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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer morre aos 104 anos

Niemeyer Presente! Agora e sempre!!
Após 34 dias de internação, arquiteto veio a falecer hoje (5), no Rio de Janeiro, em decorrência de uma infeccção respiratória; militante comunista histórico, Niemeyer cedeu seu prestígio ao Brasil de Fato, ao aceitar ser, desde à fundação do jornal, membro do nosso Conselho Político
05/12/2012
da Redação do Brasil de Fato

Após 34 dias de internação, Oscar Niemeyer morreu hoje aos 104 anos, às 21h55. De acordo com a equipe médica do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde o arquiteto estava desde o dia 2 de novembro, ele veio a falecer em decorrência de uma infecção respiratória.

Há dias, Niemeyer, que em 15 de dezembro completaria 105 anos, vinha sendo submetido à hemodiálise e à fisioterapia respiratória. Ainda de acordo com a equipe médica, só perdeu a lucidez hoje pela manhã, quando foi sedado após a infecção ter sido constatada.
Leia abaixo entrevista exclusiva de 2005 que Niemeyer, à época com 97 anos, deu ao Brasil de Fato:

Lula podia ter feito mais, diz Niemeyer
João Alexandre Peschanski
e Taís Peyneau
do Rio de Janeiro (RJ)
Sentado, em seu escritório em Copacabana, no Rio de Janeiro, Oscar Niemeyer balança a cabeça. “Cansamos de esperar as reformas que Lula prometia”, diz, comentando a crise do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT). Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o arquiteto revela que nunca teve ilusões em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, chegou ao poder “cheio de ânimo”, mas sem um projeto para mudar radicalmente o Brasil.
Esboça um sorriso. Mantém-se otimista, pois “Lênin já dizia que sem sonhar as coisas não acontecem”. Segundo ele, Lula ainda pode “virar a mesa” e implementar ações efetivas contra a pobreza. Para tanto, sugere, deve tomar exemplo nos presidentes cubano e venezuelano, Fidel Castro e Hugo Chávez.
Segundo Niemeyer, mais do que nunca é preciso voltar-se à luta por mudanças radicais. Diante da possibilidade de transformar o mundo, outras atividades – até mesmo a arquitetura – perdem importância. Diz isso e caminha para a sala. Nas paredes, frases que escreveu. “Revolução”, “Terra para todos”, “Por um mundo melhor”. Ao lado, nas mesmas paredes, rascunhos e desenhos de suas obras.
Brasil de Fato – Apesar da queda do muro de Berlim, da dissolução da União Soviética e, agora, da crise do PT, o senhor continua a ser comunista. De onde encontra motivação?
Oscar Niemeyer – Deste mundo de pobres que nos cerca e até hoje espera por uma vida melhor.

O comunismo é a solução?
O comunismo resolve o problema da vida. Faz com que a vida seja mais justa. E isso é fundamental. Mas o ser humano, este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino lhe impõe.

Como se constrói, no ideário popular, uma visão positiva do comunismo – termo que parece estar bastante desgastado desde a derrocada da União Soviética?
A Revolução Russa de 1917 fez de um país de mujiques a segunda potência mundial. Foi fantástico. Setenta anos de glória e a vitória definitiva contra o nazismo. Não podemos esquecê-la. Sabemos que é o caminho a seguir.

No Brasil, a crise que afeta o PT e Lula enfraquece a luta pelo comunismo?
Não, ao contrário. A situação se faz tão difícil e degradada que um dia só a revolução resolverá os nossos problemas. Quando houve a eleição do Lula, declarei que meus candidatos seriam ou João Pedro Stedile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ou Leonel Brizola, exgovernador do Rio de Janeiro. Esses homens são de luta. Lula é um ex-operário, cheio de ânimo, mas nunca foi comunista. Seu projeto era melhorar o capitalismo, o que é um objetivo impossível, a meu ver. Minha posição é que precisamos de um presidente que tenha a força de virar a mesa e realizar mudanças radicais, como Castro e Chávez.

Qual o impacto da crise na esquerda?
Cansamos de esperar as reformas que Lula prometia. Para nós ele deveria se ligar à esquerda do PT e cumprir as promessas que fez ao povo. Seria a sua última oportunidade.

Lula tem força e, principalmente, vontade para uma mudança radical?
Tinha. Mas para mantê-la ele teria que se ligar ao povo, apoiar com maior vigor a reforma agrária, o MST, o movimento mais importante que existe em nosso país. Deveria ser menos gentil com os donos do dinheiro, inclusive com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, um cretino que não devia existir.

O que deu errado no PT?
Um partido de esquerda que se enfraquece esquecendo as suas origens... Até o MST, um movimento que Stedile lidera tão bem, não teve do governo atual o apoio que deveria ter. Sobre tudo isso escrevi num artigo comentando como é difícil mudar este mundo coberto de miséria e discriminação.

Nesse artigo, o senhor disse que era preciso ser otimista. Continua com essa opinião?
Sim. Lênin já dizia que sem sonhar as coisas não acontecem.

O senhor concilia arquitetura e comunismo, que parecem distantes...
A vida é mais importante do que a arquitetura. A arquitetura não muda nada, mas a vida pode mudar a arquitetura.

O que é uma arquitetura mais igualitária?
Aquela que a todos atende sem discriminação. Vou esclarecer a vocês meu ponto de vista. Quando o governo decide fazer uma escola perto das favelas, a idéia é sempre fazer algo mais pobre. Isto é errado. Recentemente, projetei uma biblioteca e um teatro em Caxias. Fiz como se fosse para Copacabana, o projeto mais audacioso possível. Não pode haver discriminação. Quando Brizola fez os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), vimos que os meninos entravam nos prédios com orgulho, imaginando, na sua inocência, que os tempos iam mudar e eles poderiam começar a usufruir o que antes só às crianças mais ricas era permitido.

A arquitetura está muito vinculada ao urbano. É possível pensá-la para os camponeses?
A arquitetura obedece sempre a um programa e, no caso, seria diferente, voltada para a vida dos homens do campo.

Se pudesse voltar no tempo, o senhor participaria, de novo, da construção de Brasília?
Não sei. Brasília foi uma aventura, parecia o fim do mundo. E não eram poucos os problemas que ocorriam naquela época. Lembro que, logo nos inícios de Brasília, fui chamado à polícia política. Avisei ao presidente, que, homem de centro que era, me advertiu: “Você não pode ir. Tiram o seu retrato, e eu não poderei mais recebê-lo no Palácio.” Mas o meu amigo logo se recuperou, telefonando para o general Amaury Kruel: “O Niemeyer não pode ir. É meu elemento-chave em Brasília.”

O senhor foi à polícia política?
Niemeyer – Mais duas vezes. Numa delas, só para ser “escrachado”, como se diz, isto é, ir de mesa em mesa, apresentando-se aos policiais de plantão. Na outra vez, quando voltei ao Brasil, lembro que fui levado para uma sala acolchoada, onde um policial me fazia as perguntas que um crioulinho batia à máquina. Recordo a última pergunta: “O que vocês comunistas pretendem?” “Mudar a sociedade”, respondi. E o policial disse ao rapaz: “Escreve aí: mudar a sociedade”. E o crioulinho riu, dizendo para mim: “Vai ser difícil”.

Muitas vezes, o senhor foi criticado porque Brasília é muito vazia. No entanto, sempre que desenhou a cidade, enchia-a de gente. A cidade saiu como o senhor queria?
Ao contrário, hoje Brasília tem gente demais. Até o tráfego começa a ficar difícil.

Setores da direita e esquerda discutem o impeachment do Lula. No geral, rejeitam a hipótese. O que o senhor acha disso?
É péssimo. Os que são contra o Lula são muito piores.

Se o presidente realmente estivesse ameaçado de ser derrubado, o senhor acha que as pessoas sairiam às ruas para defendê-lo?
Depende dele. Depende dele.

O que isso quer dizer?
Que ele tem que agir, apelar para as bases. Ele prometeu muita coisa e, para acabar seu governo como um homem digno, de pé, precisa cumprir as promessas.

O que aprendemos com a tomada do poder por Lula e com a crise que o assola?
Um aprendizado muito duro... É que infelizmente falta conhecimento político ao nosso povo para decidir coisas dessa natureza. Sempre reclamamos não serem levados à juventude os problemas da vida e do ser humano, cuja compreensão deve fazer parte de sua formação. Cada um sai da escola apenas interessado nos problemas de sua profissão.

O que quer a direita?
Manter este clima de poder, de injustiça social e de subserviência ao império norte-americano.

Dizem geralmente que quem controla o mundo é o Bush.
O Bush, no fundo, é um idiota que tem as armas na mão e delas se serve para levar o terror às áreas mais desprotegidas. Representa o capitalismo, que, decadente, tudo faz para subsistir.

Na arquitetura, o senhor está trabalhando em algum projeto que traduza sua visão atual do Brasil e do mundo?
Se eu fosse jovem, em vez de fazer arquitetura, gostaria de estar na rua protestando contra este mundo de merda em que vivemos. Mas, se isso não é possível, limito-me a reclamar o mundo mais justo que desejamos, com os homens iguais, de mãos dadas, vivendo dignamente esta vida curta e sem perspectivas que o destino lhes impõe.

A arquitetura não tem função social?
Deveria ter. Mas, quando ela é bonita e diferente, proporciona pelo menos aos pobres e ricos um momento de surpresa e admiração. Mas quanto lero-lero! Na verdade, o que nós queremos é a revolução.
Quem é: Nascido em 1907, Oscar Niemeyer Soares Filho é arquiteto e militante comunista. Formou-se em 1934 na Escola de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Onze anos depois, ingressou no Partido Comunista Brasileiro. Manteve a militância durante toda a vida. Entre seus principais projetos estão o desenho da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o Parque do Ibirapuera em São Paulo (SP) e, principalmente, a construção de Brasília, onde foi responsável pelos projetos do Palácio da Alvorada, do Congresso Nacional e da Catedral.

Glossário
Mujique – Nome dado aos camponeses russos que viviam em regime feudal. O governo revolucionário, instaurado em 1917, após a Revolução de Outubro, implementou diversas políticas para melhorar as condições dos trabalhadores, especialmente os rurais.
Cieps (Centros Integrados de Educação Pública) – Idealizados por Brizola, em 1983, e projetados por Niemeyer, são escolas de período integral. Atendem em média 1.000 crianças por dia, oferecendo, além de aulas, atividades culturais, esportivas e lazer. Há 500 unidades em funcionamento, geralmente instaladas em áreas pobres do Estado.

Indicações complementares do Almoço das Horas:



Documentário sobre o arquiteto falecido hoje: A vida é um sopro

Um reformismo quase sem reformas: o governo Lula no Brasil, uma análise em perspectiva histórica (2003/2010)


Valerio Arcary*
                                                
Quem a si próprio elogia, não merece crédito.
      Sabedoria popular chinesa

Não se deve elogiar o dia antes da noite.
Sabedoria popular alemã

Se você está em uma mesa de pôker e não sabe quem é o otário, é porque o otário é você.
                                            Sabedoria popular brasileira

       A análise crítica do significado do governo Lula é complexa, principalmente, por três razões. Primeiro, porque a eleição de um líder de origem operária foi uma experiência inusitada na história do Brasil. Segundo, porque o governo Lula se encerrou com elevadíssima popularidade, tanto dentro do país como na esfera internacional, o que foi excepcional na história do Brasil. Terceiro, porque o governo Lula é história recente, e a ausência de distanciamento dificulta a perspectiva. A hipótese deste artigo é que, contrariando a percepção dominante no tempo presente, o trabalho de investigação histórica irá diminuir o balanço do governo Lula e revelar que houve muito mais continuidades do que rupturas com os governos anteriores.
       Na verdade, em certa medida, a eleição de um líder operário grevista foi raríssima, até na história mundial. Apesar do seu peso social e sua longevidade histórica, muito raramente as lideranças do proletariado conquistaram a luz da ribalta do palco político. Seus interesses foram representados mais freqüentemente por lideranças com origem social na classe média.
      Na virada do século XX para o XXI, pela primeira vez, a maioria da população mundial deixou de viver em áreas rurais e se urbanizou. Entretanto esta transformação demográfica relativamente recente nos países periféricos não deve ocultar que, nos últimos cento e cinquenta anos, o movimento operário foi o mais ativo e organizado movimento social das sociedades contemporâneas. A luta pela emancipação dos trabalhadores tem sido a maior das forças de impulso das lutas de classe. O projeto socialista foi o seu programa, com todas as vicissitudes do estalinismo, e da adaptação da socialdemocracia à gestão do capitalismo. No Brasil do início dos anos oitenta, o PT abraçou esta simpatia quase intuitiva da classe trabalhadora pelo igualitarismo social. Lula foi o porta-voz desta esperança. [1]
      Um presidente com origem social na classe trabalhadora, eleito por um partido de esquerda, em um país capitalista periférico, apenas uma década e meia depois da restauração capitalista no Leste Europeu, foi um acontecimento atípico. Em outras palavras: do ponto de vista da dominação capitalista foi uma anomalia. Mas não foi uma surpresa. A trajetória do Partido dos Trabalhadores como partido de oposição eleitoral aos governos nacionais, em pouco mais de duas décadas, o credenciava diante do povo, e Lula se consolidou nesse processo como a inquestionável liderança do partido.
      Mais importante, todavia, Lula conquistou a confiança da imensa maioria da vanguarda operária e popular, e dos trabalhadores dos setores mais organizados: uma força militante de algumas centenas de milhares de ativistas motivados. A proeminência de Lula foi uma expressão da imponente potência social do proletariado brasileiro e, paradoxalmente, ao mesmo tempo, de sua impressionante inocência política. O proletariado o projetou quando assumiu o protagonismo da luta final contra a ditadura, deslocou a velha burocracia dos sindicatos, e apoiou a construção do PT e da CUT [2].
       Mas a classe trabalhadora, apesar de uma vanguarda ativa que pressionou seriamente o PT e a CUT durante uma década de ascenso nos anos 1980, não foi capaz de manter o controle sobre as suas organizações e os seus líderes, depois da inversão da correlação de forças entre as classes em 1995. [3]
      A derrota da greve dos petroleiros, um dos setores mais fortes do proletariado, incidiu na consciência de forma devastadora. Na hora do refluxo das lutas sindicais, o impacto da estabilização da moeda, e da vitória eleitoral burguesa com a posse de Fernando Henrique Cardoso abriu uma etapa de estabilização do regime democrático, dez anos depois do fim da ditadura. Sem vigilância, o aparato burocrático dos sindicatos agigantou-se e se deformou, e o aparelho do PT se adaptou ao regime.
       Carismático, Lula uniu um dom excepcional de oratória ao gênio político. Líder intuitivo e inteligente demonstrou capacidade de improvisação espetacular em situações adversas. É verdade que Lula conquistou a sua liderança assumindo o papel de principal porta-voz das reivindicações populares nos anos 1980/90. Sua liderança foi uma das refrações da acelerada urbanização e industrialização. Foi, também, expressão de proletariado jovem, concentrado, sem experiência política, recém deslocado dos confins miseráveis das regiões mais pobres e semi-letrado. [4]
     
Lula na presidência: uma refração do peso social do proletariado, mas não só

       Não obstante, seria superficial concluir que o lugar que ocupou nos últimos trinta anos foi resultado somente de seus talentos ou da sorte. A posição privilegiada de porta-voz das aspirações populares foi produto, também, do reforço de sua figura pela própria burguesia, quando ficou claro, durante a Constituinte de 1986/88, que não era uma ameaça ao regime democrático em formação.
         A classe dominante brasileira contribuiu para o reforço de sua autoridade oferecendo-lhe uma visibilidade política crescente diante de seus potenciais rivais, desde os anos oitenta. A burguesia brasileira confirmou a sua habilidade política assimilando Lula e o PT como a oposição eleitoral que o regime democrático necessitava como válvula de escape. Lula foi, portanto, conscientemente poupado, sobretudo depois de chegar ao poder, de ataques diretos mais contundentes, o que reforçou sua imagem. O seu amadurecimento foi elogiado pelas lideranças mais lúcidas que confessaram respeito, e até gratidão pela função que cumpriu como garantia da segurança do regime democrático. Lula se afirmou como a figura política mais importante do país desde Getúlio Vargas.[5]
[...]
Acontece que a história ensina que o passado era um campo de possibilidades. Há sempre mais do que um só caminho. Mas a história tem poucos estudantes, como escreveu Gramsci.

Para ler o artigo por completo, clicar AQUI.

*Professor do IF/SP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia) e doutor em História pela USP.


[1] Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula, foi operário metalúrgico e sindicalista. Foi eleito presidente do Brasil em 2002, cargo que exerceu até o final de 2010. Foi o sétimo dos oito filhos de um casal de lavradores analfabetos que vivenciaram a fome a miséria na zona mais pobre de Pernambuco no Nordeste do país. Em 1966 foi admitido nas Indústrias Villares, uma grande empresa metalúrgica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Em 1972, foi eleito como 1º secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Ao ser eleito, ficou à disposição do sindicato, cessando suas atividades de operário. Foi eleito presidente do mesmo sindicato em 1975. Por liderar as greves dos metalúrgicos do ABC no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, Lula foi preso, cassado como dirigente sindical e processado com base na Lei de Segurança Nacional. Foi a liderança operária mais importante da luta final contra a ditadura militar e um dos fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores) em 1980. Concorreu à presidência da República em 1989 na primeira eleição direta desde 1960, e surpreendeu ao conseguir passar ao segundo turno contra Fernando Collor (que foi eleito, finalmente, em uma coligação de centro direita), derrotando Leonel Brizola do PDT (Partido Democrático Trabalhista). Concorreu nas eleições de 2004 e 2008 contra Fernando Henrique Cardoso do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e foi derrotado. Venceu as eleições de 2002 contra José Serra do mesmo PSDB. Mais informações biográficas podem ser encontradas em: http://www.institutolula.org/ Consulta em 28/11/2012.
[2] O contexto no final dos anos setenta era de luta contra a ditadura militar no poder desde 1964. Somente um partido, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), um partido dirigido por representantes da burguesia liberal, no interior do qual atuavam os dois Partidos Comunistas (o maior o pró-soviético, o outro pró-Albânia, nesse momento) era tolerado pelo regime ditatorial. Historicamente, os partidos operários estiveram na legalidade no Brasil - como o PCB (Partido Comunista Brasileiro) entre 1945/48 - só em períodos muito breves de poucos anos. Ao ser fundado o PT desafiava a ditadura e ameaçava o monopólio do MDB como oposição legal. O PT surgiu da confluência de cinco tradições políticas diferentes que se identificaram com o projeto de fundar um partido político legal que deveria ser a expressão independente dos trabalhadores. A primeira, e mais importante, destas  componentes foram os dirigentes sindicais dos metalúrgicos, bancários, professores das redes públicas, petroleiros, entre outros setores mais organizados do proletariado. A segunda foram os militantes da Igreja, na sua maioria católicos ligados à Teologia da Libertação, mais ativos em movimentos populares urbanos de tipo barrial. A terceira foram os militantes sobreviventes das organizações que se engajaram na luta armada contra a ditadura entre 1964 e 1977. A quarta foram os intelectuais de esquerda socialdemocratas que imaginaram possível um partido reformista à semelhança do Labour Party inglês, ou até do PCI (Partido Comunista Italiano). A última foram três organizações trotskistas que, embora ingênuas e jovens, pareciam muito maiores do que efetivamente eram. O PT surgiu rejeitando as tradicionais lideranças do sindicalismo burocrático oficial, tolerado pela ditadura.
[3] Nos anos oitenta surgiu uma vanguarda ampla de algumas centenas de milhares de militantes jovens, em sua ampla maioria estudantes e sindicalistas. Essa militância foi decisiva para a construção do PT e da CUT. Essa vanguarda foi muito ativa até 1995. A partir da derrota das eleições de 1994, e da greve dos petroleiros de 1995, a maioria deste ativismo se desmoralizou. A imensa maioria abandonou a militância. Uma grande parte dos que permaneceram ativos, organizou-se nas diferentes correntes internas do PT, predominantemente na corrente lulista liderada por José Dirceu, e profissionalizou-se nas dezenas de milhares de cargos disponíveis nos gabinetes parlamentares ou dos governos locais.
[4] O censo de 2010 informou que o Brasil tinha 190 milhões de habitantes, dos quais 30 milhões nas áreas rurais, portanto, cerca de 85% da população urbanizada. A dinâmica interna da migração do campo para a cidade foi especialmente intensa entre 1950/80. A população economicamente ativa foi estimada em 95 milhões e a classe operária representa algo em torno de 15 milhões. A taxa de fecundidade no Brasil caiu, aceleradamente, de 2,38 filhos por mulher em 2000 para 1,90 em 2010, mas era de mais de 6 filhos por mulher em 1950. O nível de instrução da população aumentou: a escolaridade média subiu de três anos de escola em 1980 para 7,3 anos em 2010. O percentual de pessoas com pelo menos o curso superior completo aumentou de 4,4% para 7,9%. Dados disponíveis: http://www.ibge.gov.br/home/ Consulta em novembro de 2012
[5] Getúlio Vargas, (1882/1954) foi o mais influente presidente da República do Brasil no século XX. Governou em duas etapas distintas. A primeira de 15 anos ininterruptos, entre 1930/1945, e a segunda entre 1950/54. Vargas foi o líder civil da “Revolução de 1930”, uma insurreição militar que pôs fim ao regime da “República Oligárquica”, um regime de alternância entre as burguesias agrárias de São Paulo e Minas Gerais que tinha entrado em crise. Entre 1937 e 1945, durante o Estado Novo, implantado após um auto-golpe de Estado, dirigiu um regime ditatorial de tipo fascistizante. Getúlio voltou a governar o Brasil de 1951 até 1954, quando se matou. Nesta segunda etapa, Vargas foi hostilizado pelas frações burguesas majoritárias alinhadas, incondicionalmente, com os EUA, da mesma forma que Péron na Argentina. O longo regime bonapartista de Vargas foi contemporâneo  da espetacular transformação do Brasil agrário tardio na mais industrializada economia e urbanizada sociedade do capitalismo periférico.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

De viveiro de ousadias e moinho de sonhos?


Carta ao Cardeal Odilo Scherer

Eminentíssimo e Reverendíssimo
Dom Odilo Pedro Scherer
Grão-Chanceler da PUC-SP
A PUC-SP foi pioneira ao adotar um mecanismo de consulta direta aos que estudam e trabalham nesta universidade para a escolha de seu reitor. Este mecanismo de consulta – e não a prerrogativa de escolha pelo Cardeal – foi a grande novidade que serviu de referência para as lutas que se travavam contra a ditadura militar e, mais especificamente, pela democratização da própria vida universitária brasileira. Tanto é assim que três décadas se passaram sem que tal prerrogativa se confrontasse com a escolha expressa nas urnas. Agora, Vossa Eminência Reverendíssima segue na contramão desta conquista democrática que se incorporou à nossa vida e decide pela terceira colocada na etapa democrática do processo de escolha.
O exercício de vossa prerrogativa era temido por boa parte dos que se preocupavam com o processo eleitoral. Daí a solicitação para que cada candidato assinasse publicamente o compromisso de não aceitar a nomeação caso não obtivesse o primeiro lugar nas urnas. E todos assinaram, apesar do visível contragosto da que seria a terceira colocada. Estas assinaturas fortaleceram objetivamente a crença de que se manteria a tradicional proeminência do aspecto democrático sobre a prerrogativa cujo uso efetivo Vossa Eminência Reverendíssima adotou. Indo além, aquelas assinaturas conjuntas de elevada força moral, embora ainda sem força de lei, imprimiram nova qualidade político-acadêmica ao processo de escolha para reitor da PUC-SP e produziram forte impacto mobilizador sobre estudantes, funcionários administrativos e professores desta universidade. Por outro lado, ignoramos qualquer manifestação pública – individual ou coletiva – de discordância em relação a estes compromissos.
Em suma, a grande conquista de trinta anos atrás, já consolidada pelos nossos costumes, recebeu, no último pleito, um novo impulso, o qual, aliás, sintoniza com insistentes clamores por liberdade e melhoria da representação em várias partes do mundo. Novamente, quando a PUC-SP parecia politicamente fatigada, uma importante contribuição democrática corre o risco de aborto. Isto é o essencial.
Todavia, se esmiuçarmos o caso, veremos que a escolha de Vossa Eminência Reverendíssima, além de romper uma saudável tradição, incidiu sobre alguém que renega um compromisso publicamente assumido e, desta forma, constitui um péssimo exemplo para dentro e para fora da universidade. Este comportamento produz desencanto e é rejeitado por crescentes setores da sociedade. O triste desempenho da escolhida em todo este caso contrasta com a energia e a criatividade que se expressam no indignado movimento de repúdio à posse de quem só aceitou para “evitar uma intervenção na PUC-SP”. Esperamos que esta sinistra alegação tenha a mesma frivolidade da qualificação de nosso movimento como produto de um punhado de estudantes. Ao que me consta, o CONSUN não representou um grupelho qualquer e foi sensível a um dos maiores e mais originais movimentos cívicos da história desta universidade. Este, sim, até o momento em que escrevo esta carta, dá orgulho de ser PUC! E espero que continue cada vez melhor.
Li atentamente vossa Resposta ao CONSUN e estou sensível ao vosso argumento acerca do ato jurídico perfeito. Mas este argumento atende à complexidade da situação em que vivemos? Não corremos o risco de, aqui e agora, criar um desencontro entre o mundo jurídico e o resto do mundo? Entre, por um lado, a posse de quem se compromete e, depois de perder, não cumpre; e, por outro, em todos os segmentos, a frustração dos que se empenharam em um processo eleitoral e o veem corroído? Independentemente da competência da candidata, a perspectiva de sua gestão é repudiada pela maioria dos que aqui estudam e trabalham, inclusive grande número dos que votaram naquela candidatura.
Esta universidade, com ínfima estrutura material, chegou tão longe porque tem sido um viveiro de ousadias, muitas das quais, ao conquistarem novos direitos, mudam o real para melhor. Quando isto ocorreu, houve sérios conflitos, mas desaguaram em diálogo. O resultado do atual conflito pode impulsionar a PUC-SP para melhores tempos. Ou produzir feridas e decepções insanáveis, especialmente nestes jovens que conseguem, dia após dia, fazer de seu protesto tamanha inventividade cultural.
Que neste momento, como diria o poeta popular, não se triturem sonhos.
Atenciosamente,
Prof. Dr. Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida
Departamento de Política e Programa de Estudos Pós-Graduados
 em Ciências Sociais da PUC-SP

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Crimes da Nestlé são acobertados por autoridades e imprensa brasileira


As águas turvas da Nestlé: Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente, vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão
Ao invés de aplicar multas, governo de Minas Gerais é condescendente com Nestlé.
Há alguns anos, a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar a água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões. As águas minerais, de propriedades medicinais e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, curam a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.
Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde, desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição.
Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras, a PureLife é uma água química. A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando, por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos desconhecidos. O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido.
Fonte: Pragmatismo Político, Postado em: 21 ago 2012 às 10:41.

James Petras: “O Brasil submerge numa crise profunda e não tem proposta de saída”


“O Brasil é um país que tinha grandes possibilidades de implemento de um projeto de desenvolvimento industrial independente, diversificado. A proposta de reforma agraria, porém, não se cumpriu com Lula e depois, com Dilma Rousseff, se abriu o país aos capitais especulativos e, pior ainda, se estabeleceu a dependência nas exportações de matérias primas agrícolas e minerais”.
Um aporte, se me permitem, Petras era um dos entusiastas da vitória do Pt e é, sem dúvidas, um grande conhecedor da realidade política não só brasileira, mas latino-americana. Como intelectual e como 'conselheiro' dos movimentos de esquerda na região.

“Yo no veo una salida, veo a Brasil entrando en una crisis muy profunda en el año próximo y sin una propuesta de salida, porque Dilma Rousseff ha abrazado la política neoliberal y sus ministros están siendo continuamente involucrados en coimas y otros actos de delincuencia”, dijo este lunes 3 de diciembre el sociólogo norteamericano James Petras en su espacio de análisis de la coyuntura internacional de Radio Centenario(*). Para Petras, lo que ocurre en Brasil “no es sólo un problema económico, sino que es un problema de falta de ética en el gobierno del mal llamado Partido de los Trabajadores” porque “es un partido de delincuentes que dirigen una economía dependiente y neoliberal, y esas son las consecuencias”, afirmó. Además analizó la situación en Medio Oriente, habló del poder sionista en Estados Unidos y condenó la actitud del presidente colombiano Juan Manuel Santos que está minando por adelantado  el proceso de paz en Colombia. A continuación la transcripción íntegra de este análisis.
Efrain Chury Iribarne: Como cada lunes desde Radio Centenario de Montevideo, estamos saludando a James Petras en Estados Unidos. Buenos días, ¿cómo está?
James Petras: Estamos muy bien, ¿cómo están Ustedes?
EChI: Todos bien. Esperando para conocer sus análisis sobre los hechos más relevantes a nivel internacional. Queríamos, si le parece, comenzar con el tema de Palestina en las Naciones Unidas y el enojo de la secretaria de Estado norteamericana, que se mostró muy ofendida.
 JP: Bueno, debemos empezar primero con el voto en las Naciones Unidas sobre la representación Palestina como miembro sin voto en la Asamblea General, frente a estos 138 votos a favor de Palestina, fueron 9 a favor de Israel, inclusive cuatro islas que no tienen más de veinte mil habitantes. Es un repudio generalizado, incluso los países europeos, que en el peor de los casos se abstienen, pero algunos votaron a favor de Palestina, como Francia.
Y ahora, ante repudio a Israel y la reafirmación de la legitimidad de un Estado Palestino, los neofascistas encabezados por Benjamín Netanyahu, decidieron expandir y tomar la ofensiva, declarando que van a asentar tres mil nuevas casas en el territorio del país palestino y más allá de eso, robaron los impuestos palestinos, de cien millones de impuestos que son ingresos del Tesoro palestino. Es un robo.
Más allá de eso, de lo que los medios no hablan es de cómo Israel está violando el cese al fuego, desde el mismo día en que lo firmaron. Ya han matado palestinos, han hecho asaltos en más de dos docenas de comunidades, han herido a decenas de palestinos, atacándolos con toda la agresividad del pasado. En otras palabras, Israel muestra su cara fascista frente a cualquier acuerdo y entonces, frente a esta agresión israelí -que como hemos dicho la razón es que quieren hacer una limpieza total, expulsar a los palestinos de su tierra para establecer lo que ellos llaman el Gran Israel- la Unión Europea, las Naciones Unidas, por fin están tomando posiciones de rechazo y crítica. Incluso algunos países que hasta ahora han sido muy serviles de Israel como Alemania, Holanda, han amenazado con tomar medidas económicas y retirar sus embajadores de Israel. Porque el hecho de que Israel está destruyendo totalmente la posibilidad de una solución pacífica, elimina la posibilidad de dos estados conviviendo. Frente a esta agresión, los países occidentales no tienen otra alternativa, porque si Israel desplaza a cinco o seis millones de palestinos –un holocausto israelita- van a crear enormes problemas para los países vecinos, porque van a tener palestinos desplazados que buscarán recuperar su tierra, incluyendo obviamente la lucha armada y extendiendo así el caos en Medio Oriente.
Entonces, estamos en una situación que confirma lo que hemos dicho sobre las tendencias genocidas de Israel, que no está dispuesto a pactar con nadie, cree que todo el mundo es antisemita, es una paranoia profunda, una patología sicológica y todos los sicólogos deben examinar la estabilidad mental de los sionistas que están apoyando estos crímenes contra la humanidad. Es una cosa realmente que va más allá de la política, es un caso psiquiátrico clínicamente hablando.
EChI: ¿No fue siquiátrica también la reacción de Hillary Clinton?
JP: Bueno, ellos apostaron a que si apoyan a Israel pueden convencer a los palestinos de darle un pedazo de tierra y arreglar el asunto para que los Estados Unidos puedan seguir ganando aliados entre los llamados ‘árabes moderados’. Pero cuando Israel lanza este tipo de genocidios, va perjudicando la política norteamericana que busca crear aliados entre los árabes, en los países más conservadores. Ese es el problema, Israel no se quiere acomodar, a pesar de recibir más de cinco mil millones de dólares anuales como tributos desde Estados Unidos, a pesar de recibir las armas más modernas desde los Estados Unidos y otras subvenciones, a pesar de todo Israel cree que puede hacer lo que le da la gana. Y eso es así porque –esto es importante porque no lo dicen los medios- porque los sionistas en los Estados Unidos, a partir del dinero, del chantaje, de amenazas, controlan el Congreso cien por ciento. La semana pasada se votó   sobre mayores acciones contra Irán, consiguieron un voto del cien por ciento, sin un disidente en contra, y esta moción estaba redactada, escrita, por los sionistas, que la entregaron en el Congreso y los senadores levantaron sus manos arrodillados.
Esta es una de las cuestiones que hay que entender. Por eso las críticas a Israel no vienen del Congreso, vienen del Ejecutivo, vienen de la Casa Blanca, del Departamento de Estado, y vamos a ver que en un par de días los sionistas se lanzarán nuevamente sobre el Congreso y van a conseguir un repudio del Presidente y de Clinton a partir del poder sionista en el Congreso. Es una de las cosas más vergonzosas en el mundo como los sionistas dirigen los Estados Unidos trayéndolos de la nariz.
EChI: Leo dos titulares: “Turquía despliega misiles ‘patriot’ en la frontera con Siria” y por otro lado “El canciller ruso urge a fortalecer el poderío defensivo de Rusia”. ¿Qué nos puede comentar de esto?
JP: Bueno, Turquía está haciendo una triple política. Por un lado el gobierno de Erdogan está tratando de ampliar su influencia entre los musulmanes, incluyendo apoyo a los grupos más extremistas y fundamentalistas. En segundo lugar, Turquía quiere conseguir el apoyo de los países ricos del Golfo como Arabia Saudita, Qatar, etc. para razones económicas. Y en tercer lugar, quiere consolidar su posición como fiel aliado de la OTAN.
Pero frente a esta política, Erdogan tiene que enfrentar dos grandes desafíos: internamente la mayoría de los turcos están en contra de esta política militarista contra Siria, por varias razones que no hay tiempo de explicar. Y segundo, los rusos sienten que la intervención truca en el conflicto en Siria apoyando a los terroristas contra el gobierno de Bashar Al Assad, puede provocar más perjuicios a Rusia, por tener misiles ‘patriot’ que podrían apuntar a Rusia. Es una situación muy peligrosa por la posibilidad de múltiples conflictos que está generando el gobierno turco.
EChI: Muy bien, te dejamos estos últimos minutos para que hables de los temas en los que estás trabajando.
JP: Primero quiero comentar una cosa. Ayer un diario de aquí publicó un artículo sobre la expansión del Estado policial en Estados Unidos. Ahora no solamente tenemos la CIA, el Pentágono está organizando sus propias agencias de espionaje con operaciones clandestinas y está buscando alguna forma de extender el espionaje. Dicen que es en el exterior pero sabemos, por como actúa la CIA, que opera adentro y afuera; y eso simplemente fortalece el estado policial Ahora hay tantas agencias de espionaje y hay tantas personas bajo observación e investigación que tienen que aumentar el número, cada cual investigando más personas para una red tan amplia que cubre más de cuarenta millones de personas adentro y quién sabe cuántos más en el exterior, siguen ampliando los gastos en estas áreas que perjudican cualquier derecho constitucional que tenemos.
Eso me parece que es otra indicación de que el estado de Derechos Humanos en los Estados Unidos está muy debilitado, cuando el Pentágono, la CIA; el Departamento de Estado, el Consejo Nacional, cada cual tiene su burocracia de espionaje y cada cual empieza a investigar al otro. Es un mundo kafkiano que vivimos aquí.
El segundo punto que quería comentar es lo que está pasando en Egipto, donde hay una situación muy compleja y contradictoria. La prensa ataca al presidente Mohamed Mursi, porque dice que está perjudicando a los jueces y al Poder Judicial independiente y no es así. Mursi fue electo y los jueces vienen del régimen militar anterior e intervienen contra las elecciones, contra el Congreso elegido por el pueblo que tenía mayoría musulmana, pero eso fue lo que votó la gente.  Entonces ellos descalifican el Congreso, luego descalifican la Asamblea Constitucional, después cuestionan el referéndum constitucional, en otras palabras están tratando de todas formas de desprestigiar las instituciones electorales y la transición a la democracia. Pero frente a esta intervención, la prensa occidental está apoyando a los jueces de la dictadura, no son independientes, ellos quieren imponer las medidas de la dictadura y contra eso los izquierdistas, progresistas, combinaron fuerzas con los jueces que es algo insólito.
Ahora bien, hay mucho para criticarle a Mursi, la política neoliberal, el pacto con el Fondo Monetario, las tendencias de discriminación contra la mujer, la desigualdad de derechos, hay muchas cosas; pero no se debe mezclar entre izquierda y derecha en oposición a las medidas democráticas en el proceso de transición. Hay que separar al elegido de las elecciones; criticar a Mursi pero no apoyar la remoción del Congreso y la descalificación del referéndum. Es una situación donde la izquierda ha perdido sus papeles.
Finalmente quiero comentar sobre lo que está pasando en Colombia. Los últimos procedimientos de Juan Manuel Santos y las acciones del gobierno de Santos, no son buenas señales para un arreglo pacífico con justicia social. Ayer Santos y los militares mandaron la Fuerza Aérea a atacar un campamento de las FARC matando –según el reporte de los militares- a unos veinte activistas, militantes, de las FARC  y destruyendo todos los sitios de apoyo. Esta agresión, frente a la declaración de cese al fuego de las FARC es una violación de cualquier consideración sobre un proceso de bajar el conflicto. Y segundo, Santos dice que las FARC tienen un tiempo limitado para llegar a un acuerdo y fija n ultimátum: dice que si las FARC no bajan de la montaña y se entregan, va a terminar con este asunto. Entonces, para Santos, la solución es que las FARC entreguen sus armas y se entreguen al gobierno, y se pone a la merced del gobierno para que el conflicto termine. Este tipo de actitud, de imposiciones unilaterales, de exigir la entrega total de las FARC, no permite que avance el proceso de paz, está perjudicándolo por anticipado.
EChI: Clarísimo, Petras. Para ir cerrando ¿cómo ve la situación económica brasileña?
JP: Bueno, Brasil está en un proceso de declive en los últimos tres años. Desde el año 2010 bajó de 5 a 3, después en 2011 a 2 y este año 0 crecimiento; incluso está entrando en recesión. Porque Brasil es un país que tenía grandes posibilidades con un proyecto de desarrollo independiente, industrial, diversificado, la propuesta de reforma agraria, pero no se cumplió con Lula y después con Dilma Rousseff se abrió el país a los capitales especulativos y peor aún se estableció la dependencia en las exportaciones de materias primas agrícolas y mineras.  Y esa dependencia en el exterior en materias primas, tuvo un éxito por un tiempo, peor al final de cuentas, China y los países asiáticos han bajado su tasa de crecimiento entonces esta estrategia orientada al exterior no puede sostenerse. Por tanto Brasil está entrando en una crisis profunda ahora, el mercado interno sólo está en función de un crédito fácil  pero con tasas altísimas. En este contexto yo no veo una salida, veo a Brasil entrando en una crisis muy profunda en el año próximo y sin una propuesta de salida, porque Rousseff ha abrazado la política neoliberal y sus afiliados, sus ministros están siendo continuamente involucrados en coimas y otros actos de delincuencia. No es sólo un problema económico, sino que es un problema de falta de ética en el gobierno del mal llamado Partido de los Trabajadores. Es un partido de delincuentes que dirigen una economía dependiente y neoliberal, y esas son las consecuencias.
Brasil necesita una renovación de arriba abajo para crear una clase política capaz de tomar en cuenta las posibilidades internas dentro de Brasil a partir de reformas sociales que mejoren el poder de consumo de las masas populares.
(*) Escuche en vivo los lunes a las 11:30 horas (hora local) la audición de James Petras por CX36, Radio Centenario desde Montevideo (Uruguay) para todo el mundo a través de www.radio36.com.uy
Fonte: Radio 36

domingo, 2 de dezembro de 2012

As esquinas perigosas da História: memórias revolucionárias


O Projeto de Extensão “Memória e Ideologia no campo da luta de classes”, organizado pelo GEILC (Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classe) chega ao seu penúltimo evento este ano. O Projeto objetiva investigar/debater temas e processos relacionados à produção/reprodução capitalista e suas contestações, tendo como referenciais teóricos as categorias Ideologia, Memória e História, as entendendo como relacionadas aos fenômenos centrais desse processo.
Desta vez, o GEILC traz o professor Valério Arcary (IF/São Paulo), doutor em História Social pela Universidade de São Paulo e atualmente docente efetivo do quadro permanente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, pesquisador da história do marxismo e das revoluções do século XX para falar sobre “As esquinas perigosas da História: memórias revolucionárias”.
"Da História já se disse que flui como as águas dos rios. como as margens mudam de lugar, nunca se sabe direito para onde vão. Nem sempre os rios desembocam nos mares." (do livro homônimo ao título da palestra e que será lançado durante o evento).
Os membros e coordenação do GEILC convidam a todos/as para participarem de mais esta discussão temática, num momento de crise sistêmica profunda pela qual passamos, com a presença de interlocutor de reconhecida capacidade intelectual, com comprovada produção acerca dos temas propostos. O convite se estende à comunidade em geral, pois a problemática não diz respeito apenas ao universo acadêmico.
Então:
Dia 07/12/2012: Palestra "As esquinas perigosas da História: memórias revolucionárias" e lançamento do livro homônimo
Convidado: Valério Arcary

Dia 08/12/2012: (9:30-11:30) o palestrante se encontrará com interessados na temática para uma "Conversa Afiada", no Museu Pedagógico/Casa Padre Palmeira.

A revolução Síria: não perguntes por quem os os sinos dobram


Valerio Arcary*

 Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo (...).  E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti. [1]
Será necessário que se reunam condições completamente excepcionais, independentes da vontade dos homens ou dos partidos, para libertar o descontentamento das cadeias do conservadorismo e levar as massas à insurreição. Portanto, essas mudanças rápidas que as idéias e o estado de espírito das massas vivem nas épocas revolucionárias não são um produto da elasticidade e mobilidade da psíque humana, mas, ao contrário, de seu profundo conservadorismo(...) As distintas etapas do processo revolucionário, consolidadas pelo deslocamento de uns partidos por outros, cada vez más radicais, sinalizam a pressão crescente das massas para  a esquerda, até que o impulso adquirido pelo movimento tropeça com obstáculos objetivos. Então começa a reação: decepção de certos setores da classe revolucionária, difusão da apatia.[2]  


Leon Trotski
        O ano de 2011 inaugurou uma nova situação internacional com a onda de revoluções políticas no Magreb, transbordando em poucos meses para os países de língua árabe do Oriente Médio. Quando uma ordem econômica, social e política revela incapacidade para realizar mudanças por métodos de negociação, concertação ou reformas, as forças sociais interessadas em resolver a crise de forma progressiva recorrem aos métodos da revolução para impôr a satisfação de suas reivindicações. Essa foi a forma que assumiu a defesa de interesses de classe na história contemporânea.
      Duas conclusões se impõem de forma irrefutável ao final de quase dois anos. Primeiro, o que aconteceu nas ruas de Túnis e Cairo, depois na Líbia, Bahrein, Yemen, e Síria, merece ser considerado como revolução no sentido pleno do conceito: uma irrupção representativa da vontade popular, com o objetivo de derrubar ditaduras corrompidas, regimes monstruosos de frações degeneradas de burguesias nacionais instaladas no poder há décadas.
      Segundo, o processo revolucionário se estendeu na forma de uma vaga sincronizada que foi contaminando, em maior ou menor medida, a maioria dos países da região, pelo efeito arrebatador do exemplo das vitórias fulminantes na Tunísia e Egito. Que na Líbia e Síria a dinâmica do processo tenha evoluído para uma guerra civil nos diz mais sobre a contra-revolução do que sobre a revolução. Uma revolução que luta com armas nas mãos não é menos legítima, é mais heróica. Na Síria não está somente em disputa o destino da ditadura do clã Assad. Nas ruas de Damasco estão se dando neste momento combates cruciais para o futuro da revolução mundial.

Uma contra-revolução mundial
      Já se disse que as próximas revoluções serão sempre mais difíceis que as últimas, porque a contra-revolução aprende depressa. A contra-revolução burguesa foi um dos fenômenos de dimensão mundial do século XX. As revoluções contemporâneas manifestam-se como revoluções na esfera nacional, mas esta aparência é uma ilusão de ótica que remete à centralidade da luta política imediata contra o Estado. As revoluções do século XX não enfrentaram somente os seus inimigos nacionais imediatos, mas a contra-revolução à escala internacional. As do século XXI terão desafios ainda mais complexos, e o primeiro deles é a necessidade do internacionalismo.
       Os Estados se definem pela vigência das fronteiras nacionais, todavia a dominação mundial capitalista foi se estruturando, crescentemente, sobre uma institucionalidade mundial: o sistema internacional de Estados, ou seja, ONU, a Tríade ( EUA, UE, Japão), o FMI, o G-8, o G-20, o Banco Mundial, o Banco de Compensações Internacionais de Basiléia, etc.
       As revoluções contemporâneas estiveram inseridas, desde o fim da Primeira Guerra Mundial, em contextos, pelo menos, regionais, ou semi-continentais, e assumiram a forma de ondas de expansão que cruzaram mais ou menos rapidamente as fonteiras nacionais. Por isso as revoluções contemporâneas merecem ser caracterizadas como processos de refração da revolução mundial.
     A revolução mais recente pode ser interpretada, portanto, como “o futuro de um passado”, e começa onde a última foi interrompida. O ano de 2012 foi o ano em que a revolução na Síria chegou à sua hora decisiva. Combates se travam diariamente nas ruas de Damasco. Esta revolução incompreendida pela maioria da esquerda brasileira vive as suas horas decisivas. A solidariedade maior a Gaza durante as duas últimas semanas de novembro de 2012 demonstrou que está aumentando o isolamento político de Israel, e potencializando a resistência palestina. Os governos da França e Reino Unido se apressam a compreender a nova relação de forças e sinalizam a disposição de votar a favor de um novo estatuto para a Autoridade Palestina na ONU, contrariando o alinhamento incondicional dos EUA com Israel. A queda de Kadafi, portanto, não diminuiu a disposição de apoio à causa palestina na Líbia, ao contrário, aumentou. Não será diferente na Síria. 

Fevereiros heróicos, mas intervalos mais longos até Outubros
        Mas afirmar que têm sido revoluções políticas democráticas significa dizer, também, que não só não realizaram rupturas anticapitalistas, como destacar que a participação política dos trabalhadores não ocorreu ainda, predominantemente, de forma independente. Ou seja, remetendo a uma metáfora histórica ancorada na experiência da revolução russa, estamos diante de Fevereiros muito difíceis que sugerem ainda um longo intervalo antes que possam ocorrer Outubros.
         Estas formas da revolução árabe não foram, historicamente, incomuns. As ditaduras do Cone Sul da América Latina – Argentina, Uruguay e Brasil – foram, também, desafiadas por mobilizações de massas entre 1982/84. Estes processos sugerem que existe um padrão recorrente, se analisarmos a dinâmica política da época contemporânea. Parecem corresponder a duas regularidades:
(a) regimes ditatoriais em países periféricos em processo de urbanização podem se manter no poder, até por algumas décadas, mas serão derrubados por revoluções democráticas, mais cedo ou mais tarde, pelo surgimento de um bloco social muito mais poderoso do que a oligarquia arcaica que os sustentou: um  proletariado e uma classe média asssalariada plebéia massiva. A questão decisiva é se este bloco é dirigido pelo proletariado ou por frações burguesas dissidentes e seus aliados internacionais;
(b) o efeito exemplo do triunfo de uma revolução democrática, em uma época histórica em que a informação circula quase instântaneamente, acelerou a experiência política de massas, e funcionou como um gatilho que incendiou os países da região vizinha, produzindo uma internacionalização rápida da revolução.

A urgência da revolução     
        A história, contudo, não é sujeito, mas processo. O seu conteúdo é uma luta. Essa luta assume variadas intensidades. A revolução política é uma dessas formas, e a frequência maior ou menor em que ela se manifesta é um indicador do período histórico. Todas as revoluções contemporâneas tiveram uma dinâmica anticapitalista, maior ou menor, mas não foram todas elas revoluções, socialmente, proletárias. Todas as revoluções socialistas da história começaram como revoluções políticas, ou como revoluções democráticas, mas nem todas as revoluções democráticas transbordaram em revoluções sociais.
         Estará em disputa a possibilidade da revolução no norte da África e do Oriente Médio abrir o caminho para segundas independências, com todas as sequelas que teria a perda de controle do imperialismo sobre as maiores fontes de abastecimento de petróleo, mas, também, a destruição das políticas públicas de bem estar social que ainda estão de pé na Europa Ocidental, ou a redução da Grécia, Portugal e, talvez, até da Espanha à condição de semi-colônias do eixo franco-alemão na União Européia.
       O que condicionou, historicamente, a possibilidade de revoluções foi a pressão objetiva de crises de dimensões catastróficas. Mas, só a existência de crises nunca foi o bastante para que se iniciassem processos revolucionários.
       Foi indispensável, igualmente, que a mentalidade de milhões de pessoas fosse sacudida pela experiência terrível de que não existiria mais esperança em saídas individuais. Somente quando a nova geração acordou para a inescapável constatação de que teria que aceitar condições de sobrevivência inferiores às dos seus pais, ou seja, somente quando o que era inacreditável em condições normais se impôs de forma incontornável, se precipitaram situações revolucionárias. A urgência da revolução voltou a ter significado político imediato. Mas não autoriza a conclusão de que o socialismo está mais perto. A luta pelo socialismo requer mais do que ações revolucionários contra o governo e regime no poder: exige protagonismo proletário independente e projeto internacionalista.

* Professor do IF/SP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo). Valério Arcay estará em Vitória da Conquista nos dias 7 e 8 de dezembro, a convite do Geilc (Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classes, palestrando acerca das "Esquinas perigosas da História: memórias revolucionárias". O evento acontecerá no Auditório do  Módulo IV (Pedagogia), às 19:30 horas.



[1] DONNE, John. Meditações VII, in http://pt.wikiquote.org/wiki/John_Donne. Consulta em 27/11/2012.
[2]  TROTSKY, Leon. Historia de la Revolucion Russa. Bogotá, Pluma, 1982, Volume 1, p.8.

O mito da transparência na democracia burguesa


71% das doações a candidatos a prefeito de capitais foram ocultas

Sábado, 01 de Dezembro de 2012 - 16:40
Um levantamento feito pelo site G1 mostra que 71% das doações feitas a candidatos às prefeituras nas capitais do Brasil foram "ocultas", ou seja, repassadas indiretamente por meio de comitês e diretórios dos partidos nas eleições 2012. O percentual está acima do nacional, de 20,6%. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram ainda que as doações entre comitês e diretórios dos partidos dificultam ou impossibilitam saber quem é o doador do candidato. Contudo, pela primeira vez, é possível traçar quem são os maiores doadores das legendas e as siglas que mais arrecadaram foram também as que mais elegeram candidatos neste ano. Segundo o levantamento, dos R$ 489,5 milhões recebidos, R$ 350 milhões foram repassados indiretamente por diretórios dos partidos ou comitês. Nas capitais, 16 candidatos receberam 100% das doações de forma "oculta", como revelam as prestações de contas de Anaí Caproni (PCO), em São Paulo; Jerônimo Maranhão (PMN), em Manaus; Cyro Garcia (PSTU), no Rio de Janeiro; e Teresa Surita (PMDB), única mulher eleita prefeita em uma capital neste ano, em Boa Vista. Apenas 36 candidatos às prefeituras das capitais declararam não ter recebido de nenhuma fonte indireta, contra 142 que declararam recurso obtido por meio de comitês e diretórios. Os números divulgados pelo TSE mostram que PMDB e PSDB, partidos que mais receberam doações de campanha, também foram os que mais elegeram prefeitos no país, 1.031 e 702, respectivamente. O PMDB arrecadou R$ 222,9 milhões, enquanto que o PSDB conseguiu R$ 128,2 milhões. Em seguida aparecem PSB, a sigla que obteve o maior número de prefeituras nas capitais do país; PT, terceiro a conquistar mais prefeituras e o que mais conquistou o Executivo de cidades grandes; e PSD, que, em sua primeira eleição, elegeu 497 prefeitos.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Fanatismo


Florbela Espanca

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah!  Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."