secundárias.
            Apesar do incrível desenvolvimento histórico das sociedades humanas, seus membros não abandonaram sua condição animal, e como tal precisam atender às suas necessidades orgânicas dia após dia. Precisam de comida e abrigo, por exemplo. E uma vez saciadas as necessidades básicas, surgem outras, que podem ser diferentes para cada indivíduo. Possuir um carro, televisão, livros, realizar atividades de lazer. Para atender estas necessidades, os seres humanos transformam a natureza em sua volta, através de seu trabalho consciente.
            Na sociedade capitalista estes bens assumem a forma de mercadorias, que podem ser trocadas por outras no mercado através da mediação do dinheiro. Este, por sua vez, assume a função de mercadoria universal que pode ser facilmente trocada por qualquer outra. Entretanto, para a grande maioria das pessoas, a única forma de adquirir dinheiro é vendendo seu trabalho para terceiros ou prestando algum tipo de serviço autônomo. Por motivos que não cabem abordar neste texto, uma grande parte dos indivíduos não recebe um salário suficiente para atender todas as suas necessidades, sequer as mais básicas em grande parte dos casos.
            A grande incidência dos crimes contra a propriedade é reflexo desta situação, e a ausência da polícia nas ruas abriu espaço para que estes crimes pudessem ser realizados abertamente, como vimos nos “arrastões” que ocorreram em várias das cidades baianas. Lógico que não se trata de defender a barbárie, mas sim de tentar entendê-la. Evidentemente que os saques não são o caminho para mudar a situação desigual do capitalismo. Apenas uma mudança estrutural do nosso modelo de sociedade poderá eliminar os efeitos das desigualdades sociais, tal como vemos agora.
            É igualmente verdadeiro que a ausência da polícia também contribuiu para o aumento da violência generalizada, uma vez que, oficialmente, o Estado possui o monopólio das armas. Entretanto, a polícia não é a única força capaz de inibir a ação criminosa. Na França, em 1871, por exemplo, durante a guerra franco-prussiana, o Estado francês se tornou incapaz de dar soluções aos problemas sociais acentuados durante o conflito militar. Diante desta situação, a população de Paris decidiu tomar o controle da cidade, assumindo, dentre outras coisas, a segurança pública. A polícia profissional foi extinta, e a população organizada, sob a posse das armas, uma vez que se encontrava em guerra, passou a combater os crimes, que caíram significativamente[2].
            Desta forma, se revela a função social essencial da polícia, a saber, garantir a reprodução ampliada da propriedade privada. Assim se assegura a perpetuação da sociedade humana sob sua forma capitalista. A força das armas não é uma forma de remediar a luta de classes, ao contrário, é um mecanismo de manutenção destes conflitos gerados pelas desigualdades sociais.
            Evidentemente que a força das armas não é o único mecanismo de preservação da ordem capitalista. A ideologia joga um papel de igual importância neste sentido. Para garantir a conservação da sociedade tal como está, é preciso que o conjunto dos indivíduos seja convencido de que não existe uma forma melhor de preservar a vida humana, que o sofrimento é inevitável ou que as pessoas são incapazes de se libertar dos valores individualistas típicos do sujeito burguês. Seja através da religião, da mídia reacionária ou de teorias científicas conservadoras, a ideologia dominante é reproduzida de forma a mistificar as relações sociais, desviando a atenção dos indivíduos dos problemas centrais.
            É lugar comum afirmar que os trabalhadores se encontram em um estado de alienação tão profundo que nunca seriam capazes de lutar efetivamente por seus interesses de forma a saírem vitoriosos. Ora, de fato esta afirmação não é completamente falsa. No atual estado de consciência dos indivíduos, uma transformação radical da sociedade não será possível. Entretanto, restringir-se a esta afirmação é enxergar a realidade apenas na forma de sua aparência externa, tal como ela se apresenta neste momento.
            Todavia, nada garante que seja impossível haver um salto de consciência por parte dos trabalhadores, e esta greve da polícia é um exemplo factual disso. Quando se tratou de um problema que atingiu diretamente a vida da grande maioria das pessoas, de uma forma tão urgente quanto esta, gerada pela falta de policiamento nas ruas, todos passaram a se manifestar abertamente. Em menos de um mês, centenas de discussões foram realizadas nas redes sociais, nas ruas, em casa e nos locais de trabalho. Todos tiveram a chance de amadurecer suas opiniões e aprender bastante com as posições de outras pessoas. Todos, de alguma forma, tiraram uma lição disso tudo, o que lhes dará fortes elementos para uma interpretação mais consciente da realidade. Um mês bastou para que pudéssemos observar o quanto as pessoas são capazes de se envolver com problemas tão sérios, chegando a manifestar publicamente suas indagações.
            Quando imaginamos que períodos de lutas massivas podem durar longas décadas, nos perguntamos o quanto a consciência dos indivíduos pode se elevar em um períodos de cinco a dez anos de agitação política. O quanto estes indivíduos não podem aprender tomando a responsabilidade de dar respostas positivas aos problemas enfrentados pela humanidade. Aprendendo na prática com seus próprios erros, uma vez que se lançam num processo de lutas políticas por melhores condições de vida, diante de uma sociedade onde pessoas morrem de fome todos os dias, apesar de toda a abundância de riquezas tornada possível após a expansão da Revolução Industrial.
*Graduado em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

[1] Disponível em: http://www.conjur.com.br/dl/relatorio-dados-2002-2009-ministerios.pdf. Acesso em 06 de fevereiro de 2012.
[2] Este episódio ficou conhecido como a Comuna de Paris. Para saber mais ler: MARX, Karl. Guerra Civil na França. In: MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. Obras Escolhidas. São Paulo: Alfa-Omega, S/D.

Assembléia da PM publiciza "NOTA Á IMPRENSA E À POPULAÇÃO"

Nós, policiais militares, reunidos no Ginásio dos Bancários, neste sábado dia 11 de fevereiro de 2012, decidimos pelo fim do movimento que mantínhamos há 12 dias. Nossa decisão partiu da premissa de que dignificamos a corporação encetando uma ação amplamente vitoriosa, que repercutiu na sociedade baiana e a nível nacional, mostrando uma categoria firme na  sua insatisfação com os baixos soldos e as promessas do governo não cumpridas. Foi esta ação que levou as autoridades, tradicionalmente desatentas aos reclamos da tropa, a negociar com os militares e ceder em alguns pontos. Durante esse dias a categoria deu provas incontestes de seu amadurecimento não colocando seus interesses acima dos da sociedade. Assim, evitamos um confronto com nossos irmãos do Exército, negociamos o cumprimento das determinações do Judiciário e estivemos sempre abertos para a negociação das nossas demandas. Não poderíamos, prejudicar a sociedade em função da intransigência do governo do Estado.  

A assembleia da Policia Militar legitima, respeita e agradece a todas as associações de polícias militares do Estado da Bahia, dentre elas a ASPRA que foi importantíssima na nossa greve, assim como as demais.

Repudiamos a forma autoritária e ditadora do Governo da Bahia, que de forma truculenta e autoritária, lacrou a Sede da ASPRA-BA, assim bem como a sua conta bancária. Episódio só visto antes durante a Ditadura...

Agradecemos á população baiana o apoio que nos foi dado e a cobertura dos veículos de comunicação. Prometemos retribuir a todos através da pronta integração nos serviços para a sua proteção. E afirmamos que o fim do nosso movimento não significa nem que aceitamos a proposta do governo, nem que encerramos a nossa luta. Esta continua, por melhores condições de trabalho e respeito.

                                      A ASSEMBLÉIA DOS POLICIAIS MILITARES DA BAHIA

Ato dos Juristas em defesa das famílias do Pinheirinho: Pinheirinho: uma barbárie inclusive jurídica


No dia 22 de janeiro de 2012, o Estado de São Paulo foi palco de mais uma operação típica de guerra. Foram mais de 2 mil policiais militares, apoiados pela Guarda Civil Metropolitana de São José dos Campos, tropa de choque, cavalaria, cães, três helicópteros, centenas de viaturas, muitas bombas de gás lacrimogêneo, disparos de bala de borracha e investiga-se até mesmo o uso de munição letal. O objetivo: cumprir ordem de reintegração de posse de um terreno de 1,3 milhões de metros quadrados, ocupado há 8 anos por aproximadamente 6 mil pessoas, localizado na cidade de São José dos Campos. O resultado: dezenas de pessoas feridas; centenas, incluindo um grande número de crianças e idosos, traumatizadas com tamanha brutalidade; milhares de pessoas desabrigadas e privadas de seus bens materiais; além de relatos, ainda a serem apurados,de casos de violência sexual, desaparecimentos e até mortes.E um terreno vazio, agora cheio de entulho feito do que antes eram lares. Negros e negras são maioria entre as famílias vítimas. Ainda, as crianças constituíam 1/3 dos moradores da ocupação, sendo que a maior parte das famílias é chefiada por mulheres. Uma verdadeira barbárie social. E também uma barbárie jurídica, como veremos.
Dia 16 de fevereiro, às 19 horas, na Sala dos Estudantes - USP, no Largo São Francisco

Leia a convocatória na integra acessando SASP

Atenas arde em luta de classes

O Estado contra os manifestantes

Atenas, o berço da democracia, está em chamas. A poucas horas da votação que buscará aprovar as adaptações exigidas pela"troika" em troca do novo pacote de resgate da economia em crise, o centro de Atenas foi palco do caos. A polícia lançou gás lacrimogêneo “antidisturbios” contra pedras e coquetéis molotov de milhares de manifestantes que cercavam o Parlamento.
Para acessar a matéria por inteiro, clique Cuba Debate

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Inédito: A Rede Globo foi expulsa de Copacabana pelo povo

A chave da greve da PM na Bahia: Wagner gastou mais com propaganda do que com segurança

É, no mínimo curioso um "esquecimento" de dois dados importantíssimos na análise e cobertura da Greve da PM na Bahia (o que não deve ser diferente no Rio e no resto do país). Curioso porque todos sabem da predileção por estatísticas do governo petista e sua nova aliada, a Rede Globo (a estatística mostra quanto custa, para nós trabalhadores, esse alinhamento) e se "olvidarem" de publicizar duas delas que, por sua importância, podem ser as chaves para explicar a Greve dos policiais na Bahia, mas não só para isso. Leiam a matéria a seguir:

"O governador Jaques Wagner gastou R$ 108,5 milhões com propaganda, a um custo de R$ 7,71 para cada baiano. Em contrapartida, em segurança pública R$ 26,6 milhões, um quarto do que gastou com divulgação. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (03) pela Folha de S. Paulo, mostra que cada cidadão brasileiro pagou R$ 6,08 pela propaganda do governo Lula. Em oito anos, Lula despendeu R$ 7,7 bilhões na área, o suficiente para custear quase sete meses de benefícios aos 11 milhões de famílias do programa de transferência de renda federal. Apesar de a justificativa ser a necessidade de informar a população sobre a gestão, os Estados, por diversas vezes, estabelecem algum vínculo com campanhas."
Ps: Juntem a esses dados este e avaliem: o número de miseráveis na Bahia soma 2,4 milhões de baianos. E querem que acreditemos que o PT governa para os trabalhadores!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Movimento "Somos todos Pinheirinho" se espalha pelo mundo

Brasileiros por todo o mundo, assim como cidadãos dos mais diversos países, tem se mobilizado online e realizado protestos em diversas cidades pelo mundo, como Paris, Madri, Berlin, Buenos Aires, dentre outras em apoio à comunidade do Pinheirinho, que recentemente foi expulsa de suas casas com extrema violência pela Polícia Militar do estado de São Paulo e pela Guarda Civil na cidade de São José dos Campos no que ficou conhecido como o “Massacre do Pinheirinho“.
Acesse o Global Voice e conheça a sua dimensão.

Evento Arrecadar e Resistir

O ano de 2012 mal começou e já temos relatos graves que ligam diretamente o temas especulação imobiliária, violência do Estado e desrespeito aos direitos humanos. Em menos de um mês e meio, observamos a desocupação de dois prédios no centro de São Paulo (av. São João e Conselheiro Névias); a violência policial contra usuários na região da luz, um claro processo de higienização da área; e o caso Pinheirinho, em que as denúncias de abusos chegaram à Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização dos Estados Americanos (OEA).
Questões sociais tornam-se caso de polícia, direitos sociais tornam-se irrelevantes frente à instituição da propriedade privada. Neste domingo, estaremos mais uma vez dizendo que não concordamos com o terrorismo de Estado neste evento em solidariedade às famílias de Pinheirinho.

PROGRAMAÇÃO:
14h: sarau/microfone aberto
17h: DEBATE com o professor e filósofo Paulo Arantes (USP) e Rose Nogueira (presidente do Grupo Tortura Nunca Mais SP)
20h: exibição do filme Estratégia do Caracol, longa que conta a história e estratégias de resistência de famílias em Bogotá que sofrem por conta da especulação imobiliária.
Durante todo o evento: mural livre para intervenções artísticas (ou não) para ser enviado a Pinheirinho – tragam seus canetões, tintas, pincéis etc.; venda de livros pela Biblioteca Terra Livre; comes e bebes (vegan) – tragam dinheiro!; exibição de vídeos sobre Pinheirinho.

Arrecadar e Resistir - Domingo (12/12) às 14h
LOCAL: Grupo Tortura Nunca Mais SP, R. Frei Caneca, 986

Arrecadaremos produtos de higiene pessoal para os moradores de Pinheirinho.
LISTA DE MATERIAIS A SEREM ARRECADADOS: Fraldas (infantis e geriátricas), Sabonetes, Creme dental, Shampoo, Condicionador, Desodorante,  Cotonetes, Papel higiênico, Lenços umedecidos, Escovas de dente, Escovas de cabelo, Mamadeiras, Chupetas, Absorventes, Toalhas (de rosto e banho).

O Furacão

Bob Dylan canta Hurricane, ou seja, O Furacão.
História de um ser acusado por um crime que não cometeu
O Furacão acusado, enquanto dava volta de carro
Com dois amigos do outro lado do crime.
Rubin Carter o seu nome, Furacão o seu nome
Hurricane.
19 anos se passaram  para saber da verdade
19 anos perdidos, dezenove faces de um negro americano
Jogados em uma cela por um crime que não cometeu.
Era o ano de 1966
E ele seria um campeão
O Furacão seria um campeão
Hurricane.
Rubin “Hurricane” Carter.
Um negro, um negro, um negro
Um negro, um negro, um negro
Vamos cantar Hurricane
Vamos cantar
Vamos cantar os desvalidos
Vamos cantar
Vamos cantar os injustiçados
Vamos cantar
Vamos cantar os atiçados
Vamos cantar
Um negro, um negro, um negro
Um negro, um negro, um negro
Vamos cantar
Essa outra gota no oceano infindo.
Passaram-se anos
Mas a dor ainda dói
Bob Dylan canta Hurricane,
Ou seja, Furacão.
Canta dentro do meu carro
Canta dentro do interior de minha cidade,
Canta dentro do interior de mim,
Essa dor que também é minha,
Essa dor
Negra, negra, negra
Um negro, um negro, um negro
Passeando de carro do outro lado do crime.
Mas a distância não bastava,
Negro, negro, negro
Acusado de 03 mortes dentro do bar
E ele e os 02 amigos passeando de carro
Do outro lado do crime
Negros, negros, negros.

Bob Dylan...
Rubin “Hurricane” Carter
Uma dor também minha.
JeanClaudio, 08/10/10

Wando: Sua ausência não nos deixa órfãos. pior: nos deixa brochas

XICO SÁ
COLUNISTA DA FOLHA
Publicado na Folha de 09/02/2012

Com a morte de Wando, a música brasileira perde o seu professor titular de educação sentimental para as massas. A ausência do cantor mineiro não nos deixa órfãos. Pior: nos deixa brochas.
Homem que é homem chora e bebe essa morte até os cotovelos perfurarem a insensível fórmica do balcão do botequim mais próximo.
Em tempos de marmanjos vacilões e promessinhas metrossexuais de salão ("ai se eu te pego"), Wando representava a convicção da pegada mais erótica e sincera do cancioneiro romântico.
Não à toa, morreu na condição de curador do maior acervo de calcinhas do planeta -seu sonho era fazer um museu das peças.
A lição do professor Wando aos jovens apressados que sempre comem o cru e nunca o bom cozido das relações afetivas: "O amor é paciência e elegância", disse, em entrevista recente a Edson Franco, na "IstoÉ Online".
Atenção senhores pais e autoridades do MEC: a lírica de Wando merece figurar no próximo exame do Enem. Melhor jeito de formar sentimentalmente as novas gerações.
Na pedagogia do autor de "Fogo e Paixão", o macho falhar na alcova era algo humaníssimo. Coisa que o homem dos tempos enviagrados das ereções artificiais não parece admitir. "Afago teus cabelos/ Beijo tuas costas e nada/Caem dos meus olhos/Duas lágrimas geladas", cantava.
Para as fêmeas, Wando representava não apenas a resistência à frouxidão masculina como também a nostalgia de um certo cavalheirismo que já foi para as cucuias. Com ele no palco, as moças -mesmo as de passado muito fortes- se sentiam cortejadas como na primeira vez.
O artista sabia que a cantada é como a revolução de Mao Tse-tung. Tem que ser permanente. Ele cantava todas o tempo inteiro.
A democracia do xaveco geral e irrestrito atingia até a ambiguidade erótica dos belos travestis do centrão de São Paulo, como testemunhei em um show no Largo do Arouche. Gênio. O amor é mesmo paciência e elegância.
Nelson Gonçalves morreu, Waldick Soriano morreu, Wando morreu e o macho romântico brasileiro não está passando muito bem.
Extraído de Estilo Macho

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A CIDADANIA NO CONTEXTO DE UM CARNAVAL QUE TEIMA EM ACONTECER

Tânia Regina Braga Torreão Sá*
“Cidadania (do latim, civitas, "cidade"). É o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação a  sociedade em que vive. O conceito de cidadania sempre esteve fortemente "ligado" a  noção de direitos, especialmente os direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração, seja ao votar (direto), seja ao concorrer a um cargo público (indireto)”. (Wikepedia)

Em face dos recentes acontecimentos que tomam os noticiários dos meios de comunicação brasileiros, não somente relativos às greves da polícia militar da Bahia e Rio de Janeiro, mas a insistência de que o carnaval nesses estados deva ocorrer, sob qualquer condição, ainda que essa esteja associada a colocar nas ruas, para realizar o patrulhamento ostensivo, homens preparados dentro da filosofia de treinamento totalmente diferença daquela que promove a segurança pública, e, também, em face do que entendo ser viver num estado democrático de direito, andei cá com meus botões refletindo sobre o conceito de cidadania e me deparei com uma reflexão do mestre Milton Santos que insiste em ser recorrente na minha mente. Essas palavras eram: “no Brasil não há cidadãos, nunca houve, porque a classe média não quer direitos, quer privilégios”. E é por concordar com a acidez/lucidez dessa reflexão que conclamo os leitores que tenho a também refletirem a respeito.
De fato, se reconhecermos que o conceito de cidadania historicamente sempre esteve ligado ao poder econômico, então poderemos compreender melhor o que Milton Santos quer dizer.
É uma tentação quase irresistível para mim, escarafunchar a história etimológica da palavra cidadania, que desde a Grécia está associada – como disse no parágrafo anterior – ao poder econômico. Não basta ir longe para atestar essa associação. Basta pensarmos em quem era o civitas da Antiguidade Clássica? Basta pensar, no que lhes fazia ‘ter direitos’?
Na sociedade contemporânea – muitos (felizmente), irão discordar de mim – não me parece que o conceito de cidadania tenha evoluído tanto assim, a ponto de ‘rasurar’ as vinculações criadas desde o período da Antiguidade Clássica.
Para explicar melhor o que quero dizer, recorro a alguns exemplos captados a partir de minha experiência docente, que se move pelo desejo, de tirar os meus alunos e alunas de suas ‘zonas de conforto’, pois, compreendo ter a educação, um poder imensurável de desestabilidade das certezas.
E porque educar envolve questionar a verdades estabelecidas, quando me sinto também provocada a debater o assunto, inicio a minha fala lançando aos meus alunos a proposta de responderem o que significa ser cidadão.
Nesses 14 anos de docência no ensino superior nunca, em nenhuma das muitas turmas que tive o prazer de lecionar, deixei de ouvir a costumeira resposta: “eu sou cidadão porque pago os meus impostos”, e é aí que ‘a porca torce o rabo’, porque a aderência aos sistemas formais de ligação ao estado democrático, que assegura aos cidadãos uma pretensa segurança em relação a assunção de direitos e deveres, nem sempre depende da vontade autônoma da parcela pobre da população. Essa vontade é consuetudinária das condições econômicas, que não permitem a muitos sobreviver para além de assegurar o que é mínimo. Sendo mais direta, em muitos casos as pessoas pobres não arbitram sobre a cidadania porque lhes faltam condições financeiras para isso, pois, se trata de realizar a duríssima escolha entre colocar o pão de cada dia na mesa e construir as condições essenciais para o alcance da cidadania, vista sob o ponto de vista do liberalismo econômico, é sempre bom ressaltar.
Assim, o problema de criar conexões entre o conceito de cidadania e o pagamento de impostos, reside justamente no prestigio, no destaque, à segregação econômica a qual essa concepção se imbui, afinal (vamos combinar!), ninguém é pobre porque deseja sê-lo, ninguém se segrega acha positivo se segregar.
Mas há uma interrogação nesse texto que ainda precisa ser respondida: o que tudo isso tem haver com o carnaval baiano e carioca, nas condições que me parece, ele será promovido nesse ano?
Antes de ‘arquitetar’ a minha resposta, no entanto, quero esclarecer que não sou do tipo de pessoa que se ressente em relação a meu passado “de timbaleira”, cujas condições físicas, não permitem mais acompanhar o frenesi do “todo mundo pro lado de lá, todo mundo pro lado de cá”, durante as quase 4 e 1/2, 5h do trajeto por onde desfila o meu bloco do coração. Também não sou do tipo de intelectual enfezada, que se senta atrás da mesa e se põe a criticar o carnaval, posicionando-o enquanto ópio do povo, como se o povo também, não precisasse de ópio. Sou do tipo que já pulou muito atrás do trio elétrico e que hoje, depois de fraturas múltiplas na tíbia e perônio, ainda se sacode toda quando vê a turma se acabar atrás do trio elétrico, que afinal, só não carrega quem já morreu.
No carnaval desse ano, entretanto, há novas variáveis a serem consideradas: a polícia militar está em greve e face à necessidade do patrulhamento ostensivo das cidades aonde se realiza a folia momesca, um substituto improvisado, despreparado, será posto em seu lugar.
Não será difícil prever o quanto de acréscimo aos índices de violência se dará durante a realização desse evento, sob tais condições. Mas, ainda assim, sem que me cause espanto, surpresa, algumas entidades carnavalescas – não coincidentemente as mais ricas – insistem na realização da festa, despudoradamente alegando que se tal não acontecesse haveria prejuízos monumentais a economia do estado. Mas e o valor da vida humana, aonde fica?
O exército brasileiro rege-se por doutrina diferenciada das polícias militares. Enquanto as polícias regulam-se pelo comprometimento com a “preservação da ordem pública, dos direitos do cidadão e do estado de direito” (pm.ba.gov.br), a doutrina militar do exército tem “preparado (organizado, equipado, instruído e desenvolvido) as forças morais para a eventualidade de (destaco!) conflitos e se empregado em guerras”.
Sendo escancaradamente irônica, não posso deixar de admitir que os carnavais brasileiros de há muito se assemelham com guerras, aonde o que está em disputa é, principalmente, o espaço, desde os midiáticos até os físicos. Por isso, ainda que as polícias militares se presentifiquem nos espaços aonde a festa acontece, cumprindo o seu papel coibitivo ao cometimento de atos de violência, é impossível fechar todas as portas dessa vista que a natureza humana navega entre a sustentável leveza do cidadão dócil e a selvagem natureza da fera que nos fustiga a (re) agir.
Autorizar uma força descomunal, armada e preparada para ‘outros finalidades’, senão, as de promover a segurança pública a policiar um evento dessa natureza, portanto, flerta perniciosamente com a irresponsabilidade e a indiferença social. E tudo isso, porque supondo a continuidade da greve da polícia militar “haveriam prejuízos que seriam monumentais para a economia do estado se o carnaval não acontecesse”.
Não tenho a ilusão da aderência as minhas opiniões. Se pudéssemos realizar uma pesquisa, aliás, perguntando a população pobre de Salvador se desejam que o carnaval aconteça, mesmo sem a presença da polícia militar nas ruas, a resposta dada seria esmagadoramente sim. Não os culpo por isso! Afinal, ainda que as estatísticas os incluam entre os mais agredidos nessas ocasiões; ainda que os pobres ofereçam a ricos e a classe média, que se endivida para comprar o abadá do chicletão, o triste espetáculo de suas misérias, que chegam através do banqueteamento que realizam com os restos das bebidas, quando ansiosos recolhem as latinhas de alumínio que lhes assegura migalhas por dia para pegar o buzú ou tomar uma latinha também, o pobre é a principal vítima dessa máquina louca de produção de ilusões que o carnaval potencializa.
 E aí, enquanto a classe média e os ricos vão ao paraíso dos camarotes tomados por futilidades all include, que maquila tentando apagar dos rostos qualquer traço que remeta brevemente a pobreza, os pobres estão na pipoca da vida. E eu?! Eu estou aqui me valendo das palavras e brigando à minha maneira para que as cinzas revoem, atinjam os olhos dos pobres, causando revoltas pela inaceitação e, finalmente, se espalhem pelo chão, limpando os olhos dos pobres da lente pesada – também conhecida como política do pão e circo – que os imobiliza ante tantas desigualdades.
* Professora do DCHL/UESB.

Policiais civis, militares e Corpo de Bombeiros decretam greve no Rio

A uma semana do maior carnaval do mundo, as polícias Militar e Civil e o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro decretaram greve na noite desta quinta-feira, 9, após quase seis horas de assembleia na Cinelândia, no centro carioca.

Policiais e bombeiros se reuniram no centro do Rio e decidiram cruzar os braços

As categorias reivindicavam, além de reajustes nos salários e melhorias nos benefícios, a libertação do cabo Benevenuto Daciolo, preso na noite de quarta-feira, após gravações feitas com autorização judicial indicarem que ele incitava que a paralisação da Polícia Militar na Bahia fosse estendida também para o Rio.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, comissário Fernando Bandeira, afirmou que a categoria se comprometeu a manter 30% do efetivo em operação para atender a casos de flagrantes, homicídios e remoção de cadáveres. Comissários, detetives e peritos não contam com a adesão dos delegados.
Já os policiais militares e bombeiros prometeram permanecer dentro dos quartéis dos seus respectivos batalhões.

Ps: As atitudes do PT na Bahia quanto às lideranças dos movimentos abriram jurisprudência? Então, aconselhamos aos governos das três esferas que desocupem os presídios federais e os preencham com as lideranças do movimento que se espalha pelo país.Hoje os policiais do Rio e bombeiros estão em greve. Talvez o caldo engrosse ainda mais e aí o PT terá que provar de seu próprio veneno. Que, pelo menos tome um remédio para a memória e se lembre, inclusive, qual foi sempre o papel de sua atual aliada e antiga feroz inimiga dos meios de comunicação.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Dilma esquece-se de sua própria história

Matéria da Carta Capital. Clique no link para acessá-la: ‘Estarrecida’, Dilma diz que anistia a PMs criará ‘País sem regras’


Daqui a pouco estará fazendo o mesmo que FHC e Lula: esqueçam o que escrevi, o que vivi, e o que fui.
E por falar em Anistia, qual a situação histórica da atual presidente do Brasil? Foi anistiada de sua condição - à época da ditadura - guerrilheira?


Recorda-nos a assídua leitora do Almoço das Horas, Adriana Santos Lopes, que houve sim perdão para os chamados "subversivos" (para ela resistentes), inclusive para muitos amigos da hoje Presidente,  que assaltaram a casa da amante do Ademar de Barros, na mais espetacular e mais rentável ação de toda a luta armada no Brasil: uma ação (e que a grande imprensa nacional classificou de roubo. Hoje diria o que? Vandalismo? Baderna?) envolvendo 2,5 milhões de dólares. Em tal ação, a agora presidente não participou diretamente, mas esteve envolvida na sua preparação. Adriana adenda que, segundo reportagens da Revista Piauí, Dilma era quem manipulava explosivos. Houve perdão para estes quanto para os torturadores militares.A anistia, assim, fica restrita aos grupos de sua época e suas ações?
Adianto que não faço coro aos que a condenam por seu passado histórico. Mais creio que ele seja merecedor de aplausos, o que não é o caso de seu presente.
Ela devia lembrar-se que a sua anistia e de seus companheiros de luta não abriu precedente para o surgimento de um país de guerrilheiros? Criou-se "um país sem regras" a sua anistia?
Memória fraca ou oportunismo?

Democracia e capitalismo

Autor: Ricardo Coimbra

Greve da PM na Bahia: um contributo ao debate

Hete Leal*
Charge: Daniel Sampaio
É interessante observar o poder que uma rede social como o Facebook tem, a proporção, o dinamismo e a rapidez com que as informações, sejam elas verídicas ou não, se disseminam.
Tudo isso ficou muito evidente na greve da Polícia Militar da Bahia. Facilmente podemos identificar um grupo que defende INCONDICIONALMENTE a greve e os métodos utilizados pela PMBA. Por outro lado, outro grupo que eu prefiro apelidar de “Soldados do governo”, este estão armados até as dentes de informações copiadas e coladas de fontes nada confiáveis.
Nesse contexto, os pontos que realmente precisam ser discutidos, não têm sido explicitados de forma alguma, são alguns deles:
· O direito de toda e qualquer categoria lutar por melhores condições de trabalho e o dever de um governo que se diz “dos trabalhadores” respeitá-los.
· A greve da PM/BA reabriu um debate sobre a necessidade ou não desta instituição, para tanto acredito que este é um debate que não se pode fazer de forma isolada. Precisamos primeiramente exterminar qualquer tipo de desigualdade, seja ela social, econômica, racial e/ou de gênero. Ou seja, acabar com o sistema que nos oprime precede o debate sobre a desmilitarização.
· Não podemos esquecer que esta manifestação acontece às vésperas da festa mais lucrativa da Bahia, o nosso bom e velho CARNAVAL. Se não fosse este fato talvez não tivessem tantos representantes da burguesia, perdendo noites, preocupados em debater o “restabelecimento da ordem.”
· Outra questão que poucos se atentaram é que estamos no mês de fevereiro e o governador afirma que é impossível acrescentar no orçamento mais gastos com despesas referentes à Recursos Humanos, desta forma, as outras categorias que pretendem iniciar suas campanhas salariais comecem a abrir os olhos. Afinal é muito fácil bater na manifestação legítima dos policias baianos, curtir seu carnaval e logo depois retornar para fazer a reivindicação da sua categoria, acreditando ser mais justa que as outras.
Sobre a veiculação da gravação de conversas de policiais no Jornal Nacional. Primeiramente penso que nada justifica a prática de vandalismo e terrorismo, seja lá por quem for. Contudo, recordemos da fala do governador ontem (08/02/2012) no Bahia Meio Dia: “99,5% dos policiais não devem temer as investigações, pois sabemos que os atos foram praticados por um pequeno grupo, de forma isolada.” Neste sentido, seria muita hipocrisia dizer que todo policial fez uso de práticas ilícitas.
A manifestação teve grande adesão dos profissionais e apoio social, embora o governo tente camuflar este fato. E agora surge um fato novo que me causa medo e espanto. Que defesa incondicional das informações transmitidas pela Rede Globo é essa?
*Estudante do Curso de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.