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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

5,1 bilhões de pessoas não têm benefícios sociais trabalhistas

Fonte: tecnico-adm21.blogspot.com

Agência Brasil Publicação: 28/10/2011 09:06 
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que dois terços da população mundial, ou seja, 5,1 bilhões de pessoas, não dispõem de benefícios sociais trabalhistas. Apenas 15% dos desempregados no mundo recebem seguro-desemprego. A análise faz parte de um estudo feito pela responsável pela ONU-Mulher, Michelle Bachelet, ex- presidenta do Chile.

Bachelet pretende apresentar o estudo completo durante as discussões da cúpula do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias mundiais), em Cannes, na França, nos dias 3 e 4. O relatório Uma Proteção Social por uma Globalização Justa e Inclusiva destaca que, por meio da garantia dos benefícios sociais, é possível avançar economicamente e atenuar as tensões sociais.

No começo deste mês, em Bruxelas, na Bélgica, a presidenta Dilma Rousseff defendeu a adoção de medidas que combatam a fome e a pobreza como meios de melhorar a qualidade de vida da população e proporcionar condições para os avanços econômicos.

Além disso, em visita a Brasília, a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Angela Holguín, sugeriu que os países latino-americanos se unam na tentativa de reagir coletivamente aos impactos causados pela crise econômica internacional. Para ela, o ideal é ampliar os acordos bilaterais e multilaterais. A chanceler veio ao Brasil para intensificar as parcerias em tecnologia, educação, combate à violência e à exploração sexual.

A máfia de Wall Street

'Anjo da Morte' é condenado à prisão perpétua na Argentina


UM DOS SÍMBOLOS MACABROS DA DITADURA ARGENTINA, ALFREDO ASTIZ FOI CHEFE DE INTELIGÊNCIA DO GRUPO 3.3.2 DA MARINHA, E UM DOS PRIMEIROS INTEGRANTES DA ESCOLA SUPERIOR DE MECÂNICA DA ARMADA (ESMA) RECONHECIDO PUBLICAMENTE COMO UM BRUTAL REPRESSOR NO FINAL DA DÉCADA DE 70. EM SUA LISTA DE ACUSAÇÕES ESTÃO OS ASSASSINATOS DE AZUCENA VILLAFLOR, FUNDADORA DAS MÃES DA PRAÇA DE MAIO, E DAS MONJAS FRANCESAS ALICE DOMON E LEONIE DUQUET, TORTURADAS NA ESMA E JOGADAS NO MAR. OUTROS 17 EX-MARINHEIROS FORAM CONDENADOS POR CRIMES DE LESA HUMANIDADE. A REPORTAGEM É DE FRANCISCO LUQUE, DIRETO DE BUENOS AIRES.

Após quase dois anos de processo, a Justiça argentina anunciou a sentença contra 18 ex-marinheiros acusados de crimes de lesa humanidade cometidos no centro de detenção e tortura da Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), um dos mais emblemáticos da última ditadura. Os repressores foram responsabilizados pela detenção, privação, torturas e homicídio de 86 pessoas, entre elas, o jornalista e escritor Rodolfo Walsh, as fundadoras das Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, Mary Bianco e Ester de Careaga, e as monjas francesas Alice Domon e Leonie Duquet, missionárias que apoiavam os familiares dos detidos desaparecidos no início da ditadura.

Os oficiais acusados no processo ESMA são: Alfredo Astiz, Jorge Acosta, Antonio Pernías, Oscar Antonio Montes, Raúl Schiller, Jorge Radice, Alberto González, Nestor Savio, Ricardo Cavallo, Adolfo Donda, Julio César Coronel e Ernesto Weber, todos condenados à prisão perpétua. Manuel García Tallada e Juan Carlos Fotea, a 25 anos; Carlos Octavio Capdevilla, 20 anos, e Juan Antonio Azic, 18 anos. Pablo García Velazco e Juan Carlos Rolón foram absolvidos, mas seguirão na prisão por outros crimes.O tenente Alfredo Astiz é um repressor símbolo da ditadura. Chefe de inteligência do Grupo 3.3.2 da Marinha, foi um dos primeiros integrantes da ESMA reconhecido publicamente como um brutal repressor, para muitos, o emblema do terrorismo de Estado na Argentina no final da década de 70.

Astiz foi acusado de infiltrar-se no grupo fundador das Madres da Praça de Maio, fazendo-se passar pelo irmão menor de um desaparecido, e de sequestrar a fundadora, Azucena Villaflor.Apelidado de “Menino Gustavo” ou “Anjo da Morte”, Astiz foi condenado à revelia pela Justiça francesa pelo assassinato das monjas Domon e Duquet, torturadas na ESMA e lançadas ao mar. Também é responsável pela morte da cidadã sueca Dagma Hagelin, ocorrida em 1977. Graças às leis do Ponto Final e da Obediência Devida, aprovadas no final da década de 80, Astiz foi eximido de responsabilidade na qualidade de militar de média patente, até que, em 2003, o Congresso argentino anulou estas leis, provocando a reabertura dos processos. Em sua longa lista de acusações está incluída uma investigação aberta pela Audiência Territorial de Nuremberg (Alemanha) em função da execução e desaparecimento de cidadãos alemães durante a ditadura.

Jorge “Tigre” Acosta, chefe da inteligência e do Grupo de Tarefas 3.3.2 da ESMA, foi acusado pela detenção e desaparecimento do jornalista Rodolfo Walsh, autor do livro “Operação Massacre” e da “Carta aberta à Junta Militar”, um texto escrito e difundido por Walsh durante seu período na clandestinidade, um ano após o golpe militar. Nesta carta, ele acusa as forças armadas de realizar um plano de extermínio contra opositores e pela instalação de um plano econômico neoliberal dirigido pelo ministro de Economia da ditadura, José Martínez de Hoz., Rodolfo Walsh foi visto pela última vez nas instalações da ESMA.

A deputada Patricia Walsh, filha do escritor, disse que “essa é a primeira vez que houve testemunhos que contaram com detalhes o que ocorreu na última casa em que meu pai viveu (em San Vicente), que ficou completamente destruída, onde roubaram seu último conto “Juan se iba por el río” e que, atualmente, está ocupada por uma família de um policial aposentado.

A leitura da sentença foi recebida com júbilo pelos familiares das vítimas, sobreviventes e organizações de direitos humanos. Fora do tribunal e das instalações da ESMA, milhares de pessoas acompanharam o julgamento por telões. O ex-presidente Néstor Kirchner converteu a ESMA em um lugar para a memória.

Tati Almeida, integrante das Mães da Praça de Maio, Linha Fundadora, disse que “sempre buscamos justiça dentro da legalidade e não pelas próprias mãos”. “É um dia pleno de felicidade para toda a sociedade argentina que acredita na justiça e nos direitos humanos. Não esperávamos assistir em vida a esse julgamento e agradecemos às organizações sociais e aos jovens que nos apoiaram”.

Para Christian Castillo, dirigente do PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas), esses julgamentos são uma vitória para todos aqueles que lutaram durante todos esses anos para conseguir justiça e verdade. Em especial, os sobreviventes da repressão que tiveram que ficar mais uma vez frente aos repressores, uma questão que não é menor ao se recordar o caso de Julio López, sobrevivente da repressão e autor de uma ação contra o policial Ethcecolatz. No dia da sentença, López saiu de sua casa para ir ao tribunal e nunca mais se soube dele.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior

Wikileaks: William Waack, da Globo, é citado três vezes como informante dos EUA


por Jorge Lourenço
O jornalista William Waack, da Rede Globo, se tornou um dos assuntos mais discutidos no Twitter nesta quinta-feira  graças a supostos documentos da Wikileaks que o apontariam como informante do governo americano. Apesar de vagas e desencontradas, algumas informações são verdadeiras. O Informe JB entrou em contato com a jornalista Natalia Viana, responsável pela Wikileaks no Brasil, que confirmou a história. Waack é citado não apenas uma, mas três vezes como informante da Casa Branca. Dois dos documentos que o citam são considerados "confidenciais".

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Wikileaks suspende atividades por falta de recursos

São Paulo – O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, anunciou nesta segunda-feira (24) a suspensão da difusão de documentos confidenciais para concentrar-se na arrecadação de recursos para a manutenção e sobrevivência do projeto. Assange informou que a medida é resultado do bloqueio de operadoras de cartões de crédito que impede doações à organização.
Integrantes do Wikileaks, que tem em Julian Assange seu principal expoente, emitiram um comunicado para explicar a atitude. “Vamos suspender temporariamente as operações de publicação para arrecadar fundos agressivamente e contra-atacar com o objetivo de assegurar nossa sobrevivência futura”, indica a nota.
Entre as empresas que bloquearam recursos da organização estão Bank of America, Visa, Mastercard, PayPal e Western Union. Assange permanece detido no Reino Unido em prisão domiciliar à espera da conclusão de um julgamento de extradição para a Suécia devido a acusações de supostos abusos sexuais.
Desde 2010, o Wikileaks revelou documentos secretos do exército e da diplomacia dos Estados Unidos pelo mundo, além de pacotes específicos de outros países, como a Islândia. O primeiro caso a ganhar repercussão internacional foram as mensagens relacionadas à investida do exército norte-americano no Iraque e no Afeganistão. Depois, no chamado "Cablegate", 250 mil telegramas de embaixadas e consulados dos Estados Unidos pelo mundo.

Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo


O gráfico em forma de globo mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.

Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.

Nota introdutória publicada por Ladislau Dowbor em sua página:
The Network of Global Corporate Control
S. Vitali, J. Glattfelder eS. Battistoni - Sept. 2011


Um estudo de grande importância, mostra pela primeira vez de forma tão abrangente como se estrutura o poder global das empresas transnacionais. Frente à crise mundial, este trabalho constitui uma grande ajuda, pois mostra a densidade das participações cruzadas entre as empresas, que permite que um núcleo muito pequeno (na ordem de centenas) exerça imenso controle. Por outro lado, os interesses estão tão entrelaçados que os desequilíbrios se propagam instantaneamente, representando risco sistêmico. 



Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das ETN (Empresas Trans-Nacionais) adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente, no sistemaarxiv.org.

Um excelente pequeno resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 (e está publicado a seguir).

A rede capitalista que domina o mundo

Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos. Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global. "A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."

Rede de controle econômico mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.

O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.
Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.
O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.
A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.
Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.
Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo. E isso não é tudo.

Super-entidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.
E a maioria delas são bancos.
Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.
Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.
Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.
A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.
Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.

As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas:
Barclays plc 
Capital Group Companies Inc 
FMR Corporation 
AXA 
State Street Corporation 
JP Morgan Chase & Co 
Legal & General Group plc 
Vanguard Group Inc 
UBS AG 
Merrill Lynch & Co Inc 
Wellington Management Co LLP 
Deutsche Bank AG 
Franklin Resources Inc 
Credit Suisse Group 
Walton Enterprises LLC 
Bank of New York Mellon Corp 
Natixis 
Goldman Sachs Group Inc 
T Rowe Price Group Inc 
Legg Mason Inc 
Morgan Stanley 
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc 
Northern Trust Corporation 
Société Générale 
Bank of America Corporation 
Lloyds TSB Group plc 
Invesco plc 
Allianz SE 29. TIAA 
Old Mutual Public Limited Company 
Aviva plc 
Schroders plc 
Dodge & Cox 
Lehman Brothers Holdings Inc* 
Sun Life Financial Inc 
Standard Life plc 
CNCE 
Nomura Holdings Inc 
The Depository Trust Company 
Massachusetts Mutual Life Insurance 
ING Groep NV 
Brandes Investment Partners LP 
Unicredito Italiano SPA 
Deposit Insurance Corporation of Japan 
Vereniging Aegon 
BNP Paribas 
Affiliated Managers Group Inc 
Resona Holdings Inc 
Capital Group International Inc 
China Petrochemical Group Company

Fazendeiros acusados de trabalho escravo são do Sudeste, com boa formação e ligados a partidos políticos

Pesquisa da OIT
BRASÍLIA - A pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que pela primeira vez traçou o perfil das vítimas de trabalho escravo no Brasil, mostra quem são os fazendeiros acusados de explorar os trabalhadores nessas condições. Com base na Lista Suja do Ministério do Trabalho, entrevistas com 12 dos 66 contactados pelo organismo permitiram concluir que a maioria deles nasceu no Sudeste, mas mora nas regiões próximas às lavouras (Norte, Nordeste e Centro-Oeste). Eles têm curso superior e declararam como profissões pecuarista, agricultor, veterinário, comerciante, gerente, consultor e parlamentar. São filiados ao PMDB, PSDB e PR.
Por outro lado, revela a pesquisa, 85% dos trabalhadores libertados, além de baixíssima escolaridade (analfabetos e com menos de quatro anos de estudo), nunca fizeram um curso de qualificação. No entanto, 81,2% deles declararam que gostariam de fazer algum curso, principalmente os mais jovens: 95,2% dos que têm menos de 30 anos disseram ter preferência nas áreas de mecânica de automóveis, operação de máquinas, construção civil (pedreiro, encanador, pintor) e computação.
Os aliciadores (conhecidos como gatos) também têm baixa escolaridade, idade média de 45,8 anos, são na maior parte nordestinos e vivem nas regiões Norte e Centro-Oeste.
A pesquisa, chamada "Perfil dos principais atores envolvidos no trabalho escravo rural no Brasil", mostra ainda que Maranhão, Paraíba e Piauí são exportadores desse tipo de mão de obra. Segundo o levantamento, realizado a partir de depoimentos de 121 pessoas libertadas pela fiscalização do governo, entre 2006 e 2007, esses três estados foram as principais origens dos trabalhadores resgatados em Goiás (88%) e Pará (47%). No Mato Grosso e na Bahia, 95% deles eram procedentes da região.
Segundo a OIT, a agropecuária continua sendo o setor de maior concentração de trabalho escravo, sobretudo nas fazendas de cana-de-açúcar e produção de álcool, como é o caso do Pará; plantações de arroz (Mato Grosso); culturas de café, algodão e soja (Bahia); lavoura de tomate e cana (Tocantins e Maranhão).
O coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo da OIT no Brasil, Luiz Antonio Machado, disse que a pesquisa mostrou que a dinâmica do trabalho escravo no país tem se mantido, tanto nos estados com maior ocorrência, quanto nas atividades econômicas. Ele destacou, porém, que o governo aumentou também a fiscalização nas regiões Sul e Sudeste.
O levantamento também mostrou que as desigualdades de renda e raça se reproduzem entre as vítimas do trabalho escravo: 81% são negros, oriundos das regiões Norte e Nordeste, com renda média de 1,3 salário mínimo. Do universo entrevistado, 18,3% são analfabetos e 45% têm menos de cinco anos de estudo, sendo considerados analfabetos funcionais.
Entre as recomendações para tornar as políticas de combate ao trabalho escravo mais efetivas, a OIT sugere programas de qualificação profissional e elevação da escolaridade dos trabalhadores nas áreas de maior concentração, associados ao benefício do Bolsa Família; criação de empregos nos municípios de origem e residência dos trabalhadores; e realização de programas de reforma agrária, com apoio à agricultura familiar.
Bolsa família não barra trabalho escravo
O estudo da OIT revela ainda que o benefício do Bolsa Família não tem sido suficiente evitar a ocorrência do problema. O levantamento, realizado a partir de depoimento de 121 pessoas, revela que em 67% das famílias de trabalhadores libertados, existem crianças e adolescentes, sendo que 28% delas são beneficiárias do programa.
O levantamento concluiu também que quase 60% dos trabalhadores resgatados são reincidentes e que a fiscalização do governo conseguiu libertar apenas 12,6% deles - o que revela a pouca efetividade das políticas de combate ao trabalho escravo no Brasil.
Segundo Luiz Antonio Machado, coordenador do projeto da OIT de combate ao trabalho escravo no país, o Bolsa Família ajuda a reduzir a vulnerabilidade dos trabalhadores porque melhora a alimentação das famílias, mas por si só, não evita que os chefes dessas famílias se submetam a condições degradantes de trabalho, com cerceamento de liberdade.
- O Bolsa Família é insuficiente para impedir que os trabalhadores sejam vítimas de trabalho escravo - disse Machado, defendendo que o governo desenvolva outros programas associados, como criar empregos nas localidades onde residem esses trabalhadores, ofertando cursos de qualificação.
Segundo Machado, o alto índice de recorrência se deve à falta de alternativas, sobrando nas áreas rurais apenas a "empreitada". Ele disse que além da equipe de fiscalização não conseguir cobrir todo o país, é preciso que haja maior conscientização. Na maioria das vezes, o trabalhador não denuncia. Em alguns casos, eles conseguem fugir ou, depois que a empreitada acaba, são liberados sem receber pelo serviço.
A pesquisa revelou também problemas no combate ao trabalho infantil: 92,6% dos entrevistados começaram a trabalhar antes dos 16 anos de idade, em média aos 11,4 anos. Os trabalhadores foram ouvidos entre outubro de 2006 e julho de 2007. Eles foram libertados de fazendas no Pará, Bahia, Mato Grosso e Goiás.
Fonte: O GLOBO

Senado aprova projeto que garante acesso a documentos públicos

MÁRCIO FALCÃO
O plenário do Senado aprovou na noite desta terça-feira projeto de lei que garante e facilita o acesso a documentos públicos nos três Poderes da República, em todos os níveis de governo. Na prática, o projeto acaba com o sigilo eterno de arquivos do governo. O texto segue para sanção da presidente Dilma Rousseff. A proposta trata de documentos sigilosos, mas também de tudo que for produzido pelos governos federal, estaduais, do Distrito Federal e de prefeituras.
Pelo projeto, nenhum documento poderá ficar mais de 50 anos com acesso restrito. A proposta classifica as informações sigilosas entre: reservadas (5 anos de sigilo), secretas (15 anos) e ultrassecretas (25 anos).Apenas os ultrassecretos poderão ter uma única renovação do prazo, indo a 50 anos. Questões sobre violações dos direitos humanos não poderão ser classificadas como ultrassecretos.A partir da sanção, se não houver vetos, o governo terá dois anos para reclassificar os documentos.
RECLASSIFICAÇÃO
O projeto também determina a criação ainda uma comissão Mista de Reavaliação de Informações, composta por integrantes dos Três Poderes. Com mandato de dois anos, essa comissão teria o poder, por exemplo, de reavaliar casos de documentos classificados como ultrassecretos, com prazo determinado. A discussão sobre o prazo para a liberação dos documentos dominou a votação. O senador Fernando Collor (PTB-AL) apresentou seu texto defendendo a previsão de sigilo eterno para documentos classificados como ultrassecretos. Em mais de uma hora de fala, Collor voltou a dizer que era necessário o país manter salvaguardar de informações de Estado. O petebista reafirmou que a proposta com previsão de sigilo eterno para documentos sigilosos partiu do governo Lula após dois anos de discussão entre ministros e sociedade e que essa matéria atenderia melhor às necessidades do país.

ACESSO
O projeto ainda estabelece que qualquer cidadão poderá requerer informações de governo sem precisar justificar o pedido. A informação terá que ser prestada imediatamente. Caso isso não seja possível, o órgão tem prazo de 20 dias, prorrogáveis por mais 10 diante de justificativa. Há previsão para recurso da decisão negativa de acesso aos documentos. O serviço de busca e fornecimento de informação é gratuito. Os órgãos poderão cobrar uma taxa de reembolso se houver reprodução dos documentos. Há previsão ainda para que os documentos sejam disponibilizados em formato digital para facilitar análises.
COLLOR
Antes de aprovarem o projeto da Lei de Acesso, os senadores rejeitaram, por 43 votos a 9, a proposta de Collor que mantinha a possibilidade de sigilo eterno. Ele foi derrotado com votos de governo e oposição. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também favorável ao sigilo eterno, acompanhou parte da votação. A mudança no sigilo eterno foi feita durante tramitação na Câmara e foi mantida pelo Senado. "Não há mais documentos secretos", disse o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-AP).
Fonte: Folha

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Gaza vista por suas crianças III

Galeria dos maiores hipócritas do mundo IV

Kadhafi e Sarcozi (um de seus executores)

94 anos da Revolução Russa


Há exatos 94 anos a Revolução Russa assombrava e abalava o mundo: o proletariado tomou o poder e expropriou os expropriadores. Para discutir e homenagear tamanho feito, o Comitê Antiimperialista convida todos para um Ato Político e Sarau neste 25 de outubro de 2011. Será no Espaço Cultural Latino-americano (ECLA). Rua Abolição, 244, Bixiga, São Paulo/SP, às 19h. Tragam intervenções políticas, poéticas, sonoras e o que mais for possível.  
 
                                                                                                           Maiakóvski
De todos os lados 
O anel do bloqueio
em todo lugar os canhões
vos olham de frente...
Contra a primeira república
de operários e camponeses
Entre o clarão dos tiros
e o brilho das baionetas
os ricos de todo o mundo
e aqueles
estes
lançavam exércitos
e frotas...
Moscou
como uma pequena ilha
e nós esfomeados,
nós miseráveis
Com Lênin na cabeça
e um revólver no punho

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Seria Kadafi um tirano?

Veja o vídeo (com legendas em português) e tire suas próprias conclusões.

Cuba ante os desafios e riscos do século XXI

por Ana Esther Ceceña*

Los grandes poderes mundiales concentrados en Estados Unidos han emprendido una cruzada de recuperación, aseguramiento y transformación de sus posiciones en el planeta, empezando por las que permiten la actualización monroísta en América. El despliegue de fuerzas sobre el gran Caribe como anclaje y zona de amortiguamiento a la manera de escudo de protección, ha seguido un trazado cuidadoso con dos rutas simultáneas, de penetración y envoltura. Un avance por los ríos profundos ha llevado al establecimiento de redes capilares que lo mismo descosen y reafirman fronteras que abren nuevas vías en barrios y selvas. Rompen tejidos comunitarios preestablecidos y recomponen vínculos a través de nuevos campos de complicidad sustentados en una combinación de narcotráfico, narcoadicción, violencia, impunidad y paramilitarización. En un mundo sin empleo la sobrevivencia se ha trasladado a nuevas actividades que han modificado a la vez los comportamientos sociales, y que tienen la virtud de cambiar casi imperceptiblemente las reglas del juego político desde los intestinos de la sociedad, desde donde cualquier proyecto emancipador puede ser corroído. Simultáneamente se han puesto en escena varios mecanismos de cercamiento que abarcan desde el todo continental como la IV flota hasta microdimensiones problemáticas, conflictivas y rebeldes. Particularmente importante ha sido el trabajo de sutura de fronteras que curiosamente se hace en muchas ocasiones justo promoviendo una mayor porosidad de las mismas. Es evidente el reciente poblamiento defronteras a través del tránsito incontrolado de maras, paramilitares, narcotraficantes y todo tipo de fuerzas desestructuradoras, que se apoderan de facto de las zonas fronterizas creando las condiciones deposibilidad para declarar supuestos estados fallidos en los lugares donde los grandes poderes sienten amenazados sus intereses. Convenios de seguridad, colocación de bases militares, patrullajes marinos o ribereños, proyectos de desarrollo en zonas fronterizas y de preferencia con poblaciones vulnerables, códigos criminales, políticas antimigración, desplazamiento de poblaciones, desaparición forzada, violencia generalizada, creación de sentidos dislocados, arrasamiento de las memorias históricas y de los soportes culturales son algunos delos mecanismos usados en esta nueva embestida por reapoderarse de un continente que resiste hoy, como desde hace ya más de 500 años, a ser engullido. En el gran Caribe se localizan no solamente las mayores cuencas petroleras de América y la selva más grande y biodiversa del planeta sino también el canal de paso de mayor importancia estratégica y uno de los dos nudos críticos de las fuerzas contrahegemónicas de la actualidad: la mancuerna Cuba-Venezuela. La amenaza de una posible coalición contrahegemónica liderada por Cuba-Venezuela ha movido las piezas de una arremetida rápida y contundente que busca jalar los hilos del control continental pegandosimultáneamente en el proceso venezolano para volver a poner el petróleo de sus cuencas al servicio del llamado progreso y cortar de tajo las pretensiones de autodeterminación de su pueblo y gobierno yen el proceso cubano inyectando mercado y prosperidad para romper la cohesión interna, ahora que se vislumbran algunas condiciones propicias.

¿Qué arriesgar y por dónde?

El retiro de Fidel de las altas investiduras que tuvo desde el triunfo de la Revolución fue registrado como punto de partida de un reajuste en la hoja de ruta con la que desde hace 50 años se intenta recuperarla llave del Caribe. Rodeada por el cuartel del Comando Sur instalado en Haití, barcos de guerra en todas sus costas, bases militares en Guantánamo y Florida, un bloqueo económico que no ha logrado, por cierto, matar la alegría con que los cubanos inundan sus calles y parques, Cuba enfrenta hoy una amenaza más grande que la que significaba todo ese acoso. Enredada en una situación económica que se acerca peligrosamente a la asfixia y en un relativo agotamiento de su dinámica política, Cuba enfrenta el desafío de los cambios necesarios en un momento de abierto despliegue hegemónico. Parece ser que el momento de seguir haciendo la revolución es un apremio que entraña riesgos a la estabilidad del proceso. Qué arriesgar y por dónde ha sido el fondo del debate del último año, hasta llegar al VI Congreso del Partido. La oportunidad para profundizar y recrear el socialismo cubano es a la vez momento de fragilidad y de fortaleza, dependiendo de la inteligencia descolonizadora y emancipadora con la que se lleven adelante los cambios. En el ámbito de reconstrucción de la reproducción material de la vida la disyuntiva se encuentra entre las urgencias que conducen al mercado y la radicalidad y solidez que llevaría a la búsqueda de soluciones holísticas que busquen la solución del abastecimiento al mismo tiempo que un cambio de naturaleza en sus aspectos cualitativos o esenciales que lleven a hacer un socialismo del sumak kawsay o del sumak qamaña. Inventar un socialismo que combine filosofía y agricultura es un reto ineludible en el siglo XXI, en que el capitalismo ha mostrado sus alarmantes límites de insustentabilidad global. Recuperar la integralidad de la vida y la armonía entre los seres vivos y de éstos con la materialidad en la que se sustentan no es un romanticismo sino una urgencia vital insoslayable en cualquier proyecto emancipatorio, que lleva a crear nuevas formas de vida y nuevos ejercicios políticos aereadores para los que el pueblo cubano parece ser el mejor preparado después de 50 años de un empeño revolucionario ejemplar. Ni la invención ni la repetición salvarán al proceso cubano de los riesgos. Lo único que lo acoraza contra ellos es la solidez de su construcción revolucionaria. Los inversores de Miami están ya ensayando vías de penetración y el dinero espera mover las voluntades que el bloqueo y las amenazas de guerra no pudieron conquistar. Vienen los tiempos de la seducción, sin que aflojen los del bloqueo. Tiempos de arriesgar y confiar en los propios sentidos y visiones de realidad. Tiempos de seguir haciendo y volver a hacer una revolución que es de Cuba pero es del mundo. Parafraseando a Fernando Martínez Heredia, habría que decir que luchar contra el capitalismo es peligroso, pero no hacerlo es suicida. Las condiciones de amenaza no van a desaparecer. Hay que saber vivir en ellas sin dejar de inventar mejores futuros. Nuestra fuerza está en hacer de la vida el lugar de la alegría.

*Economista mexicana, es investigadora en el Instituto de Investigaciones Económicas de la Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) y coordinadora del Observatorio Latinoamericano de Geopolítica (www.geopolitica.ws).

A Grécia e a oportunidade da história: o que fazer?

Milton Pinheiro e Sofia Manzano*
                                                                      
                            A revolução é o freio de emergência para conter a barbárie.
Walter Benjamim

Estamos vivendo um momento histórico em que o aprofundamento da crise sistêmica, que se configurou em grave crise econômica e social, deixa claro a posição do grande capital financeiro, na tentativa de recuperar suas altas taxas de rentabilidade, a partir da relação com os fundos públicos. Na Europa e em outras partes do mundo, integrados na ideologia da colonização global que se encontra em curso, o aparato político da burguesia tenta operar um grande ajuste fiscal. Partem com voracidade sobre o Estado como instrumento para resolver os problemas dos balanços dos bancos privados. E as contradições da luta de classes avançam.
O cenário grego, no fulcro da crise, é desolador. O Banco Central Europeu, pressionado pela Alemanha e França, age dentro da lógica de rapina do Imperialismo tentando tirar da Grécia todos os recursos necessários para salvar seus bancos. Todas as medidas propostas têm levado ao desemprego, à informalidade no mercado de trabalho, a precarização e intensificação do trabalho no setor público, ao corte de investimentos e custeio na máquina pública de saúde, educação e previdência. Processam um conjunto de privatizações e desenvolvem uma cruel política de demissão em massa no serviço público. Só a última lei aprovada permitiu a demissão de mais de 30 mil trabalhadores públicos.
A Grécia não tem como sair da crise e a questão da burguesia européia não é tirar a Grécia da crise, é operar um conjunto de medidas de profundo corte e ajuste fiscal sem precedentes que sirvam como inspiração ideológica para os próximos acontecimentos. O capitalismo é uma “jaula de ferro”, onde a burguesia naturalizou o mercado e aprisionou os trabalhadores. Criou um mundo sem perspectivas, gerou a perda da liberdade humana através da alienação, do fetiche, da coisificação do homem. É o culto ao dinheiro, é o tempo do mammonismo que está parindo uma outra “civilização”. Portanto, não serão políticas reformistas de corte social-democrata que resgatarão a perspectiva dos trabalhadores na sua luta pela emancipação humana.
A social-democracia grega e o seu partido no governo barlaventeou e capitulou, como é de praxe, à política da burguesia, para os períodos de crise. Só que agora a crise é sistêmica e os trabalhadores foram para as ruas em toda a Grécia.
A cena política grega é de luta diretas das massas. A disputa está em todas as ruas de Atenas, as manifestações são gigantescas, as greves são cada vez maiores. Os trabalhadores, a central sindical PAME e o KKE estão marchando à frente das manifestações juntamente com outros movimentos sociais e forças políticas. Nesse momento da história da Grécia, se consolidou uma hegemonia de classe e o bloco histórico dos trabalhadores está em movimento. O que fazer?
A Grécia é um país que tem parte significativa de seu Produto Interno Bruto baseado nos serviços – só o turismo, que recebe 17 milhões de pessoas por ano, representa 15% do PIB e emprega 17% da população. O país tem uma população de 11 milhões de pessoas, sendo 5 milhões os trabalhadores e uma taxa de desemprego que atualmente chegou à 17% da força de trabalho. O segundo setor econômico grego é a marinha mercante, a segunda maior do mundo, atrás do Japão. Os gregos contam com 4.000 navios de carga, que empregam cerca de 250.000 trabalhadores e geram 5% do PIB. O fato pitoresco é que este setor não paga impostos na Grécia.
Pelos levantamentos de 2010, o PIB grego é de € 230 bilhões, concentrado no turismo, transporte marítimo, construção civil, pesca, agricultura e indústria extrativista. Todavia, a perspectiva da dívida pública grega, pelos levantamentos atuais atingirá 161% do PIB em 2012. Cabe esclarecer que, ao contrário do que alardeiam os meios de comunicação burgueses, esta dívida pública, como todas as dívidas dos demais países, foram contraídas em virtude de socorro ao sistema financeiro e ao pagamento de altos juros aos detentores dos títulos públicos.
O capital financeiro, detentor desses títulos, está pressionando o governo grego, via a ‘troica’, ou seja, os inspetores do Banco Central Europeu, do FMI e da Comissão Européia, a encontrar recursos para continuar a sugá-los para a burguesia. Como o Estado grego não tem mais condições de arcar com estas despesas, os representantes do grande capital exigem: privatizações – da rádio estatal, do aeroporto de Atenas e a quebra do monopólio estatal do jogo através da venda das loterias; ajuste fiscal, aumento da tributação sobre a população, corte de salários e corte dos direitos sociais. Se não bastasse este brutal pacote, a ‘troica’ exige que todas estas medidas sejam efetuadas e controladas por agências externas.
A partir desses dados, podemos perceber que a economia grega é periférica, dentro do sistema capitalista, o que faz da Grécia, o elo fraco da corrente. A burguesia que controla a zona do Euro não vê mais importância na Grécia, por isso se utiliza de ações tão violentas como forma de testar, política e ideologicamente, seu projeto que é de construção de um novo ciclo do capital para ampliar a sua acumulação. Todavia, as contradições objetivas estão dadas pelo quadro de crise sistêmica que se estabeleceu no processo grego. Mas, o mais importante é percebermos que as condições subjetivas estão em franco processo de consolidação.
Há vários meses os trabalhadores estão nas ruas para impedir os pacotes do governo. Fizeram comícios, lutaram com pedras nas mãos nas barricadas por toda Atenas, cercaram o parlamento, paralisaram os transportes, fecharam o comércio, fizeram greves e tudo isso com uma grande presença de trabalhadores.
Chegou o momento de dar o salto de qualidade na luta política, o bloco histórico dos trabalhadores demonstra força e organização. A questão central é levantar bandeiras que captem as contradições da relação capital-trabalho.
Essas bandeiras devem estar centradas na moratória da dívida, na saída da Grécia da zona do Euro, no retorno ao Dracma (antiga moeda), com sua conseqüente desvalorização cambial, estatização do turismo, da logística, do sistema financeiro, e a tributação da marinha mercante. Galvanizado por estas bandeiras, a questão imediata é levantar a justa palavra de ordem: todo poder aos trabalhadores em luta.
Os trabalhadores gregos fizeram o seu ensaio geral, os ecos do padrão histórico da revolução proletária ressoam por todas as ruas da Grécia carregados pelos turbilhões humanos nas grandes manifestações. A luta chegou a um impasse. Ou a vanguarda e seu bloco histórico se utilizam da perspectiva clássica e assumem a luta pelo poder, ou essas batalhas que ocorrem hoje em toda a Grécia não encontrarão uma perspectiva real de saída, levando os trabalhadores derrotados, de volta para suas casas.
As bandeiras são concretas, está faltando a ação da vanguarda para lançar a palavra de ordem: Todo poder aos trabalhadores em luta!


*Milton Pinheiro é professor de ciência política da UNEB (mtpinh@uol.com.br) e Sofia Manzano é professora de economia na USJT (sofiamanzano@hotmail.com).