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sexta-feira, 8 de março de 2013

Pastor eleito para a CDH é réu no STF por estelionato


Acusado de racista, homofóbico e, agora, de estelionatário (o processo pode ser acompanhado clicando AQUI.), antecedentes credenciam o pastor eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara para o cargo. Só lhe falta agora a carteirinha do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) (Almoço das Horas).

Por João Domingos

O novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP), é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de estelionato. Feliciano, que foi eleito nesta quinta-feira, mesmo com a rejeição de grupos que representam as minorias, é acusado de ter inventado um acidente no Rio de Janeiro para justificar a ausência em evento no Rio Grande do Sul, para o qual já havia recebido cachê, passagens e hospedagem.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o deputado deveria comparecer no dia 15 de março de 2008 ao Estádio Municipal Silvio de Farias Correia, em São Gabriel (RS), município de 60 mil habitantes, a 320 quilômetros de Porto Alegre, para um show gospel que reuniu 7 mil pessoas. O hoje deputado, estrela principal da festa, faria o encerramento. Caravanas interessadas em ouvir as pregações de Marco Feliciano foram atraídas até São Gabriel.

Dona da produtora responsável pelo show gospel, a advogada Liane Pires Marques afirmou que fez publicidade em todo o Rio Grande do Sul, com TV, folhetos e rádios. Disse que pagou cachê, transporte aéreo, hotel de primeira categoria, tudo o que foi exigido. Mas a grande atração do evento não compareceu. Por causa da ausência do hoje presidente da Comissão de Direitos Humanos, a advogada disse que ficou desmoralizada, foi xingada pelos presentes e nunca mais conseguiu fazer um show.
Marco Feliciano disse à reportagem que de fato foi contratado para o show. "Eu não sou cantor. Sou pregador e iria lá como pregador". Segundo ele, houve um contratempo e não pôde comparecer. "Dias depois, recebi uma intimação judicial. A empresa cobrava R$ 1 milhão de prejuízo. Eu não paguei, é óbvio. Eles haviam adiantado R$ 8 mil para a viagem. Eu então tentei devolver o dinheiro, mas não consegui. Tive de entrar na Justiça e já ressarci os prejuízos, com correção monetária". Ele não soube explicar por que o processo ainda está no STF, pois, na sua opinião, já deveria ter sido extinto, visto que devolveu o dinheiro.
"Imagina só. Pediram R$ 1 milhão de indenização da minha parte. Esses familiares de pessoas que foram acidentadas no voo da TAM (desastre ocorrido em 2007, quando um Airbus 320 não conseguiu parar na pista de Congonhas e bateu contra um prédio da própria empresa, matando 199 pessoas) discutem se vão receber R$ 100 mil. Foi um exagero o que a empresa pediu e eu não aceitei pagar aquela quantia", disse ele. Na entrevista ao Congresso em Foco, a advogada que processa Feliciano informou ter gasto mais de R$ 100 mil na época.
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Fonte: Br.notícias

NPC lança cartilha "A origem socialista do DIA DA MULHER"

Saiu uma nova edição da cartilha "A origem socialista do DIA DA MULHER", elaborada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC). O material questiona a versão de que a data teria começado a partir de uma greve que teria ocorrido em 1857 em Nova Iorque, quando teriam morrido 129 operárias queimadas vivas. O que o material vem lembrar é que o Dia Internacional da Mulher tem uma origem socialista, que remonta ao início do século 20. Inclusive o 8 de março foi fixado a partir de uma greve iniciada no dia 23 de fevereiro (calendário russo) de 1917, na Rússia. Uma manifestação organizada por tecelãs e costureiras de Petrogrado foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa. Como escreveu Alexandra Kollontai, membro do Comitê Central do Partido Operário Social Democrata Russo, "nesse dia as mulheres russas levantaram a tocha da revolução".
Mais informações: NPC

quinta-feira, 7 de março de 2013

Romário liga Marín à ditadura militar


Deputado, presidente da CBF defendeu prisão do jornalista Vladimir Herzog


A rixa entre Romário e José Maria Marín ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira. Horas depois de ser eleito, por unanimidade, presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, o Baixinho publicou longo texto em resposta a algumas declarações do presidente da CBF.

Em entrevista à RedeTV!, o mandatário da entidade máxima do futebol brasileiro chamou o Baixinho de "desagregador" e disse que a sequência de comentários de Romário contra sua administração seriam apenas para ganhar pontos com a população.

Respondendo às acusações de Marín, o deputado federal definiu o presidente da CBF como "completamente nocivo à gestão esportiva" e fez questão de relembrar o caso do roubo da medalha da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2012 e a suspeita de que Marín estaria fazendo "gato" em seu apartamento.

Além disso, o Gênio da Grande Área rememorou episódio ocorrido na década de 1970. Então deputado estadual pela Arena, partido ligado ao regime militar, Marín defendeu no Congresso a prisão do jornalista Vladimir Herzog. Poucos dias depois, Vlado foi assassinado em uma cela do DOI-CODI de São Paulo, órgão de inteligência do governo.

Para finalizar, Romário fez campanha pela assinatura da petição pública que pede a saída de José Maria Marín do cargo de presidente da CBF.

Confira abaixo a íntegra da nota divulgada por Romário.

"Boa tarde, galera, primeiramente muito obrigado pelas felicitações pela minha eleição para presidência da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados na tarde de hoje.

"Em segundo lugar quero deixar claro que em nada me surpreende o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, afirmar que sou um “desagregador” na política. Para ele sempre serei, afinal, não compactuo com as ações deste senhor. Como jogador, fiz muito pelo futebol brasileiro, levei o esporte para o topo do mundo. Atualmente, como político, luto pela moralidade do futebol, tenho uma vida inteira de dedicação a uma das maiores paixões do brasileiro. Agora, pergunto: Qual a contribuição do Marin para o futebol? Obviamente, nenhuma.

"José Maria Marin é completamente nocivo à gestão esportiva. Tem um histórico de vida vergonhoso, desde um roubo de medalhas ao roubo de energia. Essa última história vexaminosa da biografia deste Sr. foi contada recentemente pelo jornalista Juca Kfouri, o inacreditável roubo de energia de um vizinho. Isso mesmo, o famoso “gato”.

"Estes episódios já dizem muito sobre ele, mas não para por aí. O atual presidente da CBF também colaborou com um dos períodos mais nefastos da história do Brasil. Em 1975, deputado estadual pela Arena, Marin discursou na tribuna da Assembleia Legislativa e pediu a prisão do jornalista Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura. Herzog foi preso e assassinado no DOI-Codi dias depois.

"Mais uma vez chego à conclusão que, verdadeiramente, não tenho nada a agregar a esta pessoa. Logo, as palavras dirigidas a mim não deixam de ser um elogio, pois reafirmam que estamos lutando em trincheiras distintas. Aguardo ansiosamente pela instalação da CPI da CBF para poder convocar o Sr. a prestar esclarecimentos sobre as inúmeras denúncias que chegam ao meu gabinete e atingem diretamente esta instituição. Continuo aqui na Câmara representando milhões de brasileiros que querem te ver FORA DA CBF! Já apoiava, mas agora não só apoio como divulgo a petição pública que pede a sua saída da confederação. FORA, MARIN!"

quarta-feira, 6 de março de 2013

Ranking latinoamericano da desigualdade social


Esses dados são do ano passado, divulgados pela ONU e provam que a Venezuela é hoje o país da América Latina com a menor desigualdade social. Isso é mérito de que governo? A grande mídia nunca vai publicizar tal informação, preferirá propagar as mentiras de sempre. Antes dele, a pobreza e a miséria naquele país eram absurdas.

Senado brasileiro: ex-Motosserra de Ouro na Comissão de Meio Ambiente e homofóbico e racista na Direitos Humanos

Blairo Maggi. Foto: Antonio Cruz/ABr

Embora o título da matéria sugira, não é piada. Trata-se do vale tudo, do extremo e descarado pragmatismo da governança brasileira: racista homofóbico na comissão de direitos humanos e desmatador, detentor do Prêmio Motosserra de Ouro, rei da soja e do agronegócio no Mato Grosso presidente da Comissão de Fiscalização e Controle... do quê? Meio Ambiente, Não sei se isso só acontece nesta republiqueta tupiniquim, mas é, no mínimo, desrespeitoso. No caso da Comissão do Meio Ambiente, é desrespeitoso inclusive com relação a petistas e sindicalistas mato-grossenses que sofreram agruras nas mãos do ultradireitista e ilustre recém-empossado pela presidente petista do Brasil.

Por Maurício Thuswohl, da Rede Brasil Atual

A definição dos comandantes e titulares das mais importantes comissões do Senado continua a preparar o tabuleiro político para 2014. Após a eleição na terça-feira (26) do petista Lindbergh Farias, pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, para a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos, na quarta-feira (27) foi a vez do megaempresário e ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), ser eleito para presidir a Comissão de Meio Ambiente. A escolha é, no mínimo, curiosa, já que Maggi é o maior plantador de soja do Brasil e durante muitos anos foi apontado pelo movimento socioambiental brasileiro como um dos principais inimigos do meio ambiente no país, tendo ganho, inclusive, o famigerado Prêmio Motosserra de Ouro.
Político que nutre uma boa relação com Dilma Rousseff, sendo inclusive o principal interlocutor da presidenta no instável PR, e ainda cotado para assumir o Ministério da Agricultura em uma eventual reforma ministerial, Maggi garante que não é um bicho tão feio como muitos pintam. Em entrevista publicada ontem no jornal O Globo, ele diz que, na verdade, deteve o desmatamento em Mato Grosso: “Quando assumi o governo, o índice de desmatamento era crescente. Quando me elegi, disseram que tinham colocado a raposa para tomar conta do galinheiro. Mas, se pegarem os números depois que eu saí, verão que houve redução de 90% no desmatamento. É possível aliar produção e preservação”.
Maggi se coloca como a “pessoa ideal” para assumir a Comissão de Meio Ambiente do Senado. “Conheço bem o que as ONGs e os produtores pensam, como agem e o que querem. Tenho todas as credenciais para ocupar [a presidência da Comissão]”, diz. O senador afirma também que “se tem alguém que sabe cuidar do meio ambiente, esse alguém é o agricultor, que sabe olhar para a terra e defendê-la, pois ali está o seu ganha-pão”.
A opinião que Maggi tem de si mesmo, no entanto, diverge bastante daquela expressada por ambientalistas, que sempre estiveram na cola do atual senador. O “ponto alto” das citações ao empresário e produtor de soja como inimigo do meio ambiente no Brasil veio em 2005, quando Maggi ainda governava Mato Grosso e foi agraciado, em eleição organizada pela organização não governamental Greenpeace, com o prêmio Motosserra de Ouro. Naquela ocasião, ferviam em todo o Brasil os debates acerca do avanço da fronteira agrícola da soja sobre a floresta amazônica e da introdução ilegal de soja transgênica no Sul do país.

‘Só temos a lamentar’


Oito anos depois, a opinião dos ambientalistas sobre Maggi parece não ter mudado. “A gente só tem a lamentar sua escolha para a Comissão”, resume Carlos Henrique Painel, dirigente do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente (FBOMS). O ambientalista define Maggi: “É um legítimo ganhador do Prêmio Motosserra, um dos responsáveis pela expansão da soja no Brasil. Um senador e ex-governador que reconhecidamente é do agronegócio e que lutou muito pelas mudanças no Código Florestal que prejudicaram o país. A Comissão de Meio Ambiente do Senado agora se junta a um Ministério do Meio Ambiente que já não atua”.
Painel lamenta que a escolha de Maggi se dê com o que ele define como aval do Planalto: “É mais um passo em direção ao retrocesso na área ambiental do governo Dilma. O governo está se colocando de maneira desenvolvimentista ao extremo e, para isso, está tirando qualquer obstáculo ao crescimento pretendido. A questão ambiental é vista por esse governo como um obstáculo, e não como uma solução para os problemas do desenvolvimento do país”.
Fonte: Sul21

Pastor é mesmo escolhido para presidir Direitos Humanos


Deputado Marco Feliciano foi escolhido pelo PSC para ser novo presidente da CDHM da Câmara. Nome pode ser barrado por membros da própria comissão, mas hipótese é remota.


Marco Prates, de Siga-me
Agência Câmara

Deputado e pastor Marco Feliciano: ele será mesmo o novo presidente da comissão que lida com os direitos das minorias

São Paulo – O pastor e deputado do PSC Marco Feliciano foi escolhido oficialmente como o candidato do partido para o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM). Amanhã seu nome será votado pelos membros da comissão, mas a hipótese de sua candidatura ser rejeitada é considerada remota.

Em 2011, o pastor foi acusado de racismo e homofobia por entidades ao escrever que os “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé” e que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime”.

Marco Feliciano comemorou a indicação pelo microblog. E prometeu hoje "abrir o diálogo sobre todos os assuntos de interesse da sociedade". Ele nega veementemente as acusações de que seja homofóbico ou racista.

“O PSC, sob deliberação de toda a bancada, na certeza de que a comissão estará muito bem entregue, decidiu pelo nome do pastor Marco Feliciano”, anunciou no fim da tarde de hoje o líder do partido na Câmara, André Moura.

Lembrado do movimento de oposição ao deputado - um abaixo assinado contra Marco Feliciano na plataforma Avaaz chegou a quase 50 mil votos -, o líder do PSC ressaltou que há também "movimentação extremamente favorável ao pastor".

Feliciano criou uma petição em seu próprio site que chegou a 95 mil assinaturas hoje, segundo a página.

Embora seu nome ainda tenha que passar pelos 18 membros da comissão - o que deve ocorrer amanhã - é improvável que seja rejeitado ou enfrente uma candidatura avulsa. Isso porque o comando das comissões é dividido previamente entre os partidos por acordo do colégio de líderes. Um distúrbio na CDHM poderia atrapalhar a divisão anteriormente acertada.
Fonte: Exame
Vídeo do Youtube mostra o pastor comercializando fé e em atitude suspeita de usufruto de má fé da crença popular.

A Revolução não será televisionada - o golpe na Venezuela

Um bom momento para rever o documentário "A Revolução não será televisionada - o golpe na Venezuela" e refletir acerca do papel da grande mídia internacional nos processos políticos da América Latina.

Dilma vai acabar com o SUS?


É inaceitável a intenção do governo de abdicar da consolidação da rede pública e apostar no avanço de planos de saúde ineficientes.

LIGIA BAHIA*
LUIS EUGENIO PORTELA*
MÁRIO SCHEFFER*


O desmonte final do Sistema Único de Saúde (SUS) vem sendo negociado a portas fechadas, em encontros da presidente Dilma Rousseff com donos de planos de saúde, entre eles financiadores da campanha presidencial de 2010 e sócios do capital estrangeiro, que acaba de atracar faminto nesse mercado nacional.
Na pauta, a chave da porta de um negócio bilionário, que são os planos de saúde baratos no preço e medíocres na cobertura, sob encomenda para estratos de trabalhadores em ascensão.
Adiantado pela Folha ("Cotidiano", 27/2), o pacote de medidas que prevê redução de impostos e subsídios para expandir a assistência médica suplementar é um golpe contra o SUS ainda mais ardiloso que a decisão do governo de negar o comprometimento de pelo menos 10% do Orçamento da União para a saúde.
A proposta é uma extorsão. Cidadãos e empregadores, além de contribuir com impostos, serão convocados a pagar novamente por um serviço ruim, que julgam melhor que o oferecido pela rede pública, a que todos têm direito. Em nome da limitada capacidade do SUS, o que se propõe é transferir recursos públicos para fundos de investimentos privados.
O SUS é uma reforma incompleta, pois o gasto público com saúde é insuficiente para um sistema de cobertura universal e atendimento integral. Isso resulta em carência de profissionais, baixa resolutividade da rede básica de serviços e péssimo atendimento à população.
Nos delírios de marqueteiros e empresários alçados pelo governo à condição de formuladores de políticas, o plano de saúde surgiria como "miragem" para a nova classe média, renderia a "marca" da gestão e muitos votos em 2014.
Pois o mercado que se quer expandir com empurrão do erário não é exatamente um oásis no meio do SUS. Autorizados pela agência reguladora, proliferam planos de saúde pobres para pobres, substitutivos "meia-boca" do que deveria ser coberto pelo regime universal.
Na vida real, são prazos de atendimento não cumpridos, poucos especialistas por causa de honorários ridículos, número insuficiente de serviços diagnósticos e de leitos, inclusive de UTI, negativas de tratamentos de câncer, de doenças cardíacas e transtornos mentais, redes reduzidas que impedem o direito de escolha e geram longas filas e imposição de barreiras de acesso, como triagens e autorizações prévias.
Quem tem plano de saúde conhece bem esse calvário.
Limitados pelos contratos, dirigidos a jovens sadios e formalmente empregados, os planos de saúde não aliviam nem desoneram o SUS, pois fogem da atenção mais cara e qualificada. Não são adequados para assistir idosos e doentes crônicos, cada vez mais numerosos. Assim, os serviços públicos funcionam como retaguarda, uma espécie de resseguro da assistência suplementar excludente.
Nos Estados Unidos, a reforma de Obama enquadra os planos privados e tenta colocar nos trilhos o sistema mais caro e desigual do mundo. País de recursos escassos, se delegar o futuro a quem visa o lucro com a doença, o Brasil seguirá é o caminho da Colômbia, que vive um colapso na saúde.
É inaceitável, em uma sociedade democrática, a intenção do governo de abdicar da consolidação do SUS, de insistir no subfinanciamento público e apostar no avanço de um modelo privado, estratificado, caro e ineficiente.
O Movimento Sanitário, o Conselho Nacional de Saúde, o Congresso Nacional, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal precisam se manifestar sobre esse despropósito inconstitucional.

LIGIA BAHIA, 57, é professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
LUIS EUGENIO PORTELA, 49, é professor da Universidade Federal da Bahia e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
MÁRIO SCHEFFER, 46, é professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

terça-feira, 5 de março de 2013

Comandante Hugo Chávez Frías, in memoriam

Atílio Borón com Chávez, em Caracas, sessão da 
Asambleia Nacional da Venezuela, em 5 de Julho de 2012.

Con profundo dolor comparto esta reflexión sobre el fallecimiento de Hugo Chávez Frías, un hombre que marcó un antes y un después en la historia de América Latina y el Caribe.
Por Atílio Borón
5.3.2013

¡Gloria al bravo Chávez!


Cuesta muchísimo asimilar la dolorosa noticia del fallecimiento de Hugo Chávez Frías. No puede uno dejar de maldecir el infortunio que priva a Nuestra América de uno de los pocos “imprescindibles”, al decir de Bertolt Brecht, en la inconclusa lucha por nuestra segunda y definitiva independencia. La historia dará su veredicto sobre la tarea cumplida por Chávez, aunque no dudamos que será muy positivo. Más allá de cualquier discusión que legítimamente puede darse al interior del campo antiimperialista –no siempre lo suficientemente sabio como para distinguir con claridad amigos y enemigos- hay que partir reconociendo que el líder bolivariano dio vuelta una página en la historia venezolana y, ¿por qué no?, latinoamericana. Desde hoy se hablará de una Venezuela y Latinoamérica anterior y de otra posterior a Chávez, y no sería temerario conjeturar que los cambios que impulsó y protagonizó como muy pocos en nuestra historia llevan el sello de la irreversibilidad. Los resultados de las recientes elecciones venezolanas –reflejos de la maduración de la conciencia política de un pueblo- otorgan sustento a este pronóstico. Se puede desandar el camino de las nacionalizaciones y privatizar a las empresas públicas, pero es infinitamente más difícil lograr que un pueblo que adquirió conciencia de su libertad retroceda hasta instalarse nuevamente en la sumisión. En su dimensión continental, Chávez fue el protagonista principal de la derrota del más ambicioso proyecto del imperio para América Latina: el ALCA. Esto bastaría para instalarlo en la galería de los grandes patriotas de Nuestra América. Pero hizo mucho más.
     Este líder popular, representante genuino de su pueblo con quien se comunicaba como nunca ningún gobernante antes lo había hecho, sentía ya de joven un visceral repudio por la oligarquía  y el imperialismo. Ese sentimiento fue luego evolucionando hasta plasmarse en un proyecto racional: el socialismo bolivariano, o del siglo veintiuno. Fue Chávez quien, en medio de la noche neoliberal, reinstaló en el debate público latinoamericano -y en gran medida internacional- la actualidad del socialismo. Más que eso, la necesidad del socialismo como única alternativa real, no ilusoria, ante la inexorable descomposición del capitalismo, denunciando las falacias de las políticas que procuran solucionar su crisis integral y sistémica preservando los parámetros fundamentales de un orden económico-social históricamente desahuciado. Como recordábamos más arriba, fue también Chávez el mariscal de campo que permitió propinarle al imperialismo la histórica derrota del ALCA en Mar del Plata, en Noviembre del 2005. Si Fidel fue el estratega general de esta larga batalla, la concreción de esta victoria habría sido imposible sin el protagonismo del líder bolivariano, cuya elocuencia persuasiva precipitó  la adhesión del anfitrión de la Cumbre de Presidentes de las Américas, Néstor Kirchner; de Luiz Inacio “Lula” da Silva; y de la mayoría de los jefes de estado allí presentes, al principio poco propensos –cuando no abiertamente opuestos- a desairar al emperador en sus propias barbas. ¿Quién si no Chávez podría haber volcado aquella situación? El certero  instinto de los imperialistas explica la implacable campaña que Washington lanzara en su contra desde los inicios de su gestión. Cruzada que, ratificando una deplorable constante histórica, contó con la colaboración del infantilismo ultraizquierdista que desde dentro y fuera de Venezuela se colocó objetivamente al servicio del imperio y la reacción.
     Por eso su muerte deja un hueco difícil, si no imposible, de llenar. A su excepcional estatura como líder de masas se le unía la clarividencia de quien, como muy pocos, supo descifrar y actuar inteligentemente en el complejo entramado geopolítico del imperio que pretende perpetuar la subordinación de América Latina. Supeditación que sólo podía combatirse afianzando –en línea con las ideas de Bolívar, San Martín, Artigas, Alfaro, Morazán, Martí y, más recientemente, el Che y Fidel- la unión de los pueblos de América Latina y el Caribe. Fuerza desatada de la naturaleza, Chávez “reformateó” la agenda de los gobiernos, partidos y movimientos sociales de la región con un interminable torrente de iniciativas y propuestas integracionistas: desde el ALBA hasta Telesur; desde Petrocaribe hasta el Banco del Sur; desde la UNASUR y el Consejo Sudamericano de Defensa hasta la CELAC. Iniciativas todas que comparten un indeleble código genético: su ferviente e inclaudicable antiimperialismo. Chávez ya no estará entre nosotros, irradiando esa desbordante cordialidad; ese filoso y fulminante sentido del humor que desarmaba los acartonamientos del protocolo; esa generosidad y altruismo que lo hacían tan querible. Martiano hasta la médula, sabía que tal como lo dijera el Apóstol cubano, para ser libres había que ser cultos. Por eso su curiosidad intelectual no tenía límites. En una época en la que casi ningún jefe de estado lee nada -¿qué leían sus detractores Bush, Aznar, Berlusconi, Menem, Fox, Fujimori?- Chávez era el lector que todo autor querría para sus libros. Leía a todas horas, a pesar de las pesadas obligaciones que le imponían sus responsabilidades de gobierno. Y leía con pasión, pertrechado con sus lápices, bolígrafos y resaltadores de diversos colores con los que marcaba y anotaba los pasajes más interesantes, las citas más llamativas, los argumentos más profundos del libro que estaba leyendo. Este hombre extraordinario, que me honró con su entrañable amistad, ha partido para siempre. Pero nos dejó un legado inmenso, imborrable, y los pueblos de Nuestra América inspirados por su ejemplo seguirán transitando por la senda que conduce hacia nuestra segunda y definitiva independencia. Ocurrirá con él lo que con el Che: su muerte, lejos de borrarlo de la escena política agigantará su presencia y su gravitación en las luchas de nuestros pueblos. Por una de esas paradojas que la historia reserva sólo para los grandes, su muerte lo convierte en un personaje inmortal.  Parafraseando al himno nacional venezolano: ¡Gloria al bravo Chávez! ¡Hasta la victoria, siempre, Comandante!

domingo, 3 de março de 2013

Redução da desigualdade da renda no Governo Lula – Análise comparativa


Reinaldo Gonçalves[i]

Há queda da desigualdade da renda no Brasil e no restante da América Latina na primeira metade do século XXI. Sem mudanças estruturais, a redução da desigualdade da renda no Brasil e na maior parte dos países da América Latina parece resultar de políticas públicas, seja gasto social, seja política salarial (mínimo). O imperativo da governabilidade e a perpetuação no poder são os determinantes principais destas políticas, independente do modelo econômico-político vigente em cada país. Ou seja, as políticas de redistribuição da renda são funcionais na luta pelo poder político. Estas políticas, por seu turno, só foram possíveis graças à evolução favorável da economia mundial, via afrouxamento da restrição das contas externas e das contas públicas, no período 2003-08. Sem mudanças estruturais, o Brasil é mais um exemplo deste fenômeno. O país experimenta melhora marginal na sua posição no ranking mundial dos países com maior grau de desigualdade – entre meados da última década do século XX e meados da primeira década do século XXI o Brasil sai da 4ª posição para a 5ª posição no rank mundial dos países mais desiguais.

Há tendência de redução da desigualdade da renda no Brasil e no restante da América Latina na primeira década do século XXI (CEPAL, 2010, p. 51-54). Este fenômeno é particularmente relevante quando se leva em conta que a América Latina, em geral, e o Brasil,
em particular, têm índices relativamente elevados de desigualdade pelos padrões internacionais[ii].
 Este artigo foca na análise da evolução da desigualdade da renda no Brasil e no restante da América Latina na primeira década do século XXI[iii].
Na seção 1 discute-se a evidência empírica para o conjunto dos 12 países da América Latina (inclusive, Brasil) que formam o painel. A evidência disponível informa a redução da desigualdade da renda no Brasil e no restante da América Latina na primeira década do século
XXI. Estudos recentes mostram que este fenômeno decorre, principalmente, da elevação dos gastos públicos sociais (e.g, via transferência de renda para os pobres) e da redução do diferencial entre os rendimentos dos trabalhadores qualificados e os de baixa qualificação (que recebem salário mínimo ou salários referenciados ao mínimo) (López-Calva e Lustig, eds., 2010). Entretanto, estes estudos falham ao não perceberem os determinantes principais e o condicionante básico da expansão dos gastos públicos sociais e do aumento do salário mínimo real.
Na seção 2 analisa-se a evolução da desigualdade da renda no Brasil e no restante dos países da América Latina comparativamente ao resto do mundo. Na seção 3, além da síntese dos principais resultados, apresentam-se três argumentos a respeito da redução generalizada da desigualdade da renda no Brasil e no restante da América Latina na primeira década de século XXI:

1. o imperativo da governabilidade – necessidade de garantir a legitimidade do Estado e a estabilidade política – é determinante das políticas de redução da desigualdade após duas décadas (1980-2000) marcadas por trajetórias de instabilidade e crise, inclusive,
crises sistêmicas e institucionais;
2. o objetivo de perpetuação no poder dos grupos dirigentes é determinante de políticas de redução da desigualdade (e de combate à pobreza) que rendem votos junto aos grupos favorecidos por estas políticas – as políticas de redistribuição são funcionais na luta pelo poder político; e,
3. a evolução favorável da economia mundial, via afrouxamento da restrição das contas externas e das contas públicas, é o condicionante básico no período 2003-08.

O estudo baseia-se em painel de 12 países da América Latina: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Honduras, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
As variáveis para análise são o coeficiente de Gini, que varia de 0 (completa igualdade) a 100 (máxima concentração) e a razão da renda média per capita dos domicílios quintil 5 (20% mais ricos) e quintil 1 (20% mais pobres)[iv].
As fontes de dados são: CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe)[v], Banco Mundial[vi] e FMI (Fundo Monetário Internacional)[vii].
Os dados referem-se, de modo geral, ao período 2000-09. Os dados anuais para os coeficientes de desigualdade que não estão disponíveis foram calculados por interpolação geométrica.
Os indicadores usados são: variação média anual do coeficiente de Gini e variação média anual da razão da renda média per capita dos domicílios quintil 5 (20% mais ricos) e quintil 1 (20% mais pobres). A metodologia é simples e consiste na análise da evolução da média e da mediana.

Para ler o estudo por completo, clicar AQUI.



[i] Professor titular do Instituto de Economia da Universidade Federal
do Rio de Janeiro.
[ii] Dados do Banco Mundial (World Development Indicators database) mostram que no início do século XXI o coeficiente médio de Gini para uma amostra de 104 países é de 39,2 e para uma amostra de 18 países latinoamericanos é de 51,7. Ver, ainda, Baer e Maloney (1997) para o aumento da desigualdade da renda na América Latina no final do século XX.
[iii] Naturalmente é preciso cautela na comparação de indicadores da desigualdade da renda entre países visto que as pesquisas por amostras de domicílios têm coberturas diferentes; por exemplo, podem se basear em gastos ou renda, podem ser para amostra nacional ou regional, área urbana, etc. Ademais, pesquisas de domicílios subestimam rendas que são derivadas do capital (juro, lucro e aluguel) e tendem a expressar a distribuição de rendimentos da classe trabalhadora.
[iv] Estes dados estão no Anexo, Tabelas A.1 e A.2
[v] Disponível: http://websie.eclac.cl/sisgen/ConsultaIntegradaFlashProc.asp.
[vi] World Development Indicadors, 2004
[vii] World Economic Outlook DataBase. Disponível:
http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2011/01/weodata/index.aspx

Produção científica e produção/reprodução capitalista: história, memória e ideologia


O X Colóquio Nacional e III Colóquio Internacional do Museu Pedagógico têm como tema a “Produção do conhecimento no limiar do século XXI: tendências e conflitos”. O evento será realizado na cidade de Vitória da Conquista/BA, no período de 28 a 30 de agosto de 2013 e as inscrições para participação como ouvinte e para submissão de trabalhos já estão abertas.

A relação entre a produção científica e a produção/reprodução capitalista: história, memória e ideologia

Um dos Colóquios Temáticos apresentados diz respeito “A relação entre a produção científica e a produção/reprodução capitalista: história, memória e ideologia”.

Ementa: No atual cenário mundial, marcado por profundos processos de concentração/centralização econômica, registra-se uma crise geral, evidenciada desde o início dos anos 1970. Seus efeitos impeliram o sistema a forjar uma reestruturação sem que seus ajustes estruturais implicassem ruptura em sua inter-relação. Tais políticas de adequação das relações sociais mais gerais à lógica da acumulação capitalista planetária acirraram as contradições, implodindo centrais instituições econômico-financeiras e políticas fundadas no imediato pós II Guerra Mundial. A produção científica não ficou fora dessa dinâmica, reproduzindo a lógica mercantil dessa acumulação. Este Colóquio Temático propõe discussões temáticas como: processos relacionados às categorias ideologia, memória e História; discursos politicoideológicos e práticas sociais, tendo por ponto de partida a reprodução do capital; constituição dos sujeitos sociais e suas representações; práticas sociais e processos de dominação; construção/reconstrução/desconstrução da memória em perspectiva histórica; produção e reprodução social do conhecimento científico na atual conjuntura capitalista.
Coordenadores: Prof. Dr. José Rubens Mascarenhas de Almeida (UESB) –
As comunicações científicas ocorrerão dentro dos Colóquios Temáticos e deverão ser resultado de estudos e pesquisas. A submissão de trabalho pode ser feitas até 08/04/2013, exclusivamente pela internet, com o artigo enviado no ato do preenchimento da inscrição, devidamente identificado.

Instituições Vinculadas: 
Quando: 
De 28/08/2013 até 30/08/2013
Onde: 
Vitória da Conquista, BA
Inscrições: 
De 01/03/2013 até 30/08/2013
Submissões: 
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Quem dá mais? Brasil à venda - Preços módicos!


O problema não reside no fato de sermos apresentados como a oportunidade do momento. E sim nos custos implícitos do conjunto dessas operações de privatização travestidas retoricamente de “mera concessão”. A sociedade brasileira vai arcar com o ônus de mais um ciclo de acumulação privada às expensas do dinheiro público.
Paulo Kliass*

O enredo é vendido, para os incautos e desavisados, como a busca da chave encantada, que serviria de ingresso pleno para o paraíso. Afinal - já pensou que maravilha? - o Brasil estaria sendo muito bem aceito lá fora, sempre atuando como plataforma cordial de ganhos assaz interessantes para o capital financeiro. Mas, na verdade, tudo isso se assemelha muito mais a um grande pesadelo, tendo em vista as consequências atuais e futuras, bem perversas, que virão para a maioria de nosso povo. Refiro-me a essas viagens dos representantes do governo da Presidenta Dilma pelos 5 continentes, na tentativa desesperada de vender as vantagens de nossas terras como a grande alternativa de investimento sólido e seguro para o capital internacional.

Tudo se passa como se estivéssemos no interior de uma roda do tempo, voltando às últimas décadas do século XIX. A economia brasileira se apresenta completamente dependente da exportação de produtos primários - em especial, a produção de café. Os poucos e localizados surtos de tentativa de industrialização terminam sendo abafados pelos interesses do setor agrário exportador. O movimento abolicionista enfrenta a dura oposição e os fortes obstáculos do “establishment”, pois o fim da escravidão e a introdução do trabalho assalariado significariam a explosão dos custos de produção e inviabilizariam a economia nacional. (sic)

Naqueles tempos, o ingresso na era da economia urbano-industrial também estava a exigir um investimento maciço em infra-estrutura. Como a capacidade de poupança nacional era bastante reduzida, em função da inexistência de remuneração para aqueles que exerciam o trabalho produtivo, a estratégia envolveu a atração de investidores e empresas estrangeiras. Estando o pólo dinâmico do capitalismo internacional localizado na Inglaterra, para cá vieram as corporações como “Light and company”, “Bond and company”, e todas as “railways” que tivemos o direito de acolher. O foco era a geração e a transmissão de energia elétrica, além da organização e exploração econômica dos transportes urbanos (bondes) e interurbanos (trens).

As semelhanças com o Brasil do século XIX

Corta para 2013. A dependência de nosso modelo de política econômica frente à exportação de produtos primários (agricultura e extrativismo mineral) permanece a mesma. O processo de desindustrialização de nossa economia é um fato objetivo e o governo pouco ou quase nada faz para reverter essa tendência destruidora do patrimônio nacional, dos empregos e da renda interna. A prioridade cega e irracional concedida aos interesses do agronegócio e a política da valorização cambial sufocam a indústria que tenta produzir em nosso território. A inundação dos manufaturados importados é justificada como resultado inevitável das chamadas “leis de mercado”, uma suposta fatalidade à qual deveríamos nos acostumar e adaptar. O governo se encarrega de reduzir o “custo Brasil”, ao promover a desoneração irresponsável da folha de pagamentos e generalizar as isenções de tributos para o capital.

Os problemas de nossa infra-estrutura são bem conhecidos há muito tempo. As décadas de ajuste econômico conservador e neoliberal, o processo de privatização e a prevalência da lógica do financismo não podem mais ser utilizadas como desculpa para a inatividade ao longo dos últimos 10 anos. Se no final dos anos 1800 não tínhamos quase nada em termos de transpores e energia, hoje em dia temos muito por construir no conjunto do parque de infra-estrutura. Porém, a exemplo do passado, mais uma vez incorporamos a lógica do neo-colonialismo e saímos por aí, passando o pires pelo mundo afora.

O “road show” e as concessões ao capital internacional

O chamado “road show” protagonizado por estrelas do primeiro time de Dilma é a manifestação mais simbólica da incorporação da lógica da dependência e da submissão. A página do Ministério da Fazenda na internet apresenta a versão em inglês da apresesentação do Ministro Mantega e da publicação impressa a ser distribuída aos interessados. Os títulos sugestivos são, respectivamente, “The Brazilian Economy and Investment Opportunities” e “Infrastructure in Brazil: projects, financing instruments, opportunities”. O problema não reside no fato de sermos apresentados como a oportunidade do momento. E sim nos custos implícitos do conjunto dessas operações de privatização travestidas retoricamente de “mera concessão”. Afinal, tendo em vista as condições que oferecemos para lograr tal objetivo a qualquer preço, a sociedade brasileira vai arcar com o ônus de mais um ciclo de acumulação privada às expensas do dinheiro público.

Essa rodada global, patrocinada por nossos representantes, pontua os elementos positivos do desempenho econômico brasileiro ao longo do período recente e o potencial de crescimento futuro de nossa economia. Até aí, nada de novo. Os grandes investidores internacionais conhecem muito bem as oportunidades abertas para quem se interessa em vir para cá e aplicar os seus recursos. E esse cenário de ganhos continua válido, mesmo depois da corajosa e necessária mudança de postura de nossa Presidenta, que determinou a seus assessores a redução da taxa oficial de juros, a SELIC. A diferença é que a maior parte dos interessados agora deveria estar motivada tão somente pelos ganhos derivados da atividade produtiva ou na área de serviços.

A apresentação menciona a necessidade de um montante total de US$ 235 bilhões, a serem investidos ao longo dos próximos anos em programas de concessão de infra-estrutura. A distribuição desses valores de acordo com os projetos setoriais é a seguinte: i) logística: US$ 121 bi; ii) petróleo e gás: US$ 74 bi; e iii) energia elétrica: US$ 40 bi. Os principais projetos detalhados são:

a) Rodovias: 7.500 km.
b) Ferrovias: 10.000 km.
c) Portos: 159 unidades.
d) Trem de alta velocidade: 511 km.
e) Aeroportos: 2 internacionais.
f) Petróleo e gás: 3 rodadas de leilão para exploração de reservas.
g) Energia elétrica: 33.000 MW de geração e 23.200 km de linhas de transmissão.

As facilidades oferecidas ao investidor estrangeiro

Além disso, o documento procura convencer o investidor estrangeiro a respeito das vantagens em aplicar seus recursos por aqui. Para tanto são ressaltados justamente os aspectos mais negativos e conservadores da política econômica do governo. Ou seja, aquelas medidas que se destinam a beneficiar apenas os interesses do capital em detrimento das necessidades da absoluta maioria da população. E dá-lhe receituário típico das demandas dos colunistas de economia dos grandes meios de comunicação, sempre a serviço dos interesses das associações de empresários e do financismo.

Com todo o orgulho, o texto em inglês reforça o compromisso do governo em reduzir as despesas e o déficit com a previdência social, bem como busca assegurar a continuidade da política de redução dos gastos correntes de forma geral. A apresentação exibe com toda a satisfação o êxito da política de obtenção de superávit primário, de forma sucessiva ao longo dos últimos anos. Por outro lado, tranqüiliza os gestores dos fundos de investimento quanto à continuidade da definição da taxa de câmbio baseada no pressuposto da liberdade cambial. Finalmente, o texto reforça a tendência irreversível para com a desoneração tributária (em especial a da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos) e com a redução de impostos de uma forma geral. Em poucas palavras, o recado é claro: podem vir que o retorno do investimento está tranqüilo, pois o Estado vai cumprir com seu papel de assegurar seus ganhos.

Não bastasse essa ladainha toda, o governo ainda anuncia medidas que concretizam tais compromissos, com mais pacotes de benesses. Depois do grande “lobby” exercido pelos representantes do capital, Dilma recua e aceita elevar as taxas de retorno previstas para os projetos de concessão. Ou seja, em total oposição ao discurso a respeito da queda da taxa de juros, sua equipe anuncia que as taxas de lucro dos projetos de concessão de infra-estrutura podem chegar a 15% ao ano. Uma loucura, caso consideremos que a taxa real de juros para uma aplicação em títulos da dívida pública fica em torno de 2% atualmente. O conglomerado empreendedor estrangeiro participa de uma licitação patrocinada pelo próprio Estado brasileiro, para gerir um bem ou serviço público, em uma operação quase sem nenhum risco envolvido, com uma demanda garantida por uma eternidade e ainda tem a autorização e o estímulo do governo para auferir esse tipo escandaloso de retorno financeiro. Um absurdo!

Não bastasse tamanha generosidade, sempre realizada com recursos públicos previstos no orçamento, o governo decide por oferecer aos interessados e vitoriosos nas licitações a engenharia financeira do BNDES. Leia-se: o banco “nacional” de desenvolvimento vai participar com aporte de recursos, a custo praticamente nulo, para que os agentes do imperialismo venham aqui dentro explorar atividades econômicas de natureza pública! Imagine-se o que não vai ocorrer dentro de 30 ou 35 anos, quando da renovação de tais contratos. O segredo desse tipo de empreendimento, como qualquer outro, é determinado por uma conta muito simples: o resultado líquido entre receitas e despesas. Aumentar receitas significa ampliar o número de usuários e, principalmente, o valor das tarifas. Diminuir despesas significa processos mais eficientes, mas também reduzir a qualidade dos serviços oferecidos. Os resultados da privatização de telecomunicações e da energia elétrica estão aí para quem quiser refletir sobre tarifa pública e qualidade do serviço. E também sobre a incapacidade das agências reguladoras exercerem seu verdadeiro papel.

Infraestrutura: interesse estratégico e soberania nacional

Por se tratar de áreas de interesse estratégico para o País, com elevada sensibilidade econômica, política, social, tecnológica, ambiental e de segurança nacional, esse movimento delicado deveria merecer muita mais atenção e preocupação por parte do governo. Vender dessa forma irresponsável uma parcela essencial de nossa capacidade econômica pode trazer conseqüências irreparáveis no médio e no longo prazos. A crise econômica internacional reduziu as taxas de ganho por todo o planeta. Se o Brasil é efetivamente um dos principais pólos de atração para novos investimentos estrangeiros, nossa postura deveria ser muita mais exigente e seletiva na procura dos interessados. Ao invés de oferecer mundos e fundos, deveríamos sim é colocar nossas exigências em termos de contrapartidas. Isso significaria estabelecer condições quanto a re-investimento dos lucros auferidos, internalização de tecnologia aportada, limitação das taxas de retorno financeiro nos projetos, multas para não cumprimento de cláusulas importantes, entre outros aspectos.

Em poucas palavras, seria uma excelente oportunidade para demonstrarmos ao resto do mundo que não existe mais espaço para o servilismo nem para o excesso de cordialidade nas relações econômicas com o capital estrangeiro. Que a partir de agora, o Estado brasileiro iria responder - em primeiro lugar - aos interesses nacionais e soberanos, sempre da perspectiva da maioria de sua população. Porém, como o governo não trabalha com um projeto de País nem com uma estratégia de Nação, vamos cedendo e concedendo o futuro para tocar o ramerrame do dia-a-dia.

*Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.
Fonte: Carta Maior

sábado, 2 de março de 2013

ENTENDA O CIRCUITO (DENTRO) FORA DO EIXO


São Paulo: Diferentemente da antiga indústria cultural, ao vincular a sua imagem a elementos simbólicos produzidos colaborativamente, o novo empresariado da cultura aproveita-se dessa riqueza enquanto capital simbólico coletivo, que ao final do processo haverá de ser revertido em dinheiro.

A cultura no centro da luta de classes em São Paulo

Um olhar panorâmico sobre o atual cenário da cidade de São Paulo, e talvez do Brasil, indica-nos que cada vez o tema da cultura ganha espaço e importância nas dinâmicas dos movimentos sociais. Muito do que hoje faz parte do campo político, digamos, progressista da cidade é constituído por grupos, coletivos e outras iniciativas que, de alguma maneira, privilegiam a matéria arte-cultura. Sem dúvida, esta impressão geral se deve, em grande medida, ao florescimento de um sem-número de saraus em diversas periferias da cidade, dando origem ao que se consagrou chamar cultura periférica. Mas é também resultado de uma longa jornada encampada por fazedores de hip-hop, samba, teatro, produtores e distribuidores de vídeo, música, comunicadores e mantenedores de espaços alternativos, que animam uma cena bastante diversa e mais ou menos ligada aos interesses populares.

Igualmente, mesmo os movimentos sociais, pequenos ou grandes, originalmente surgidos para atuarem com temas e necessidades mais tradicionais, como habitação, saúde, transporte ou violência urbana, têm dispensado alguma atenção ao tema. Talvez isso não ocorra tanto porque tenham todos eles chegado à conclusão de que essa dimensão, simbólica, da luta social seja de fato tão importante quanto a luta pela melhoria das condições básicas de sobrevivência; infelizmente, no interior da esquerda há ainda quem pense arte e cultura como mero reflexo das condições materiais e, portanto, item secundário a ser trabalhado e desenvolvido. Mas é que, na falta de processos de luta mais avançados e efetivos, a cultura apareceria como boa opção de refúgio, um lugar para se manter unido até que a conjuntura passe, ou então como instrumento de abordagem, uma isca através da qual se procuraria seduzir o público-alvo e então despertá-lo para os assuntos, estes sim, realmente importantes.

De todo modo, seja por reconhecimento da urgência destas demandas reprimidas ou por mera imposição da conjuntura ou pela mistura das duas coisas, o fato é que a pauta da cultura tem se colocado na ordem do dia dos diversos segmentos de esquerda.

Por outro lado, é preciso dizer que este movimento para a cultura também acontece por exigência das recentes transformações do capitalismo. A etapa atingida pelo atual sistema produtivo, sem eliminar as antigas formas de exploração, tem requerido, cada vez mais, pessoas habilitadas para trabalharem com signos, linguagens, informação, processos criativos. Não é raro, por exemplo, que os departamentos de recursos humanos das empresas prefiram candidatos que tenham tido experiência com teatro e bandas de rock aos que apresentam currículos quadrados e pragmáticos. Daí que, junto a outras conveniências, tenham se expandido pela cidade espaços, núcleos, fundações, ONGs e políticas públicas especializadas em atividades com arte e cultura direcionadas principalmente para os jovens.
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