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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sobre as Eleições Municipais em Vitória da Conquista


Ferdinand Martins da Silva*

É sabido da grande maioria da população local que no dia 07 de outubro próximo ocorrerão eleições para Prefeito e Vereadores municipais.
O quadro que se apresenta é o de que 5 (cinco) candidatos concorrerão ao cargo de prefeito. São eles: Guilherme Menezes (PT), Herzem Gusmão (PMDB), Abel Rebouças (PDT), Edigar Mão Branca (PV) e Elquisson Soares (PPS).
Uma análise dos programas eleitorais dos candidatos nos mostra que não existem diferenças marcantes entre os mesmos, haja vista que todos, sem exceção, são ou já foram da base partidária dos governos estadual e federal. Em outras palavras: são FARINHA DO MESMO SACO!
Dessa forma, é inevitável que surja a seguinte pergunta: por que então esses candidatos estão concorrendo ao pleito municipal?
Uma primeira resposta pode ser associada ao fato de que, em Vitória da Conquista, a eleição poderá ser definida num eventual segundo turno, caso algum candidato não consiga a maioria absoluta dos votos já no primeiro. Isso, sem dúvida, tem motivado os candidatos a testarem a sua popularidade, bem como apostar numa possível pulverização dos votos, além, é claro, da influência que esse fato exerce sobre as eleições para o legislativo municipal.
Uma segunda resposta, também cabível, à pergunta colocada é a de que os candidatos, ao apostarem num eventual segundo turno – e isso de fato se confirmando –, aqueles derrotados poderão usar o seu poder de barganha na escolha de qual candidato que tenha ultrapassado a primeira barreira dará o seu apoio. Em outras palavras: tentarão “vender” os votos obtidos no primeiro turno.
Porém, a história já mostrou que esse é uma lógica equivocada, pois o povo não é idiota e não aceita mais ser encabrestado como burro, cavalo ou jegue. E o povo de Conquista há de demonstrar isso também.
Por outro lado, uma análise mais pormenorizada do perfil dos candidatos pode demonstrar quem realmente é cada um e o que efetivamente pode oferecer ao “mercado eleitoral”. Senão vejamos:
O atual prefeito Guilherme Menezes tenta a reeleição após 16 (dezesseis) anos de hegemonia petista e aliados no município, tendo por três vezes ocupado o cargo de prefeito. Ou seja, o chamado “governo participativo” já disse a que veio e na atualidade não é nenhuma novidade. Ao contrário, tornou-se lugar comum, com as administrações petistas não passando de verdadeiros “lócus” de locupletamento dos membros do partido e aliados.
O candidato Herzem Gusmão, detentor de monopólio radiofônico da cidade, depois de se aproveitar das benesses das verbas públicas pagas pelas administrações petistas durante os seus governos, agora se apresenta como oposição. Ou tenta, como diz o ditado popular “cuspir no prato que comeu”. Ademais, aliado de Geddel Vieira, cuja carreira política se coaduna muito bem com o papel do PMDB na história da política brasileira, partido do atual vice-presidente da república Michel Temer.
O candidato Abel Rebouças é um desconhecido do meio político e da população e tenta usar o fato de ter sido Reitor da UESB para angariar votos. Aliás, é bom que se diga, - que as suas administrações à frente da reitoria, além de deixarem muito a desejar, foram alvos de denúncias – de desvio de verbas públicas no famoso episódio que ficou conhecido como “O CASO DOS PINTOS”, cujo processo ainda perdura na justiça.
O inexpressivo candidato Edigar Mão Branca nunca decolou como artista e forrozeiro, apesar do esforço. Após assumir uma vaga na câmara federal por um curto período de tempo, agora se arvora a governar Vitória da Conquista (Bahia) pelo PV, um partido ideologicamente débil e que nunca conseguiu sequer andar com suas próprias pernas.
Por último, o candidato e ex-deputado Elquisson Soares que, de há muito afastado da política partidária, parece não representar muita coisa sob o ponto de vista eleitoral, notadamente sob o manto do PPS, um partido com pouca expressão nacional, estadual e local. Vale lembrar que o seu presidente Roberto Freire defendeu com unhas e dentes, FHC e ainda hoje permanecem aliados.
Diante do cenário descrito nos fica a sensação de que a população não tem de fato uma opção real para o cargo de prefeito municipal. O que fazer, então?
A minha resposta é a de que a população reprove todos nas urnas e que cada vez mais procuremos fortalecer as entidades da sociedade civil e que, independentemente de quem venha a ocupar o cargo de prefeito, lhe sejam apresentadas e cobradas as demandas que hoje se apresentam e se fazem urgente resolver.


* Professor do Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas da UESB. Candidato a Prefeito de Vitória da Conquista em 2004 pelo PSTU.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

6ª PRIMAVERA DOS MUSEUS


A Função Social dos Museus para a História e a Memória da Educação

A 6ª Primavera dos Museus prevista pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) acontecerá entre os dias 24 e 30 de setembro. Este ano com o tema: A Função Social dos Museus, considerando a Declaração da Mesa Redonda de Santiago do Chile, em 1972, que defendeu o ”fazer museal como ação destinada a proporcionar uma visão de conjunto dos meios econômicos e culturais da comunidade”.
Neste ano, a Primavera dos Museus, tem programação confirmada com 800 museus e outras instituições culturais, com mais de 2.400 eventos em 364 municípios brasileiros.
No Museu Pedagógico da UESB, o tema será A Função Social dos Museus para História e a Memória da Educação. O evento será realizado nos dias 26 e 27 de setembro de 2012, no Museu Pedagógico/Casa Padre Palmeira.
Programação:
Data: 26/09/2012
Horário: 09 horas
Palestra de abertura: Memória e História das Instituições Escolares: entre o passado e o presente.
Profa. Dra. Maria Cristina Dantas Pina (UESB)
Profa. Dra. Geísa Flores Mendes (UESB)
Mediador: Prof. Dr. Argemiro Ribeiro Souza Filho (FAINOR)

Ação Educativa
Horário: 14 horas
Exibição do Filme “Utopia e Barbárie”
Comentário:
Prof. Dr. José Rubens Mascarenhas de Almeida (UESB)
Profa. Dra. Fátima Moraes Garcia (UESB)

Horário: 16 horas
Apresentação do projeto “Museu Pedagógico: uma interlocução com os problemas do cotidiano escolar”
Profa. Dra. Luci Mara Bertoni (UESB)
Profa. Dra. Fátima Moraes Garcia (UESB)
Prof. Dr. Claudinei de Camargo Sant’Ana (UESB)
Profa. Ms. Gerenice Ribeiro de Oliveira Cortes (UESB)
Prof. Dr. Jornandes Jesus Correia (UESB)

Data: 27/09/2012
Horário: 9 horas
Mesa Redonda: Memória e História do Projeto Columbia na Bahia
Prof. Ruy Hermann de Araújo Medeiros (UESB)
Profa. Dra. Ana Palmira Bittencourt Santos Casimiro (UESB)
Local do evento: Museu Pedagógico    

Horário: 14 horas
Documentário: Exibição comentada do Vídeo/Documentário “Projeto Columbia” na Bahia.        
Profa. Dra. Ana Palmira Bittencourt Santos Casimiro (UESB)
Prof. Ruy Hermann de Araújo Medeiros (UESB)
Prof. Dr. Nivaldo de Vieira Santana (UESB)
Prof. Dr. João Diógenes Ferreira dos Santos (UESB)
Prof. Dr. Itamar Pereira de Aguiar (UESB)
Prof. Dr. José Rubens Mascarenhas de Almeida (UESB).

Maiores informações: Museu Pedagógico UESB – Casa Pe. Palmeira. Praça Sá Barreto, s/n. b. Cruzeiro – CEP. 45040-060 – Vitória da Conquista/BA.
museupedagogico@gmail.com(77)3421-3894

Sobre a 6ª Primavera dos Museus, visite:

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Cinema: Filme desvela o 11 de Setembro


11 diretores consagrados no mundo foram convidados para fazer um filme sobre a tragédia. Uma ideia de Alain Brigand: 11 filmes de 11 minutos, 09 segundos e uma imagem.
Em 2002, o produtor francês Alain Brigand concebeu a idéia de realizar um longa-metragem em homenagem ao fatídico atentando de 11 de setembro que culminou com a morte de cerca de três mil pessoas. A idéia se consistia em um longa-metragem composto por 11 curta-metragens de 11 países diferentes e com 11 minutos, 9 segundos e 1 frame de duração, contando a repercussão do atentado sob as mais diversas perspectivas. Para tanto, os cineastas selecionados foram a iraniana Samira Makhmalbaf, o francês Claude Lelouch, o egipcío Youssef Chahine, o bósnio Danis Tanovic, o burquinense Idrissa Ouedraogo, o britânico Ken Loach, o mexicano Alejandro González Iñarritú, o israelense Amos Gitai, a indiana Mira Nair, o americano Sean Penn e o japonês Shohei Imamura. O resultado fica a seguir:

O primeiro segmento é ambientado em uma olaria iraniana, onde os filhos dos funcionários, em sua maioria refugiados afegãos, trabalham desde bem jovens para ajudar os pais. Mas juntos com o trabalho, eles também estudam, ou pelo menos deveriam estudar, visto que não é lá bem isso o que acontece. O segmento se consiste essencialmente na professora tentando dizer para os alunos o que aconteceu nos Estados Unidos, porém os alunos não sabem de absolutamente nada sobre o ocorrido, nem ao menos sabem o que é uma torre ou um celular. Ao invés de focar a trama em como a professora explicaria a situação aos alunos ou como as crianças iranianas encaram tal fato, a diretora Samira Makhmalbaf prefere colocar os alunos a discutir religião ou montar uma cena na ual uma professora que pretende apenas fazer as crianças terem piedade das vítimas. Em nenhum momento a professora explica o atentado em si, ela basicamente chega na sala dizendo que a Terceira Guerra Mundial vai começar, depois tanta fazer um minuto de silêncio em homenagem às vítimas e por fim leva os alunos ao pé da chaminé da olaria para que elas pensem nas pessoas que morreram. Um curta ridículo, que transborda um moralismo barato e um sensacionalismo absurdo. Prova da perda de identidade da cineasta iraniana mediante a pressão imposta pela mídia no que nós costumamos chamar de "imperialismo cultural".
O segundo segmento é praticamente um trabalho de sonoplastia no qual Lelouch nos leva à vida de uma surda-muda francesa que vive em Nova York com seu namorado, um guia turístico para surdos-mudos. No dia 11 de setembro, o namorado vai acompanhar um grupo em um passeio no World Trade Center enquanto a jovem fica em casa, alienada do que está acontecendo por não escutar a televisão. A limitação imposta pelo tema é driblada de uma maneira muito eficiente por Lelouch, que consegue se destacar por momentos simples como a jovem escutando piano através das vibrações do mesmo, ou então o ruído abafado do latido do cachorro, o som do obturador da máquina fotográfica ou a magnífica tomada onde a jovem escreve ao computador em segundo plano, enquanto que no primeiro plano o destaque total fique a para a tv que transmite uma tragédia sem que ela saiba. Embora inventido, o segmento ainda demonstra a pressão da temática e acaba se mostrando um resultado pouco ágil. Mas pelo menos ainda é melhor que o da iraniana...
O terceiro segmento começa genial, com Youssef Chahine interpretando a si mesmo realizando algumas filmagens em frente ao WTC. Logo, corta-se para uma coletiva de imprensa no Líbano em 12 de setembro, onde ele alega ainda estar muito abalado com o ocorrido no dia anterior e diz que "previu" o que iria acontecer. Em seguida vemos o diretor sentado em um rochedo na beira do mar. A câmera foca no mar quando dentre as ondas surge um homem de porte atlético, peito desnudo e usando calças camufladas numa das cenas mais constrangedoras que eu já tive o desprazer de assistir. Como se isso não fosse o bastante, começa aí uma sucessão de bizarrices tais quais um jogo de vôlei com o nada, diálogos ridículos sobre paranormalidade, uma panfletagem absurda de Chahine em relação aos horrores criados pelos americanos, um homem-bomba que surge do nada para justificar suas atitudes e um momento em que o diretor praticamente vira para a câmera e diz "vocês americanos precisam repensar suas atitudes". Um didatismo tão explícito, que o único sentimento capaz de causar é a vergonha alheia.
No quarto segmento, Danis Tanovic prefere dar mais destaque para as condições sociopolíticas da Bósnia-Herzegóvina do que para os atentados em si. Situando seu filme em um pequeno vilarejo habitado quase que inteiramente por mulheres, Tanovic demonstra o sofrimento de um povo que vive sob conflitos constantes através de um homem que está preso a uma cadeira de rodas devido ao fato de não possuir suas duas pernas, provavelmente perdidas na guerra, e uma mãe uma filha, cujo marido/pai está ausente, também por conta da guerra nos bálcãs. Se o retrato social é no mínimo bom, embora peque ao exigir que se tenha um conhecimento prévio da sociedade bósnia, o segmento desanda quando surge a necessidade de inserir o evento-chave do filme em seu enredo. Durante o curta, em dois momentos são citadas coisas que "acontecem todo dia 11" mas nada além disso. Quando os habitantes do vilarejo recebem a notícia do que ocorreu, um sentimento de choque se instala até o ponto em que é dito que ninguém conseguirá fazer mais nada naquele dia. Como assim? Quer dizer que um evento ocorrido a 10 mil quilômetros de distância vai parar a vida de um vilarejo que absolutamente nada tem a ver com isso? Ah, olha aí o moralismo americano de novo...
O quinto segmento abre num mercado popular de Ouagadougou onde somos apresentados onde um homem ouve no rádio a notícia do atentado. Logo, o foco passa desse homem para seu filho, Adama, que 13 dias depois do atentado vende jornais para sustentar a mãe doente, mesmo tendo que abandonar a escola para isso. Porém, Adama encontra na rua o próprio Osama Bin Laden, aquele que estava nas capas dos jornais que ele vendia. Logo, ele se junta a quatro amigos para capturar Osama e conseguir a recompensa de 25 milhões de dólares. O interessante aqui fica a cargo de três coisas. Primeiramente, não há o moralismo, o sensacionalismo nem a pieguice dos outros segmentos, os personagens sabem perfeitamente que os atentados não irão mudar suas vidas, e assim seguem sofrendo como se nada tivesse acontecido. O segundo é o panorama que Idrissa Ouedraogo traça da sociedade carente padrão de Burkina Faso. O terceiro destaque fica a cargo da parte técnica, sobretudo a montagem, que ajuda a conferir um certo tom lírico ao curta, digno das crianças que ele retrata. Curioso o fato de o melhor segmento do filme até o momento vir de um dos países mais pobres do mundo...
Porém, o título de melhor curta do filme fica com a Burkina Faso por pouco tempo. Logo após aquele, somos levados ao segmento britânico cuja direção ficou a cargo de Ken Loach. Se alguns diretores como Claude Lelouch tiveram dificuldades em desenvolver a temática conferida, Loach conseguiu trabalhá-la de uma maneira digna de sua genialidade. Quando foi dada a ideia de se realizarem curtas sobre o 11 de setembro, todos os diretores imediatamente focaram suas atenções nos atentados de 2001. Todos, menos Loach, que viu aí uma brecha para explorar um outro 11 de setembro, esse em 1973. O curta se consiste em uma carta, direcionada aos parentes e amigos dos mortos em 2001, mas escrita por um parente e amigo de mortos de 1973. Um chileno, que feito prisioneiro político, foi obrigado a partir em exílio para a Inglaterra. Loach usa quase todo o seu tempo entre imagens de arquivo para mostrar um 11 de setembro muito mais sanguinário, cujos efeitos culminaram na morte de 30 mil chilenos. 11 de setembro esse encomendado pelos americanos, que descontentes com o governo de tendências comunistas de Salvador Allende, financiaram um golpe de estado para que Augusto Pinochet assumisse o poder. Um curta tenso, impactante, e desprovido de qualquer moralismo ou pieguice. Um curta genial.
Se o filme começou terrivelmente mal, pode-se dizer que agora esse passa por uma fase de altíssima qualidade. No segmento mexicano, o diretor Alejandro González Iñarritú dispensa o enredo para fazer um curta praticamente sem imagens, onde a tela preta é esporadicamente quebrada por imagens de pessoas que pularam do WTC e imagens das torres indo ao chão. Ao fundo, um turbilhão de vozes, notícias de rádio, testemunhos de pessoas que presenciaram a tragédia de perto, chamadas telefônicas de vítimas que sabendo que vão morrer, ligam para seus entes queridos para dizer que os ama. Se os dois curtas de alto nível que foram apresentados até o momento, o burquinense e o britânico, possuem tal nível por fugir da temática do terrorismo, o segmento mexicano merece respeito por sua elevada qualidade, mesmo se focando inteiramente na tragédia. Uma possível influência vanguardista Iñarritú apresenta aqui, e essa influência faz desses 11 minutos uma experiência na qual espectador está tão perdido quanto aqueles que acompanhavam o desastre pela televisão. Simplesmente não se sabe o que está acontecendo.
O segmento israelense de Amos Gitai se consiste em um único plano-sequência mostrando a equipe de resgate de um atentado terrorista que ocorreu em 11 de setembro de 2001. Tal atentado que deixou vários mortos e feridos, se consistiu em dois carros-bomba detonados na mais movimentada avenida de Tel Aviv. O curta que começa acompanhando a equipe de resgate, logo muda o foco para uma companhia televisiva que encontra problemas para passar a notícia, visto que a emissora prefere noticiar o evento ocorrido nos Estados Unidos do que um atentado ocorrido praticamente no quintal de casa. Amos Gitai critica dessa forma o sensacionalismo que a mídia criou em cima de uma tragédia, se utilizando dela para arrecadar audiências massivas. Em certo momento, a repórter começa a listar uma série de eventos históricos que ocorreram em 11 de setembro de diversos anos e ajudaram a moldar o mundo tal qual ele é hoje, porém todos esses eventos parecem subjugados a algo que tomou proporções maiores do que deveria. O que Amos Gitai questiona no seu segmento pode parecer arriscado para a época, mas hoje, ao perguntar qual a verdadeira importância histórica do fim do WTC, percebemos que tal evento foi realmente supervalorizado. Menos de 10 anos depois, o mundo não sofre consequências diretas do atentado.
No nono segmento, dirigido pela indiana Mira Nair, é apresentado um tipo diferente de sofrimento causado pelo atentado. O foco da trama recai sobre uma família muçulmana que reside em Nova York e tem de conviver com o preconceito dos vizinhos que atribuem de maneira xenofóbica a todo um povo a responsabilidade pelos milhares de vítimas. Quando um dos filhos não volta para casa, surge a suspeita de que ele fora preso sob a acusação de ser um terrorista. Certamente Nair foi a que melhor captou a ideia proposta pelo filme, mostrando exatamente como os atentados causaram impacto na realidade de um determinado povo, mas ainda fica a intenção de que falta algo, sobretudo após a conclusão que diminui a carga social que o curta possuía.
O penúltimo segmento conta a história de um viúvo interpretado por Ernest Borgnine que passa os dias trancado em seu pequeno e escuro apartamento, agonizando devido ao fato de sua amada não estar mais lá. Tudo no curta, desde o enredo, passando pela montagem, pela fotografia e pelo posicionamento das câmeras evoca a inexperiência de Sean Penn atrás das câmeras. Aqui, Penn é uma criança que ganhou um brinquedo novo, e agora vai explorar esse brinquedo até descobrir todas as suas funções. O tom experimental que sobrecarrega a obra pode até ser incômodo, mas a cena em que a primeira das torres desaba, permitindo que pela primeira vez a luz chegue àquele apartamento e que as flores de sua esposa finalmente desabrochem, conferindo ao velho um euforia contagiante, compensa todo o amadorismo na direção. Sean Penn consegue se livrar do patriotismo que se espera para o segmento americano e faz o mais ousado dos curtas, no qual o atentado pode ser interpretado até como sendo algo positivo na minúscula realidade daquele apartamento. A outra face de uma tragédia.
No último segmento, Shohei Imamura nos leva ao Japão do pós-Segunda Guerra, onde um ex-soldado retorna para seu vilarejo pensando ser uma cobra. Imamura nos mostra uma figura que de tão afetada pelos horrores da guerra, se envergonha de sua condição de ser humano ao ponto extremo de preferir ser um réptil do que permanecer como um exemplar dessa espécie amaldiçoada. O que se vê aqui é uma explicação feita por estrangeiros para americanos de porque todos os povos os odeiam, afinal, foi o terror causado pelos americanos que destruiu a vida daquele jovem e de todos naquele vilarejo. Imamura inverte a posição de vítima que os Estados Unidos possuem durante todos os segmentos e mostra sua face mais sombria. Uma excelente forma de se encerrar aquilo que deveria ser uma ode ao povo americano.
Tal como muitos filmes que viriam em seguida tais quais Cada um com seu Cinema e Paris, Te Amo, 11 de Setembro tem a instabilidade que qualquer filme desse estilo teria. Interessante ver visões tão distintas de um mesmo evento, mesmo que para tanto tenhamos que conferir algumas atrocidades cinematográficas (leia-se Irã e Egito). Esse filme não foi feito para ser avaliado como um todo, mas sim com cada um de seus segmentos em separado. Embora alguns desses sejam geniais, a sensação transmitida no final não é lá das melhores. Seria como se tivesse assistido a uma propaganda de duas horas mostrando como os americanos são injustiçados e sofredores... Injustiçados? Sofredores? Sei...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Nada queima por acaso nas favelas paulistanas


Estudo estatístico mostra notável coincidência entre os incêndios e… áreas de  interesses do mercado imobiliário…
Por João Finazzi, no PET RI-PUC

[Título original:"Não acredite em combustão espontânea"]

Segundo a física, propelente ou propulsante é um material que pode ser usado para mover um objeto aplicando uma força, podendo ou não envolver uma reação química, como a combustão.
De acordo com o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, até o dia 3 de setembro de 2012, houve 32 incêndios em favelas do estado – cinco somente nas últimas semanas. O último, no dia 3, na Favela do Piolho (ou Sônia Ribeiro) resultou na destruição das casas de 285 famílias, somando um total de 1.140 pessoas desabrigadas por conta dos incêndios em favelas.
O evento não é novo: em quatro anos foram registradas 540 ocorrências. Entretanto, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada em abril deste ano para investigar os incêndios segue parada, desrespeitando todos os trabalhadores brasileiros que tiveram suas moradias engolidas pelo fogo.
Juntamente com o alto número de incêndios, segue-se a suspeita: foram coincidências?
O Município de São Paulo apresenta 1565 favelas ao longo de seu território, distribuídas, majoritariamente na região Sul, Leste e Norte. Os distritos que possuem o maior número de favelas são: Capão Redondo (5,94% ou 93), Jardim Angela (5,43% ou 85), Campo Limpo (5,05% ou 79), Grajaú (4,66% ou 73). O que significa que 21,08% de todas as favelas de São Paulo estão nessas áreas.
Somando as últimas 9 ocorrências de incêndios em favelas (São Miguel, Alba, Buraco Quente, Piolho, Paraisópolis, Vila Prudente, Humaitá, Areão e Presidente Wilson), chega-se ao fato de que elas aconteceram em regiões que concentram apenas 7,28% das favelas da cidade.
Em uma área em que se encontram 114 favelas de São Paulo, houve 9 incêndios em menos de um ano, enquanto que em uma área em que se encontram 330 favelas não houve nenhum. Algo muito peculiar deve acontecer com a minoria das favelas, pois apresentam mais incêndios que a vasta maioria. Ao menos que o clima seja mais seco nessas regiões e que os habitantes dessas comunidades tenham um espírito mais incendiário que os das outras, a coincidência simplesmente não é aceitável.
Àqueles que ainda se apegam às inconsistências do destino, vamos a mais alguns fatos.
A Favela São Miguel, que leva o nome do bairro, divide sua região com apenas outras 5 favelas, representando todas apenas 0,38% das favelas de São Paulo. Desse modo, a possível existência de um incêndio por ali, em comparação com todas as outras favelas da cidade é extremamente baixa. Porém, ao pensar somente de modo abstrato, estatístico, nos esquecemos do fator principal: a realidade. O bairro de São Miguel é vizinho do bairro Ermelino Matarazzo, o qual, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), teve a maior valorização imobiliária na cidade de São Paulo entre 2009 e novembro de 2011, 213,9%. Lá, o preço do metro quadrado triplicou – mas não aumentou tanto quanto a possibilidade real de um incêndio em favelas por ali.
As favelas Alba e Buraco Negro também estão na rota do mercado imobiliário. Dividindo o bairro do Jabaquara com o restante dos imóveis, a favela inviabiliza um maior investimento do mercado na região, que se valorizou em 128,40%. Mas nada como um incêndio para melhorar as oportunidades dos investidores.
Todas as 9 favelas citadas estão em regiões de valorização imobiliária: Piolho (Campo Belo, 113%), Comunidade Vila Prudente (ao lado do Sacomã, 149%) e Presidente Wilson (a única favela do Cambuci, 117%). Sem contar com Humaitá e Areião (situadas na Marginal Pinheiros) e a já conhecida Paraisópolis.
Soma-se a tudo isso, o fato de que as favelas em que não houve incêndios (que são a vasta maioria), estão situadas em regiões de desvalorização, como o Grajaú (-25,7%) e Cidade Dutra (-9%). Cai, juntamente com o preço dos terrenos, a chance de um incêndio “acidental”.
Pensar em coincidência em uma situação dessa é querer fechar os olhos para o mundo. Resta aos moradores das comunidades resistirem contra as forças do mercado imobiliário, pois quem brinca com fogo acaba por se queimar. Enquanto isso, como disse Leonardo Sakamoto, “…favelas que viram cinzas são um incenso queimando em nome do progresso e do futuro.”

Wikileaks tira máscara da mídia brasileira e comprova: estão a serviço dos EUA


Aconteceu o que já era de conhecimento dos menos desavisados. A grande imprensa brasileira foi finalmente desnudada, com tudo comprovado em documentos oficiais e sigilosos. Quem ainda tinha motivos para outorgar credibilidade à estes veículos e seus jornalistas, não tem mais
William Waack, da Globo, aparece nos documentos secretos
Novos documentos vazados pela organização WikiLeaks trazem à tona detalhes e provas da estreita relação do USA com o monopólio dos meios de comunicação no Brasil semicolonial.
Um despacho diplomático de 2005, por exemplo, assinado pelo então cônsul de São Paulo, Patrick Dennis Duddy, narra o encontro em Porto Alegre do então embaixador John Danilovich com representantes do grupo RBS, descrito como “o maior grupo regional de comunicação da América Latina“, ligado às organizações Globo.
O encontro é descrito como “um almoço ‘off the record’ [cujo teor da conversa não pode ser divulgado], e uma nota complementar do despacho diz: “Nós temos tradicionalmente tido acesso e relações excelentes com o grupo”.
Outro despacho diplomático datado de 2005 descreve um encontro entre Danilovich e Abraham Goldstein, líder judeu de São Paulo, no qual a conversa girou em torno de uma campanha de imprensa pró-sionista no monopólio da imprensa no Brasil que antecedesse a Cúpula América do Sul-Países Árabes daquele ano, no que o jornalão O Estado de S.Paulo se prontificou a ajudar, prometendo uma cobertura “positiva” para Israel.
Os documentos revelados pelo WikiLeaks mostram ainda que nomes proeminentes do monopólio da imprensa são sistematicamente convocados por diplomatas ianques para lhes passar informações sobre a política partidária e o cenário econômico da semicolônia ou para ouvir recomendações.
Um deles é o jornalista William Waack, apresentador de telejornais e de programas de entrevistas das Organizações Globo. Os despachos diplomáticos enviados a Washington pelas representações consulares ianques no Brasil citam três encontros de Waack com emissários da administração do USA. O primeiro deles foi em abril de 2008 (junto com outros jornalistas) com o almirante Philip Cullom, que estava no Brasil para acompanhar exercícios conjuntos entre as marinhas do USA, do Brasil e da Argentina.
O segundo encontro aconteceu em 2009, quando Waack foi chamado para dar informações sobre as conformações das facções partidárias visando o processo eleitoral de 2010. O terceiro foi em 2010, com o atual embaixador ianque, Thomas Shannon, quando o jornalista novamente abasteceu os ianques com informações detalhadas sobre os então candidatos a gerente da semicolônia Brasil.
Outro nome proeminente muito requisitado pelos ianques é do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, d’A Folha de S.Paulo. Os documentos revelados pelo WikiLeaks dão conta de quatro participações do jornalista (ou “ex-jornalista e consultor político”, como é descrito) em reuniões de brasileiros com representantes da administração ianque: um membro do Departamento de Estado, um senador, o cônsul-geral no Brasil e um secretário para assuntos do hemisfério ocidental. Na pauta, o repasse de informações sobre os partidos eleitoreiros no Brasil e sobre a exploração de petróleo na camada pré-sal.
Cai também a máscara de
Fernando Rodrigues, da Folha.
Fernando Rodrigues, repórter especial de política da Folha de S.Paulo, chegou a dar explicações aos ianques sobre o funcionamento do Tribunal de Contas da União.
Outro assunto que veio à tona com documentos revelados pelo WikiLeaks são os interesses do imperialismo ianque no estado brasileiro do Piauí.
Um documento datado de 2 de fevereiro de 2010 mostra que representantes do USA participaram de uma conferência organizada pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT), na capital Teresina, a fim de requisitar a implementação de obras de infraestrutura que poderiam favorecer a exploração pelos monopólios ianques das imensas riquezas em matérias-primas do segundo estado mais pobre do Nordeste.
A representante do WikiLeaks no Brasil, a jornalista Natália Viana, adiantou que a organização divulgará em breve milhares de documentos inéditos da diplomacia ianque sobre o Brasil produzidos durante o gerenciamento Lula, incluindo alguns que desnudam a estreita relação do USA com o treinamento do aparato repressivo do velho Estado brasileiro. A ver.
Leia mais:

Honduras aprova privatização de cidades com a justificativa de combater a desigualdade social


Regiões serão vendidas em no máximo seis meses e terão poder Executivo, Legislativo e Judiciário próprios

Classificado pelo governo do presidente Porfirio Lobo como “o mais importante projeto do país em meio século”, Honduras assinou nesta quinta-feira (06/09) um memorando no qual aprova a privatização de três cidades. Com agentes de segurança, sistema tributário e legislação própria, elas já estarão abertas para investimentos de empreendedores em um prazo máximo de seis meses.
A ideia é que as chamadas “cidades modelo" possuam poderes Executivo, Legislativo e Judiciário totalmente desvinculados do governo hondurenho. Dessa forma, suas administrações ganham autonomia suficiente para ratificar tratados internacionais, firmar parcerias bilaterais e estabelecer sua própria política imigratória.
Um grupo de investidores estrangeiros viajou a Tegucigalpa para participar da cerimônia e também assinou o documento. O argumento do governo é de que esta é uma forma de fortalecer a infraestrutura nacional, bem como o combate à corrupção e ao tráfico de drogas. “Isso tem o potencial transformar Honduras em uma máquina de dinheiro, é um instrumento de desenvolvimento típico de países de primeiro mundo", disse à AFP Carlos Pineda, presidente da Comissão para a Promoção de Parcerias Público-Privadas de Honduras.
De acordo com Juan Hernandez, presidente do Congresso hondurenho, o grupo de investimentos MGK já se comprometeu a injetar inicialmente 15 milhões de dólares para a construção de infraestrutura básica na primeira cidade modelo, na região da costa caribenha. A expectativa do parlamentar é a de que esta cidade crie cerca de cinco mil postos de trabalho em um primeiro momento e mais de 20 mil no futuro. Ele também revelou à AFP que a Coreia do Sul já depositou nos cofres hondurenhos quatro milhões de dólares voltados para estudos de viabilidade das obras.
"O futuro se recordará de hoje como o dia em que Honduras começou a crescer", disse Michael Strong, CEO do grupo MKGroup em meio à solenidade de ratificação do memorando. "Nós acreditamos que esta será uma das transformações mais importantes do mundo, pela qual Honduras acabará com sua pobreza e criará milhares de empregos”, concluiu.
Não é o que pensam grupos civis e organizações indígenas que classificam o projeto de Porfírio Lobo como uma “catástrofe”. Ao lado do local onde será instalada a primeira cidade privada do país, vive uma grande comunidade de indígenas Garifuna que se opõe ao empreendimento. "Esses territórios pertencem ao povo Garifuna e não podem ser entregues ao capital estrangeiro em um gesto de puro colonialismo, idêntico àquele que prevalecia em Honduras na época em que o país era chamado de república das bananas", disse Miriam Miranda, presidente da Organização Fraternal dos Negros de Honduras.
Puerto Castilla: região da costa caribenha será a primeira
 a abrigar uma cidade privatizada no país.
Oscar Cruz, ex-promotor constitucional, protocolou uma moção junto à Suprema Corte ainda em 2011 para alertar sobre a inconstitucionalidade do projeto. "Essas cidades pressupõem a criação de estados dentro do estado, uma entidade comercial com poderes de estado fora da jurisdição do governo”, explica Cruz. A instância judicial máxima de Honduras não concordou com seus argumentos.
"Isso violará os direitos de cada cidadão porque significa a concessão de parte de nosso território a uma cidade que terá sua própria polícia, seu próprio Poder Judiciário e seu próprio sistema tributário”, disse ao jornal britânico The Guardian Sandra Marybel Sanchez, parte de um grupo de manifestantes que tentam apelar à Suprema Corte para reverter a decisão.
Fonte: Opera Mundi

sábado, 8 de setembro de 2012

11 de setembro de 1973/2001 - entre História, memória e ideologia

Objetivando investigar temas e processos relacionados à produção/reprodução capitalista, e tendo como referenciais teóricos as categorias Ideologia, Memória e História, as entendendo como relacionadas aos fenômenos centrais desse processo, o GEILC (Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classe/Museu Pedagógico da UESB), realiza o Projeto de Extensão “História, Memória e Ideologia no campo da luta de classes”.
Discussões temáticas acerca desses temas estão acontecendo desde agosto/2012 e acontecerão até novembro de 2013, com a presença de interlocutores de reconhecida capacidade intelectual, com comprovada produção acerca dos temas propostos.
Desta vez o Geilc exibirá 2 curta metragens sobre  eventos da história da América (o 11/09/1973 – Chile; e o 11/09/2001 - EUA), que serão acompanhadas por uma palestra do professor José Rubens Mascarenhas de Almeida (Museu Pegadógico/GEILC), tendo por tema central os dois fenômenos históricos e a relação História, memória e ideologia.
Local: Memorial Régis Pacheco (ao lado da Catedral)
Dia: 11 de setembro de 2012
Horário: 19:00 horas.
O evento emitirá certificado de participação.

Após mensalão e privatização, o que esperar mais do PT?

Rogério Castro*
Jornal do Brasil
07/09/2012
 O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso parece que agora pode descansar em paz. Após dois mandatos sob forte oposição do PT, que o acusou de acobertar casos de corrupção e de levar a cabo privatizações de empresas e serviços públicos, ele sabe agora que os seus ex-oposicionistas – no poder – fizeram tudo aquilo que diziam censurar. E isso – para os que irão registrar o momento presente do nosso país daqui a alguns anos – já pode ser dado como certo. À exceção de ingênuos e mal-intencionados, ninguém mais espera guinada ou mudança de rumo no PT. Destarte, a pergunta é: e depois do PT, o que teremos?
É essa a principal disputa de nossos dias. A saída estaria pela esquerda, ou pela direita? Qual o fardo que fica para a esquerda brasileira após um decênio de governo petista? Pois bem. O PT transitou até a sua chegada ao poder, em 2003, da defesa do socialismo até o lema (último) da “ética na política”. Após os julgamentos e as recentes condenações do STF sobre o escândalo do mensalão, essa – que talvez tenha sido uma das últimas bandeiras empunhadas pelos petistas – já não pode mais ser desfraldada. As privatizações alcunhadas de entreguistas outrora foram “repaginadas” com nomenclaturas “suaves”, que mudam na forma mas não no conteúdo. “O ‘demônio’ (das privatizações) não é tão mau assim”, teria se reconfortado – com razão (pela ironia) – FHC. O projeto da esquerda, então, teria sido reduzido a pó?
Vista do plano histórico, a esquerda brasileira não pode ser reduzida ao PT. Ela não começa no ABC paulista nem está fadada a acabar no banco dos réus (caso do mensalão). Não obstante a confusão e o esfacelamento provocado pelo petismo, assim como o peso da desconfiança e da frustração por ele causado, a nossa esquerda precisa sair da crise que se abateu sobre ela revigorada. E revigorar-se aqui significa desvencilhar-se de pseudomarxismos, desconstruir mitos, entender que o eixo central da sociedade é o trabalho (e que isso tem implicações), tirar lições. Ela tem que realmente se afirmar com mais firmeza do que antes para que possa ter força para suplantar o petismo. É com este, hoje, que ela mede forças (no campo da esquerda); e essa é a principal batalha que precisa ser travada para que possamos adentrar num novo ciclo – sem mais a hegemonia do petismo.
Mas esse é um processo contraditório. Salvador pode nos dá um bom exemplo. As eleições municipais que se avizinham podem levar de volta ao poder a conhecida família Magalhães. O petismo, que apoiou o primeiro dos dois mandatos consecutivos do inepto prefeito atual, contabiliza em sua conta um forte desgaste do seu governador, Jacques Wagner, pela repressão a movimentos grevistas, como o de professores. A esquerda que disputa com o PT, no entanto, não conseguiu, até então, reunir as forças necessárias para fazer frente aos dois projetos. E é esse o pior dos riscos para ela. Não conseguir fechar o ciclo atual a tempo e passar para o próximo sendo hegemônica, é o principal risco para a esquerda, pois, como nos mostra Salvador, ao invés de um novo ciclo se iniciar, podemos ter um recomeço (não um regresso) do velho – por conta da permanência da hegemonia petista no campo da esquerda (agora na oposição).
E essa hegemonia é um dos principais problemas para a recomposição. Embora esta dê sinais de um fenômeno irreversível, nos dias de hoje tal hegemonia se constituiu num obstáculo a ser inteiramente removido. Como disputam no interior de um mesmo campo, a recomposição anda jungida à decomposição do petismo. Dessa forma, podemos afirmar que, quando um se fortalece, o outro tende a desandar; ou seja, um se nutre da fraqueza do outro. Só que no caso aqui em questão uma diferença se interpõe: o fortalecimento da esquerda aumenta no aparente fortalecimento do petismo. Isto é, para a recomposição avançar – mesmo que lentamente, mas num ritmo regular – é melhor que o petismo esteja no poder (e a esquerda sozinha na oposição – no flanco esquerdo) do que fora dele, na oposição – com o qual, caso contrário, ela teria que disputar no interior do mesmo campo de oposição (vide o possível caso de Salvador).
Se a nossa hipótese estiver certa, os ventos tendem a soprar para a esquerda. Isso porque, segundo Frei Betto, o PT estaria cada dia mais obcecado pela disputa do poder pelo poder. A máquina de angariar votos na qual o partido havia se transformado poderia, portanto – segundo nosso entendimento – voltar-se contra si própria; ou seja, o seu fortalecimento significaria o avançar progressivo da sua autodestruição – mas desde que a outra parte (a esquerda) não deixe de cumprir efetivamente o papel que lhe cabe e passe a ocupar majoritariamente o seu campo natural de atuação. Nesse cenário, portanto, o petismo passaria de vez para os anais da história.
*Rogério Castro é doutorando em Serviço Social pela UFRJ – rogeriocastrouesb@hotmail.com

domingo, 2 de setembro de 2012

Quanto algumas ONGs ganham com a miséria?


SÉRGIO DOMINGUES*

“Quanto vale ou é por quilo?” é o mais novo filme de Sérgio Bianchi. ONGs e entidades desonestas são acusadas de lucrarem com a miséria, usando dinheiro público. E ainda mostra como a miséria tem cor e endereço certos. É negra e favelada.
Infelizmente o filme não vai chegar ao grande público. Mas é bastante didático e coloca o dedo na ferida da “indústria da solidariedade”. Deveria ser visto em escolas, cursinhos populares, associações comunitárias. Mas sempre seguido de debates. Até para que ONGs e entidades sérias possam se defender.
O filme começa com a história de uma escrava que conseguiu comprar sua liberdade, no final do século 18. Trabalhando e poupando, ela conseguiu ter uma pequena propriedade e alguns escravos. Mas, eis que aparecem alguns capitães-do-mato em seu rancho. São caçadores de escravos fugitivos. Eles prendem um de seus cativos. Ela protesta, mas não adianta. Seguindo os caçadores, ela vê que eles entregam o negro na casa de um senhor branco. A negra bate à porta do dito cujo. Mostra os papéis que provam ser ela a proprietária do escravo. O senhor branco fecha a porta na cara dela. Revoltada, ela grita: “lugar de ladrão é na cadeia”. Resultado: é processada e condenada por perturbação da ordem pública. Trata-se de um caso verdadeiro. Ao longo do filme, eles se repetirão, com os devidos registros e datas.
Esta cena mostra que ser proprietário no Brasil não basta. É preciso ser branco também. Mesmo hoje, ter um automóvel novo e ser negro é motivo suficiente para ser vítima de batidas policiais ou coisa pior. Mas o caso revela outra coisa, também. É o mecanismo de repasse da dominação. A negra liberta também tem seus escravos. É natural, diz o narrador do filme. É assim que funcionava o sistema na época. Só que esse mecanismo continua a funcionar, diz o filme.
Para ilustrar isso há uma cena nos tempos de hoje. Uma Kombi chega na madrugada para ajudar mendigos. Distribuir cobertas, sopa e café. Logo em seguida, um outro grupo chega em outra perua. É expulso pela líder do primeiro veículo. Ela quase diz “esses mendigos são meus. Caiam fora”. É a remediada ajudando os esfarrapados, para continuar recolhendo donativos e fazendo seu pé-de-meia.
Voltando ao passado escravista, o filme conta a história de uma escrava idosa que tenta juntar o dinheiro suficiente para se libertar. Conhece uma senhora branca que não é rica, mas é esperta. Paga a liberdade da velha escrava em troca do trabalho dela por mais um ano, pago com juros. O investimento dá resultado. A velhinha acaba tendo que trabalhar por mais três anos antes de se ver livre de sua “benfeitora”.
O paralelo é claro. Tanto no tempo da escravidão, como na época atual, há um espaço para fazer jogadas. Num caso, são os brancos pobres explorando negros cativos. No outro, são empreendedores espertos da solidariedade transformando a miséria em fonte de riqueza. De um lado, continuam sendo quase todos brancos. De outro, quase todos são negros.

Multiplicar o número de criminosos e crianças pobres para criar empregos

Os paralelos vão se multiplicando. Mais um caso antigo aparece. Fala sobre os capitães-do-mato da época da escravidão. A maioria era formada por negros. Viviam de caçar escravos fugidos. É o caso de um deles, que captura uma negra fugida. Ela está grávida e aborta no momento em que é entregue a seu dono. A negra sangra ao lado dos dois, enquanto o narrador explica que o dinheiro ganho pelo caçador servirá para que o filho tenha uma vida melhor que a dele.
De volta ao mundo atual, um desempregado é pressionado pela mulher grávida e pela tia a trazer dinheiro para casa. Desesperado, ele vira matador-de-aluguel. Suas vítimas são negras e pobres como ele. Não seria mais do que um capitão-do-mato moderno, e também procura um futuro melhor para seu filho. Apesar disso, a tia do matador explica que serviços como o que ele faz conta com gente muito mais profissional e treinada. Enquanto ela fala, aparece a cena mais corajosa do filme. Um camburão invade o calçadão da Praça da Sé no meio da madrugada. Os policiais arrancam crianças-de-rua de seu sono, ao pé de uma árvore. Jogam-nas dentro do compartimento dos presos. Tudo indica que o destino delas será o extermínio.
Continuam os casos registrados. Na época do império, um negro é alugado para fazer a contabilidade de uma empresa. Acusado de roubo, foge. É preso e violentamente espancado. Seu proprietário processa o dono da empresa que o alugou. Prova que o escravo não roubara nada. Exige indenização, dizendo que seu patrimônio foi danificado. Ganha a causa e recupera com lucros o investimento perdido na recuperação do escravo.
É desse jeito que nasceu o capitalismo. Seres humanos eram mercadorias. Depois no capitalismo maduro, tornaram-se menos do que isso. Apenas objetos de exploração. Mas hoje, também há os que nem isso são mais. São os desempregados, mendigos, presidiários, crianças abandonadas.
Nem por isso deixam de ser fonte de lucros, acusa o filme de Bianchi. Mas também sobram ataques aos governos. Há, por exemplo, uma propaganda governamental que conta as maravilhas envolvidas com a criação de empregos através da construção de presídios. Um outro comercial cita o dinamismo da ação solidária. Um entusiasmado locutor diz que cada criança desamparada gera cinco empregos. A lógica é óbvia. Multiplicar o número de criminosos e crianças pobres para criar empregos!
Mas tudo isso tem uma galinha dos ovos de ouro. É o acesso aos fundos públicos. Seminários e cursos ensinam como agarrar essa galinha sem ficar só com as penas nas mãos. O caminho passa por conhecer a pessoa certa na hora certa e no lugar adequado. A taxa de acesso varia entre 15% e 20%, claro.
Uma conta muito didática é exposta. Diz o filme que são cerca de 10 mil crianças de rua no Brasil. As verbas públicas reservadas para dar conta do problema seriam de, mais ou menos, 1 milhão de reais. Este milhão dividido pelas 10 mil crianças seria suficiente para lhes pagar escola particular do primário até a faculdade, por exemplo. Mas esse dinheiro precisa passar por ONGs, entidades assistenciais e empresas “solidárias”. Tal como no caso da senhora escrava e da branca esperta a liberdade tem intermediários prontos a lucrar com isso.



Entidades “pilantrópicas” sequestram o dinheiro público usando os pobres como reféns
O que parece ser uma alternativa a tudo isso surge com o personagem do presidiário negro. Numa cela superlotada ele olha para a câmera e explica “Quando éramos escravos, éramos máquinas. Investimentos de capital. Tínhamos que ser mantidos alimentados e saudáveis. Agora, somos escravos sem senhor”. E conclui: “Na democracia, só existe liberdade para quem pode consumir”.
Esse mesmo personagem foge da cadeia. Pagou para isso e, agora, quer recuperar o investimento. Sequestra um dos sócios de uma ONG. Consegue receber o resgate, depois de enviar uma orelha e outros pedaços do refém à sua esposa. Chama a isso de redistribuição de renda.
Enquanto isso, a negra Arminda descobre o superfaturamento na compra dos computadores feita por uma ONG para sua comunidade. Consegue provas da maracutaia. Exige que a entidade use o dinheiro que desviou para comprar computadores decentes. Sem conseguir ser atendida, ela invade uma festa da entidade e grita: “Lugar de ladrão é na cadeia”.
Diante disso, os pilantras e seus amigos políticos decidem resolver o problema. O matador-de-aluguel é convocado. Vai atrás de Arminda, tal como o capitão-do-mato fizera com a escrava fugida. Arminda morre com um tiro. O filme acaba. A sensação é de que não há saída. Mas, há um final alternativo.
Depois de iniciados os letreiros finais, a cena se repete. Dessa vez, Arminda convence o matador a poupar sua vida. Propõe formar um grupo para sequestrar todos “os filhos da puta que roubam dinheiro do Estado”. Agora sim, o filme acaba.
O problema é que o final alternativo também não aponta soluções. Claro que a vontade é concordar com Arminda e sair fazendo justiça com as próprias mãos. Mas, justiça será feita mesmo é coletivamente. A partir da organização dos de baixo para exigir políticas públicas reais. ONGs desonestas e entidades “pilantrópicas” devem ser condenadas. Elas sequestram o dinheiro público usando os pobres como reféns. Mas, sequestrar os sequestradores não resolve. Eles só existem porque se beneficiam do esquema maior do poder. Da terrível distribuição de renda e da secular dominação racista.

Além disso, há o risco de valorizar demais as relações de dominação e exploração entre pobres e menos pobres. O principal é fazer mira nos poderosos, nos governos ou fora deles. O resto é consequência. De qualquer maneira, é um filme corajoso.

Brasil: orçamento 2013 - tudo para o capital financeiro...


Clique na imagem para ampliar.
... e nada para a classe trabalhadora.
O "projeto de país" do governo petista ainda é o mesmo. É o que mostra o orçamento de 2013 (vide gráfico). A prática é rotineira: o Estado brasileiro transferindo recursos da sociedade via tributação da classe trabalhadora (taxando “renda”, consumo e isentando o grande capital e a grande propriedade). Nisso tudo, o subserviente Estado burguês brasileiro tem que produzir superávits para os especuladores (e parasitas) de banco e bolsa mercantil de futuros, através de um famigerado sistema financeiro fundado sob as fumaças das bombas atômicas despejadas sobre Hiroshima e Nagasaki pelo estado terrorista estadunidense. Recursos para a rotineira e habitual corrupção não aparece no gráfico, mas como tudo continua igualzinho ao passado, pode faltar para os trabalhadores, mas para ela não. Tudo como dantes, no quartel de Abrantes. Isto implica prever um ano de final 13 (com todos os agouros possíveis, inclusive de uma agremiação política) será de muita luta de classe. Esperemos que a classe trabalhadora se uma de vez e deflagre uma GREVE GERAL, para comemorar o ano e lembrar as condições em que a burguesia tem proporcionado à classe trabalhadora e, quem sabe, a Greve Geral derrube a general.

Lula “chora” não aliança com o PSDB em Belo Horizonte


Em seu primeiro comício de campanha desde que deixou a Presidência da República, o petista Luiz Inácio Lula da Silva foi duro com o PSDB e o PSB, principais adversários na capital mineira. Em discurso na Praça da Estação durante ato de campanha do ex-ministro Patrus Ananias, Lula, sem citar nomes, fez fortes críticas ao senador Aécio Neves (MG) e ao grupo do PSB mineiro liderado pelo prefeito Marcio Lacerda, que disputa com o petista o Executivo municipal.
"Eles acharam que nós estávamos derrotados. Não quiseram aliança. Faz parte da cabeça deles tentar destruir o PT. Mas o PT não é Lula, não é Dilma, não é Pimentel, não é Patrus. É cada um de vocês", afirmou, em meio aos aplausos das cerca de 5 mil pessoas que, segundo estimativa da Polícia Militar, participaram do evento.
Lula lembrou a aliança feita com os tucanos em 2008 para eleger Lacerda, decisão que causou profunda divisão no PT mineiro. Este ano, parte da legenda capitaneada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, insistia na reedição do acordo, mas, na última hora, divergências na formação das chapas levaram ao lançamento da candidatura de Patrus.
"Aqueles que o PT ajudou a chegar ao poder não querem mais ficar com o PT. O PT não vai ficar chorando", discursou. "É importante que eles saibam que não estariam no governo se não fôssemos nós", disse.
Lula ainda fez questão de destacar que grande parte dos projetos em Minas foram iniciados em seu governo e "são obras que têm parceria com o governo federal ou empréstimo do BNDES". O petista ainda provocou Aécio e seu sucessor, o governador, Antonio Anastasia (PSDB). "Se o Anastasia pudesse falar, diria que o Estado está quebrado. Mas não vou falar mal de ninguém."
Além de Lula e Patrus, estavam no palanque as lideranças do PT e dos partidos da coligação em torno do petista. A única vaia foi para Fernando Pimentel, em uma demonstração de parte da militância de contrariedade com a aliança em torno de Lacerda, articulada pelo ministro, então prefeito, em 2008.
Fonte: Br.notícias 

sábado, 1 de setembro de 2012

Monsanto proibida na Polonia, Bélgica, Gran Bretanha, Bulgaria, França, Alemanha, Irlanda e Eslovaquia

Charge:  maepb.wordpress.com

Abby Sakura, BWN Argentina

La prohibición es oficial en Polonia, relativa al maíz MON810 transgénico de Monsanto. Las recientes protestas de apicultores y activistas anti-OGM tiene una conclusión exitosa. Los activistas exigían que el Ministro de Agricultura, Marek Sawicki prohibiera el MON810 en el país. La buena noticia es que sus protestas tuvieron éxito.
El funcionario fijó otra polémica norma internacional contra los transgénicos de Monsanto. “Además de vincularse destruir la salud humana produciendo una gama de dolencias”, señaló Sawicki, “el polen procedente de la cepa GM podría ser devastador para la población de abejas que ya se redujo en el país”. Acorde a la agencia AFP, Sawicki indicó que: “El decreto dictamina la prohibición total de la cepa del maíz MON810 en Polonia”.
El 9 de marzo, hubo una oposición similar a las cepas genéticamente modificadas de Monsanto. En esa fecha, 7 países europeos bloquearon la propuesta de la Presidencia danesa que permitía el cultivo de transgénicos en continente europeo. Los países que bloquearon esta propuesta son Bélgica, Gran Bretaña, Bulgaria, Francia, Alemania, Irlanda y Eslovaquia. Una semana después de este anuncio, Francia impuso una prohibición temporal para el MON810. En Lyon, Francia, el Tribunal dictó una sentencia después de que Paul Francois, un productor de granos, informó que Monsanto no proporcionó advertencias suficientes en la etiqueta del herbicida Lasso. La falta de advertencias causó daños en la población, como problemas neurológicos, incluyendo dolores de cabeza y pérdida de la memoria.
Tras el testimonio, el tribunal ordenó un dictamen pericial para verificar la relación entre Lazo y las enfermedades reportadas, así como también para determinar la suma a pagar por daños y perjuicios. Monsanto resultó culpable, y esto allanó el camino para una acción legal similar en nombre de los agricultores en el futuro.
Además, en Francia, la rama agraria del Sistema de Seguridad Social halló alrededor de 200 efectos adversos dañinos para el ser humano y el medioambiente, desde 1996, en relación con los pesticidas de Monsanto.
La lucha contra Monsanto continúa en muchos países, no solo por sus herbicidas sino también por el resultante, sus nocivos productos transgénicos: La India comienza a alzarse contra la corporación, cerrando drásticamente al agro-gigante bajo cargos de “biopiratería”. Y Hungría, recientemente destruyó 1.000 hectáreas de maíz modificado genéticamente.
La victoria en Polonia es otra victoria para los activistas anti-OMG de todo el mundo.