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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Adufg resiste à paralisação para não trazer desgaste ao governo do PT


Pelega?

Vinculada à CUT, associação insiste em uma negociação da qual o governo já abandonou a mesa.
Andréia Bahia
Nos oito anos dos governos Fernando Henrique Cardoso (1995–2002) os professores das universidades federais fizeram oito greves. Uma a cada ano. Durante os governos Lula da Silva (2003–2010), o Andes — hoje Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior e, na época, Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior — organizou apenas uma paralisação nacional, em 2005. Na época, o governo fez um acordo com a categoria, comprometendo-se a dar um aumento de salário em três etapas, de 2006 a 2010. A partir de 2010, os docentes começaram a discutir com o governo a necessidade de outro reajuste que viria recompor a perda salarial de 16,3% do período. Essa negociação não foi cumprida, o que levou a categoria a deflagrar a greve que teve início em 17 de maio.
A paralisação de 2005 provocou a cisão do movimento sindical dos docentes federais. Na era Lula, os professores ligados ao PT e ao governo petista passaram a ser contra o movimento grevista como forma de luta. Optaram por não fazer uma oposição frontal, considerando que o governo petista era, de qualquer forma, melhor que o tucano. Foram voto vencido dentro do Andes, que defendeu uma posição de autonomia em relação ao governo Lula. Os governistas decidiram, então, fundar o Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Federal (Proifes), uma entidade que nasceu no seio do próprio governo Lula. “O então ministro da Educação, Tarso Genro, catapultou o grupo à mesa de negociações com o governo antes mesmo de ele ser um sindicato”, lembra a presidente do Andes, Marina Barbosa, pro­fessora da Universidade Federal de Juiz de Fora.
A criação dessa segunda representação sindical da categoria é fruto da cooptação dos movimentos sindicais feita pelo governo Lula, avalia o professor Fernando Lacerda, da Universidade Federal de Goiás (UFG). O ponto alto dessa cooptação foi a indicação do presidente da CUT, Luiz Marinho, para titular do Ministério do Trabalho, em 2005. “Os sindicatos ligados à CUT se tornaram correia de transmissão do governo”, afirma o professor. A entidade deixou de agir com base no interesse dos servidores públicos federais, mas avaliando apenas o desgaste que as manifestações causariam ao governo petista.
Quem não concordava com essa atitude pelega da CUT se uniu em outras entidades. “Houve várias rupturas dentro dos movimentos sociais, na UNE, CUT, MST”, conta Lacerda. No caso dos professores das universidades federais, foram os governistas, que vinham perdendo eleições recorrentes, que saíram e criaram o Proifes. Segundo a presidente do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg Sindicato), Rosana Maria Ribeiro Borges, o Proifes surge a partir de um grupo que “avaliou, na época, que a greve traz poucos ganhos e muitas perdas e só atinge a graduação.”
O professor Cláudio Maia, do Câmpus de Catalão, discorda. “Na história da categoria, grande parte das conquistas, inclusive a preservação a universidade pública, se deu pela greve.” Ele observa que há cinco anos as universidades federais não param. A Adufg é filiada ao Proifes, apesar de, oficialmente, continuar vinculada ao Andes. “Tem uma ligação orgânica com o PT e PCdoB”, afirma Lacerda. E leva esse vínculo umbilical à mesa que negocia o futuro da categoria.
Para o professor Maurício Alves da Silva, vice-presidente regional do Andes Planalto, cuja sede é em Goiânia, o grupo que criou a segunda entidade o fez somente porque perdeu a eleição interna. “E tudo indica que foi criado dentro do governo com uma proposta alinhada ao governo.” Não há dúvidas de que o Proifes tem ligação profunda com o PT e com o governo petista. Muitas dos professores que ocuparam cargos no governo Lula compõem a direção nacional do Proifes. “Um exemplo é o professor Gil Vicente, que ofereceu assessoria ao MEC para formular o novo plano de carreira”, conta Fernando Lacerda. Além disso, o Proifes é filiado à CUT, principal braço do governo no movimento sindical.
O último acordo assinado entre a categoria e o governo, em 2010, já não foi acatado pelo Andes, que é vinculado à CSP-Conlutas — Central Sindical e Popular. Mas a cisão não enfraqueceu o Andes. A greve nacional que a entidade convocou, em 17 de maio, teve a adesão imediata de 33 unidades e 47 das 63 universidades federais já aderiram à paralisação. Até a Uni­versidade Federal da Bahia, que é filiada ao Proifes, se uniu ao movimento grevista. Em nota, os professores baianos afirmaram que a direção do sindicato (Proifes) é “conciliadora e governista”.
A filiação da Adufg ao Proifes é criticada por professores da universidade goiana. “Em uma reunião es­vaziada, a direção decidiu sair do An­des e se filiar ao Proifes, que é atre­lado aos interesses do governo”, conta a professora do Faculdade de Educação da UFG Lucinéia Scremin Martins. Mas diferente da UFBA, a Adufg acompanhou a decisão do sindicato nacional — visto como “pelego” — e não aderiu à greve. A decisão provocou uma cisão no movimento sindical goiano. Os professores que são a favor da paralisação se uniram no Fórum de Mobilização dos Professores da UFG, “criado pelos professores descontentes com a representação sindical”, diz Lucinéia.
Na avaliação desses professores, a Adufg se nega a mobilizar a categoria e deixa os professores desinformados sobre o debate. Lucinéia conta que os informativos da entidade divulgam campanha da gripe ao invés de discutir a condição do professor. “A massificação e precarização do ensino superior, o Reune (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), e a equiparação do salário com o Ministério de Ciência e Tecnologia não são temas sobre os quais a Adufg nos informa”, diz a professora.
Na segunda-feira, 28, cerca de 50 professores do fórum se reuniram para discutir a situação da universidade em Goiás, onde duas unidades, as de Catalão e Jataí, aderiram à greve. A reunião foi uma preparação para a assembleia da Adufg, marcada para 6 de junho, na qual será votado um indicativo de greve. O fórum reclama que o acordo assinado em 2011, que previa um reajuste de 4% a partir de março de 2012, foi cumprido somente após o indicativo de greve, do dia 17 de maio, por meio de medida provisória editada pelo governo federal, uma vez que o projeto de reestruturação da carreira, que proporia aumento salarial efetivo e atendimento da data-base anual, não foi concluído dentro do prazo previsto.
O governo abriu negociação com os professores para discutir a reestruturação da carreira do docente federal em agosto de 2010. O prazo para apresentação de uma proposta final era março deste ano, mas nada foi apresentado. “O governo não quer negociar, está embromando, e a Adufg insiste em negociar com o governo”, critica Lucinéia Scremin Martins.
A categoria diz acumular uma perda de 16% de 2009 a julho de 2011, de acordo com os cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com o aumento de 4% mais a incorporação das gratificações, o menor salário de um professor universitário federal, sem nenhum titulo de pós-graduação - doutorado, mestrado ou qualquer especialização - com uma jornada de 40 horas é de R$ 2.872,85. Um professor com dedicação exclusiva e título de doutorado recebe um mínimo superior a R$ 7 mil, segundo o MEC.  Para comparação, um promotor de Justiça e um juiz, em início de carreira, recebem R$ 19.643,95.
Os professores do fórum não querem discutir apenas o salário. Eles não aceitam a mu­dança no regime de recebimento de abono de insalubridade e periculosidade. Especificamente, o fórum rejeita seis propostas da minuta do projeto apresentada pelo Mi­nistério do Planejamento, Or­çamento e Gestão (MPOG): sobre o ingresso na carreira, todos passam a ingressar como auxiliar, independente da titulação, o que significa no mínimo 24 anos para alcançar o topo da carreira; quanto à progressão, será por meio de avaliação por de­sempenho regulamentada pelo MEC, desconsiderando a avaliação institucional e desrespeitando a autonomia universitária; em relação à aposentadoria, os professores já aposentados foram prejudicados, pois não há previsão de enquadramento na nova carreira; a remuneração passara a ser feita em duas linhas, vencimento básico e remuneração por titulação; manutenção da classe de titular separada do restante da estrutura da carreira, o que significa prejuízos na aposentadoria e manutenção de uma dupla carreira; e a criação da remuneração por projetos de pesquisa, extensão e especialização administrados por órgãos das reitorias, o que fere autonomia docente no desenvolvimento de projetos.
Na opinião os professores do fórum, segundo uma carta endereçada aos docentes, a abertura de negociação “tem se revelado como uma estratégia de protelar a questão, desmobilizar os professores e definir de cima a baixo uma proposta de carreira que sela a precarização do trabalho docente por meio de mecanismos mercantis e gerencialistas de organização das atividades acadêmicas, da estrutura da carreira e da malha salarial dos professores das IFES”.
A presidente da Adufg, Rosana Maria Ribeiro Borges, concorda que as medidas propostas pelo governo prejudicam os professores, mas considera que seria precipitado entrar em greve antes de concluída a mesa de negociação, que segundo ela, atrasou devido à morte do secretário de Recursos Humanos do MPOG, Duvanier Paiva Ferreira, em janeiro deste ano. As entidades que faziam parte da mesa de negociação, Andes, Proifes e Sinasefe, concordaram em prorrogar a data de 30 de março para 31 de maio. Mas até mesmo a Adfug foi surpreendida com a mudança na forma de pagamento da insalubridade e periculosidade, feita pelo governo por meio de medida provisória na primeira semana de maio.
Com a mudança, o pagamento do adicional que era feito com base nos porcentuais de 5%, 10% e 20% do salário básico do professor, passou a ser pago em valores fixos de R$ 100, R$ 180 e R$ 260. “Isso significa redução salarial e não foi discutido com a categoria”, afirma a presidente da Adfug. Ela critica também as perdas que o professor terá com a reforma da Previdência. Os que se aposentaram 2004 já deixaram de receber salário integral e os que se aposentarem a partir de 2012 vão receber o teto da previdência geral da iniciativa privada, R$ 3.916,20. “Para piorar a situação, com a greve, o governo cancelou a ultima reunião da mesa de negociação, marcada para 28 de maio, e suspendeu as negociações”, conta Rosana. Segundo ela, o Proifes vai discutir a possibilidade de deflagrar greve agora em junho e há também um indicativo de greve dos servidores públicos federais.
Em carta aos professores, de 29 de maio, a Adufg esclarece que, na assembleia de 16 de maio, os professores aprovaram a convocação de uma nova plenária para o dia 6 de junho, para apreciar um indicativo de greve a partir do dia 11. Diante do cancelamento da reunião do grupo de trabalho que trata da reestruturação da carreira do docente, que ocorreria no dia 28, a Adufg concluiu que “no pano de fundo do cancelamento está a posição do governo de não negociar com categorias em greve. Um duro golpe nas entidades que compunham a mesa de negociação e na democracia, já que o movimento de greve é, constitucionalmente, legítimo e legal”. Segundo a carta, se o cenário não mudasse, “indicaria um rompimento do GT por parte do governo”.
É provável, portanto, que a Adufg abandone a orientação do sindicato governista e entre em greve a partir de 11 de junho. A  paralisação deve ser longa. Os professores estão se preparando para uma greve de no mínimo quatro meses.

México: Encontro Nacional de Resistências Autônomas Anticapitalitas


“Espalhem a experiência de Cherán como semente”

Espalhem a experiência de Cherán como sementes comuneiras a participantes do Encontro nacional de resistências autônomas anticapitalistas.
Por Jovens en Resistencia Alternativa.

Termina o conclave com marcha festiva de moradores e delegados do encontro

27 de maio de 2012. Comunidade de Cherán K´eri. Michoacán. Não estão sozinhos! Cantavam intensamente centenas de delegados do Encontro Nacional de Resistências Autônomas Anticapitalistas na manhã deste domingo, quando se encontraram nas ruas de Cherán com o contingente de moradores locais que, trajados à maneira do carnaval local e dançando alegremente, convergiram em marcha na direção à praça central deste povoado. O Conselho Maior de Cherán, (orgão do autogoverno sem partidos políticos), deu conclusão aos trabalhos durante os quatro dias que se desenvolveram as atividades no povoado onde ocorreram cerca de quarenta oficinas e conferências, além de uma variedade de atividades culturais e mesas de discussão.
“Esta é sua casa, podem voltar quando quiser em outros eventos, esta é sua comunidade”, disse aos delegados Alicia, vizinha do terceiro bairro de Cherán e integrante da comissão de diálogo deste povoado, que foi ovacionada com sua intervenção em defesa do direito a livre autodeterminação dos povos, ocorrida em um fórum realizado como parte das atividades do encontro. Em uma intervenção a várias vozes, comuneiros, integrantes das rondas comunitárias – corpo de segurança integrado de maneira rotativa pelos próprios moradores – e integrantes de uma complexa estrutura de autogoverno explicaram aos delegados a experiência do povo de Cherán.
No fórum, os purépecha dividiram o microfone com os camponeses de San Salvador Atenco e os integrantes da Rede de Resistências Autônomas Anticapitalistas, bem como com o antropólogo Gilberto López y Rivas. Este sublinhou que a essência da potência de emancipação das autonomias reside na capacidade de auto-transformação do sujeito autônomo, referindo-se as mudanças vividas desde baixo em Cherán, na polícia comunitária [como em Guerrero] ou nas comunidades zapatistas. Ele também integra o grupo de acadêmicos “Paz com democracia” e questionou: “quando nos perguntam se tem futuro as autonomias, respondemos: tem futuro o planeta sem as autonomias?”. Por outro lado, enfatizou a necessidade de proteger as autonomias, “por estarem na mira” devido ao fato de serem “um perigo para o capitalismo”.
O encontro, convocado pela Rede de Resistência Autônomas Anticapitalistas, que agrupa 16 movimentos e coletivos, conseguiu reunir mais de 150 organizações que discutiram durante quatro dias e compartilharam diversas atividades, conhecimentos, técnicas e opiniões.
Os participantes, que acamparam em um canto das estruturas do rodeio do povo, possibilitaram a convivência organizando-se em pequenos núcleos de 15 a 20 acampantes que denominaram “fogatas” em alusão às barricadas que garantiram a seguridade por vários meses na própria comunidade de Cherán. Os acampantes, que chegaram ao encontro desde vários pontos do país e do mundo compartilharam as tarefas de segurança, limpeza e elaboração de alimentos, esta última, cujo esforço principal ficou a cargo dos habitantes do povoado de Cherán.
Durante o encerramento, a Rede de Resistências Autônomas Anticapitalistas propôs aos presentes “a todas e todos os assistentes, de forma respeitosa que assim o desejem – e depois de discuti-lo – mantenham algum nível de coordenação com esta rede de resistências autônomas anticapitalistas”. A convergência de organizações propôs também realizar uma jornada nacional de solidariedade com o povoado de Cherán, “em todas nossas escolas, em todas nossas cidades e estados, em todas nossas comunidades, em todos nossos espaços, em todos nossos bairros possamos reproduzir a voz de Cherán, essa que grita dignidade e autonomia”.
Os participantes do encontro, por consenso, pronunciaram-se a favor da liberdade dos presos políticos Alberto Patishtán e Francisco Santiz López; exigiram também justiça para o município Autônomo de San Juan Copala bem como repudiaram a desocupação de Altépetl na Cidade do México, além de reiterar seu apoio ao processo de autogoverno em Cherán.
No documento de encerramento a Rede de Resistência Autônomas Anticapitalista fechou os quatro dias de trabalho afirmando que: “Chegamos ao final deste Encontro Nacional de Resistências Autônomas Anticapitalitas. No entanto, a luta segue. A luta por dignidade e autonomia segue. A resistência aos senhores do poder e do dinheiro continua. A construção de autonomias e liberdade permanece. Este encontro é apenas um momento, uma parada, uns dias para encontrar e encontrar-nos na outra, no outro e saber que somos muitos os que com nossas mãos e nossos sonhos não estamos esperando a mudança amanhã, mas que dia-a-dia tratamos de construir um outro mundo”.
Para saber mais sobre o encontro. Clique aqui.
Para outros artigos sobre a luta em Cherán veja aqui.
Fonte e Tradução Passa Palavra

terça-feira, 5 de junho de 2012

Greve dos professores na Bahia: mentiras e pressões governistas não mudam o quadro


Greve dos professores é mantida por unanimidade
por Patrícia Conceição / Evilásio Júnior


A greve dos professores foi mantida por unanimidade, após votação da assembleia-geral da categoria, realizada na manhã desta terça-feira (5), em frente à sede da Secretaria de Educação do Estado (SEC), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. Assim como na última terça (29), o critério sobre a manutenção do movimento foi o pedido para que quem queria o retorno às aulas levantasse as mãos. Os cerca de 2 mil educadores presentes ao evento ficaram imóveis. Após a decisão, o presidente da Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), Rui Oliveira, se emocionou: “Àqueles que achavam que o movimento ia acabar hoje é porque eu era candidato, aviso que não sou. Estou com a categoria”. Filiado ao PCdoB, o dirigente sindical era cotado como postulante a vereador da capital baiana nas eleições deste ano.

E dá-lhe fisiologismo: apoio do PCdoB ao PT conquistense valeu mais cargos na Prefeitura


Foto: Ascom/PMVC

O PCdoB de Vitória da Conquista, que rifou a pré-candidatura a prefeito de Jean Fabrício, recebeu na tarde desta 2ª feira (4), a recompensa. O ‘comunista’ Miguel Felício assumiu a Secretaria do Desenvolvimento Social.
Essa prática política de loteamento de cargos vem sendo condenada, porém praticada até por partidos que em passado recente condenavam tais métodos. Ainda existe quem luta contra esses métodos de receber apoio em troca de mimos e benesses.
Essa prática, a cada instante, em todos os níveis de governo, tem demonstrado que os gestores ficam impossibilitados de escolher os melhores para governar, tornando-se reféns das indicações partidárias.

Novo mapa das Federais em greve no Brasil (01/06/2012)

Enquanto maioria esmagadora das IFES deflagram greve no país, a imprensa burguesa, subsidiada por recursos públicos pelos governos, dá ênfase a Michel Teló fritando ovos. Furando a inércia e o desrespeito ao público em geral, apresentamos o Novo mapa da Federais em greve no Brasil (01/06/2012).



O mapa das IFES que se encontram em greve mostra muitas coisas, além da disseminação nacional da greve dos professores das universidades públicas federais. A Adufg pertence ao quadro das Proifes e, pressionada pelo movimento grevista nacional, indicou o dia 11/6 como data de início da greve, data em que se espera que uma greve geral do funcionalismo público se deflagre. Eis aqui o primeiro exemplo em que a base pode passar por cima da direção Proifes-PCdoB.
Quanto às demais Universidades que não estão em greve, entendo que uma parte da explicação encontra-se no fato de que muitas delas não estão mais vinculadas ao Andes, ou seja, se distanciaram do sindicalismo combativo para aderirem ao sindicalismo chapa branca. Várias das Ads dessas universidades estão ligadas ao Proifes: UFRGS, UFCSPA, UFMS, UFSCar, UFRN, UFBA e UFC. Dessas aí, soube que na UFRN a base está pressionando à diretoria pelega do PT por greve. No caso da UFSC, a APUFSC saiu do Andes sem filiação à nenhuma entidade nacional e com a atual direção é muito difícil sair qualquer tipo de greve. No caso da UFPel, soube que estão organizando mobilizações/paralisações semanais. UFABC está com indicativo de greve para o dia 31/5 (pertence à base do Andes). UNILA: os docentes possuem uma associação local e deflagraram greve.
Viva o Andes e a luta dos docentes das IFES
Danilo Martuscelli

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Em defesa de uma biblioteca virtual


Charge: espacoacademico.wordpress.com

Em carta aberta, intelectuais apoiam blog Livros de Humanas.

Criado em 2009, o blog Livros de Humanas reunia mais de 2 mil títulos acadêmicos para download gratuito. O site foi retirado do ar no fim de maio, devido a uma ação judicial movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), entidade que representa dezenas de editoras do país. No texto abaixo, escritores e acadêmicos defendem o blog. Leia mais sobre a polêmica no post abaixo.

*Por Alexandre Nodari, Eduardo Sterzi, Eduardo Viveiros de Castro, Idelber Avelar, Pablo Ortellado, Ricardo Lísias e Veronica Stigger

A liberdade de expressão moderna é indissociável da invenção da imprensa, ou seja, da possibilidade de reproduzir mecanicamente discursos e imagens, fazendo-os circular e durar para além daquele que os concebeu. A própria formação da esfera pública, bem como do ambiente de debate científico e universitário, está umbilicalmente conectada à generalização do acesso aos bens culturais. Sem a disseminação da diversidade e do confronto de opiniões e de teorias, a liberdade de expressão perde seu sopro vital e se torna mero diálogo de surdos, quando não monólogo dos poderosos.
A internet eleva ao máximo o potencial democrático da circulação do pensamento. E coloca, no centro do debate contemporâneo, o conflito entre uma visão formal-patrimonialista e outra material-comunitária da liberdade de expressão. Tal cisão, bem real, pareceria manifestar-se no conflito entre direitos autorais e direito de acesso. Estes não são, porém, necessariamente antagônicos, pois o prestígio moral e econômico de um autor ou de uma obra está, em última análise, ligado à sua visibilidade. São incontáveis os exemplos de escritores e editoras que não só se tornaram mais conhecidos, como tiveram um incremento na venda de suas obras depois que estas apareceram para download. O público que baixa livros é o mesmo que os compra.
Assim, o verdadeiro conflito não é entre proprietários e piratas, mas entre monopolistas e difusionistas. A concepção monopolista-formal dos direitos autorais está embasada na ideia de que aquilo que confere valor à obra é a sua raridade, o seu difícil acesso; já a difusionista-democrática se ampara na inseparabilidade de publicidade e valor. A internet favorece a segunda concepção, uma vez que a existência física do objeto cultural que sustentava a primeira vai sendo substituída por sua transformação em entidade puramente informacional. Desse modo, também se produz uma transformação da natureza das bibliotecas. As novas bibliotecas virtuais se baseiam no armazenamento e na disseminação tais como as antigas bibliotecas materiais, mas oferecem uma mudança decisiva porque a estocagem depende da distribuição e não o contrário: é a difusão que garante o armazenamento descentralizado dos arquivos.
É uma biblioteca sem fins lucrativos e construída nesses moldes modernos e democráticos que se acha sob ameaça devido ao processo movido pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), sob o pretexto de infringir direitos autorais. O alto preço dos livros, o desaparelhamento das bibliotecas públicas e o encarecimento do xerox levaram um estudante universitário a disponibilizar online textos esgotados ou de difícil acesso para seus colegas. A iniciativa cresceu, atraiu a atenção de estudantes e professores de todo o país e se tornou a mais conhecida biblioteca virtual brasileira de textos acadêmicos, ganhando prestígio comparável ao site “Derrida en castellano”, que sofreu processo semelhante e foi absolvido nas cortes argentinas, como esperamos que o “livrosdehumanas.org” o será pela Justiça brasileira.
Os defensores da concepção patrimonialista dos direitos autorais costumam pintar cenários catastróficos em que a circulação irrestrita de obras gera esterilidade criativa. No entanto, ignoram, ou fingem ignorar, que os textos nascem sempre de outros textos e que o autor é, antes de tudo, um leitor. Hoje, lamentamos a destruição das grandes bibliotecas do passado, como a de Alexandria, e das riquezas que elas protegiam. Poupemo-nos de chorar um dia pela aniquilação das bibliotecas virtuais e pela cultura que elas podiam ter gerado.
*Alexandre Nodari é doutor em Teoria Literária pela UFSC e editor da Cultura e Barbárie; Eduardo Sterzi é escritor e professor de Teoria Literária na Unicamp; Eduardo Viveiros de Castro é antropólogo e professor do Museu Nacional/UFRJ; Idelber Avelar é crítico literário e professor da Tulane University (Nova Orleans, EUA); Pablo Ortellado é professor de Gestão de Políticas Públicas e de Estudos Culturais na USP, coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai); Ricardo Lísias é escritor, autor de “O céu dos suicidas”, entre outros; Veronica Stigger é escritora, professora de História da Arte na FAAP, coordenadora do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema (AIC).
Fonte: O Globo Blogs 

Governo petista e as lutas sociais: DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Desde que o Lula assumiu a presidência, pediu para esquecermos o que ele havia dito ou feito, ratificando o princípio de "dois pesos, duas medidas". Tipicamente o violinista, que pega o instrumento com a mão esquerda, mas toca com a direita, os governos petistas do Brasil pautam suas práticas equidistantes dos discursos de candidatos, evidenciando  propaganda política enganosa. Aqui, o resgate do discurso feito pela candidata Dilma sobre a Educação no Brasil. Vejam como o discurso se distancia da prática. O mesmo parâmetro para o governo da Bahia que vai para a imprensa paga com dinheiro público – para isto não faltam recursos – para mentir descaradamente sobre os salários dos professores do Estado (uma das matérias que deram conta disso na Greve Uesb 2011). DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS. Vale a pena assistir.

Panis et Circensis

Por Walter Hupsel

Os recentes imbróglios de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo e Adriano no Corinthians são bem reveladores da estrutura do futebol brasileiro, se não da sua própria história. Adriano foi contratado por quase seu peso em ouro, e passou mais tempo longe dos gramados que da sua própria fisioterapia. Ronaldinho, depois de ser um dos protagonistas da queda do técnico Vanderlei Luxemburgo, e da contratação do "paizão" Joel Santana, rescindiu o contrato com o Flamengo que, segundo o jogador, lhe deve cerca de 40 milhões de reais.
Menos de um ano e meio de clube, dívida alegada de 40 milhões. É muito dinheiro. É dinheiro demais. Há de se ver se os valores e reclamações do jogador, ex-craque, são verídicas. Mas isso é coisa que a Justiça determinará.
Por enquanto, uso estes 40 milhões para uma breve reflexão: o Flamengo fez um contrato nestas bases? Prometeu valores desta ordem? Tudo indica que sim.  A Justiça decidirá quem tem direito ao que. Se Ronaldinho reclama esta bolada, Patrícia Amorim, presidenta do clube, disse que o "Flamengo será implacável na busca pelos seus direitos". Briga de cachorro grande. Mas isso diz respeito apenas ao Flamengo, Ronaldinho e à Justiça, certo?
Não. Errado, redondamente errado. A dívida do Flamengo diz respeito a todos nós. O que quer que o ex-craque Ronaldinho ganhe do Flamengo, este dinheiro saiu — ou deixou de entrar — dos cofres públicos.
Os times brasileiros devem imensas fortunas ao Estado. Contratam jogadores, pagam salários altíssimos a técnicos porque deixam de pagar os impostos devidos. Jogam para a plateia, jogam para a política (muitos dirigentes de clubes foram e são deputados estaduais, federais).
O Flamengo, pego aqui apenas como exemplo, deve cerca de 140% de sua receita anual aos cofres do Estado. Seria como um trabalhador devesse dezesseis vezes o seu salário. Este trabalhador já teria todas suas contas fechadas, estaria com nome sujo e qualquer patrimônio teria sido penhorado para quitar as dívidas.
Mas isso não ocorre com os clubes de futebol. Eles continuam devendo milhões de reais e, mesmo assim, contratando jogadores a peso de ouro, repatriando ídolos, em um exercício grotesco de irresponsabilidade.
Espero, sentado, claro, que a frase da presidenta Patrícia Amorim pudesse ser por nós usada: "Vamos ser implacáveis na busca de nossos direitos", inclusive aqueles de cobrar o que um clube deve ao país.
Fonte: Br.notícias

domingo, 3 de junho de 2012

A 71 anos do assassinato de Leon Trotsky


Há 71 anos, Leon Trotsky, dirigente da revolução russa de 1917, junto a Lênin, era assassinado no México por um assassino enviado por Stalin. Seu assassinato foi o ponto culminante de uma política de perseguição, terror e morte que a burocracia stalinista tinha lançado sobre ele e seus seguidores. Esta incluiu não só a morte de seus quatro filhos e o assassinato de vários de seus colaboradores mais íntimos, mais ainda o fuzilamento em massa de seus companheiros de luta que resistiam heroicamente ao stalinismo nos campos de deportação e nas prisões da União Soviética.
O assassinato de Leon Trotsky foi um frio cálculo político de Stalin, baseado na previsão de que a Segunda Guerra mundial engendraria novamente a revolução, tal como havia ocorrido na primeira guerra com a revolução russa em 1917. Trotsky encarnava a experiência viva da revolução de Outubro. A crueldade de Stalin em acabar com sua vida se apoiava no temor de que novos triunfos revolucionários questionassem a dominação imperialista e com ela o domínio da própria burocracia na própria URSS.
Trotsky foi uma personalidade revolucionária extraordinária. Junto a Lênin foi o mais importante teórico e estrategista marxista do século XX e seu continuador na batalha por manter viva a herança revolucionária de Outubro perante o ascenso do stalinismo e do fascismo durante a década de ’30; uma década marcada pela maior crise capitalista da história e o início de uma nova carnificina imperialista mundial.
A justeza do combate de Trotsky faz com que sua figura seja a personificação da continuidade revolucionária de Marx, Engels, Lênin e da tradição revolucionária do marxismo, que só cresceu com o passar do tempo. Trotsky soube manter a firmeza revolucionária quando outros fraquejavam e ainda na situação mais hostil morreu convencido que o futuro comunista era o único destino progressivo que poderia aspirar a humanidade.
Hoje, frente a emergência da crise capitalista mais profunda desde os anos ’30, que mostra os limites de um período de triunfalismo burguês e o começo de um novo ciclo da luta de classes mundial, o legado de Leon Trotsky recupera mais atualidade do que nunca. Só esta herança, que afrontou as duras provas do século XX, pode apresentar-se como o verdadeiro marxismo revolucionário de nossos dias.
Trotsky dedicou os últimos anos de sua vida a construir a Quarta Internacional, o partido mundial da revolução socialista. As crise capitalista mundial e os acontecimentos da luta de classes que estamos vivendo em distintas partes do planeta antecipam o que virá, ao mesmo tempo em que mostram a validez da perspectiva revolucionária do trotskismo.
O PTS e a FT-QI lutam por um programa e uma estratégia internacionalista com o objetivo de construir partidos revolucionários da vanguarda trabalhadora e juvenil em todo o mundo como parte da reconstrução da Quarta Internacional fundada por Leon Trotsky.
Fonte: LER-QI

Obama: tribunal e verdugo


The New York Times e El País confirmam denuncia de Fidel sobre Obama: É tribunal e verdugo

Semanas atrás Fidel se perguntavapelo direito de Obama a ser tribunal e verdugo, algo que se confirma por estas informações difundidas por órgãos oficiais do capitalismo global como The New York Times e El País.
La guerra de los drones
Javier Valenzuela
Posted on 3 junio, 2012
Barack Obama dirige personalmente la última de las guerras norteamericanas, una que no ha sido declarada y se libra en los territorios de Yemen, Somalia y Pakistán. No combaten en ella soldados estadounidenses de carne y hueso, su lugar lo ocupan unos pájaros metálicos con licencia para matar llamados drones. Son los Predator y Reaper, fabricados por General Atomics en California, y van armados con misiles Hellfire, producidos por Lockheed Martin en Alabama.
Los ataques norteamericanos con aviones no tripulados por un ser humano se han multiplicado en los meses de abril y mayo, confirmando el entusiasmo creciente de Obama por esta forma de combate, la primera verdaderamente propia del siglo XXI. Es un combate sin cuartel, en el que bando más poderoso no arriesga a su gente, remplazada por letales robots teledirigidos.
Objetivo de esos ataques son supuestos dirigentes y militantes de Al Qaeda y grupos yihadistas asociados. Se trata de exterminarlos físicamente antes de que actúen, así que la guerra de los drones de Obama combina el carácter “preventivo” de las aventuras bélicas de George W. Bush con el derecho que siempre se ha otorgado Israel a efectuar ejecuciones extrajudiciales en cualquier parte del mundo.
Esta semana, Jo Becker y Scott Shane han publicado en The New York Times una extraordinaria información que detalla cómo Obama autoriza en persona quiénes serán los blancos de las acciones de los drones en Yemen, Somalia y Pakistán. Eso ocurre en unas reuniones del equipo antiterrorista de la Casa Blanca que se celebran semanalmente en la sala de crisis (Situation Room). En ellas se le presenta al presidente la lista de los condenados a muerte (Kill List) que han sido localizados, y éste, tras estudiarla caso por caso, da o no su luz verde.
Obama ha encontrado en los drones el instrumento que le permite mostrarse duro y eficaz en la guerra contra Al Qaeda que declaró Bush tras el 11-S, a la par que evita muchos de los avisperos en los que se metió su predecesor, como relata Daniel Klaidman en su reciente libro Kill or Capture: The War on Terror and the Soul of the ObamaPresidency. Obama, recuérdese, se opuso a la invasión de Irak y a los secuestros, torturas y campos de concentración como Guantánamo que caracterizaron la época de Bush. Con los Predator y Reaper sustituye esto último por ejecuciones. “Los drones”, escriben Becker y Shame, “han remplazado a Guantánamo”.
No se toman prisioneros, no se arriesgan vidas norteamericanas y, el hecho de actuar con mando a distancia, anestesia la posible mala conciencia: ideal para Obama. En sus primeros tres años en la Casa Blanca, habría aprobado personalmente 268 ataques con drones, cinco veces más que en los ocho años de Bush, según informa Christopher Griffin en un reportaje publicado por Rolling Stone: The Rise of de Killer Drones: HowAmerica goes to War in Secret (El ascenso de los drones asesinos: cómo Estados Unidos hace la guerra en secreto).
Miles de personas habrían muerto en esos ataques, incluidos no pocos civiles. La guerra secreta de Obama, escribe Griffin, “supone la mayor ofensiva aérea no tripulada por seres humanos jamás realizada en la historia militar: nunca tan pocos habían matado a tantos por control remoto”.
Los drones son populares en Estados Unidos, del mismo modo que lo es la política antiterrorista de Obama, que, entre cosas, consiguió matar a Bin Laden en 2011, aunque fuera en una acción de comandos clásica. No obstante, minoritarios sectores defensores de la legalidad democrática y los derechos humanos le ponen reparos. La mano derecha en esta materia de Obama, John Brennan, un veterano de la CIA, ha sido llamado el Zar de los Asesinos.
Para comenzar, estas ejecuciones son preventivas –antes de que se haya cometido el delito- y sumarias -sin el menor rastro de intervención judicial-. Y ya han incluido, el pasado 30 de septiembre, en Yemen, a un ciudadano norteamericano, Anwar Al Awlaki, un predicador yihadista supuestamente vinculado a Al Qaeda.
“Este programa descansa en la legitimidad personal del presidente”, informan Becker y Shame tras consultar a expertos de dentro y fuera del Gobierno norteamericano. O sea, las ejecuciones a distancia son legales porque el presidente así lo decide.
Y luego está la cuestión de las eufemísticamente llamadas “bajas colaterales”. Algunos ataques con drones han causado decenas de muertes de civiles, incluidos mujeres y niños, como el que abatió en Yemen en diciembre de 2009 a Saleh Mohammed al-Anbouri. Las víctimastuvieron que ser enterradas en fosas comunes porque sus cuerpos habían quedadodespiezados e irreconocibles.
En salom.com, Jefferson Morley ha publicado un reportaje, El rostro de los daños colaterales, donde cuenta la historia de Fatima, una niña muerta en la noche del 21 de mayo de 2010 cuando una oleada de misiles Hellfire trituró un grupo de casas en una aldea montañosa del Waziristán septentrional, en la frontera entre Afganistán y Pakistán. La operación, dirigida y ejecutada por la CIA como todas las de este tipo, buscaba abatir a un egipcio llamado Yazid o Said al Masri, presunto dirigente de Al Qaeda. Pero Fátima no tenía nada que ver con él, solo era un habitante de la aldea.
Las autoridades de Pakistán y Yemen, aliadas en teoría de Estados Unidos frente a Al Qaeda, han protestado tanto por la violación flagrante de sus soberanías como por la muerte de mucha gente que no tenía nada que ver con este asunto. Sienten, además, que esta guerra secreta les desestabiliza y da argumentos a los yihadistas. Sólo en Pakistán, según informa Seumas Milne en The Guardian, los drones habrían matadoa unas 3.000 personas, de las cuales un tercio eran claramente civiles.
En 2011, la Fuerza Aérea de Estados Unidos entrenó a más guías de drones (los tipos que los dirigen desde una base, armados con un joystick y sentados frente a una pantalla de ordenador) que a verdaderos pilotos de cazas y bombarderos.
La apuesta por la guerra tecnológica fue adoptada por el Pentágono tras el desastre de Vietnam. En el futuro, las guerras imperiales de Estados Unidos se irían librando cada vez más con menor riesgo para sus soldados. El modelo a seguir lo aportó Hollywood con Star Wars. Científicos y fabricantes de armas debían poner en pie un ejército de robots que sustituyera a la tradicional carne de cañón.
Diseñados originalmente para el espionaje, la vigilancia y el reconocimiento, los drones comenzaron a ser usados masivamente por Estados Unidos para identificar y matar objetivos humanos tras el 11-S (las guerras yugoslavas les habían servido de prueba). Los Predator y sus sucesores, los aún más mortíferos Reaper, fueron ganando protagonismo en las guerras de Afganistán e Irak y en las operaciones contra Al Qaeda en Yemen ySomalia. A partir de 2008 comenzaron a actuar también en Pakistán.
Los drones vienen a costar unos 13 millones de dólares por unidad y, según Becker y Shane, “se han convertido en un símbolo provocativo del poder de Estados Unidos”. El Pentágono cuenta con unos 19.000 para tareas de espionaje o de combate, pero la CIA también dispone de su propia flota. De hecho, es este servicio de espionaje, cada vez más convertido en una organización paramilitar, el que conduce la actual guerra secreta de Obama.
Fonte: El País.

Para purificar a memória: sobre o esclarecimento da morte de Elson Costa


Zanira e Zailda, irmãs; Arnaldo, cunhado; 
Aglaé, esposa; Elson Costa.

01/06/2012
Colabora com AGEMT (opinião dos leitores),
direito à verdade, direitos humanos

Elson Costa nasceu em 26 de agosto de 1913, na cidade de Prata, Minas Gerais, filho de João Soares da Costa e Maria Novais Costa. Desaparecido em 1975, em São Paulo. Casou-se com Aglaé de Souza Costa.
Era o responsável pelo setor de agitação e propaganda do PCB.
Na manhã do dia 15 de janeiro de 1975, Elson foi preso no bar ao lado de sua casa, onde havia ido tomar café. Alguns vizinhos tentaram protestar contra a ordem de prisão dada por seis homens, pois, para eles, quem estava sendo preso era o aposentado Manoel de Souza Gomes que vivia na Rua Timbiras,199, bairro de Santo Amaro, em São Paulo.
Eu, Maria Helena Soares de Souza, CPF 036 173 867-68, RG 3 360 636-5, dei início a uma campanha no Facebook no dia 30/05/2012, com o objetivo de sensibilizar a Comissão da Verdade para esclarecer a morte de meu tio, irmão de minha mãe, Elson Costa, casado com Aglaé Souza Costa, desaparecido durante o tempo da ditadura.
Ele foi um pacifista, era contra a violência e a favor de uma revolução a partir de ideiais comunistas, aprendido e compreendido por ter sido militante do Partido Comunista (PCB) desde os 17 anos, até os 61 anos, idade que tinha ao desaparecer de sua casa em 14 de janeiro de 1974.
Elson Costa foi sequestrado perto de sua residência, na Rua Timbiras, 199, na cidade de São Paulo. Seu irmão Osvaldo Costa declarou o seu sequestro - relatado por vizinhos - em 26/02/1975 no 11° DP, conforme BO N°315/75, executado por seis homens em uma veraneio. O crime foi relatado em um jornal como tendo sido o sequestro de um rico comerciante da região, Manuel de Souza Gomes, nome usado na clandestinidade para que ele pudesse proteger-se da repressão.
Ele foi um dirigente experiente, que já passara em silêncio por duas prisões e tortura. Em suas palavras: “sobre tortura não se conversa”.
Seu nome correto está na lista oficial dos desaparecidos:
Elson Costa foi quadro do PCB, inicialmente no Triângulo Mineiro, desapareceu em 14 de janeiro de 1975.
A partir de 1973, depois de muitas prisões, desaparecimentos e torturas, a ditadura militar dedicou-se à caça dos militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), principalmente os de posição mais elevada no partido. Sua prisão aconteceu porque em 13 de janeiro do mesmo ano, a repressão localizou uma bem montada gráfica clandestina do PCB, debaixo de uma caixa d’água num sítio em que funcionava desde 1966.
Ele foi levado para uma casa em Itapevi, centro clandestino da repressão ligado ao DOI-CODI/SP, onde foi submetido a todo tipo de tortura. Seu corpo foi banhado em álcool, queimado e afogado no rio Avaré, segundo os depoimentos prestados à revista VEJA – e publicado em 18/11/1992 - por Marival Dias Chaves do Canto em 18/11/1992, ex- sargento e ex- agente dos órgãos de informação do Exército, que relatou terríveis e esclarecedores relatos sobre a barbárie dos porões da ditadura.
Surgiu uma notícia na Folha de São Paulo, em 1978, falando sobre absolvição – depois que ele já estava morto. Houve a publicação de um anúncio no jornal Estado de São Paulo e outra vinda da CNBB:
No entanto, as homenagens públicas não escondem que memória de Elson Costa foi manchada, pois em reportagem divulgada pela ISTO É, em 31/03/2004, ele foi acusado pelo Exército de ter fugido e buscado asilo em outros estados. Não posso deixar de pensar na ironia disso tudo: na data da publicação e na acusação de fuga e abandono total da família.
Ele foi sim, procurado pela família. Quando saiu a reportagem, sua irmã, Zailda Soares de Souza relatou o número de vezes que procurou em rostos de mendigos e pessoas com deficiência mental, nas ruas, encontrar a de seu irmão. Contou também a ida ao Manicômio Paulista para reconhecê-lo entre os doentes porque uma das pistas terminou neste local. Tudo em vão.
O telefone da casa dela foi grampeado pela polícia, que invadiu a casa numa madrugada, logo após a publicação do anúncio no jornal Estado de São Paulo, simulando uma procura pelo irmão que o Exército sabia muito bem não estar vivo. Ela exprimiu a sua dor claramente, ao dizer ao repórter “sempre tive um pouco de esperança de que ele poderia aparecer vivo, mas depois de tantos anos é triste parar de acreditar nisso”.
No início de 2002 as famílias dos desaparecidos políticos começaram a receber indenização do Estado. A esposa de meu tio também o fez, o que significa um aceite do Estado pela sua responsabilidade na morte de Elson Costa. No entanto, nunca foram esclarecidos oficialmente as causas sua morte e nem o local onde seu se encontra.
Reforço Ricupero, em seu artigo na Folha de São Paulo de 29/05/2012: não se trata de desejo de vingança, mas o de purificar a memória de Elson Costa e poder honrá-lo e sepultá-lo. E se o corpo estiver mesmo no rio Avaré, poder levar flores até lá e poder dizer a ele que sua memória está purificada e assim será preservada em nós. Por amor e humanidade, tão somente.
Fonte: AGEMT

sábado, 2 de junho de 2012

A OTAN e a UE preparam um banho de sangue na Síria


por KKE
O Gabinete de Imprensa do CC do KKE enfatizou o que se segue no seu comunicado a respeito das declarações de F. Hollande quanto à Síria.
"As declarações do recém-eleito presidente da França, François Holland, as quais agora estão abertamente orientadas para a possibilidade de intervenção militar na Síria, são muito reveladoras quanto ao novo massacre de povos que está a ser preparado pela UE e pela OTAN na nossa região.
As suas referências ao Direito Internacional e à ONU estão a ser utilizadas como "cobertura" para impor "a lei do mais forte" na "selva" de contradições entre as potências imperialistas e os grupos monopolistas sobre o controle dos recursos energéticos, suas rotas de transporte e suas fatias de mercado.
Todos aqueles, incluindo o SYRIZA – os quais disseram que com a eleição de Hollande novos ventos percorriam a UE e semearam ilusões de que a UE tornar-se-ia "pró povo" – foram desmascarados e devem responder por isto perante o povo. A própria vida tem demonstrado que as organizações imperialistas, como a OTAN e a UE, não podem ser "humanizadas". Elas foram, são e serão enquanto existirem, instrumentos para a exploração dos povos, tal como o capitalismo elas têm a guerra no seu DNA.
O KKE denuncia os novos planos imperialistas contra o povo da Síria e sublinha que só povo sírio tem o direito de determinar o futuro do seu país sem recomendações e intervenções estrangeiras.
Exigimos que toda cooperação militar com Israel deveria agora ter fim. Que a base estadunidense de Suda deveria ser encerrada e mais geralmente que nada do território, portos e espaço aéreo da Grécia deveria ser disponibilizado para uma intervenção imperialista contra a Síria e o Irão, a qual levará o povo da Grécia e os outros povos da região para caminhos perigosos.
31/Maio/2012
Fonte: Resistir

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Haiti: soberania já! Jornada continental em 1º de junho pela retirada das tropas da ONU


Fotografia: juventuderevolucao.org

por Julio Turra
29/05/2012
Desde 1º de junho de 2004, uma força internacional de ocupação se instalou no Haiti. Denominada Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (Minustah),ela tem seu contingente militar sob comando do Brasil.
Como denunciam organizações sindicais e populares haitianas há muito tempo, o objetivo oficial de “estabilizar” o país, na verdade, encobre o verdadeiro alvo da ocupação militar: garantir os interesses de multinacionais instaladas em zonas francas para se aproveitar do baixíssimo custo da mão de obra local; proteger a propriedade de minúscula elite haitiana, reprimir os movimentos de protesto e reivindicação dos trabalhadores, estudantes e camponeses, defender governos impopulares saídos de fraudes eleitorais.
Durante esses oito anos casos de violação de direitos humanos foram denunciados local e internacionalmente, envolvendo efetivos da Minustah. Durante o terremoto de janeiro de 2010, que custou cerca de 300 mil mortos ao país, as tropas da ONU se limitaram a proteger alguns edifícios públicos e seus próprios quartéis, ficando o povo jogado à sua própria sorte (ainda hoje existe cerca de 1 milhão de desabrigados que vivem em tendas precárias). O Comitê Interino de Reconstrução do Haiti, dirigido por Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, passou a jogar o papel de governo de fato do país desde então.
Ao longo do ano de 2011, uma epidemia de cólera devastou o país. Segundo denúncia da Embaixada da Suécia no Haiti, ela foi introduzida por tropas do Nepal que fazem parte da Minustah, causando a morte de cerca de 7 mil pessoas e mais de 5 mil contaminados identificados.
Nessas condições terríveis, o povo haitiano não deixou de lutar por um futuro melhor, os sindicatos tratam de organizar-se para defender os trabalhadores e a soberania nacional do Haiti, como o fizeram uma vez mais nos Atos de 1º de Maio deste ano, como o ocorrido em Ounaminthe, organizado pela Central Autônoma dos Trabalhadores Haitianos (CATH), cidade que tem uma zona franca e onde foram demitidos dirigentes do Sindicato Sofezo-Codevi, cuja readmissão é pedida numa campanha internacional impulsionada pela CSI. 

Jornada Continental em 1º de junho
A proposta de realizar a jornada continental pela retirada imediata das tropas da ONU do Haiti foi lançada em São Paulo, num Ato público realizado na Câmara Municipal com 600 participantes, onde a CUT esteve representada (ver TV CUT
http://tv.cut.org.br/programa/431/jornal-da-cut-134
 http://tv.cut.org.br/programa/444/a-gente-discute-30).
Ato que contou com a presença de representantes de 7 países, inclusive o secretário geral da CATH, Fignolé Saint-Cyr, central haitiana que tem um acordo de cooperação com a CUT para a formação sindical e construção de sua sede (perdida no terremoto).
Posteriomente, organizaçôes haitianas, reunidas numa conferência na cidade de Cap-Haitien no final de 2011, abraçaram a proposta e organizam atividades em 1º de junho em várias pontos do país.
Atos públicos, debates, delegações a embaixadas, vão marcar o 1º de junho também na Argentina (com apoio da CTA), no Uruguai (apoio do PIT-CNT), México, Equador, República Dominicana, Peru, Estados Unidos e até na França (antiga potência colonial do Haiti).
No Brasil atividades da Jornada ocorrerão em Brasília, Fortaleza, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador e São Paulo. Nesta última cidade, ocorrerá a entrega de documento dirigido ao governo brasileiro pela retirada das tropas do Haiti, com manifestação diante do escritório da presidência da República (Avenida Paulista, conjunto nacional), às 17 horas.
Em 1º de junho, em vários países, estaremos ao lado de nossos irmãos haitianos para exigir:
• Anulação total e incondicional de todas as dívidas do Haití;
• Fim da política de ajuste estrutural;
• Restituição pela França dos 21 milhões de dólares pagos pelo Haiti quando de sua independência;
• Retirada imediata das forças de ocupação;
• Supressão do CIRH (Comitê Interino pela Reconstrução do Haití), instancia supranacional dirigida pelo ex-presidente de EUA, Bill Clinton;
• Indenização pela ONU de todas as vítimas da Minustah.
Fonte: CUT

Estados Unidos contra Cuba: mais que um bloqueio


Diz o ditado que é mais rápido você pegar um mentiroso que um coxo. O governo dos EUA diz que um dos objetivos de suas ações intervencionistas contra Cuba é facilitar o acesso dos cubanos à tecnologia da informação e comunicações. Um relatório publicado na semana passada pela agência Reuters mostra o oposto: EUA persegue, perturba e pune qualquer pessoa que tenta facilitar a entrada de tecnologia da informação e telecomunicações em Cuba.
O vídeo abaixo denuncia isto:

“Primavera do Quebec” sacode província canadense em defesa do acesso democrático à educação


Foto: guebala.blogspot.com

      Por ANA CRISTINA CARVALHAES
30 DE MAIO DE 2012

Claro que os processos de mobilização ampla sempre impressionam, em particular aos que simpatizam de antemão... De qualquer modo, não é exagero afirmar que há algo de novo no reino do Primeiro Mundo. No Quebec, a província mais populosa e mais rica do industrializado Canadá, uma greve começou estudantil e se tornou a maior mobilização popular do pós-guerra.

Os mais de 7 milhões de habitantes do Quebec são descendentes de colonizadores franceses, em contraste com as outras nove províncias anglófonas do país. 82% dos quebequianos são franco-canadenses e 10% anglo-canadenses. A província é de tradição ultracatólica e conservadora: até os anos 60, a Igreja Romana monopolizava a educação, por força da constituição provincial. À Universidade superelitista chegavam 3% dos jovens francófonos do lugar e não mais que 11% dos anglos.
Nos revolucionários anos 60, com o Partido Liberal do Québec (tido como progressista) no poder, a educação passou à responsabilidade do Estado provincial, que mantém os liceus secundários e universidades. Os liberais são os mesmos que, liderados pelo premiê Jean Charest, hoje enfrentam as passeatas e panelaços da rebelião. Nas Universidades, estuda-se em troca de uma taxa anual chamada de “direitos de escolaridade” ou simplesmente frais (custos), que começou nos 500 dólares canadenses (R$ 1.000 de hoje) ao ano e veio aumentando e se congelando de acordo com a correlação de forças.
É o equivalente à "tuitions" das universidades privadas norte-americanas. (Não é exatamente a soma das mensalidades das privadas brasileiras, porque inclui impostos.) Pois o governo de Monsieur Charest decidiu, em 2010, que a partir de 2012 até 2017 haveria um aumento progressivo da taxa, dos atuais 2.168 dólares canadenses (cerca de R$ 4.200) ao ano para o equivalente a R$ 7.300, o que significa 75% de aumento em cinco anos.
Como essas cifras anuais podem até parecer pouco para os castigados estudantes de escolas privadas no Brasil, é bom ressaltar os seguintes dados: dois terços dos universitários quebequianos não moram com os pais, 80% estudam e trabalham em regime parcial, 40% não recebem ajuda alguma da família e os outros 60%, além de ajuda, se endividam para bancar os estudos. Porque quase todos precisam de período integral, ou quase isso, para concluir os cursos.
Segundo o IBGE deles, a Statistique Canada, o aumento de 200% nos custos de estudos entre 1995 e 2005 fez saltar de 49% a 57% a proporção de secundaristas que desistem da universidade. Outro detalhe interessante: o mercado de empréstimos para pagar as "frais" criou, com a financeirização, uma bolha especulativa com papéis lastreados em empréstimos estudantis... Os analistas norte-americanos se arrepiam só de pensar...
Pois bem, enquanto o governo liberal preparava o pacotaço, as organizações estudantis preparavam a greve, que começou em 13 de fevereiro deste ano. Em 22 de março, uma data "nacional" quebequiana (com tradição de luta por autonomia frente ao governo central do Canadá), aconteceu a maior passeata da história de Montreal, a maior cidade da província. Incapaz e refratário a negociar, o governo liberal começou a ver cair mais rapidamente sua maioria nas pesquisas (até abril a opinião pública do Quebec ainda estava bem dividida em torno da necessidade do aumento das taxas).
Àquela altura, os estudantes já passavam a contar com o apoio de pais, mães, avós em passeatas diárias. Artistas, esportistas, personalidades, sindicatos e OAB local aderiram. Os jovens grevistas inventaram umas incríveis passeatas noturnas nas cidades quebequianas, com muitos tambores, cornetas e os indefectíveis paninhos vermelhos grudados nas lapelas. Em 13 de abril, o sindicato docente de uma das maiores universidades, Université du Québec en Outaouais (UQO), votou em assembléia partir para "ação direta" em defesa dos estudantes contra a polícia, o que desencadeou uma onda de adesões de professores. (Quem vir os vídeos das marchas no youtube vai identificar os docentes vestidos com trajes de “segurança” das manifestações.)
Acuado, Charest não teve melhor idéia do que fazer aprovar agora em maio, no parlamento provincial, que controla, uma Lei que restringe o direito de manifestação, impedindo aglomerações públicas de mais de 10 pessoas sem aviso prévio de 8 horas e licença da polícia, vetando reuniões a menos de 50 metros das universidades e proibindo o uso de máscaras, sob pena de multas altíssimas. A aprovação da lei foi o estopim de uma nova fase do movimento: os dirigentes chamaram a população a apoiar as passeatas, cada vez mais radicalizadas, com enfrentamentos, pedradas e pauladas com a repressão, com o barulho das panelas. As mesmas panelas do Chile de Allende e da Argentina do argentinazo.
O concerto das caçarolas
O Quebec vive há semanas um imenso e ininterrupto panelaço. A nova fase tirou da paralisia as velhas gerações. O movimento hacker Anonymous perpetrou uma invasão dos sites do ministério da Educação e do governo do Quebec. E a moçada autodenominou sua rebelião Primavera do Quebec, em analogia com a Primavera Árabe.
Clique aqui para ver um vídeo do movimento que se tornou viral no mundo anglo-saxão, lindíssimo:
No dia 23 passado, depois de tentar excluir uma organização estudantil da mesa de negociações, a ministra da Educação caiu. Começaram sinais de concessões mínimas por parte do governo. Mas a radicalização do movimento parece estar impedindo os negociadores estudantis de qualquer recuo. E agora as ruas exigem a revogação da Loi 78, a que restringiu o direito de manifestação e expressão.
As principais organizações dos estudantes são a Federação dos Universitários do Quebec (FEUQ), a Federação dos Secundaristas (FECQ), e a interessante Classe, sigla em francês de Coalizão Ampla da Associação por uma Solidariedade Sindical Estudantil. Essa, organizada pela base, decide tudo em Congressos, não tem líderes, mas dois “co-porta-vozes”, e é ligada pelo menos a uma federação importante, a dos funcionários públicos do Quebec. A Classe tem como ponto programático a educação pública e gratuita e não aceita menos do que o congelamento das taxas.
No sábado, 26, o principal jornal de Montreal tinha como chamada de capa a decisão dos grevistas da fábrica da Rio Tinto Alcan, em Alma, Quebec, de se "somar à greve estudantil". Dizia um piqueteiro: "Nós nos manifestamos contra a obra de Charest. Chegou a hora de a voz do povo se fazer ouvir. Nós queremos denunciar a venda da eletricidade estatal à Hydro-Québec, mas também nossa solidariedade aos estudantes. O conflito é um conflito da sociedade contra o governo".
Impossível prever os desdobramentos dos fatos dos últimos 104 dias de luta. No entanto, há quem diga, como Jean Marc Léger, dono do Ibope canadense, uma das personalidades pró-movimento, que há no ar e nas ruas uma raiva maior do que a raiva contra o aumento dos "direitos de escolaridade". Léger é autor de um texto que já se tornou um manifesto do movimento. No estilo das pesquisas de opinião de que é especialista, ele diz: "E você? O que você defende? Retornar a seus velhos hábitos no conforto e na indiferença? Você acha essa greve super-simpática desde que não mexa na sua quietude e que passe logo para que tudo fique como antes? Muito bem, senhores babyboomers (cidadãos hoje entre 60 e 70 anos), vocês não entenderam nada desse movimento! Os meninos e meninas não querem mais carregar o fardo dos seus erros. Não os quebrem e dêem a eles a chance de vencer. Do contrário, vocês terão fracassado".
O movimento do Quebec, descaradamente boicotado pela grande mídia, conta com o apoio do Ocuppy Wall Street, dos estudantes da Universidade da Cidade Nova York, de universidades de todo o resto do Canadá e da Islândia! Bem que está precisando e merecendo um apoio fraterno dos sindicatos docentes, de professores e organizações estudantis brasileiras.
Ana Cristina Carvalhaes é jornalista.

Os "negócios" e negociadores do Palácio do Planalto: como sucatear os serviços públicos


Enquanto a universidade pública  é sucateada
 pelos governos petistas, estes transferem
  recursos públicos para os barões do ensino privado.
Ministra Ideli sinaliza que Planalto aceita negociar dívida tributária de universidades por bolsas.
As Universidades públicas em greve não conseguem negociar com o Governo, mas os tubarões das privadas recebem toda a atenção do Palácio do Planalto. O dinheiro público para financiar a iniciativa privada enquanto a universidade pública sofre o descompromisso do Governo Federal. Veja o caráter da “distribuição de renda” do “modo petista de governar”.

A ministra Ideli Salvatti da Secretaria de Relações Institucionais anunciou a sinalização da presidenta Dilma Rousseff de transformar dívidas de instituições de ensino em bolsas de estudos do ProUni.
A ministra Ideli Salvatti da Secretaria de Relações Institucionais reuniu nessa quarta-feira (30), a Frente Parlamentar da Educação e a bancada parlamentar de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, onde anunciou a sinalização da presidenta Dilma Rousseff de transformar a dívida tributária de instituições de ensino em bolsas de estudos do ProUni.
A ministra explicou que segundo projeções do Ministério da Fazenda a dívida gira em torno de R$ 15 a 17 bilhões e pode abranger mais de 500 universidades. No entendimento do Planalto, a negociação é uma forma de evitar a falência das instituições de ensino, o que ocasionaria realocação de estudantes, professores e servidores, podendo gerar um problema social. Além disso, instituições com dívida tributária não possuem certidão negativa e por isso não podem aderir ao ProUni.
“Nossa expectativa é gerar de 300 a 400 mil bolsas de estudos em todo o país. O ProUni ofertou 1 milhão de vagas, ou seja, a medida vai ofertar um crescimento significativo na entrada de jovens carentes em instituições de ensino”, disse.
As instituições de ensino superior terão o prazo de 15 anos para quitar a dívida com a União, tendo um ano de carência. As universidades poderão sanar em até 90% a dívida com a oferta de bolsas de estudos.
A proposta será incluída por meio de uma emenda a medida provisória 559, tendo o deputado Pedro Uczai (PT/SC) como relator.  A proposta precisa ser aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
A ministra solicitou apoio dos parlamentares para que a medida provisória seja votada na Câmara dos Deputados na próxima terça-feira. E no Senado Federal até a metade de junho. Caso o trâmite aconteça a MP deve ir a sanção presidencial até o final do mês de julho.
(Janary Damacena - Assessoria de Comunicação SRI)