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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O elogio da dialética e Operário em Construção

Elogio da Dialéctica, in O Operário em Construção, Voz de Mário Viegas, Música Original de Luís Cilia, som de Moreno Pinto, Design Gráfico do João Massapina, fotografia de Luís Carvalho. Fonte: Youtube

Operário em construção..
Vinícius de Moraes


Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava...
(Para acesso à poesia por completo clique AQUI).

Taiguara - "O Operário Em Construção 1" Moraes)



Justiça proíbe cortar ponto de grevista e manda governo devolver dinheiro


por Alessandra Horto
Rio - Professores e demais servidores federais em greve conquistaram na Justiça novo direito de não ter o ponto cortado. A mesma decisão prevê que o governo tem que devolver, em 48 horas, valores descontados do contracheque.
O presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Márcio César Ribeiro, sentenciou que, caso não se respeite a determinação, o secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, está sujeito ao pagamento de multa individual de R$ 1 mil por dia.
O mandado de segurança expedido pelo juiz federal Flávio Marcelo Sérvio Borges também condenou a ação do governo, de descontar os dias parados, por haver decisão judicial em vigor. No texto, intimou Sérgio Mendonça a providenciar em 48 horas a criação das folhas suplementares dos grevistas para repor o “indevido desconto que foi executado”. De acordo com o mandado, há pena de incidência da multa pessoal anunciada na decisão liminar e envio do processo ao Ministério Público Federal para apuração de ilícito penal e de improbidade administrativa.
As assessorias jurídicas da Condsef e das demais entidades representativas já se reuniram para concluir a peça da Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o Decreto 7.777/12. O documento prevê a substituição de servidores grevistas, inclusive, por funcionários de outras esferas, para garantir a manutenção dos serviços prestados. As lideranças defendem que o decreto é uma afronta à democracia e mais uma tentativa de esvaziar a greve.
Fonte: O dia

Vamos celebrar...


Vídeo feito por alunos do ensino médio do colégio Salesiano em 2005. Vamos comemorar... Vamos celebrar...


Hiroshima e Nagasaki: hoje completa 67 anos de um capítulo vergonhoso da história da humanidade



Tragédia atômica de Hiroshima (06/08/1945): data triste do  vergonhoso e covarde massacre.

domingo, 5 de agosto de 2012

Brasil: Incentivo fiscal em troca de empregos vira lorota

A lorota fez rir até os envolvidos nela: Dilma e Mantega.

 
De passagem por Londres, Dilma Rousseff dissera, na semana passada, que o governo concede incentivos fiscais aos fabricantes de carros com o propósito de aquecer as fornalhas da economia e, sobretudo, assegurar a manutenção dos empregos e da renda dos brasileiros. Ela soara peremptória: “Nós só damos incentivos para garantir emprego.”
Decorridos cinco dias, o ministro Guido Mantega (Fazenda) recebeu em seu gabinete Luiz Moan, diretor de Relações Intitucionais da General Motors. A logomarca amerciana ameaça mandar ao olho da rua até 2 mil trabalhadores em São José dos Campos. Dizia-se que o doutor fora chamado a Brasília para dar explicações.
Terminada a reunião, Mantega declarou que a GM comprovou que é positivo o seu saldo de empregos desde que o governo serviu a última rodada de refresco de IPI, em fins de maio. Moan recuou a 2008 para dizer que, desde aquele ano, a montadora contratou mais gente do que demitiu. Empregava 1.848 empregados há quatro anos. Hoje, roda uma folha de 2.063.
E quanto à carnificina anunciada de São Bernardo? Veja bem, “temos excedente em uma das fábricas de São José dos Campos, temos o compromisso de negociação cautelosa com o sindicato”, declarou o executivo da GM. E Mantega: “Há problemas localizados em São José dos Campos. Não cabe ao governo entrar nos detalhes, é [assunto] da organização interna da empresa.” Hummm!
Em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos insinuou que o ministro petista da Fazenda deveria requisitar informações ao Ministério do Trabalho. De acordo com o sindicato, o Dieese manuseou os dados da pasta do Trabalho e concluiu: a GM demitiu mais do que contratou nos últimos 12 meses.
Entre julho de 2011 e junho de 2012, contabilizou o sindicato, a GM desempregou 1.189 brasileiros. Além de desconsiderar os dados do próprio governo, diz a nota, “o ministro faz estas afirmações sem o mínimo cuidado de ouvir a outra parte, o sindicato dos trabalhadores. Dessa forma, o ministro diminui a si próprio, assumindo o papel de mero porta-voz da GM.”
Em sua manifestação londrina, Dilma dissera: “Permanentemente, nós estamos olhando isso. […] Aliás, nós só damos incentivos e fazemos toda uma política anticíclica voltada pro crescimento pra garantir emprego, não é por outra coisa. Todos os setores que receberam incentivos do governo têm de saber que nós fazemos isso por um único motivo no mundo: garantir o emprego e a renda do povo brasileiro.”
Considerando-se o lero-lero de Mantega –“Não cabe ao governo entrar nos detalhes, é [assunto] da organização interna da empresa” –conclui-se que a corneta de Dilma não faz eco nem na Esplanada dos Ministérios, que dirá nas fábricas. Ficou entendido que quem acreditou na presidente da República fez papel de bobo. Depois de servir-se do tônico de IPI, a GM recebeu da Fazenda salvo-conduto para descer a lâmina em São José dos Campos.
Fonte: Blogosfera

sábado, 4 de agosto de 2012

A crise e o governo, as montadoras e o PIB, os bancos e a dívida pública

Imagem:  psol50.org.br 

Edson Carneiro Índio*

GM lucra com isenção de IPI e faz terrorismo com trabalhadores, demitindo milhares de funcionários. Bancos lucram explorando os clientes e o tesouro nacional com juros e tarifas altíssimas. E o governo federal segue aplicando um modelo econômico que privilegia os lucros do grande capital.
Em fevereiro de 2012, diante do recrudescimento da crise internacional, o governo Dilma anunciou cortes de R$ 55 bilhões dos investimentos públicos, inclusive da saúde, o que acabou por contribuir para o desaquecimento da economia. Em abril, Medida Provisória do governo amplia os setores empresariais beneficiados com a desoneração da folha de pagamentos. Em maio, concedeu isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aos fabricantes de automóveis, sob o argumento de estimular a atividade econômica, diante da desaceleração do produto.
Após a medida, dados da Associação Nacional dos fabricantes de Veículos Automotores apontam para um expressivo aumento das vendas de carros. Segundo a Anfavea, no mês de junho foram vendidos cerca de 353 mil veículos, 73 mil a mais que no mês anterior.
A medida do governo federal, além de ser lesiva aos cofres públicos e contrariar uma necessária política de incentivo ao transporte coletivo e público para o bem das pessoas e do planeta - apesar de conter a desaceleração da economia - sequer garante o emprego dos trabalhadores do setor automobilístico.
Neste contexto de aumento de vendas e de lucratividade, a General Motors anunciou a demissão de mais 1.500 metalúrgicos apenas na planta instalada em São José dos Campos. Cabe lembrar que a mesma GM já havia demitido nos últimos meses, apenas em SJC, mais de mil operários.
Na semana passada, a multinacional chegou a realizar um locaute (greve patronal), buscando com isso fazer terrorismo sobre os trabalhadores da empresa. Além disso, a GM ameaça fechar parte da unidade de São José dos Campos, numa clara tentativa de chantagear os trabalhadores e o sindicato da categoria, a aceitar redução de direitos.
A ameaça da empresa merece o repúdio dos trabalhadores e dos setores populares. Inaceitável, também, é a posição expressa pelo Ministro Mantega, de que as demissões fazem parte da política interna da empresa e, por isso, o governo não deve intervir no processo de redução dos postos de trabalho. Cabe perguntar ao governo: sua política de isentar as empresas do pagamento de impostos, altamente questionável, não deveria, como mínimo, exigir contrapartidas reais à manutenção dos empregos¿
É claro que não se combate o desemprego com desonerações fiscais. É necessário, entre outras medidas, reduzir a jornada de trabalho, aprovar a Convenção 158 da OIT, acabar com a precarização do trabalho e alterar, globalmente, a política econômica.
A rigor, a principal preocupação do governo é com a garantia de um ambiente econômico favorável ao crescimento dos lucros dos empresários e banqueiros. Basta analisar a política econômica orientada ao favorecimento do grande capital, particularmente com o perverso pagamento de juros e amortizações da dívida pública. A CPI da dívida, de iniciativa do Deputado Federal Ivan Valente, do PSOL-SP, já demonstrou o ralo de recursos públicos que significa esse modelo. A consequência disso é um aumento espetacular do lucro dos bancos, que seguem sendo recordes, apesar de os banqueiros esconderem parte da sua lucratividade, com manobras contábeis como o aumento da provisão de “possíveis não pagamento de dívidas”, o PDD.
Em 2011, os cinco maiores bancos que operam no País amealharam um lucro líquido de R$ 51 bilhões, ranqueando-os como os mais lucrativos do mundo.
E de onde vem tanto lucro¿
Metade do lucro dos bancos vem da intermediação financeira garantida, também, com o maior spread do mundo. O spread bancário - diferença entre o que o banco paga para captar e o que cobra para emprestar – que foi objeto de discurso da presidenta por ocasião do 1º de Maio, segue elevadíssima, com o beneplácito do Banco Central, que age como um sindicato dos banqueiros. 
Outro quarto desse lucro advém da remuneração dos títulos da dívida pública, que sangra os cofres e as políticas públicas, como demonstra o próprio orçamento da União de 2012, que prevê que 47% dos recursos arrecadados sigam para pagar juros e amortizações da dívida ilegítima que alimenta a banqueirada sanguessuga.
E os outros 25% do lucro dos bancos vêm da cobrança das tarifas bancárias, que espoliam os clientes e a população brasileira.
Apesar dessa lucratividade exorbitante e inaceitável, os bancos demitem os bancários e colocam os clientes na fila. Apenas o Itaú, que recentemente adquiriu o Unibanco, demitiu nos últimos quinze meses, cerca de 11.500 bancários, em nível nacional.
Essa situação levou os mais de 700 bancários e bancárias presentes na 14ª Conferencia Nacional da categoria, representando mais de 90% dos trabalhadores do ramo em nível nacional, aprovarem, por unanimidade, a proposta há muito tempo defendida por nós, bancários e bancários da Intersindical, de estatização do sistema financeiro, colocando-o sobre o controle público e a serviço do crédito e da economia popular, da distribuição da renda, invertendo a lógica da concentração da riqueza e poder que marcam a formação social brasileira.              
Toda essa situação impõe às classes trabalhadoras, aos setores populares e suas organizações sindicais e partidárias, lutarem, nas ruas e nas urnas, para mudar, de fato, a realidade brasileira. 
*Bancário, professor, militante do PSOL e membro da Coordenação Nacional da INTERSINDICAL.

Brasil contrata Exército dos EUA para planejar hidrovia no São Francisco

Foto:  portaljipa.com.br

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), órgão do governo federal subordinado ao Ministério da Integração, contratou o Corpo de Engenharia do Exército dos Estados Unidos (Usace) para estudar alternativas que tornem navegável o Rio São Francisco, um dos mais importantes cursos d´água do país e da América Latina.
O contrato, de R$ 7,8 milhões (US$ 3,84 milhões), foi assinado em dezembro do ano passado e, em março deste ano, os primeiros engenheiros do Exército norte-americano chegaram ao Brasil com a missão de desenvolver projetos que contenham a erosão nas margens e facilitem a construção de uma hidrovia no São Francisco.
Na semana passada, o comandante do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, brigadeiro Douglas Fraser (que responde diretamente ao secretário de Defesa e ao presidente Barack Obama), esteve em Brasília para saber como anda o trabalho.
“O contrato tem o prazo de três anos, em que os engenheiros do Usace devem nos apresentar 12 projetos de assessoria técnica para a navegação do rio. São estudos sobre dragagem, controle de erosão e estabilização das margens, geotecnia, dentre outros”, disse ao G1 o gerente de concessões e projetos especiais da Codevasf, Roberto Strazer.
Segundo ele, a parceria teve início após troca de e-mails entre funcionários da Codevasf e o Usace para aproveitar o conhecimento da engenharia militar dos EUA no Rio São Francisco.
“Eles possuem em um conhecimento incrível em navegação que queríamos usar. São técnicos e temos muito a ganhar com a parceria. A navegação do São Francisco é extremamente precária e subutilizada, principalmente na época de estiagem”, acrescentou Strazer.
O corpo de engenheiros militar dos EUA foi criado em 1882 para atuação em desastres, como enchentes, terremotos e furacões, e reconstrução, apoiando as ações militares no Iraque e Afeganistão. O Usace é responsável pela navegação dos rios Mississipi e Ohio e também por parte do controle do transporte marítimo interno nos EUA. Todos os chefes do órgão são militares, com a patente de general, do Exército americano.
“É preciso que se explore mais a navegação do São Francisco. Além de ter o menor custo por tonelada, o transporte através dos rios tem menor impacto no meio ambiente”, afirmou Strazer.
A Codevasf aponta que há grande potencial de navegabilidade em uma faixa de de 1.371 km, entre Pirapora (MG) até Juazeiro (BA)/Petrolina (PE), que é ainda inexplorado.

Estabilização de margens
Dois engenheiros civis do Usace ficam permanentemente no Brasil fazendo os estudos e avaliações nas margens dos rios e trabalhando, de forma coordenada, com um grupo de militares e civis do Exército norte-americano em Washington.
“Um dos projetos que eles desenvolvem é validar conhecimentos de navegação e estabilização de margens em um campo de provas que temos em Barras, na Bahia”, disse Strazer. A ideia é tornar todo o rio navegável a partir de pequenos trechos ao longo do seu curso.
Em Brasília, no último dia 10, o presidente da Codevasf, Elmo Vaz, apresentou ao comandante do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA – responsável por todas as ações militares norte-americanas na América Latina – o andamento dos trabalhos. Só para cumprir a meta de tornar os primeiros 657 km do Velho Chico navegáveis, servindo de via de escoamento da produção, serão investidos até o final de 2012 mais de R$ 73 milhões.
O Rio São Francisco atravessa os estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e serve de divisa natural entre Sergipe e Alagoas até desaguar no Oceano Atlântico.
Um projeto do Ministério da Integração busca transpor parte das águas do rio para aproveitá-lo também para irrigação no Ceará e Rio Grande do Norte, servindo de eixo de ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste do país.

Segurança nacional
O gerente de projetos da Codevasf disse não ver riscos à segurança nacional em trabalhar com o Exército norte-americano. “Essa preocupação foi levantada na fase inicial do contrato. Eu já o recebi fechado, no início deste ano. Não vejo riscos, pois as informações que eles estão tendo acesso no local não são nada que se possa ocultar por imagens de satélite”, afirmou Roberto Strazer.
Ele acrescentou ainda que o Exército brasileiro também está trabalhando no rio com projetos de navegabilidade e está em contato com os militares americanos. “Há engenheiros do Exército brasileiro em um projeto de estabilização das margens de Ilha da Tapera, na Bahia, que estão em contato com os americanos também. Há interesses nacionais envolvidos, mas buscamos intercâmbio técnico.”
O Exército informou, por meio da assessoria de imprensa, que visitou a sede do Usace, nos EUA, e que engenheiros militares brasileiros estão próximos à área onde os americanos estão trabalhando no São Francisco. O Exército também disse que não vê riscos na parceria em relação ao vazamento de dados relativos à segurança nacional.
O chefe da missão do Usace no Brasil, Calvin Creech, confirmou que atualmente trabalham no país dois engenheiros civis do órgão, especializados em hidráulica e geotecnologia. “O Usace está apoiando a Codevasf. Esse trabalho é importante para os Estados Unidos porque melhorar a navegação do Rio São Francisco trará benefícios sociais para a região, reduzindo os custos associados com o transporte de produtos agrícolas”, disse Creech ao G1.
Fonte: Geodireito

Notícias de Caracas

Foto:  noticias.br.msn.com

Igor Fuser

Na condição de jornalista, viajei a Caracas várias vezes nos anos 90. Minha lembrança é de uma metrópole deteriorada e perigosa, com um contraste social chocante. Voltei agora, no contexto da disputa eleitoral de 7 de outubro entre o presidente Chávez, que concorre a um novo mandato, e o candidato da oposição direitista.
Deparei com uma cidade agradável, em que a população desfruta do espaço público recuperado em vez de ficar reclusa dentro de casa. Não vi uma única criança pedindo esmolas ou em situação de abandono. Ninguém dormindo na calçada por falta de abrigo.
Na região central, atividades culturais promovidas pela prefeitura (de esquerda) reúnem milhares de pessoas, de dia e de noite. Casais dançam salsa, em plena rua. Dois teleféricos recém-construídos levam moradores pobres até o alto do s morros onde vivem. Visitei uma das maiores favelas caraquenhas. Por toda parte, clínicas de saúde (operadas por médicos cubanos), escolas, quadras esportivas, centros culturais, mercados estatais que vendem alimentos a preços mínimos.
Cooperativas de moradores estão reformando, com dinheiro público, as casas precárias. Para superar o déficit habitacional no país, o governo Chávez está construindo centenas de milhares de novas moradias populares, de qualidade e bem localizadas. Um novo corpo de segurança, a Polícia Nacional Bolivariana, foi criado para substituir a polícia tradicional, corrupta e truculenta.
Mas a desigualdade persiste. Num dos bairros mais ricos, passei em frente a mansões com campo de golfe particular um luxo incomum até mesmo no Brasil. É em defesa desse estilo de vida privilegiado que a burguesia venezuelana tenta outra vez barrar os avanços da Revolução Bolivariana. Se em algum lugar do mundo a eleição expressa a lut a de classes, esse lugar é Caracas.

(Artigo publicado no jornal Brasil de Fato, na semana de 1/8/2012)

Meu olho chorado


Meu olho chorado
Vê a tristeza
A alegria
Molha a seca em chuva
Molha meu papel de pele
Sangue jorra molhado vermelho
Azul
Céu, nuvem branca
Canção de olhos chorados
Índio Inca, Condor
Asa branca, Gonzaga
Seca e neve
Inundação de gente em mim
Seca de gente em mim
Asa de ave em mim
Caçadores de mim
Eu caçador de mim.
Minha mãe empurrando-me ao mundo
Mundo que vi a poesia brotar em mim
Primeiro choro, derradeiro choro
Minha mãe foi embora
Meu pai também
Meu irmão também
Alice também
Ficou poesia, pele deles, olho deles
Asa deles
Olho chorado meu
Asa de poeta, filhos andando
Semblantes de caminhar
Felicidade de viver
Poesia, poesia, poesia...
Ar que sustenta as asas de ave em mim
Condor, Asa Branca
Chão e céu
Viver e amar.
Guerra?
Só se for para limpar o preconceito.

 Beijo o mundo pela poesia
Mundo bom onde meus olhos alcançam
Com choro ou riso
Seca ou inundação de gente.
Novamente sou poeta por obrigação de gente.
Poesia, poesia, poesia...
Colibri beirou a minha janela
E disse-me um olá em pé no ar:
Tu és poeta?

Um cursor pisca sem resposta
Observando o colibri indo.
Lágrima banhada...

JeanClaudio
03/08/2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Wallerstein: É o sistema, estúpido!


Caso Libor: corrupção na alta finança internacional
02/08/2012

Immanuel Wallerstein descreve mecanismo empregado por grandes bancos para manipular mercados e aponta principal responsável: “é o sistema, estúpido”.

Por Immanuel Wallerstein
Tradução: Daniela Frabasile

Desde 4 de julho, os maiores jornais do mundo contam que há um “escândalo” envolvendo algo chamado Libor. Legisladores, dirigentes de bancos centrais e autoridades judiciais dizem o mesmo. Antes disso, poucas pessoas, fora do grupo que se interessa por bancos, tinha ouvido falar da Libor. De repente, nos disseram que os maiores bancos da Grã-Bretanha, Estados Unidos, Suíça, Alemanha, França – e provavelmente um grande número de outros países – estavam envolvidos em ações supostamente “fraudulentas”.
Além disso, explicaram-nos que não era questão de centavos. Derivativos financeiros de centenas de trilhões de dólares oscilam de acordo com a taxa Libor. A acusação era de que os bancos a “manipulavam”. As consequências não foram apenas lucros astronômicos: as pessoas que fizeram hipotecas e empréstimos pagaram mais do que deveriam. Resumindo: os bancos obtiveram lucros enormes às custas de outros, que perderam rios de dinheiro.
Tudo isso suscitou muitas questões. (1) Como foi possível? (2) Por que as autoridades reguladoras não interromperam uma prática que, agora, dizem ser tão fraudulentas; ou seja: quem sabia o quê e quando? E (3) alguma coisa pode ser feita para que isso não aconteça novamente?
Vamos começar com a definição da taxa Libor. É uma abreviação de London Interbank Offered Rate (Taxa Interbancária Praticada em Londres). Não é muito antiga: a versão definitiva é de 1986. Na época, a British Bankers Association (Associação dos Banqueiros Britânicos) pediu que os “maiores bancos” compartilhassem informação diárias sobre as taxas de juros que pagariam, se tomassem empréstimos de outros bancos. Depois de eliminados os valores extremos, uma taxa média era determinada, e modificada diariamente. A ideia era que, se os bancos se sentissem confiantes sobre o estado da economia, a taxa seria mais baixa; se estivessem inseguros, a taxa seria mais alta.
Quando a imprensa mundial passou a usar palavra “escândalo” para falar sobre a taxa Libor, ficou claro que o tema havia sido debatido muito antes, em ambientes menos visíveis. Parece que o Wall Street Journal havia divulgado, em 28 de maio de 2008 (sim, em 2008!), um estudo sugerindo que alguns bancos estavam minimizando os custos dos empréstimos. É claro, imediatamente apareceu gente dizendo que o estudo era impreciso ou, se preciso, irrelevante. Análises acadêmicas subsequentes sugeriram, portanto, que a acusação de manipulação dos custos era de fato verdadeira.
A questão era que quando um banco está lidando com US$ 50 trilhões em valores especulativos, uma pequena sub-notificação de taxas gera imediatamente um aumento significativo nos lucros. A tentação era óbvia. Acontece que, já no início de 2007, tanto o o Federal Reserve Bank quanto o Bank of England (os bancos centrais dos EUA e do Reino Unido) suspeitaram dessa sub-notificação. Nenhum fez muita coisa sobre o assunto.
Agora nos dizem que essas taxas não são nem confiáveis nem estáveis, mas meras “suposições”. Uma vez que o Lehman Brothers entrou em colapso, os bancos ao redor do mundo pararam de realizar empréstimos entre si. O New York Times diz, numa matéria de 19 de julho de 2012: “Essa taxa não se baseia muito na realidade”. Em 2011, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos começou uma investigação criminal. Graças a vazamentos, agora sabemos da troca de e-mails entre banqueiros, falando alegremente sobre a sub-notificação das taxas, e encorajando o processo. Por que não? Eles estavam ganhando muito dinheiro.
Em meio a tudo isso, o Independent publicou uma matéria de duas páginas sobre os paraísos fiscais, e a soma incrível de dinheiro que vai para esses lugares, proveniente dos países do Sul global. Provavemente, o dinheiro retirado seria mais que suficiente para financiar as transformações econômicas e redistribuições de renda necessárias nestas nações. Ao contrário das manipulações da taxa Libor, os paraísos fiscais são legais.
Então, onde está o escândalo? As duas práticas – sub-notificação da taxa Libor e transferência de dinheiro para os paraísos fiscais – são absolutamente normais, numa economia-mundo capitalista. A finalidade do capitalismo, afinal de contas, é a acumulação de capital. Quanto mais, melhor. Um capitalista que não maximiza os lucros, de uma forma ou de outra, será eliminado do jogo, cedo ou tarde.
O papel dos estados nunca foi controlar ou limitar essas práticas, mas fazer vistas grossas pelo maior tempo possível. De vez em quando, as práticas – dos capitalistas e dos estados – são momentaneamente expostas. Algumas pessoas são presas, ou forçadas a devolver o lucro ilegal. E os políticos falam em reforma – tentando adotar, com máximo alarde, o nível mais baixo de “reforma” que puderem.
Porém, isso não é um escândalo, porque o que se chama de “escândalo” é, na verdade, o coração do sistema. Algum dia isso irá mudar? Sim, claro. Um dia, o sistema não existirá mais. Claro que isso abre outra questão. O próximo sistema será melhor? É possível, mas não é certo.
Enquanto isso, chamar a manipulação da Libor de escândalo é ocultar que se trata, na verdade, de mais uma forma normal de acumular capital. Em 1992, James Carville, estrategista de campanha de Bill Clinton, que então concorria à presidência dos Estados Unidos, disse algo que ficou famoso: “é a economia, estúpido”. Frente aos chamados escândalos, deveríamos dizer “é o sistema, estúpido”.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Em meio a agravamento da crise financeira, governo brasileiro aprofunda princípios neoliberais

Imagem:  blogdotarso.com

                         
por PAULO PASSARINHO*
QUARTA, 01 DE AGOSTO DE 2012

O atual mês de julho deveria ser encarado por Dilma Rousseff como um marco importante das absurdas limitações que vão se impondo ao seu governo, em decorrência de decisões equivocadas que vêm sendo assumidas desde o início do seu mandato.
O início da gestão do atual governo foi marcado pelo temor de um propalado recrudescimento inflacionário, que o levou a decidir, através do Banco Central, pela elevação sistemática da taxa Selic, por cinco diferentes vezes consecutivas. O ministro da Fazenda declarava, então, que o seu objetivo era produzir uma desaceleração no ritmo da atividade econômica, como forma de arrefecer a pressão inflacionária que, supostamente, se apresentava como uma perigosa tendência, necessária de ser combatida. Outra preocupação explícita da equipe econômica era com o processo de valorização do real frente ao dólar, especialmente pelos efeitos negativos produzidos nos resultados da balança comercial.
Já a partir da metade do ano passado, contudo, a percepção dos gestores da política econômica havia se alterado: a desaceleração econômica já se fazia sentir de forma mais intensa que o desejável e o agravamento da crise europeia se adicionava às preocupações do governo. As medidas de elevação da taxa de juros acabaram por produzir uma estagnação econômica no terceiro trimestre do ano e as medidas de injeção de liquidez – adotadas pelos bancos centrais americano e europeu – mantiveram em alta os fluxos de capital especulativo para países como o Brasil, contribuindo para a valorização indesejável do real.
Neste contexto, 2012 tem início com Dilma Rousseff preocupada em evitar o pífio crescimento do PIB observado em 2011 (2,7%), abaixo da média do PIB mundial e o mais fraco desempenho entre os países da própria América do Sul. Para o governo, a ideia era procurar assegurar uma expansão do PIB de 4,5%. Com relação ao câmbio, medidas buscando inibir operações de empréstimos e financiamentos entre filiais de multinacionais e suas matrizes ajudaram a diminuir o fluxo de entrada de recursos especulativos no país. Além disso, a saída de recursos de estrangeiros aplicados nas bolsas de valores e mercadorias acabou por produzir uma relativa desvalorização do real.
Entretanto, sob o ponto de vista do ritmo da atividade econômica, os resultados não poderiam ser mais desanimadores. Sucessivas reavaliações foram feitas desde o início do ano, por parte do próprio governo e de instituições ligadas ao chamado mercado, e hoje se torna consenso que, na melhor das hipóteses, a economia deverá crescer em torno de apenas 2%. As várias medidas que têm sido anunciadas, sempre em torno da desoneração fiscal e da concessão de crédito subsidiado a setores empresariais, parecem não mais surtir o efeito esperado. Há incertezas por parte do capital privado para novos investimentos e as respostas na esfera do consumo se mostram tímidas frente ao forte endividamento das famílias, contraído nos últimos anos, mesmo diante da política em curso de redução das taxas de juros.
A grande alternativa que poderia estar ao alcance do governo seria uma guinada nos chamados gastos públicos, tanto em termos de novos investimentos como no incremento de gastos de custeio, particularmente no atendimento às demandas salariais do funcionalismo. Para tanto, a diminuição das metas de superávit fiscal poderia abrir uma margem de manobra importante ao governo, para a viabilização desses objetivos. Porém, esta é uma medida quase proibitiva, dentro da lógica do governo.
Para o rompimento da verdadeira ditadura fiscal representada pelo superávit primário, de forma consequente e sustentável, haveria a necessidade de uma abrangente mudança no conjunto da política macroeconômica. Mecanismos de controle sobre os fluxos cambiais, maior eficácia fiscalizatória sobre os bancos e uma substantiva mudança no padrão de administração da dívida pública, com uma forte redução nas taxas de juros dos títulos públicos – muito além da redução da taxa Selic – seriam medidas essenciais.
Haveria, particularmente, a necessidade de uma forte atenção com nossas contas externas, fortemente pressionadas pela conta de serviços e pela redução do saldo comercial, ampliando ano após ano o déficit em conta corrente do país. Controlar as remessas de lucros ao exterior e dotar nossas exportações de maior competitividade, através de uma taxa de câmbio desvalorizada, seriam também medidas importantes para uma transição que tivesse como objetivo uma nova realidade econômica, favorável ao capital produtivo, à geração de empregos de qualidade e à ampliação dos gastos públicos.
A maior dificuldade para uma mudança dessa natureza não se encontra na esfera técnica. Os obstáculos são de natureza política. A adoção de uma política econômica alternativa implicaria romper com o pacto de poder hegemônico, construído desde meados dos anos 90, e que tem nos bancos e multinacionais os seus principais avalistas e beneficiários. Exigiria, portanto, coragem política para enfrentar os atuais donos do poder.
Mas, ao que tudo indica, o governo Dilma se encontra em uma armadilha ditada pelas suas opções de governabilidade, herdadas do governo Lula. Abrindo mão do papel protagônico que deve guiar o Estado, em um país dominado pelo capital financeiro, o recrudescimento das atuais dificuldades do governo deverá ser respondido com maiores concessões ao capital privado. Mudanças na legislação trabalhista voltam a ganhar destaque e, sob o ponto de vista do investimento, o que se prenuncia é um conjunto de medidas para a entrega à iniciativa privada dos setores de infraestrutura.
Aeroportos, ferrovias, rodovias e portos deverão ser concedidos a operadores privados, inclusive estrangeiros, através de parcerias público-privadas, e onde curiosamente – assim como ocorre desde o início da tragédia das privatizações – o sempre presente BNDES estará atuante, como financiador-mor dessas operações.
Dessa forma, em meio ao agravamento da crise do capital financeiro no mundo mais desenvolvido, em meio à fragilidade do Estado brasileiro frente às suas obrigações constitucionais com o nosso povo (em termos de educação, saúde, habitação popular ou transportes públicos), continuamos a aprofundar o enraizamento dos princípios e políticas ditadas pelo neoliberalismo, para um país periférico.
O preço dessa opção, de condenar o Brasil a uma condição subalterna às pressões privatistas e estrangeiras, é alto e grave: mantemos a triste trajetória de renúncia de nossa soberania, autodeterminação e de nossa própria inteligência, por conta da incapacidade e pusilanimidade das elites econômicas e políticas do país.
Economista e apresentador do programa de rádio Faixa Livre.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Em algum lugar ... paradoxo olímpico

Olimpíadas de Londres: um negócio olímpico

Laura M. López Murillo*
Tribuna Popular TP – JUEGOS OLÍMPICOS.- En algún lugar olímpico, cerca de las plazas y entre los recovecos de las glorietas yacen ocultos los vestigios de la maldad; los bemoles oscuros del dominio se atenuaron con las melodías de la paz y las huellas del lucro se encubrieron con los estandartes de prosperidad…
El encanto original de los juegos olímpicos provenía de su esencia humanista y emanaba de la excelencia como un sueño posible. En la hipermodernidad, los juegos olímpicos son el escaparate universal del triunfo del espíritu humano sobre las adversidades. Por el tono excelso del mensaje, debido a la magnitud de la audiencia y a la diversidad de sus espectadores, el escenario olímpico se ha transformado en una contienda de patrocinadores. La competencia olímpica es el escenario exclusivo y excluyente donde se promocionan las empresas involucradas en la organización de los juegos. Una de las paradojas del olimpismo es que los grandes beneficiarios de esta fiesta deportiva son consorcios internacionales ajenos e inmunes a los ideales humanistas.
Entre los principales patrocinadores de los Juegos Olímpicos en Londres 2012, están British Petroleum, empresa responsable del vertido de petróleo en el Golfo de México en 2010, y la empresa estadounidense Dow Chemichals, que rechaza cubrir la indemnización por el desastre industrial de Bhopal que causó la muerte a más de 3,000 personas en la india en 1984. Los uniformes de los atletas están diseñados por firmas de alta costura y manufacturados por empresas que explotan a sus trabajadores. Un consorcio inmobiliario de Qatar pagó 557 millones de libras por la adquisición de 2800 casas en el área de Stratford, donde se ubica el Parque Olímpico. Esta operación implica la desaparición de viviendas accesibles de carácter social y una indignante limpieza de la zona con el desahucio y la expulsión de los residentes más pobres. La construcción de los escenarios olímpicos fue un “proceso de planificación vergonzoso que arruinó espacios que estaban protegidos a perpetuidad”; para cumplir con la disposición del Comité Olímpico Internacional que establece como obligatoria la construcción de un gimnasio de práctica, se cortó un acceso peatonal al parque Leyton March y se ocupó gran parte de las áreas verdes.
Pero la alarma y el descontento social surgieron por la instalación de misiles tierra-aire en las terrazas de varios edificios para evitar ataques terroristas. Y poco antes de la ceremonia de inauguración, cuando todos los vestigios de pobreza se escondían entre los recovecos del paisaje urbano, un grupo de ciudadanos marchó a las cercanías del Parque Olímpico para protestar contra la mercantilización de los juegos, denunciaron las practicas inhumanas de explotación laboral y la contaminación ambiental de los patrocinadores; en su mensaje de protesta exhibe a la clase política y a los consorcios internacionales como los beneficiarios directos de los juegos olímpicos.
Las protestas fueron reprimidas y la denuncia fue desestimada por un juez. Y la fiesta del olimpismo inició en franca contradicción con los ideales humanistas pero gracias al financiamiento de empresas cuya visión abarca al planeta como una fuente de suministros; el mensaje de paz se esparce a todo el mundo en mensajes donde predomina el afán del lucro, y en una fiesta gloriosa se atenuaron los bemoles más oscuros del dominio con las melodías de la paz y se encubrieron las huellas del lucro con los estandartes de prosperidad…
* Laura M. López Murillo es Licenciada en Contaduría por la UNAM. Con Maestría en Estudios Humanísticos, Especializada en Literatura en el Itesm.
Fonte: Tribuna Popular TP

A França, segundo Francois Hollande


por Thierry Meyssan
Ya lo había anunciado Francois Hollande: «¡El cambio es ahora!». Dos meses después de su elección, el nuevo presidente francés ha roto con el estilo de su predecesor pero sigue aplicando exactamente la misma política. Para Thierry Meyssan, esa continuidad es fruto de una ideología que se evidencia en los discursos del nuevo presidente: la ideología de la colaboración con el imperio de turno.

RED VOLTAIRE | DAMASCO (SIRIA) | 31 DE JULIO DE 2012
Es muy difícil distinguir las convicciones personales de Francois Hollande, y es porque se trata de un hombre que trata de atraer a la mayor cantidad de gente posible y de dotarse de una mayoría. Sin embargo, el nuevo presidente de Francia ha dado a conocer su forma de pensar en dos ocasiones. En su discurso de investidura introdujo todo un homenaje a Jules Ferry y en la conmemoración de la redada del Velódromo de Invierno sorprendió a todos con una reinterpretación de ese hecho histórico.

Analicemos ambos momentos
El 15 de mayo de 2012, Francois Hollande decidía homenajear a Jules Ferry, el fundador de la escuela pública, gratuita y obligatoria, calificando sin embargo de «error moral y político» el compromiso de aquel político francés a favor de la colonización. Cualquier nuevo presidente deseoso de exaltar la importancia de la escuela hubiese podido hacerlo sin tener recurrir a un personaje histórico cuyo balance político no puede estar exento de críticas. Si Hollande prefirió mencionar a Jules Ferry es porque esté último modificó el objetivo mismo de la escuela, convirtiéndola no en un instrumento de emancipación sino en una herramienta de integración. La escuela dejó entonces de tener como objetivo liberar al niño de sus prejuicios mediante el desarrollo de su espíritu crítico y dándole acceso al saber para hacer de él un ciudadano. Más bien se arrogó como función la de arrancar el niño a su familia, a la influencia de la Iglesia y de su cultura regional para convertirlo en un alumno obediente, dispuesto a dar la vida con tal de ampliar el Imperio francés. El objetivo de la obligatoriedad de la escuela no era ponerla al alcance de todos los niños sino, como lo demostró Michel Foucault, convertir la escuela en la antesala del cuartel. La misma lógica autoritaria que llevaba a los «húsares negros» [1] de Ferry a aplicar castigos corporales a los niños que hablaban su lengua materna en vez de hablar francés, justificaba también el uso de la fuerza en aras de «civilizar» a los indígenas de Tonkín. Tanto en el plano histórico como en el filosófico, resulta imposible separar el seudolaicismo de Ferry de su militarismo colonial.
En su época, el radical Georges Clemenceau se opuso al proyecto del socialista Jules Ferry. Clemenceau criticaba, en primer lugar, la supuesta «misión civilizadora» de Francia, antecesora del actual «deber de injerencia humanitaria». Al oponerse a dicho proyecto, Clemenceau no negaba en lo absoluto el nivel relativamente alto de desarrollo de Europa, sino que ridiculizaba el concepto de «razas superiores», de la misma manera que hoy en día el problema no es saber si Francia tiene o no una forma de gobierno interno más o menos violenta que Siria sino reconocer o no la soberanía del pueblo sirio. Clemenceau estimaba además que el proyecto colonial era una aventura militar de la gran burguesía que desviaba la atención de la verdadera cuestión: la liberación de Alsacia y de Lorena, por entonces ocupadas y anexadas por el Imperio alemán. Ferry acusaba a los radicales de mantenerse «absortos en la contemplación de esa herida» (la pérdida de la región Alsacia-Moselle) al extremo de renunciar por ello a sus responsabilidades en el resto del mundo, a lo que Clemenceau respondió «¡Mi patriotismo está en Francia!» defendiendo a la vez el naciente Derecho Internacional.

Prosigamos nuestra lectura de los discursos de François Hollande
El 22 de julio de 2012, Hollande conmemoraba el 70º aniversario de la redada del Velódromo de Invierno. Durante aquella histórica redada, realizada en julio de 1942, policías y gendarmes franceses arrestaron en París a 13 152 judíos, que fueron concentrados en el parisino Velódromo de Invierno antes de ser deportados, y de esa forma condenados a un destino que habría de ser fatal para la mayoría de ellos.
Francois Hollande causó sensación al afirmar: «Tenemos la deuda de la verdad sobre lo que sucedió hace 70 años. La verdad es que el crimen fue cometido en Francia, por Francia.» Con esa declaración, Hollande tomó partido en un conocido debate cuyos términos, irreconciliables, me veo obligado a recordar aquí.
O bien se considera que el Estado Francés del mariscal Philippe Petain es un régimen político como tantos otros y que era además el gobierno legal y legítimo de Francia o se considera, por el contrario, que no era más que una ficción jurídicamente montada para satisfacer las necesidades de la autoridad ocupante [2] y que –a pesar de ser resultado de un montaje jurídico– era una entidad ilegítima que no puede ser considerada como el gobierno de Francia.
Para evitar cualquier contrasentido es importante recordar que, después de aceptar un armisticio, el mariscal Philippe Petain, como presidente del Consejo, hizo que los diputados que lo habían seguido a Vichy le otorgasen plenos poderes. Abolió entonces la «República Francesa», instauró el «Estado Francés» (lo cual es un título) e impuso una dictadura administrativa que se encargó de aplicar las leoninas cláusulas del armisticio. Diezmados por la Primera Guerra Mundial, los franceses estimaron, en su mayoría, que la resistencia era imposible y aceptaron aquel estado de cosas. Sólo una pequeña minoría rechazó el armisticio, en primer lugar el subsecretario de Guerra, Charles De Gaulle, quien creó en Londres el Gobierno Provisional de la República Francesa.
Las palabras tienen un sentido y este debate nada tiene de académico. Poco antes del fin de la Segunda Guerra Mundial, los tres principales países aliados (la URSS, el Reino Unido y Estados Unidos) también se vieron obligados a tomar decisiones al respecto. En un primer momento, estimaron que Philippe Petain representaba a Francia. En la conferencia de Yalta, estas potencias aliadas anticiparon la derrota de sus enemigos, entre los que se encontraba el Estado Francés, y establecieron las sanciones que pensaban imponerles. Al hacer un brindis, durante el banquete de clausura de la conferencia, Stalin hizo saber que quería fusilar a todos los oficiales del ejército francés derrotado y privar del derecho al voto a todos los electores franceses que tenían edad suficiente para ser considerados legalmente responsables en el momento del armisticio franco-alemán. Gracias a un intenso accionar político y militar, Charles De Gaulle logró cancelar aquel proyecto y acabó obteniendo que los tres principales aliados reconocieran al gobierno provisional de la Francia Libre como el único representante de Francia. Fue así, en definitiva, que se reconoció a Francia como uno de los vencedores de la Segunda Guerra Mundial y que Francia obtuvo incluso un puesto de miembro permanente en el Consejo de Seguridad de la ONU.
La posición de Francois Hollande, además de ser un insulto a la memoria de todos los que dieron sus vidas por la liberación de nuestra patria, tiene por lo tanto importantes implicaciones en materia de política internacional. Si Francia se considera responsable de los crímenes del Estado Francés, tendría, por ejemplo, al igual que nuestro amigos alemanes, que indemnizar al Estado de Israel, y tendríamos también que renunciar a nuestro puesto de miembro permanente en el Consejo de Seguridad de la ONU.
Salta a la vista el punto común entre los dos discursos de Francois Hollande. Promotor de la «injerencia humanitaria», Hollande rehabilita la manipulación de la escuela por parte de Jules Ferry para que los niños no se conviertan en ciudadanos capaces de criticar sino en alumnos obedientes. Graduado de la ENA [3], Hollande rehabilita así a los funcionarios que, traicionando a su patria, se unieron a un gobierno títere y se pusieron al servicio del ocupante alemán. Como socialista, Hollande rehabilita a los diputados de su propio partido que dieron su aval al armisticio, concedieron plenos poderes a Philippe Petain y aprobaron el derrocamiento de la República. Todo eso lo hace, claro está, en medio de grandilocuentes condenas sobre las consecuencias de esa misma política, que son el colonialismo y el racismo antisemita.
Francois Hollande es un hombre culto que sabe perfectamente lo que dice. Lo que está haciendo es, simplemente, aportar su contribución a la demolición de la Nación Francesa, dando así perfecta continuidad a la acción de su predecesor.
En su deseo de someter a los Estados de la periferia, el Imperio global trata de destruir a las Naciones que la componen, recurriendo para ello a la fuerza. Y para someter a los Estados del centro, actúa con sutileza, diluyendo el marco de la soberanía de esos Estados, o sea disolviendo la Nación. Para «rediseñar Europa», va introduciendo la ideología que vehiculan tanto Sarkozy como Hollande, la ideología del Antiguo Régimen [4], que aún prevalece en los Estados anglosajones y que se ha convertido en la ideología del Imperio.
Francia es para ellos una comunidad histórica en materia de lengua y de cultura y tiene, por lo tanto, una base étnica. Los recién llegados están obligados a modificar su propia identidad para integrarse. Para los Revolucionarios, por el contrario, Francia es un destino común que comparten los habitantes del territorio francés porque juntos lograron derrocar la tiranía. Francia es una convención jurídica que se aplica dentro de las fronteras establecidas y son nuestros actos los que nos convierten en franceses, así como nuestra dedicación a ese proyecto. Es evidente que la Revolución de 1789 no acabó con el pasado y que la República Francesa está en el deber de asumir su legado, con sus glorias y vergüenzas, pero eso no la hace culpable de los crímenes de quienes la traicionaron.
En dos discursos, Francois Hollande nos ha explicado que su intención no es asumir la defensa de nuestra soberanía, sino acondicionar a nuestros hijos y colaborar con Estados Unidos en las sangrientas aventuras «humanitarias» de ese país.
Notas:
[1] Sobrenombre que se dio a los maestros públicos de la III República a raíz de la adopción de las leyes escolares promovidas por el propio Ferry. Nota del Traductor.
[2] La Alemania de Hitler. NdT.
[3] La ENA, Escuela Nacional de Administración de Francia, es el centro donde se forman la mayoría de los altos funcionarios del gobierno de ese país. Generalmente gradúa menos de 100 personas al año. NdT.
[4] Expresión que designa el sistema francés de gobierno anterior a la Revolución Francesa. NdT.
Fonte: Red Voltaire